O país da barbárie e da indiferença

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“Ele não viu que eu estava com roupa de escola, mãe?”.

Últimas palavras do menino Marcos Vinícius, fuzilado quando voltava da escola por soldados que ocupavam helicópteros das forças de ocupação militar no Rio de Janeiro.

“A ambulância demorou uma hora para chegar porque os policiais mandaram ela voltar da avenida Brasil. Aí veio uma ordem superior mandando ela entrar. Nesse momento, meu filho já estava estava roxo, pálido, gelado. O beicinho dele já estava inchado. (pausa…) Ele estava falecendo ali na minha frente. O meu filho ontem perdeu o baço, ele perdeu um rim, ele tomou ponto no estômago e os estilhaços acabaram com tudo dele. Eu não tenho o que doar do meu filho, entendeu, gente?” – palavras da mãe de Marcos Vinicius. Ela queria doar os órgãos do filho de 14 anos e não conseguiu.

(by Kédma Ferreira, no Face)

E há quem acredite que este país tem jeito.

De azul, Brasil vence a 1ª e Neymar aproveita para desabafar

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A primeira vitória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Rússia foi conquistada com muita dedicação dos jogadores, que apenas nos acréscimos conseguiram furar o forte sistema defensivo da Costa Rica e marcar os dois gols que deram a Tite mais tranquilidade após uma estreia ruim, com empate. Uma imagem logo em seguida ao apito final, entretanto, chamou atenção: a comoção de Neymar, que usou as redes sociais para se explicar e desabafar.

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“Nem todos sabem o que passei pra chegar até aqui, falar até papagaio fala, agora fazer… poucos fazem!! O choro é de alegria, de superação, de garra e vontade de vencer. Na minha vida as coisas nunca foram fáceis, não seria agora né !!! O sonho continua, sonho não … OBJETIVO! Parabéns pela partida rapaziada, vocês são F*”, escreveu Neymar em sua conta no Instagram.

Assim que o árbitro holandês Bjron Kuipers decretou o fim do jogo, o camisa 10 caiu no gramado muito emocionado e aos prantos. Depois de uma lesão no pé que fez da sua presença na Rússia uma incógnita, a estreia ruim diante da Suíça rendeu novas críticas, corroboradas depois de sua atitude nesta sexta-feira, apesar do gol marcado.

Durante a semana, o craque correu riscos de não atuar no duelo diante da Costa Rica por conta de dores no tornozelo, que lhe tiraram de parte do treinamento da última terça-feira. Porém, o processo de recuperação foi intensivo, a fim de promover sua presença sem restrições. Agora, Neymar volta a campo na próxima quarta, quando a Seleção mede forças com a Sérvia, na Arena Spartak.

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primeira vitória da Seleção Brasileira teve contornos dramáticos. Escolhido pelo técnico Tite para atuar como capitão em São Petersburgo, o zagueiro Thiago Silva destacou a persistência da equipe para buscar o gol após o lance mais polêmico da partida.

Neymar recebeu na cara do goleiro Keylor Navas, mas, ao invés de finalizar, preferiu cavar pênalti de Giancarlo Gonzalez, marcado e anulado pelo árbitro Bjron Kuipers após observar o lance em vídeo. Persistente, o Brasil manteve a pressão até marcar com Philippe Coutinho e Neymar.

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“Em um momento do jogo, ficamos preocupados, porque, quando você martela, martela e o gol não sai, vem aquele sentimento: ‘pô, não é hoje’. Mas nunca deixamos de acreditar. Mesmo depois do pênalti, não deixamos de querer o jogo. Foi premiada a equipe que mais quis jogar futebol”, disse Thiago Silva, que evitou reclamar do lance em campo.

“Faltavam poucos minutos. Se fôssemos argumentar, levaria isso adiante e, de repente, não teríamos tempo para fazer o gol. A decisão foi tomada, ele não mudaria. Isso só agravaria ainda mais com cartão amarelo. Nessas horas, acho que devemos ter tranquilidade para saber falar, por mais que a cabeça esteja quente”, disse o capitão.

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Com o triunfo sobre a Costa Rica, a Seleção Brasileira chega aos quatro pontos ganhos no Grupo E da Copa do Mundo. Às 15 horas (de Brasília) de quarta-feira, no Estádio do Spartak, o time defendido por Thiago Silva encara a Sérvia na última rodada da primeira fase do Mundial.

“Vamos tentar seguir nessa linha, de jogar e buscar a vitória, mas sem ficar descoberto atrás. Tanto eu quanto o Miranda fizemos uma excelente partida nesse aspecto. Os dois laterais, também. O caminho é continuar acreditando, por mais que seja difícil”, declarou o zagueiro. (Da Gazeta Esportiva)

Fora da Copa, EUA tentam lançar suspeita sobre seleção russa

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Envolvida em um escândalo de doping e com um desempenho surpreendente na Copa do Mundo, a seleção russa preocupou o chefe da agência antidoping dos Estados Unidos, Travis Tygart. Hoje (22), o dirigente pediu a Fifa que os jogadores anfitriões testem para a utilização de substâncias proibidas.

“O time russo deve passar por testes agressivos para garantir a confiança do público na integridade da Copa do Mundo”, disse Tygart ao jornal britânico The Telegraph.

O pedido acontece após as vitórias contra a Arábia Saudita, por 5 a 0, na estréia da Copa e conta o Egito, no segundo jogo, por 3 a 1. A Fifa afirmou que não pode divulgar as informação sobre a quantidade de vezes que a seleção do país-sede passou pelo exame, mas garantiu que a Rússia foi uma das equipes mais testadas.

Parece coisa de gente invejosa – e é.

Vitória da Nigéria dá sobrevida à Argentina

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A Nigéria venceu a Islândia por 2 a 0, na tarde de hoje (22), em Volgogrado, assumiu a segunda posição no Grupo D da Copa do Mundo da Rússia, com 3 pontos, e deu sobrevida à Argentina, próximo adversário dos verdes.

O primeiro tento africano saiu aos 3 minutos do segundo tempo com um golaço do atacante Musa, após contra-ataque pelo flanco direito puxado por Moses. O atacante recebeu a bola na área, dominou com o pé direito e fuzilou a meta do goleiro Halldórsson.

O mesmo Musa definiu o placar, aos 29 da etapa final, depois de receber um lançamento, ganhar na velocidade do zagueiro Árnason, driblar o goleiro e tocar para o fundo da rede.

A equipe escandinava ainda teve chance de diminuir aos 37, com o armador Sigurdsson, que mandou a cobrança de pênalti na lua. A infração foi marcada com auxílio do árbitro de vídeo, que viu falta do lateral-direito Ebuehi sobre o avançado Finnbogason dentro da área.

O confronto direto da Nigéria – que se classifica se vencer – contra a Argentina será na próxima terça-feira (26), às 3h da tarde, em São Petersburgo. No mesmo dia e horário, em Rostov, a Islândia vai precisar ganhar da líder Croácia e torcer por um triunfo simples dos portenhos para não voltar mais cedo para casa.

A noite do maestro Modric

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POR GERSON NOGUEIRA

Quem reservou a tarde de ontem para ver Messi finalmente estrear na Copa terminou por assistir um show particular do tranquilo Modric, maestro da Croácia, espécie de dínamo com a bola nos pés, responsável por ditar ritmo e organização na meia-cancha. Sem espalhafato, transitou sem atropelos de uma intermediária a outra, botando seus companheiros de ataque em condições de tiro e ele próprio disparando um míssil indefensável no segundo gol croata.

Messi, ao contrário, voltou a parecer um cavaleiro tristonho na desregulada esquadra argentina. Não se viu brotar em nenhum momento aquela velha volúpia ofensiva, que se materializa nas arrancadas rumo ao gol inimigo. Tentou apenas duas vezes entrar na área croata. Como enfrentou resistência, sumiu da zona de definição e resolveu ir buscar jogo em sua própria intermediária.

Muito do visível desalento de Messi pode ter a ver com a balbúrdia tática da equipe, que não explora as investidas pelos lados e nem pelo centro do campo. Não há um organizador – embora Di Maria esteja no banco de reservas. Poucas vezes a Argentina esteve tão precariamente representada em Copas do Mundo. Mesmo na trôpega campanha na Copa da Alemanha, em 2006, com Maradona no comando, o time tinha lá seus lampejos.

A diferença de atitude entre os solistas das duas seleções ficou evidente no placar, todo construído no segundo tempo. Os primeiros 45 minutos foram de dar dor de dente em serrote, mas, a partir de um erro terrível de Caballero na reposição de bola, a partida ganhou em emoção, angústia e dramaticidade.

O vinagre azedou para a Argentina quando Modric, que já era senhor absoluto do meio-campo, apareceu junto à área, deu dois passos com a bola e disparou um chute forte, entre as mãos do goleiro e o poste esquerdo. 2 a 0. Uma pintura de gol e um dos lances mais bonitos da Copa.

Quando veio o terceiro, do bom Rakitic, até a Casa Rosada sabia que a vaca já tinha ido ao brejo. A jogada lembrou aqueles exercícios em campo reduzido, tal a facilidade dos croatas trocando passes na pequena área. Zonza, a Argentina tropeçava em passes curtos. Como de hábito, abriu a caixa de ferramentas. Otamendi só não foi expulso porque o árbitro aliviou.

Além dos festejos pela classificação croata e da tristeza de Messi, com a qual todos os amam futebol devem ser solidários, chamou atenção o jeito esfuziante do técnico Sampaoli, mais tatuado que frontman de banda heavy metal. Um troço ridículo, a provar que presepadas estilosas não encantam apenas jogadores de cabeça oca, como Neymar, mas técnicos também.

Esta é, provavelmente, a Copa derradeira de Lionel Messi. Adeptos do futebol bem jogado têm muito a lamentar por isso. Talvez seja o caso de se dizer, lá na frente, como a respeito de Zico e Sócrates, azar da Copa que não deu a glória de um título a La Pulga.

O jogo de ontem não foi o último tango, mas deixou a impressão de que o craque já não tem qualquer sintonia com a seleção de seu país. Deixou o gramado sozinho, expressão fechada e abatida. Messi é introvertido, não é do tipo que parte para cima de treinador, mas deve ter chegado à mesma conclusão de Vicente Mateus: técnicos não ganham, mas perdem jogo.

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Chance de apagar a má impressão

O Brasil volta a campo hoje, logo cedo (9h por aqui), para tentar reestrear no Mundial. Neymar, astro da seleção, tem presença confirmada, mas na lateral-direita Danilo, lesionado, dá lugar a Fagner. Daquelas paradas indigestas, de assustar qualquer um. Coisa que todo mundo rezava pra não acontecer, afinal o lateral corintiano é mais famoso por arrebentar pernas e joelhos adversários.

(Cá pra nós, é inconcebível que as milhares de escolinhas de futebol do país não consigam produzir um lateralzinho menos rastaquera.)

Como o adversário é a Costa Rica, já sem aquela sustança de 2014, as coisas podem se resolver sem grandes atropelos, apesar de Fagner ali pela direita. O drama maior é convencer Neymar a jogar bola sem pretender ser o centro das atenções.

Na estreia, todo mundo viu, ele queria acima de tudo mostrar ao mundo o novo penteado. Ficou prendendo bola, levando pancada e atraindo as câmeras. Não deu muito certo, nem pra ele e muito menos para o Brasil.

Tite, que saiu quase a salvo de críticas pela atuação de domingo, deve ter em mente que a partir de agora será muito mais responsabilizado. Afinal, se a equipe voltar a apresentar instabilidade, o técnico será cobrado por isso.

O resto da equipe deverá ser o mesmo do jogo de domingo, incluindo possivelmente Casemiro (já amarelado) na marcação. Sou tentado a achar que Coutinho será cada vez mais protagonista nesta Copa. Só acho.

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Xingamentos de S. Paulo inspiram cenas sexistas de Moscou

O noticiário abundante sobre cenas deploráveis de torcedores brasileiros assediando mulheres russas – e até menores – só surpreende quem não vai a estádios de futebol no Brasil. O que se viu em 2014, na Arena Itaquera, é tão ignóbil quanto as gravações com piadinhas sujas e cantorias sexistas feitas em Moscou.

Naquela tarde de abertura da Copa do Mundo, torcedores que ocupavam as cadeiras especiais puxaram um coro imundo contra a presidenta Dilma Rousseff . Palavrões do mais raso vocabulário foram gritados para afrontar e insultar a primeira mulher mandatária do país.

Uma vergonha inominável e gesto covarde pelo qual ninguém foi punido ou pelo menos investigado. A inspiração para as marchinhas obscenas cantadas na capital russa venha do cérebro atrofiado de figuras que estavam em Itaquera há quatro anos.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 22)

Racha na seleção argentina: Aguero rebate crítica de Sampaoli

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O atacante Sergio Aguero protagonizou certa tensão após a derrota por 3 a 0 da Argentina para a Croácia, nesta sexta-feira, pela segunda rodada do Grupo D da Copa do Mundo. Depois de ouvir uma pergunta a respeito das declarações de Sampaoli, que disse que equipe “não compreendeu o plano de jogo”, o atleta do Manchester City mostrou-se muito incomodado com a crítica

“Ele que diga o que quiser”, sentenciou o atacante após alguns segundos pensando, encerrando a entrevista logo na sequência. Essa foi a primeira demonstração pública de desaprovação dos jogadores à metodologia de Sampaoli, que assumiu o cargo na parte final das Eliminatórias e, desde então, não conseguiu dar à equipe um padrão de jogo convincente. Há de se ressaltar, no entanto, que o tom de Sampaoli foi mais crítico a si mesmo do que aos jogadores.

A insatisfação de Aguero pode ter a ver também com sua substituição logo no começo da segunda etapa, minutos depois de Caballero entregar o gol para a Croácia com um passe errado, nos pés de Rebic. Para colocar Higuaín, em vez de tentar tirar um dos nomes mais recuados, o comandante preferiu sacar o goleador do Manchester City de campo.

Antes, o centroavante havia demonstrado resignação a respeito da situação, mas não deixou de pontuar que ainda há chance de os sul-americanos avançarem para as oitavas de final. “Todavia ainda temos uma chance. Vamos esperar o jogo de amanhã (sexta-feira) e tentar ganhar da Nigéria”, concluiu.

A depender do que acontecer no embate, os comandados de Jorge Sampaoli precisam derrotar os africanos às 15h (de Brasília) da terça-feira, em São Petersburgo, e torcer para que os croatas ao menos arranquem pontos dos islandeses. Atualmente, o saldo de gols (-3) é outro agravante da situação frente a Islândia (0) e Nigéria (-2).