Execução em hospital e toque de recolher nas ruas

Grupo de milicianos invadiu o hospital da Unimed Belém, na Castelo, e executou a tiros homem acusado de matar militar da Rotam no domingo, 25. A ação ocorreu por volta de 21h, aterrorizando pacientes e funcionários do hospital. Oito homens encapuzados renderam a escolta do preso e executaram o baleamento. O grupo se identificou como “Estado Islâmico”. Em seguida, o comando do CIOP ordenou toque de recolher na cidade, fechando bares e casas noturnas. A Polícia Civil, via assessoria, diz que está apurando o crime, que lembra a chacina de novembro de 2014, quando dez pessoas foram assassinadas em bairros da periferia de Belém.

Uma nação de videotas

POR THOMAZ WOOD JR., na CartaCapital

Executivos costumam reclamar, lamurientos, da passividade e da falta de iniciativa de seus funcionários. Diretores reclamam de gerentes, gerentes reclamam de supervisores e supervisores reclamam de analistas. A culpa é comumente imputada com frequência à tal da cultura organizacional, uma entidade etérea, com poderes mágicos.

A questão da cultura organizacional alimenta os sonhos e os pesadelos de gestores há três décadas. É vista quase sempre como panaceia capaz de explicar e resolver todos os males empresariais. Perdemos competitividade? Precisamos mudar a cultura! Nossa produtividade está estagnada? É um problema de cultura! Nossos lucros desapareceram e os concorrentes estão avançando? Culpa da cultura!

Estudiosos costumam definir cultura organizacional como um conjunto de pressupostos, criados e validados ao longo do tempo, que definem a forma como as pessoas se comportam, as decisões são tomadas e as ações são conduzidas. Em uma empresa, a cultura organizacional determina o certo e o errado e molda a forma de agir e gerir.

Os artefatos – o ambiente físico, os comportamentos e as práticas de gestão – são a parte mais visível da cultura, mas constituem somente a ponta do iceberg. O que verdadeiramente importa são os tais pressupostos básicos, nem sempre visíveis ou explícitos, que constituem a base do iceberg.

Cultura-organizacional

A perspectiva da cultura leva a perceber que toda organização funciona como uma tribo de habitantes de uma caverna, com costumes, rituais e comportamentos específicos. O que é normal para uma organização pode parecer excêntrico ou até mesmo absurdo para outra.

Nos anos 1980, ganharam notoriedade os estudos realizados por Geert Hofstede, que agrupou países de acordo com traços culturais dominantes. A abordagem caiu no gosto de acadêmicos, consultores e executivos, por ajudar a interpretar e explicar muitos comportamentos nas organizações.

O estudo de Hofstede revelou que o Brasil é um país com alta distância hierárquica (aceita a repartição desigual do poder) e elevada aversão ao risco (ansioso e inquieto diante de situações desconhecidas).

Ainda nos anos 1980, um estudo da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, revelou traços negativos da “gestão à brasileira”: predomínio da visão de curto prazo, desamor ao planejamento, centralização das decisões, tendência ao autoritarismo e delegação para cima, o impulso de empurrar as decisões mais relevantes e arriscadas para outrem.

De lá para cá, muita coisa mudou, mas alguns traços resistiram ao tempo. Em um texto publicado em 2015 no jornal Valor Econômico, Betânia Tanure, estudiosa da questão da cultura organizacional, conclama os locais a trocar a passividade pelo protagonismo.

A consultora refere-se a mais um traço da cultura brasileira, a postura de espectador. O traço manifesta-se, segundo a autora, de forma independente do nível hierárquico e reflete-se em comportamentos como passividade, baixa iniciativa e a tal da delegação para cima. Tanure atribui aquela característica à nossa longa convivência com o autoritarismo, cerceador da visão crítica e estimulador do conformismo.

Nos últimos anos, a questão da cultura organizacional voltou à moda. Empresas locais criaram e divulgaram listas de traços culturais desejáveis. Muitas dessas listas são vazias e inócuas, fruto das mentes de redatores criativos. Outras, entretanto, refletem desejos sinceros, quiçá ingênuos, de estimular mudanças.

As semelhanças entre as listas podem ser mais que coincidência. Nove entre dez relações contêm itens como capacidade de tomar a iniciativa, foco no resultado e protagonismo. Na mira, o combate à postura de espectador.

O consultor de cultura organizacional Eduardo Dal Lago trabalha há anos em um antídoto para a postura de espectador. Dal Lago observa que muitos executivos interpretam aquela atitude como falta de segurança para assumir responsabilidades ou pura preguiça.

Alguns optam por aumentar o nível de controle, o que piora o problema, pois estimula ainda mais a postura de espectador. O antídoto não é simples e envolve desligar o pensamento automático, que condiciona nossas atitudes e ações, desenvolver o pensamento crítico e alterar deliberadamente comportamentos, por meio da educação e da delegação. Desligar a tevê é apenas o primeiro passo. 

Lula, sob ataque diário, segue em 1º para 2018

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POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

Estava aqui me divertindo com o malabarismo da mídia para esconder o excelente número de Lula no Ibope desta segunda.

A informação realmente importante é que 23% disseram que votariam com certeza em Lula em 2018. Aécio, o segundo colocado, ficou oito pontos atrás.

Quer dizer.

Com toda essa caçada a Lula promovida pela mídia, eis que ele está com larga margem na frente.

Um dos raros bons jornalistas políticos do Estadão, José Roberto Toledo, disse tudo: “Está explicado por que o fantasma do terceiro mandato assombra a oposição.”

A pesquisa é uma brutal cacetada na imprensa e em seus colunistas. O grau de persuasão de jornais, revistas e articulistas é pateticamente baixo.

Lula era para estar abaixo de zero, se a voz da mídia fosse levada a sério pela sociedade.

Particularmente, não me impressiono, dada a ruindade de classe mundial da imprensa brasileira e seus colunistas.

Você imagina o que vai acontecer quando Lula estiver, de fato, em ação.

Pense como seria um debate entre ele e Aécio.

Se a direita brasileira fosse inteligente, veria que o caminho é outro para conquistar corações e votos.

O brasileiro não é idiota, mas é tratado como tal por jornais e revistas.

Agora mesmo na pesquisa.

Para fugir dos 23% de Lula, o Globo deu no título sua rejeição de 55%.

Mas um momento.

A rejeição de Marina, a boazinha, subiu de 30% para 50% em um ano. A de Serra, com ele mudo, está em 54%. A de Alckmin, em 52%.

E Aécio já chegou a 47% de rejeição, cinco ponto mais  do que ele tinha na época da eleição em que foiderrotado.

Leia-se assim: tudo que Aécio conseguiu, nesta louca cavalgada pelo golpe, é ser mais rejeitado entre os brasileiros.

Mas a notícia do dia, e da pesquisa, é Lula.

A mídia vai continuar a tentar matá-lo.

Lula é, no entanto, desde já, o favorito disparado para 2018.

Façanha paraense no Carnaval do Rio

O compositor paraense Paulinho Oliveira a façanha de vencer os concursos de sambas de duas das maiores escolas do Rio, Acadêmicos do Salgueiro e Unidos da Tijuca. Suas composições, em parceria com Dudu Nobre, empolgaram júris e plateias das duas agremiações.

No Carnaval passado, Paulinho já havia se sagrado vencedor assinando o samba-enredo da Unidos do Viradouro. A composição acabou consagrada na avenida, levando o troféu Estandarte de Ouro, tradicional premiação do jornal O Globo.

Diretoria da Festa inventa a cavalgada do Círio

A programação do Círio de Nazaré cresceu em tamanho e importância, por isso tem sido adaptada aos novos tempos, buscando atrair mais visitantes. O problema é que o conceito de modernidade está ficando largo demais e passa a comportar alguns trambolhos inaceitáveis numa festa de natureza religiosa. Depois da criação do bizarro concurso de barco à fantasia na Procissão Fluvial, surge este ano outra inusitada fuga de ideia: a cavalgada, realizada no último sábado, para espanto dos devotos nazarenos mais tradicionais e transtorno dos alunos que enfrentaram trânsito fechado em diversas ruas no dia da prova do Enem.

A Diretoria da Festa de Nazaré deveria se preocupar com o bem-estar da população, que não pode ficar à mercê das ideias amalucadas que o Círio inspira em alguns. Pior ainda é a anuência da Prefeitura de Belém, permitindo o absurdo fechamento das vias de tráfego logo no dia do Enem. A situação requer uma urgente reflexão sobre as atribuições dos donos do Círio, que recebem recursos públicos e privados, mandam na cidade por um mês e nunca fazem prestações públicas do que arrecadam e gastam.

Diretoria do Papão se solidariza com conselheiro

Abaixo, na íntegra, a nota oficial publicada pela diretoria do Paissandu repudiando a agressão de que foi vítima o conselheiro Nilton Gurjão das Chagas, em São Luís (MA), agredido por policiais militares depois do jogo de sábado entre Sampaio e PSC.

NOTA OFICIAL

O Conselho Deliberativo do Paysandu Sport Club vem a público hipotecar total e irrestrita solidariedade ao conselheiro Nilton Gurjão das Chagas, covardemente agredido pela Polícia Militar do Estado do Maranhão, por ocasião da partida de futebol envolvendo o nosso clube e a equipe do Sampaio Corrêa, ocorrida na data de 24/10/2015.

A situação revelou a fragilidade das instituições públicas do Estado do Maranhão, principalmente as polícias militar e civil, aquela pela truculência e despreparo e esta , que apesar da intervenção de advogados e membros do Ministério Público, permitiu a fuga de um dos agressores e não adotou as providências legais em relação a outra militar agressora.

O Conselho Deliberativo confia serenamente que o Ministério Público e o Poder Judiciário do Estado do Maranhão, observando a legislação aplicável, aplique a sanção cabível aos agressores e aos agentes públicos que foram omissos no cumprimento de seus deveres.

CONSELHO DELIBERATIVO DO PAYSANDU SPORT CLUB