Globo e o jornalismo ‘esquenta’ torcida

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Por Joaquim de Carvalho, no DCM

Faz só quatro anos. O adolescente de pés descalços, com a camisa rubro-negra, provavelmente de algum time de várzea da periferia de São Paulo, pinta guias e sarjetas de verde e amarelo. Era véspera da Copa do Mundo, e o jovem, Gabriel Jesus, já se destacava nas categorias de base do Palmeiras. Hoje ele está na Rússia, para disputar sua primeira Copa do Mundo.

Gabriel é um vencedor.

Pena que jovens da periferia já não estão mais tão entusiasmados com a Seleção Brasileira quanto ele quatro anos atrás, e ruas não estão sendo enfeitadas como antes. Para os brasileiros, esta será uma Copa do Mundo triste. Talvez a mais triste da história. Nas ruas, a cena contrasta com a empolgação forçada dos profissionais da Globo.

No Jornal Hoje da véspera da abertura da Copa, apresentadora e repórter se aproximaram perigosamente do ridículo ao mostrar a “empolgação” da torcida. “A Seleção Brasileira só vai entrar em campo no próximo domingo, mas em muitas cidade, aí no Brasil, a torcida já está superanimada”, anunciou a apresentadora Sandra Annemberg, direto de Moscou.

Em seguida, um desfile de clichês e imagens forçadas que, no máximo, despertam um sentimento profundo de vergonha alheia: “Modéstia a gente não vê por aqui”, começa a narrar a repórter Renata Capucci. Uma entrevistada diz, com sorriso amarelo: “Esta rua está sempre assim, sempre alegre”.

Depois, segue-se uma sucessão de fake news, provavelmente um recorde: máquinas trabalhando a todo vapor para garantir as encomendas de camisa amarela, disputa em comércio popular para garantir “pelo menos um adereço verde e amarelo”.

“É tradição, é reunião, é curtição!”, conta a repórter, que acrescenta: “os moradores passaram noites em claro desde março, para fazer bonito na Copa. A reportagem termina com a frase: “Confiança, a gente por aqui”.

A Copa do Mundo era talvez um momento único em que brasileiros se uniam de fato. Algo mudou, e talvez para sempre. Alguns podem dizer que é só esporte, não precisa ser levado tão a sério assim.

Errado.

O escritor e jornalista Nélson Rodrigues já dizia que a Seleção é a pátria de chuteiras, um patrimônio cultural, Marilena Chauí escreveu sobre o esporte e o considerou um espaço democrático privilegiado: com poucas regras, iguala a todos no conhecimento.

A diferença está na habilidade, mas isso não faz do jogador um ser superior. Mais ou menos como Gabriel na foto em que pinta a rua: os atletas em campo são a extensão de quem está fora, legítimos representantes. No caso dele, uma situação privilegiada: passou da calçada para o gramado, da arquibancada para o vestiário.

Para infelicidade de Gabriel Jesus, o que mudou em quatro anos foi a alma do Brasil. Mudança que pode ser mensurada pelo comentário de um vendedor ambulante do Recife. Entrevistado sobre o movimento da venda de camisas, ele disse que a camisa amarela encalhou, mas a azul tem saído.

A amarelinha da Seleção virou adereço de golpista ou manifestoche. De qualquer forma, uma peça que nos cobre de vergonha.

Por que tanta gente vai torcer contra a Seleção Brasileira na Copa?

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É normal, sobretudo em época de Copa do Mundo, ouvir de alguns amigos e familiares que eles não estão nem aí para a seleção. Que preferem torcer pelo time do coração, que estão mais preocupados com eleição. Também não é novidade o discurso de inferiorização e pessimismo em torno dos 23 selecionados, que, de certa maneira, reflete a descrença nos rumos do país, traduzido por Nelson Rodrigues como “o complexo de vira-lata”.

Isso sem contar os brasileiros que, por diferentes razões, escolhem apoiar outra seleção. Mas, às vésperas do Mundial na Rússia, é impossível ignorar que o índice de rejeição e impopularidade da seleção brasileira atingiu patamares raramente observados. Muito além das reações de quem detesta futebol, esnoba o talento de Neymarou só empunha a bandeira em nome do seu clube, há gente de sobra disposta a secar, amaldiçoar e torcer contra o time que um dia foi o símbolo de orgulho da nação.

Para quem gosta de bola e de Copa, chega a ser irritante escutar sermões do tipo “o país nessa situação e o povo preocupado com futebol”, “só querem saber de pão e circo”, “enquanto você grita gol, estão roubando nosso dinheiro em Brasília”, “que o Brasil caia na primeira fase”, “que venha outro 7 a 1” e por aí vai… Porém, o descrédito popular que tem colocado em xeque o poder da seleção de mobilizar massas e unificar a identidade nacional a cada quatro anos não é fruto exclusivamente do mau humor dos que não enxergam a poesia que emana dos gramados. As causas transcendem o campo de jogo.

última pesquisa de torcidas do Datafolha, divulgada em abril, mostra que o número de pessoas que não se interessam por futebol no país aumentou de 31% para 41% em relação a 2010, quando a seleção ainda era comandada por Dunga. Praticamente o mesmo percentual de brasileiros que desprezam a Copa do Mundo.

Chama a atenção que, no “país do futebol”, de acordo com pesquisa da MindMiners, 54% dos torcedores consultados dizem acreditar que uma eventual conquista do Mundial pela seleção não vai melhorar a autoestima do brasileiro. E o mais sintomático: 58% entendem que os episódios que levaram ao indiciamento dos três últimos presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afeta, de alguma forma, a vontade de torcer pela seleção.

Tempos atrás, as suspeitas de ilícitos envolvendo cartolas eram tratadas como folclore no Brasil. Até que uma investigação do FBI desatou o Fifagate e implicou figuras como Ricardo TeixeiraJosé Maria Marin e Marco Polo Del Nero, menos de um ano depois do 7 a 1. Em compasso com os escândalos de corrupção na política, a entidade que controla nosso futebol sucumbiu na mão de dirigentes que, durante a Copa de 2014, exigiam patriotismo dos jornalistas e torcedores que criticavam as atuações do time de Felipão. E segue sem ter a exata dimensão de como a imagem associada a mandachuvas corruptos contribuiu para abalar a confiança dos brasileiros na seleção.

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Seleção que, inevitavelmente, acabou castigada por seguidas administrações primitivas e nebulosas na CBF. Há décadas o esporte nacional é gerido à base da troca de favores, politicagem barata e interesses comerciais sustentados pela lógica da propina. Por mais vitoriosa que seja sua história em campo, não há instituição que passe incólume a tantas mazelas fora das quatro linhas. O que ajuda a explicar a perda de apelo não só da seleção, mas do futebol brasileiro como um todo.

Desconsiderando os comerciais de TV que apelam ao ufanismo, é cada vez mais raro presenciar demonstrações de amor à seleção. O que também dá uma medida do ódio. Por trás dele, irrompem jatos de frustração e raiva represadas pelo legado às avessas que a realização da Copa deixou para o país. Dos estádios superfaturados ao vexame contra a Alemanha, tanto o cético em relação a futebol quanto o torcedor mais apaixonado amargaram alguma dose de ressentimento. Havia caminho para uma reconciliação ao menos afetiva após Tite assumir a seleção e resgatá-la do fundo do poço. Mas, ao longo dos últimos quatro anos, dirigentes da CBF estavam mais preocupados em se livrar dos escândalos de corrupção do que em reaproximar o “brasileiro comum” do futebol.

A elitização tomou conta dos estádios, torcedores mais pobres foram afastados das arquibancadas, e a seleção virou produto cobiçado por empresas e patrocinadores que não veem problema em atrelar sua marca a uma entidade devassada pelas denúncias de corrupção. No meio desse processo de distanciamento, a camisa amarela da seleção ainda sofreu com a apropriação por grupos de manifestantes que a utilizaram como instrumento político. Neste cenário de Fla x Flu ideológico, uma parte da população agora sente ojeriza pelo uniforme com o escudo da CBF. Rejeição que, para muitos, se estende à seleção. Pela primeira vez no período democrático, o Brasil acompanhará uma Copa diante de tamanha polarização das correntes políticas, já que, em 2013, nos protestos que antecederam a Copa das Confederações, e em 2014, nas manifestações contra o megaevento, a pauta de reivindicações era bem mais difusa e menos identificada com determinada ala de militância.

Entre o apreço e o desdém por símbolos nacionais, a crise de credibilidade da seleção brasileira também respinga nos jogadores. A maioria deles joga no exterior, tem poucos vínculos com torcedores locais – algo acentuado pela falta de empenho da CBF em promover jogos com preços acessíveis no país – e falha ao não se esforçar para romper o estigma de cidadãos alienados, que, sob o status de personalidades globais, quase sempre resumem engajamento social a ações de caridade. Naturalmente, uma hora ou outra, torcedores como os que engrossaram o sarcástico protesto “um professor vale mais que o Neymar” se revoltam ao ver os ídolos reduzidos à figura de meros popstars.

Há quem interprete o desleixo pela seleção como um sinal de maturidade do brasileiro, que, supostamente, não se deixa mais enganar por “pão e circo” – como se fosse impensável conciliar a paixão pelo futebol com senso crítico. Todavia, é bem provável que, com o início dos jogos na Rússia, ainda mais se o Brasil mantiver o bom nível de atuação, o clima de Copa se espalhe tal qual em 2014, quando o grito de “não vai ter Copa” deu lugar a euforia nas ruas. Mas não resta dúvida de que os acontecimentos desde o Mundial passado, principalmente os escândalos de corrupção na CBF, arranharam a imagem do nosso futebol e, por tabela, a da seleção. Aquele que torce contra a pátria de chuteiras não é menos brasileiro que aquele que comemora fervorosamente cada gol anotado pelos comandados de Tite. Pois nada tem a ver com antipatriotismo.

O “torcer contra” é, acima de tudo, uma resposta dos que não se sentem representados pelas instituições que se apropriaram da seleção. Um direito tão legítimo quanto o de quem prefere torcer a favor, apesar das contraindicações.

(Por Breiller Pires, no El País)

Caso Marielle: 90 dias sem respostas

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Passados três meses da execução da quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro em 2016, o crime segue sem resposta. Marielle Franco, do PSOL, ficou conhecida por seu histórico de defesa dos direitos humanos e por fazer política articulando cirurgicamente as questões de gênero, raça e classe.  Dias antes de seu assassinato, ela foi nomeada relatora da comissão criada na Câmara de Vereadores para monitorar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

Na manhã de quarta-feira, familiares de Marielle acompanharam a ação realizada pela Anistia Internacional em frente ao prédio do Ministério Público  (MP) do Rio. Renata Neder, coordenadora de pesquisa, políticas e advocacy  da entidade classificou o silêncio das autoridades sobre o fato como “preocupante”.  Segundo ela o ato que culminou na entrega de ofício pedindo atuação mais firme do MP é uma cobrança necessária.

 “A Anistia Internacional também espera que o Ministério Público exerça seu papel de controle externo da atividade policial, acompanhando e monitorando a atuação da Polícia Civil nas investigações.” , diz Renata. Para ela, o MP precisa reafirmar o comprometimento e prioridade no caso.

O Ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou em áudio divulgado por meio de sua assessoria de imprensa, que o caminho da investigação aponta, sem dúvidas, para a responsabilização das milícias.

“Esse caso também teve impacto internacional. O que de fato acontece é que esse é um crime de desvendamento complexo. Pelo menos até onde eu saiba, e eu devo voltar ao Rio essa semana, não se tinha informação do motivo. Qual foi a ameaça? Qual foi o conflito que Marielle se envolveu para que acontecesse essa tragédia que aconteceu com ela. Evidentemente tem indícios que apontam com clareza para milícia”, afirmou o ministro.

A sofisticação do assassinato corrobora para essa versão pela premeditação do crime e o profissionalismo dos executores. Agora a Polícia Civil investiga se Marielle era alvo de escuta. Segundo informações divulgados pelo jornal O Globo, pessoas ligadas ao gabinete relatam que as placas do teto foram alteradas depois do recesso do final do ano.

Vice-coordenadora da comissão externa da Câmara dos Deputados criada para acompanhar as investigações sobre os assassinatos, a deputada federal do PCdoB Jandira Feghali afirma que também está estranhando a demora na resolução do crime

“Até agora não temos notícias concreta e objetiva sobre as investigações, já fizemos reuniões várias vezes com autoridades policiais e da intervenção, já fizemos reuniões com entidades da sociedade civil, reuniões fechadas com criminalistas e peritos e agora vamos ao Ministério Público”, disse Feghali.

Mais do que quem puxou o gatilho, a motivação do crime é decisiva para compreensão do caso no país que tem um vereador morto por mês segundo dados da União de Vereadores do Brasil (UVB). Entre 2017 e março deste ano, mês da morte de Marielle,  pelo menos 23 prefeitos e vereadores foram assassinados no Brasil.

De grande complexidade, a própria Polícia Civil comparou as investigações a outros casos como os assassinatos da juíza Patrícia Acioli, em 2011, e do pedreiro Amarildo Dias de Souza, em 2013. No entanto, ambos demoraram cerca de dois meses para serem finalizados enquanto as mortes de Marielle e Anderson seguem por 90 dias sem respostas.

Para Feghali as mortes têm conjunturas bem diferentes, sobretudo, por Marielle e Anderson serem executados num contexto de intervenção militar no Rio de Janeiro.

“O crime da Amarildo e da Patrícia têm características diferentes, o crime contra Marielle tem característica de crime político muito mais evidente e aconteceu sob intervenção [federal/militar], tem complexidade maior no ponto de vista do simbolismo e do que envolve”, disse a deputada federal do PC do B.

Jandira pontua que a comissão que não investiga, mas acompanha, vai ter que aumentar o nível de cobrança junto ao MP e a Polícia Civil.

Linha do Tempo do crime

14/03 – Pelo menos 13 tiros foram disparados contra o carro que levava a vereadora Marielle Franco. Quatro deles atingiram Marielle na cabeça que morreu na hora, assim como seu motorista, Anderson Gomes, baleado nas costas.

15/03 – É criada e instalada, no âmbito da Câmara dos Deputados, a Comissão Externa destinada a acompanhar, no Rio de Janeiro, as investigações referentes aos assassinatos tendo como Coordenador o deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ), a deputada Jandira Feghali como Vice-Coordenadora e o deputado Glauber Braga como Relator.

16/03 – Constatou-se que a munição (lote UZZ18) pertencia a um lote vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006. Munição do mesmo lote já foi utilizada em diversos crimes no país, inclusive na Chacina de Osasco (uma das maiores da história do Brasil).

21/03 – A comissão externa da Câmara dos Deputados criada para acompanhar as investigações sobre os assassinatos faz sua primeira reunião. Soube-se que cinco das 11 câmeras de trânsito da Prefeitura do Rio que estavam no trajeto de Marielle estavam desligadas.

29/03 – O Secretário de Estado de Segurança do RJ, o general Richard Nunes afirmou em entrevista que a investigação caminha no sentido de confirmar a tese de que fora um crime com motivações políticas.

03/04 – Após cogitar a possibilidade de federalização da investigação, o Conselho Nacional do Ministério Público decide manter, no âmbito estadual, a investigação do órgão sobre o caso.

04/04 – Investigadores descobrem o número do celular do motorista do carro usado no dia dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson.

14/04  –  Um mês depois da execução. O secretário de Estado de Segurança Pública, general Richard Nunes, afirmou na imprensa que foram descartadas possíveis motivações pessoais ou uma suposta retaliação de funcionários do gabinete de Marielle. Vários vereadores foram chamados para prestar depoimento, entre eles Marcello Siciliano, do PHS. Manifestações em diversas cidades do Brasil e do mundo realizaram atos pedindo justiça e contra a intervenção militar do estado do Rio de Janeiro.

24/04 – É anunciado o fim da perícia, 41 dias após o crime.

03/05 – Imprensa divulga que câmeras no Estácio foi desligada na véspera das mortes de Marielle e Anderson.

07/05 – Reportagem da Record, afirma que Marielle foi morta por submetralhadora e não pistola, é de uso restrito das forças de segurança e pode ter sido desviada do arsenal da própria Polícia Civil.

08/05 – Delator, ex-miliciano, acusa Orlando Oliveira Araújo, conhecido como Orlando Curicica em ser mandante do crime ao lado do vereador Marcelo Siciliano do PHS. De acordo com a testemunha, a morte de Marielle foi decretada porque as ações de consciencialização que ela fazia em favelas contrariava interesses dos dois principais suspeitos. A milícia de Orlando controla sob o poder e o terror das armas várias favelas na zona oeste do Rio de Janeiro, nomeadamente na região de Curicica, e onde o vereador Marcello Siciliano também tem reduto eleitoral. Ambos negaram envolvimento em depoimento. Inclusive Curicica o fez em carta divulgada pela imprensa.

10/05 – Polícia Civil realiza reconstituição do caso. Conclusões não foram divulgadas.

14/05 – 60 dias sem respostas sobre os crimes. Justiça autoriza transferência de Curicica para presídio federal por questões de segurança, o que até hoje não aconteceu. Curicica está preso desde outubro por ter mandado matar um homem que instalou um circo em uma área dominada por ele, sem autorização. Segundo relatos da mídia, a circunstância do assassinato são parecidas com a que pôs fim a vida de Marielle.

11/06 –  Comissão Externa que acompanha as investigações reuniram-se com Maria Laura Canineu, representante da ONG Internacional Human Rights Watch, para discutir os últimos desdobramentos do caso e as estratégias para pressionar por mais celeridade e empenho das instituições do Estado em chegar à conclusão deste atentado contra a democracia.

13/06 – Anistia Internacional exige atuação mais estratégica do Ministério Público depois de 90 dias sem solução do caso.

14/06 – Três meses do assassinato de Marielle e Anderson na mesma semana do aniversário de quatro meses da intervenção federal/militar no Rio de Janeiro. (Do Sul21)

Trio regional é aposta de Artur no Leão

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O lateral direito Bruno Limão, o volante Keoma (foto) e o zagueiro Romário já se apresentaram ao Remo e foram integrados ao elenco como os últimos reforços para a Série C. O trio foi recomendado por Artur Oliveira e deve ganhar chances no time titular. Limão era jogador do São Raimundo, Keoma e Romário defenderam o Bragantino no último Parazão.

Outro que treina normalmente é o volante Vacaria (ex-Juventude), cotado inclusive para estrear contra o Atlético-AC na próxima segunda-feira, no Mangueirão. Dudu, meia oriundo do Vila Nova (GO), também pode ganhar chance.

Nos treinos desta quarta-feira, a equipe titular teve a seguinte formação: Vinícius; Levy, Mimica, Bruno Maia e Esquerdinha; Keoma (Dudu), Brasília (Vacaria), Everton e Rafael Bastos; Eliandro e Elielton.

Blindagem a delatores abre brecha para anulação de processos contra Lula

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A coluna Painel, da Folha de SP, traz informações que revelam as reações internas em órgãos oficiais de combate à corrupção como o TCU, CADE e outros à decisão do juiz Sérgio Moro, que blindou delatores e empresas. Já há consenso entre seus integrantes de que Moro plantou a “semente” da nulidade de diversos processos na Lava Jato, ao negar o acesso à provas, por parte de órgãos oficiais.

A medida que protege os delatores, chamados de colaboradores por Moro, bem como suas empresas, não tem previsão na legislação brasileira. Juristas afirmam que a decisão foi baseada numa lei americana, portanto, ilegal aqui. Com isso, o PT abriu uma busca detalhada por nulidades nos processos do ex-presidente Lula e já tem por onde começar.

Leia as notas do Painel:

Agulha em palheiro

O PT vai levantar todos os nove casos que foram alvo da decisão do juiz Sergio Moro de restringir o uso de informações compartilhadas pela Operação Lava Jato com cinco órgãos do governo federal e o Tribunal de Contas da União. A sigla quer saber quem são os citados e que advogados atuaram nos depoimentos agora protegidos pelo juiz.

Foi-se

No TCU, a avaliação é a de que a decisão que blindou empresas lenientes e delatores plantou uma “semente da nulidade” em casos da corte.

Anéis…

Integrantes da AGU dizem que ações do órgão não usaram provas obtidas pela Lava Jato e, portanto, estariam a salvo da canetada de Moro. Mas há preocupação com os casos em que representa a Fazenda Nacional e o TCU.

… e dedos

Procurada, a assessoria da AGU disse que o órgão não foi intimado da decisão e que não analisou o tema. 

Sem presença do coronel, CBF confirma sedes da Copa América

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A Confederação Brasileira de Futebol confirmou nesta quinta-feira as cinco cidades-sede da Copa América de 2019, que será realizada no Brasil. Os jogos do torneio continental acontecerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (foto), Porto Alegre e Salvador.
A definição das cinco sedes aconteceu no encontro entre os presidentes de federações sul-americanas, na inauguração da casa Conmebol, em Moscou, na Rússia.

O vice-presidente da CBF, Fernando Sarney, foi o responsável por discursar, já que Coronel Nunes sequer apareceu no evento pelo mal-estar criado na última quarta-feira.

Além de Fernando Sarney, quem também representou a CBF no encontro foi Rogério Caboclo, diretor executivo de gestão e futuro presidente da entidade. Caboclo, que já venceu a eleição presidencial sem qualquer concorrente, assumirá o cargo em abril de 2019.

Apesar de as cidades-sede terem sido divulgadas, ainda não se sabe em quais estádios os jogos irão acontecer. A tendência é que apenas em São Paulo haja a possibilidade de os confrontos não serem realizados no estádio que sediou a Copa do Mundo de 2014, uma vez que o Allianz Parque está na briga para desbancar a Arena Itaquera como palco da Copa América.

A Copa América de 2019 está prevista para começar no próximo dia 14 de junho. A final acontece no dia 7 de julho. Esse será o primeiro torneio continental de seleções realizado no Brasil desde 1989, quando a Seleção se sagrou campeã em cima do Uruguai.

Que comecem os jogos

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POR GERSON NOGUEIRA

Celebração é a palavra que melhor define uma Copa do Mundo. Nada se aproxima mais do significado de festa popular do que o maior torneio de futebol do planeta. Estão em campo as tradições, escolas e bandeiras mais respeitadas. E, acima de tudo, haverá o desfile dos melhores jogadores, treinados por alguns dos melhores técnicos.

Para quem ama futebol, a espera de quatro anos pela competição se justifica plenamente quando amanhece o dia da abertura da nova edição. É como a reação das crianças ao receber um presente há muito sonhado.

Comecei a ter ideia da verdadeira grandeza de uma Copa em 1970 por ocasião do tricampeonato mundial. Era moleque, tinha 12 anos e fui ver um jogo entre Brasília e Baião, os dois times tradicionais da minha cidade.

De repente, quase ao final do jogo, irrompeu um carnaval entre as pessoas que estavam em torno do gramado. Todos pulavam, cantavam e se abraçavam. O Brasil havia vencido a Itália por 4 a 1, no México. Como o resto do país, os baionenses mergulhavam na grande comemoração.

Nunca mais esqueci aquelas imagens. Para um menino, nada é mais marcante do que a alegria espontânea, a vibração natural e as expressões felizes de amigos, conhecidos e irmãos.

Quis o destino que o futebol continuasse a cruzar o meu caminho. Nos anos seguintes, cobri quatro mundiais e estou me preparando para fazer a quinta. A emoção é a mesma da primeira vez em que estive na tribuna de honra, vendo as seleções entrando em campo para uma partida de Copa.

Em 2006, em Berlim, acompanhei a estreia brasileira na Copa alemã diante da Croácia. Quando soaram os acordes daquele empolgante hino da Fifa e o trio de arbitragem entrou no gramado, seguido pelos dois times, não segurei as lágrimas. Veio à mente o júbilo que havia vivido e testemunhado 36 anos antes no estadinho e nas ruas enfeitadas de Baião.

Vi ali meu pai José, que jogou futebol e chegou a ser árbitro e técnico, só para não se afastar da atividade tão amada. Se pudesse, teria ele ali ao meu lado. Melhor ainda: se possível, trocaria de lugar para que tivesse a honra tão merecida de ver uma Copa acontecendo ali sob seus olhos.

Foi dele que recebi as primeiras informações sobre os grandes craques, as táticas, histórias, encantos e lendas do jogo. Quando consegui segurar o choro, veio o alívio feliz por lembrar que estava ali a representá-lo, modestamente.

Uma Copa demarca a passagem do tempo. Funciona como um calendário especial. Costumamos lembrar datas, alegres ou não, pelo quadriênio que separa um torneio do outro. O que vamos ver hoje, no estádio Luzhniki, em Moscou, a partir das 11h30, é representação máxima daquele que é o único esporte realmente unificador.

Nem o mercantilismo avassalador – e seus tentáculos destrutivos – que contamina atletas, clubes, federações e empresas consegue superar o gigantismo do futebol nos corações e mentes de meninos do mundo inteiro.

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Mudança oportuna de rumos no Papão

A possível volta de Pedro Carmona e prováveis mudanças na linha de defesa, que pode voltar a atuar com dois zagueiros, confirmam que Dado Cavalcanti aproveitou os últimos dias para fazer uma boa reavaliação sobre a maneira de jogar do Papão.

As derrotas fora de casa para Criciúma e Goiás ligaram o desconfiômetro lá pelas bandas da Curuzu e a conclusão óbvia é a de que o sistema de jogo precisa ser modificado. Funcionou bem nas primeiras rodadas, mas os adversários passaram a mapear os pontos fracos e a neutralizar o PSC.

Com Carmona de volta, caso se confirme a formação usada nos treinos, o time ganha em qualidade, mas perde em intensidade e resistência. É uma substituição certa no segundo tempo. Alan, mesmo atuando abaixo do esperado contra Criciúma e Goiás, merece continuar no time.

A indagação que permanece é quanto ao aproveitamento de William, o volante que Dado efetivou durante o Parazão e que perdeu espaço na Série B, mesmo sem ter qualquer atuação mais comprometedora.

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O novo mico internacional do coronel

No mesmo estilo de caboclo interiorano que marcou sua longa trajetória como cartola no Pará, o coronel Antonio Carlos Nunes voltou a pisar na bola durante contato com a imprensa que cobre a Seleção Brasileira na Rússia. Confundiu Mar Vermelho com Mar Negro e chegou a ensaiar uma gabolice, se autolouvando pelos préstimos ao PSC. “Carreguei aquele clube nas costas”, afirmou, sem esconder o orgulho.

Sem o suporte de assessoria, Nunes desandou a falar o que não podia, nem devia – como em outro mico cometido há alguns anos, durante a Copa América. Falou de suposta amizade com o novo presidente da Fifa, que, como se sabe, não quer muita proximidade com a cartolagem brasileira.

Para coroar esses primeiros dias em Sóchi, o coronel votou na candidatura de Marrocos à sede da Copa do Mundo de 2026. Com isso, contrariou um acordo firmado há meses pelos países da Conmebol em torno da candidatura de Estados Unidos, México e Canadá.

O pior nem foi ter traído o acordo, mas a mentira boba, logo descoberta. Nunes pensou que a votação era secreta e tentou negar que houvesse votado em Marrocos. Depois, com o voto revelado, desconversou, alegando simpatia pela proposta marroquina.

Pode ter arranjado uma tremenda encrenca na relação entre CBF e Conmebol, até por ter despertado a suspeita de que teria feito “pirracinha” com raiva dos americanos, que botaram Marin no xilindró e ameaçam prender Del Nero e Ricardo Teixeira, todos amigos (estes sim) de Nunes.

Perdeu magistral oportunidade de manter o bico calado.

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Poucos brasileiros viram o Brasil ganhar 5 Copas

Um estudo da UnitFour, que trabalha com dados para o mercado, mostra que apenas 6% da população viu o Brasil ganhar cinco Copas do Mundo – e as mulheres são maioria. A estimativa considera apenas aqueles com, idade superior a 5 anos na data de cada um dos títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). A população que continua viva desde a primeira conquista, atualmente, está na faixa entre 65 e 85 anos.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 14)