A nova Copa

000_15Y4TW-1024x682

Por Edyr Augusto Proença

Será que nos animaremos para a Copa do Mundo? Creio que sim. Aguardaremos a primeira vitória e as ruas vibrarão. Com nossa alma de cachorro vira lata, como dizia Nelson Rodrigues, ergueremos os punhos gritando, diante do mundo “dobrem-se ao talento brasileiro!”. Ao menos no futebol. Não me lembro da primeira Copa em 1958. Tinha apenas quatro anos, mas havia um elepê contendo a narração de todos os gols da seleção. O irmão mais velho tocava sem parar. Um problemão. A transmissão chegava com má qualidade. Assim, meu pai trancou-se em seu gabinete, no apartamento, colocou fones de ouvido e passou a dublar a narração. Uma façanha.

Quanto a nós, ficamos proibidos sequer de falar, quanto mais correr e gritar em brincadeiras, para não atrapalhar seu trabalho. Imaginem as ameaças que recebemos. Enfim, certamente, a de maior envolvimento emocional foi a de 1982. Eram meus ídolos em ação, o Flamengo campeão do mundo, dando show de bola, até aparecer Paulo Rossi. Pessoas choraram pelas ruas. Baixo astral. Foi como tomar pirulito de criança.

O futebol começou a mudar. As contratações. Nossos craques, como Falcão, Zico, Sócrates, Júnior, Oscar, sei lá quem mais, foram encantar os europeus. E chegamos hoje, em que os clubes europeus são verdadeiras seleções com os melhores jogadores do mundo. O esporte globalizou. Isso me fez pensar. Tenho uma idéia. Quero dividir com vocês. Deixem todas as opiniões de lado, por um instante.

Quando as Copas começaram, há muito tempo atrás, as equipes viajavam de navio. As comunicações também eram difíceis. Então, os encontros eram surpreendentes. Escolas diferentes de futebol. Lembro que em 1958, todos aguardavam a seleção russa, que praticaria o futebol científico. Bem, Mané Garrincha acabou com tudo. Mas havia a Italia e seu ferrolho. Os ingleses e o jogo aéreo. Os húngaros geniais. E os brasileiros, que jogavam sambando. Até tinha sentido cantar o hino nacional antes dos jogos, como se fossem dois exércitos para a guerra. Hoje, tudo mudou.

Para a maioria de jogadores consagrados e ricos, a Copa é um torneio de verão, já que deviam estar de férias após estafante temporada, mas que paga bons prêmios, renova contratos de publicidade, enfim. O resto é propaganda. Experimentem passar uma semana fora do Brasil. Provavelmente não lerão ou assistirão nenhuma notícia daqui. Imaginem um jogador de futebol, distante de casa, treino e jogo, conquistas, riqueza, um, dois, quatro anos. Perdem a ligação, nem lembram da torcida brasileira. Chegam aos treinos de helicóptero.

Joga-se da mesma maneira, globalizada, hoje, no mundo inteiro. Minha idéia, preparem-se: cada seleção é escolhida entre melhores jogadores em ação em cada país. Nada de nacionalidade. A seleção será de jogadores vistos a cada jogo, em cada país. Sim, dirão que Espanha e Inglaterra, por exemplo, serão favoritas. Pode ser, mas a seleção brasileira, acho, jogará da maneira que jogamos aqui. Com os ídolos locais. Perdemos referencia.

Somente quem assiste a jogos internacionais por canais fechados, acompanha os craques brasileiros. A seleção nem faz amistosos por aqui. É mais barato reunir os jogadores na Inglaterra, por exemplo. Estranho? Ficamos mais fracos e não seremos mais o destaque? Pode ser. Mas será o espelho do futebol em cada país. Penso também que torceremos mais fervorosamente por craques aos quais assistimos durante a semana, em nossos campeonatos. Minha idéia. O que acham?

(Publicado em O Diário do Pará, Caderno TDB, Coluna Cesta e opiniaonaosediscute.blogspot.com em 15.06.18)

América do Sul quer expulsar Nunes do Conselho da Conmebol

A Conmebol quer a cabeça do presidente da CBF, Antonio Carlos Nunes. O voto do Brasil no Marrocos para sede da Copa de 2026 – quando o combinado era votar na América do Norte – não foi digerido pela entidade que manda no futebol sul-americano. Ao que tudo indica, a crise só vai ter fim quando o Coronel Nunes, como gosta de ser conhecido, deixar o Conselho da Conmebol. Na CBF, a possibilidade de tirar o Coronel Nunes do Conselho é tida como quase impossível. Afinal, ele é o presidente – e ele teria que assinar a própria saída.

img-4700

O Conselho é formado pelos 10 presidentes das associações nacionais de futebol da Conmebol. É a instância que toda todas as decisões importantes da entidade – como, por exemplo, apoiar formalmente os EUA na disputada pela Copa de 2026. Cada integrante do conselho recebe um salário mensal de US$ 20 mil.

A Conmebol já recebeu pedidos de desculpas por parte de outros dirigentes da CBF, como o vice-presidente Fernando Sarney e o diretor-executivo Rogério Caboclo. Mas espera mais do que isso. A próxima reunião do Conselho da Conmebol será em agosto, na Bolívia, e é correto afirmar os outros nove países do continente não querem ver o Coronel Nunes por lá.

Isso já aconteceu no dia da abertura da Copa do Mundo, quando Nunes foi impedido por seus pares da CBF de ir a um evento da Conmebol que teve a presença do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Nas reuniões da Conmebol, isso não pode acontecer – alguém tem que ir.

Embora o Coronel Nunes não tenha violado nenhuma regra escrita, a Conmebol ameaça até abrir uma investigação em seu Comitê de Ética para investigá-lo. Seria mais um constrangimento para a CBF, que passou os últimos três anos tentando explicar ao mundo porque seu então presidente, Marco Polo Del Nero, não viajava para o exterior.

A Conmebol está disposta a repetir com Nunes a mesma fórmula adotada nos três anos em que Del Nero era presidente da CBF, mas não saía do Brasil – aceitou outro representante brasileiro no Conselho da entidade. O escolhido foi Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista. Se tal solução for repetida, a Conmebol espera que Rogério Caboclo assuma o lugar de Nunes. (Do Globo Esporte)

Um país que passa a acreditar apenas em culpa, nunca em inocência, está condenado ao desastre

5T0Tycaq

Por Reinaldo Azevedo, na Folha SP

A esquerda d’antanho gostava da tese mixuruca de que o futebol é que era o ópio do povo. A disputa nos distrairia de nossos reais problemas e serviria à manipulação ideológica —o futebol e também as… revistas em quadrinhos! Procurem saber o que é um livro hediondo, literalmente do século passado, chamado “Para Ler o Pato Donald”. Aqueles conceitos tortos, essencialmente errados, do que seriam “alienação” e “consciência” estão aí, vulgarizados até em memes, mas, desta feita, pela direita xucra.

O Brasil que sabe a escalação do Supremo, mas não a da seleção, é só um país infeliz, de patos com complexo de rottweilers nada amorosos.

Um país que passa a acreditar apenas em culpa, nunca em inocência, está condenado ao desastre. Nesse ambiente, as garantias legais são tidas como elementos procrastinadores da Justiça. As defesas dos indivíduos contra a força coativa do Estado, base de qualquer regime democrático, se dissolvem na paixão justiceira. Do habeas corpus à presunção de inocência, tudo se rende no altar do combate à corrupção, real ou suposta. Nosso gol é prender pessoas. Nosso talento é punir.

Link para a matéria de Reinaldo Azevedo.

Projeção estatística aponta final Brasil x Alemanha, com vitória alemã

102032356hi023081285

Uma má notícia para a Seleção Brasileira na Copa da Rússia. A equipe é a terceira colocada no ranking das prováveis campeãs, com 13,27% de probabilidade de levar a taça. Em segundo lugar, está a Bélgica, com 13,93% de chance. E, em primeiro lugar, está a Alemanha, a vilã do 7 a 1 na Copa de 2014, com 17,57% de chance de vencer o torneio. 

A previsão é do Grupo de Modelagem Estatística no Esporte (GMEE), que reúne estatísticos das universidades de São Paulo (USP) e federais de São Carlos (UFSCar) e da Bahia (UFBA). Eles acertaram os primeiros e segundos colocados das últimas três copas (2006, 2010 e 2014). (Do portal Terra)

Um pequeno aperitivo

000_15Y508-1024x669

POR GERSON NOGUEIRA

A Copa começou ontem, a festa foi meio chinfrim como toda festa de abertura, mas o povo sabe que o grande jogo desta primeira semana é mesmo Portugal x Espanha, que acontece hoje à tarde. Mundiais de futebol têm dessas coisas. Normalmente, o anfitrião enfrenta uma garapa logo na estreia para não desanimar a torcida. A Rússia encarou a Arábia Saudita e aproveitou a moleza. Marcou 5 a 0, placar que pode definir a vaga à próxima fase, mesmo sem ter feito uma exibição primorosa.

O jogo até que foi movimentado, com dois gols muito bonitos, o segundo e o quinto, mas é óbvio que os donos da casa não têm bala na agulha para ir muito longe. Passar da primeira fase já é um grande feito, capaz de animar a taciturna galera russa.

Costumo ver abertura de mundiais sem muita empolgação, pois todo mundo sabe que é um confronto definido pela organização com o intuito de alavancar as esperanças do torcedor. Nada de botar uma carne de pescoço logo na estreia, o que seria mais complicado porque a Rússia não atravessa um bom momento em termos futebolísticos.

A grande equipe do grupo A é o Uruguai, com Luiz Suárez e Cavani no ataque. Óbvio que é melhor começar a competição com o ainda ingênuo time árabe como adversário. Hoje, uruguaios e egípcios se enfrentam e poderemos ter uma ideia mais realista sobre a correlação de forças na chave.

Muito além do cotoco cuidadosamente planejado pelo cantor pop Robbie Williams, de carreira titubeante e músicas xaroposas, a cerimônia que inaugurou o torneio dá bem a medida do que se pode esperar nas próximas quatro semanas. A torcida vibra, comemora gols como qualquer outra, mas é torcida de Copa do Mundo.

Não há o saudável exagero natural das plateias que acompanham times de futebol pelo mundo. Os argentinos chegaram cantando suas músicas de endeusamento a Messi e Maradona, mas não é o suficiente para dar ao torneio algo parecido com o barulhinho bom da Copa de 2014 no Brasil, a competição que bateu todos os recordes mundiais de animação, apesar da existência de um grupelho de pascácios reclamando contra a existência do futebol.

Na Rússia, é improvável que isso se repita, como também não deve ser possível ver torcidas arrebatadas, apoiando e empurrando seus times. Pela educação mostrada pela plateia da abertura, esta deve uma Copa sem arroubos dos fãs. Vai depender exclusivamente da qualidade dos jogadores.

Cristiano Ronaldo e Iniesta têm a imensa responsabilidade de mostrar ao mundo, no clássico de hoje, que o torneio terá bons jogos pela frente. Como é a primeira rodada do grupo B, é quase certo que os times serão bem menos agressivos do que poderiam. O instinto de preservação fala mais alto. De qualquer maneira, Portugal e Espanha têm condições de fazer o melhor confronto deste alvorecer de campeonato.

Na outra partida da chave, Marrocos e Irã se digladiam com a convicção serena de que estão na Rússia para disputar três jogos e depois voltar para casa, pois ambos são candidatos óbvios à eliminação na 1ª fase.

———————————————————————————————-

Humildade pode ser o ponto de partida para grandes avanços

Houve quem imaginasse que os testes do Papão na semana, com a volta ao sistema 4-5-1, eram apenas ensaios livres. Dado Cavalcanti está deixando claro que a mudança é pra valer. Diego Ivo e Edimar serão os zagueiros e o time terá laterais de ofício, Mateus Silva e Carlinhos.

Contra o CSA, amanhã, o meio-de-campo também terá jogadores de marcação bem definidos – Nando Carandina e Renato Augusto. Os meias serão Alan Calbergue e Pedro Carmona. Na frente, Cassiano e Mike.

Pode dar certo, desde que os laterais funcionem como apoiadores do ataque e os meias sejam participativos, entendendo-se por isso a preocupação em alimentar o ataque. Cassiano precisa ser acionado constantemente, com jogadas que facilitem sua movimentação na área.

Dado admite com a reformulação do time que o 3-5-2 deu o que tinha de dar. Foi responsável pela surpreendente campanha vitoriosa no começo da Série B, mas aos poucos acabou perdendo força e vitalidade, passando a ser neutralizado pelos adversários.

A ideia de voltar a ter uma linha defensiva de quatro é interessante porque atesta humildade, virtude tão necessária e rara. Quando percebeu que o sistema usado não estava mais funcionando, o técnico não hesitou em buscar alternativas.

————————————————————————————————-

Joias do pensamento futeboleiro

“Um 0 a 0 é como um domingo sem sol”.

“Jogamos como nunca, perdemos como sempre”.

“Nenhum jogador é tão bom como todos juntos”.

“As finais não se jogam, se vencem”.

“A bola é feita de couro, o couro vem da vaca, a vaca come grama, então você tem que saber jogar a bola na grama”.

Don Alfredo Di Stéfano, craque argentino (1926-2014)

————————————————————————————————

Enfim, a Copa ganha um comentarista de alto calibre

José Trajano, velho batalhador das grandes causas, anunciou triunfalmente ontem que seu programa “Papo com Zé Trajano”, que vai ao ar de segunda a sexta na TVT, canal 441, HD Rádio Brasil Atual 98,9, das 18h15 às 19h, terá Luiz Inácio Lula da Silva como comentarista.

Torcedor inveterado, o ex-presidente Lula aceitou falar sobre os jogos da Copa no programa do Zé. O aplicativo para smartphones é disponibilizado na Play Store e na AppStore.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 15)