O fim (impune) de um carrasco

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Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel que chefiou o DOI-Codi durante a repressão a presos políticos na ditadura militar, morreu nesta quinta-feira, em Brasília, sem ser punido por seus crimes. Depoimento da ex-presa política Maria Amélia Teles revela parte dos métodos utilizados pelo carrasco nos porões da ditadura.

Em entrevista ao UOL, Maria Amélia conta que foi presa no DOI-Codi de São Paulo e que seus dois filhos pequenos foram sequestrado e levados para o local. “O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra levou meus filhos. Eu estava dentro da sala sendo torturada na ‘cadeira do dragão’. Ele pegou na mão dos dois e os levou. Eu nua, vomitada, com fezes, sangue, urinada. E eles levaram meus filhos ali”. 

15 comentários em “O fim (impune) de um carrasco

  1. Que punição maior que a morte recebe um ser humano?

    A morte é o fim de tudo pra quem não tem Deus no coração.

    Daqui alguns dias seu corpo estará em decomposiçao comido por bichos ou se for cremado reduzido a pó

    Sua alma, essa eu não posso afirmar, mas pelos seus feitos sem arrependimento vai pra conta do capeta.

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    1. Não abuse dos fatos, não misture questões partidárias em algo tão grave e nem duvide do sofrimento das pessoas que passaram pelas mãos e o julgamento desse crápula. Tudo tem limites, cidadão.

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      1. Pois é, amigo Acácio. Sou contra toda e qualquer forma de tirania, daí meu posicionamento contra monstros dessa espécie. Ustra “escolhia” quem iria morrer ou viver a cada dia nos porões do DOI-Codi. Isso afronta a dignidade humana.

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  2. Depoimento acima de uma torturada só é verdade na consepção do também comunista mario lago, que mandava mentirem sempre.. A MANDALETE do Planalto num dos seus disparates falatórios que foi torturada no DOI/CODI, pela data de sua prisão, o órgão não existia.

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    1. Amigo, o mínimo a pedir num momento desses é respeito pela dor e o flagelo dos que passaram sob o tacão de Brilhante Ustra e seus gorilas. Não especule sobre o que não sabe.

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  3. No fim das contas, a História é tratada por muitos como um ativo político. Como um capital. E, na realidade, a História não está na conta de ninguém, nem num banco no Brasil, nem na Suíça. A História não está oculta e há evidências mais que suficientes para determinar o modus operandi dos ditadores com os perseguidos políticos, e não é de hoje. Atualmente, numa demonstração muito clara de rejeição dos preceitos socialistas, a História vem sendo não reescrita, mas reinterpretada para significar que a ditadura tinha razão, para justificar o injustificável. É parte da educação de uma teologia neoliberal insensata, pensada para tomar o lugar da lógica. Mas a promessa da prosperidade com ordem e progresso apresentada pelo liberalismo econômico de Smith e cia., e estampada na bandeira nacional, nunca se consumou pela simples razão de ser uma espécie de impensado que justifica qualquer coisa se for para enriquecer. O vale tudo ideológico, e o prático, do capitalismo tem o limite mal demarcado pela combatividade dos maiores críticos históricos, os historiadores e pensadores marxistas. No jogo pelo poder, a burguesia apresentas suas armas pós-modernas: a desinformação, a desorientação, a deturpação da informação, dos fatos e da História. O positivismo e o cartesianismo com o qual se constrói o entendimento já não são suficientes para dar conta da autoridade do discurso, pelo que se entende por violência simbólica por Bourdieu, e poder, por Foucault. Nisso se tem que prestar atenção, a História não foi ou não está sendo reescrita, não há evidências de que o entendimento sobre a ditadura militar precise ser mudado.

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  4. Por outro lado, há o discurso de que na ditadura não havia tanta insegurança. Que as escolas eram melhores. Que o ar e a água eram mais puros. Etc. No entanto, com o fim da ditadura e o estabelecimento da democracia, estabeleceu-se junto um velho discurso oligarca de que tudo que for para o povo, ou do que o povo se empodera, não presta. A oligarquia do Brasil, historicamente, trata o povo como gado bovino.

    Já vimos esse discurso. Vimos a repetição dele recentemente. Até um novo termo foi rapidamente inventado para expressar a incômoda presença do proletário nos aeroportos, a rodoviarização dos aeroportos. E só esse exemplo basta.

    Primeiro. As escolas públicas eram pensadas para a classe média urbana, num país industrializando-se e com a maioria da população, ainda, vivendo na zona rural. Os excluídos ainda não habitavam favelas, não como ocorre hoje, estavam no interior, no sertão, ou mudando-se para lá. A educação pública, naquele contexto, era melhor, mas não era pensada estrategicamente para qualificar o trabalhador. E até hoje o ensino tem essa premissa, não se atualizou, ainda está focada no objetivo de mandar os alunos para uma universidade. Há poucas escolas técnicas até hoje, o que mostra que desde então, ou desde antes, não são valorizadas porque não atendem aos anseios da classe média. Isso tudo pelo objetivo explícito de atender à classe média surgente naquele período, excluindo o mais pobre, o miserável, que mais precisava. Isso não mudou até hoje.

    Segundo. A segurança pública era presumivelmente a prioridade máxima em meio a paranoia militar de perseguição aos comunistas, era o principal meio de repressão política. Partidos políticos, sindicatos, pensadores e artistas foram sumariamente perseguidos em nome da segurança nacional. Nesse contexto, de vigilância e intimidação constante, difícil imaginar, até pela ostensividade das forças de repressão, um contexto pior que o de hoje.

    Terceiro. A qualidade superior da água e do ar nos anos 70, traduzido em qualidade de vida, em muito, se devem a uma baixa pressão de demanda. Atualmente, a piora da qualidade de vida se deve em parte ao crescimento da população e do consumo, que pressionam a produção, e a ineficácia dos governos em acompanhar a evolução econômica e social do país.

    A percepção da queda de qualidade dos serviços públicos vem da classe média urbana que viveu os melhores momentos econômicos da ditadura militar que, insisto, como sempre, não esteve voltada à maioria da população. E é no que insisto que é o que tem sido o maior ganho dos governos petistas e que representam uma transformação na política brasileira, de privilegiar os interesses da maioria. Não há engano em apoiar a democracia e rejeitar, sempre e de uma vez por todas, a truculência de uma ditadura de direita que nega o pobre e só dedica tempo e esforço às elites e classe média.

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  5. Nos dias de hoje com a indignação de muitos brasileiros diante de um quadro político envergonhador, aquadrilhados de corruptos, bem caberia uma postura áspera BRILHANTE modelada a cantos refinados de CURIÓS, ressalvando o observação dos direitos humanos.. O presente tem que ser passado a limpo agora para que no futuro não se distorça os fatos e fique sujeito a julgo popular gerenciado.

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  6. Caro Ferdinando, você expressa um desejo de revolução. Se você considerasse ler, e compreender, Karl Marx, ou pensador/revisor de Marx, veria que ele, melhor que Nostradamus e outros videntes, previu com séculos de antecedência que pelos interesses do povo, só o povo. O que parece óbvio agora, foi concluído por Marx a partir da ótica da História dos eventos importantes reportados para a posteridade. E se você concorda com essa ótica, você pode ser marxista também e isso não é nenhuma ofensa ideológica. Não há heróis que façam pelo povo o que só o povo pode fazer, a revolução econômica e social de que tanto precisa. O voto em políticas socialistas mostra uma alternativa que não a liberal, apoiada desde sempre pelos grandes grupos capitalistas. O voto de confiança dado ao PT em quatro eleições seguidas representa uma quebra histórica com a política de dominação política do capital estrangeiro e das oligarquias nacionais, outrora privilegiadas pelas políticas liberais que sempre vigoraram sozinhas antes do PT. Face às outras crises enfrentadas pelos governos de direita, e inclusive pela ditadura militar, das quais resultou sempre a concentração de renda e o retrocesso econômico do proletário é muito cedo para concluir sobre o desempenho de um governo de esquerda diante da primeira crise grave que enfrenta, ainda mais no início de um mandato legítimo e que após quase dois anos sob intensa e ininterrupta investigação restam apenas discursos inflamados daqueles que em repetidas crises não salvaram o país de ter prejuízo e que sabotam a democracia atualmente com o discurso nada fidedigno da probidade que nunca tiveram. Em que pese a honestidade desse ou daquele agente público, no primeiro, segundo ou terceiro escalão do governo federal, nunca foi posto tão à prova quanto nesse mandato. Corajosamente, Dilma tem sido investigada e deixado investigar. Não é por outra razão, que não política, que os dirigentes do PT supostamente se apressam em terminar a crise com acordos com o PMDB, afinal, pondo-se um fim à verdadeira chantagem política que Cunhas e Calheiros impõem ao governo, pelo mísero apoio, que não tem vindo, o governo politicamente enfraquecido pela mídia liberal tem feito concessão atrás de concessão e nisso também se constitui um golpe, que procura destituir o poder legítimo da esquerda empoderada pelo povo. Dilma está acuada e isolada politicamente porque a mídia não expõe que os aliados, desejosos de ter o poder para si e dar a partida na retomada de políticas liberais, perseguem, achacam e acusam o governo federal de tudo o que de ruim tem acontecido, como se atrás no tempo não tivessem eles mesmos participado do governo. Não há trincheira melhor a ser habitada nesse contexto que o da defesa da democracia. Pessoalmente, não tenho dúvidas de que Cunha precisa ser cassado, pelo bem do país e contra o golpe.

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