Faustão argentino quer comandar confederação

Marcelo Cuervo Tinelli Apresentador Argentina

POR FRANCISCO DE LAURENTIIS, da ESPN

Imagine se um dia o apresentador Fausto Silva, o Faustão, for eleito presidente da CBF. Pois algo muito semelhante pode acontecer na Argentina, onde o “Faustão” local está próximo de chegar ao comando da AFA (Associação de Futebol Argentino).

Trata-se de Marcelo Hugo Tinelli, 55 anos e apresentador do Showmatch, uma espécie de Domingão do Faustão dos hermanos. O programa, que é o mais popular da TV argentina, conta com atrações como o “Bailando por um sueño”, que é exatamente igual à “Dança dos Famosos”, um dos quadros mais conhecidos do dominical da TV Globo.

Além disso, ele é empresário e um dos principais produtores do poderoso Canal Trece, um dos mais importantes e de maior audiência na nação albiceleste.

Na última quarta-feira, Tinelli informou, através de sua sempre ativa conta no Twitter, que cumpriu todos os pré-requisitos necessários e será um dos candidatos à presidência da AFA, enfrentando o atual mandatário, Luis Segura, que assumiu a liderança da Federação após a morte do eterno Julio Grondona.

O pleito será realizado em 1º de março de 2016.

Só que a notícia dada pelo apresentador de televisão deixou algumas pessoal enfurecidas. O presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, e o principal craque do clube, o atacante Carlitos Tevez, já se colocaram contrários à eleição do apresentador de TV para o maior cargo diretivo do futebol argentino.

Tudo por um simples motivo: Tinelli é torcedor fanático e vice-presidente do San Lorenzo, um dos grande rivais do Boca, e adora fazer provocações e contar piadas sobre os xeneizes em seu programa.

Ele é tão identificado com o campeão da Libertadores de 2014 que é chamado de “Cuervo”, mesmo apelido dado aos torcedores da equipe de Almagro. Em entrevista recente, Tevez disse que não via o showman como nome ideial para assumir a AFA, já que ele é muito identificado com o San Lorenzo. Angelici foi na mesma linha, e já declarou seu apoio a Luis Segura. A resposta de Tinelli veio ao vivo, e cheia de ironia, durante a última edição do programa Showmatch.

“Para eles, o ideal é que o presidente da AFA tenha nascido dentro de um repolho”, disparou, fazendo referência à famosa lenda que explica a origem das crianças. Depois, porém, Tanelli pegou mais leve e preferiu apaziguar.

“Prometo a partir de hoje trabalhar para ser presidente da AFA e fazer um grande trabalho, uma grande gestão e trazer todas as mudanças necessárias ao futebol argentino. Vamos tratar de ficar amigos do Boca, que está bravo comigo. Vamos trazer o Angelici aqui ao programa com o Tevez”, discursou, bem-humorado, sem dizer se o convite seria para a dupla participar do quadro “Bailando por un sueño”.

“Temos que respeitar a opinião de Tevez. O presidente do Boca coloca a camisa do Boca, o do Argentino Juniors coloca do Argentinos Juniors, o do Huracán coloca do Huracán. O que eu faço e digo na televisão não sai da televisão. O Angelici tem seus bingos, o Segura tem suas farmácias, cada um com sua profissão. Tenho o maior respeito por ambos, e também gostou muito de Carlitos”, assegurou.

Tinelli, aliás, já teve papel decisivo em outras eleições além do futebol. Em 2007, por exemplo, quando Cristina Kirchner buscava a presidência da Argentina, sua tática foi ir a San Carlos de Bolívar, cidade natal do apresentador (a 320km da capital Buenos Aires), inaugurar um ginástio esportivo (construído inteiramente com verba federal) no local e “mendigar” apoio do astro da TV, que tem grande influência sobre as classes baixas e médias.

Depois de esperarem mais de duas horas sob o sol para falar com Tinelli, Cristina e seu marido, o então presidente Néstor Kirchner (hoje falecido), saíram de lá com tudo mais ou menos certo com o popstar, que passou a apoiá-los publicamente.

Resultado: Cristina foi eleita com 44,92% dos votos. Ela foi escolhida por 8.204.624 argentinos, praticamente o dobro da segunda colocada, Elisa Carrió.

É bom não duvidar da força do “Cuervo”.

Tuna troca Lucena por Zé Carlos

Depois de conquistar apenas um ponto em duas rodadas da Segundinha do Parazão 2015, a Tuna dispensou o técnico Carlos Lucena e contratou Zé Carlos, que também já dirigiu a equipe em outras oportunidades. É uma tentativa desesperada de reagir na competição. O problema de Zé Carlos, como era o de Lucena, está na sofrível qualidade do elenco cruzmaltino. E o novo treinador terá uma prova de fogo logo na estreia: enfrentará o Castanhal, líder da chave, no estádio Maximino Porpino na próxima rodada do torneio.

Pelo direito de reagir à massa

Tite provocou a torcida da Ponte Preta após o empate corintiano

POR MAURICIO BARROS

No livro “Entre os Vândalos”, publicado no Brasil em 2010 pela Companhia das Letras, o jornalista americano Bill Buford faz uma imersão no universo dos hooligans ingleses. Passou alguns anos, em fins da década de 80 e início dos anos 90, ápice das confusões causadas por esses grupos, tentando entender o modelo mental daqueles tipos medievais – se Bill tivesse me ligado antes, eu lhe teria dito que tratava-se de um modelo “débil” mental e encerrava o assunto. Mas, por sorte, Bill estava sem meu número.

Pois ele estabeleceu relações, participou de reuniões, entrevistou líderes, se meteu em confusões e até foi surrado pela polícia. Apanhou muito. O interesse principal do autor era olhar para os hooligans como um coletivo de pessoas, um fenômeno de multidão.

Quando se está em bando, sinapses esquisitas rolam no cérebro humano que transformam indivíduos em peças de um grande lego, que encontram sentido por estarem conectadas a dezenas de outras. O futebol, pela sua permanente capacidade de mobilização sem paralelo em nenhuma outra atividade humana, mexe com o fenômeno da multidão de maneiras extremas – alegria soberba, violência desenfreada. As torcidas organizadas brasileiras, os barrabravas argentinos e os hooligans europeus se transformaram no lado mais nefasto dessas multidões futebolísticas.

Posto isso, nós damos um pulo em Campinas. Quando Rodriguinho marcou o gol de empate do Corinthians contra a Ponte, 2 x 2, no fim do jogo de domingo, Tite mexeu com a multidão. Ele vinha sendo hostilizado desde o começo por ter sua trajetória de atleta ligada ao Guarani – em Campinas, ou você é Deus ou o Diabo, dependendo do lado em que está (e aqui eu me lembro de uma ocasião em que vi um sujeito, um desses “gênios” dos negócios, numa mesa de bar, dizendo a jornalistas esportivos que a solução para o futebol campineiro era juntar Ponte e Guarani num time só, “potencializando a capacidade da dupla de levantar recursos na rica cidade do interior de São Paulo”. Seria o dito cujo apenas uma besta ou guru do mesmo modelo mental dos hooligans?).

Tite botou a mão no ouvido como quem diz “fala agora, vai!”. Tirou um sarrinho. Desabafou. Depois, na entrevista ao final do jogo, disse singelamente que é humano. “Deixa eu curtir um pouco”. Achei que foi perfeito. Reagiu em seu direito, mas não desrespeitou aquela multidão. Saiu logo de cena.

A relação entre torcidas e profissionais do futebol, no estádio, é um pouco desleal por natureza. Como há paixão gigante envolvida, tudo é permitido aos torcedores, menos violência, claro. Pode-se proferir as piores ofensas a jogadores, técnicos e juízes que não há nenhuma consequência. O torcedor está protegido de levar o troco pela distância, pela relação de “cliente” que pagou a entrada e, principalmente, pela sua condição de parte da multidão. Há algo de covarde nisso, não? Experimente o hooligan xingar o centroavante de “grosso safado” cara a cara e verás o que acontece.

Jogadores, técnicos e juízes aprenderam a não reagir à massa. “Eles têm o direito”, costuma-se dizer. Mas às vezes o sujeito não aguenta. O difícil é saber a medida dessa reação. O limite é tênue. Sair comemorando no estádio adversário colocando o indicador na frente da boca e pedindo silêncio à torcida local me parece um pouco demais. Dar bananas, então, pior ainda – desrespeitoso, grosseiro, mal educado. A multidão está sempre com os nervos à flor da pele. Convém não cutucar.

Zico se mobiliza para garantir candidatura

No dia 26 de fevereiro será eleito o novo presidente da Fifa. Bem antes disso, porém, no próximo dia 26, se encerra o prazo para a inscrição de candidaturas. E é essa a data limite para que Zico, craque brasileiro com fãs em todo o mundo, comprove o apoio de, ao menos, cinco das 209 federações de futebol.
Para isso, o “Galinho de Quintino” contará com uma plataforma na internet desenvolvida em parceria com a AM4, que assina, além do site da campanha, a gestão e monitoramento das redes sociais. O site entrará no ar nesta segunda-feira, às 19h, no endereço www.zicofifa.com . “Acredito e aposto nas redes. Só com os fãs do futebol pelo mundo todo é que poderemos mudar a FIFA”, revela Zico.
Rafael Oliveira, coordenador da campanha, explica que a expectativa é envolver os apaixonados por futebol no mundo, para que participem ativamente da disputa. “Trabalhamos com ações colaborativas, horizontais, engajando. A ideia é ter uma base de voluntários no mundo todo que possa ser acionada de forma segmentada para ações em países estratégicos para a candidatura de Zico”, diz.
Segundo Oliveira, mesmo antes de seu lançamento, o site atraiu um número considerável de usuários. “Mesmo pouco divulgado, o site teve 7 mil acessos e quase 700 cadastros, o que constitui uma conversão excelente. Com o lançamento e a divulgação que faremos nas redes, acreditamos que o número de cadastros de voluntários vá crescer exponencialmente”, afirma.
Ainda de acordo com o coordenador da campanha, o site será lançado, inicialmente, em Português e Inglês. A intenção é disponibilizá-lo depois em outros idiomas, à medida que for traduzido com a colaboração dos usuários.
A parceria da AM4, uma das maiores empresas do setor de inteligência digital do país, representa boa parte da força de mobilização da campanha, que tem foco na rede. Fundada há 15 anos, a agência atende a clientes de todo Brasil e no exterior, a partir de escritórios em São Paulo, Brasília, Campinas, Belo Horizonte, São Luís e Rio de Janeiro.

A dois passos do paraíso

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo foi tenso, sujeito a solavancos e sustos, mas o Remo está classificado às quartas de final da Série D. Venceu por 3 a 0, saiu aplaudido, mas o Palmas representou uma ameaça real às pretensões azulinas por tensos 20 minutos. Ao longo desse tempo, o torcedor que lotou as arquibancadas do Mangueirão passou maus pedaços. Nem tanto por eventuais ardis por parte do visitante, mas pelo nervosismo e insegurança do próprio Remo.

O time insistia em jogar errado, alongando passes ao invés de aproximar seus jogadores, cruzando toda e qualquer bola em direção à área e saindo com afobação de seu próprio campo.

Eduardo Ramos e Chicão, os mais lúcidos, até tentavam botar ordem na casa, mas os companheiros pareciam agoniados, com pressa de resolver tudo de imediato, querendo golear antes de fazer o primeiro gol.

Cacaio montou um time com três atacantes, laterais com liberdade para apoiar e Ramos circulando por todos os setores a partir do meio-campo. Isso só iria funcionar a partir do instante em que Kiros se antecipou aos zagueiros, desviando no canto direito do gol de Carlão, aos 20 minutos.

Antes disso, o Remo já havia desperdiçado outras quatro chances, sempre por precipitar o último arremate ou queimar cruzamentos. Quase entregou o ouro num chute cruzado de Dailson aos 11 minutos. A bola, que tinha endereço certo, foi oportunamente desviada pelo zagueiro Max.

Depois de estabelecer 1 a 0 no placar, o Remo cresceu porque imprimiu mais velocidade às jogadas, ajudado pelos gritos entusiasmados do torcedor. Com isso, acuou o Palmas e anulou as tentativas isoladas do time tocantinense. Mas continuava pouco aplicado nas finalizações.

Dos dianteiros remistas, somente Kiros mostrava frieza e objetividade, sempre se posicionando em condições de receber bolas dentro da grande área. O jogo estava sob controle, mas faltava fazer pelo menos mais um gol para tranquilizar. Eduardo Ramos se encarregou disso, batendo cruzado, de primeira, sem chances para o goleiro do Palmas, aos 35.

Antes que o primeiro tempo terminasse, Léo Paraíba fez boa incursão pelo lado esquerdo e bateu cruzado. Kiros, entre os zagueiros, desviou para as redes. O placar de 3 a 0 deu ao Remo a tranquilidade necessária para planejar o que fazer na segunda metade do jogo.

O que menos se viu no começo do segundo tempo foi justamente tranquilidade. Afobado e tentando ampliar a goleada, o Remo desperdiçava chances seguidas. Léo Paraíba saiu para a entrada de Ratinho e o time ganhou mobilidade no meio, mas perdeu força ofensiva.

Para complicar, aos 23 minutos, Alex Ruan foi expulso (já tinha amarelo) após cometer pênalti. Ederson cobrou e a bola estourou na trave de Fernando Henrique, evitando que o jogo ganhasse uma carga dramática e desfecho imprevisível nos minutos finais. Cacaio lançou Sílvio e tirou Kiros, que incomodava os zagueiros, mantendo Aleílson, que, apesar do esforço, pouco produzia.

Ainda assim, o Remo podia ter feito mais gols. Melhor em campo, Eduardo Ramos liderou a equipe, cadenciando o ritmo e gastando tempo no ataque. Foi bastante ajudado nessa tarefa por Levy, Chicão e Max, que também se destacaram na vitória da classificação.

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Novo adversário é o atual campeão paranaense

O Operário de Ponta Grossa, que venceu o campeonato paranaense deste ano, será o adversário do Remo nas quartas de final da Série D. Classificou-se nas disputas de penalidades com o Campinense, ontem, em Campina Grande, depois de perder por 1 a 0 no tempo normal.

É um time tecnicamente superior ao Palmas, melhor estruturado e com ambições maiores. Aí pode residir o maior risco para o Leão nesse duelo de vida ou morte.

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Desgaste e erros na zaga derrubam o Papão

O Papão pisou o gramado do Serra Dourada tentando quebrar a sequência de resultados negativos e minimizar os danos provocados pela ausência de atacantes de área, de seu melhor zagueiro e do camisa 10 que nunca teve. Tinha, em compensação, a volta de Augusto Recife. No ataque, Aylon e Léo foram mantidos, tendo Rony como o articulador de jogadas.

Apesar dos problemas, havia a esperança de uma boa atuação, tendo como referência a apresentação diante do Vitória na Arena Fonte Nova. Isso não aconteceu e, apesar de quase arrancar um empate na base da valentia, o Papão terminou derrotado pelo Atlético Goianiense.

Para o terceiro revés consecutivo muito contribuiu o cansaço geral da equipe e o imenso espaço dado ao Atlético no meio-de-campo. Os meias manobravam com liberdade e os atacantes, principalmente pelo lado esquerdo, em cima de João Lucas, sempre conseguiam concluir jogadas perigosas.

Antes do gol de abertura, aos 26 minutos, marcado por Jorginho, o centroavante Júnior Viçosa já havia desperdiçado dois bons ataques e Willy quase acertou o canto direito de Emerson. Depois de sofrer o gol, o Papão pareceu ainda mais disperso e apático, quase não conseguindo reagir à meia pressão exercida pelo Atlético. Os zagueiros Tiago Martins e Lombardi pareciam estar sendo apresentados naquele momento, tal a quantidade de falhas cometidas no meio da área.

Misael e Djalma entraram na etapa final e contribuíram para tirar o time do marasmo, fazendo com que Pikachu tivesse mais liberdade. O problema é que lá atrás a marcação não funcionava e não conseguia marcar o apenas esforçado setor ofensivo do Atlético, que só não aumentou a contagem porque Emerson defendeu espetacularmente três chutes certeiros.

Aos 22 minutos, um bom ataque foi desperdiçado pelo lateral João Lucas, que chutou de bico, fraco e longe do gol. Dado o substituiu imediatamente por Luís Felipe, que contribuiu para dar ao time seu melhor momento no jogo, entre os 25 e os 40 minutos. Foi nesse período que o Papão cresceu em campo, conseguindo o gol de empate, em pênalti convertido por Pikachu, aos 28 minutos.

Misael produziu ainda duas boas investidas, mas o Atlético partiu com tudo em busca da vitória, pressionando sempre com bolas aéreas. Aí, então, veio uma reprise dos apagões de final de jogo que tantos prejuízos já causaram ao Papão nesta Série B. O franzino Juninho aproveitou escanteio para cabecear, entre Lombardi e Luís Felipe, desempatando a partida, aos 43 minutos. Um descuido fatal.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 05)