Golpe paraguaio ou norte-americano?

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POR FLÁVIO AGUIAR, no Blogue do Velho Mundo

Berlim – A tentativa de golpe de estado promovida pelos “desesperados” do Brasil – os inconformados com o resultado da eleição presidencial de 2014 (Cunha, Aécio, Nardes, Moro, Gilmar Mendes etc.) – vem sendo descrita na esquerda sistematicamente como um “golpe paraguaio”.

A alusão é ao processo absurdo, no Congresso do Paraguai, que derrubou o presidente Lugo, legitimamente eleito, por acusações absolutamente secundárias. Também se cita o precedente hondurenho, que derrubou o presidente Manuel Zelaya em 2009, através de manobras pesadamente legais.

Tudo bem, mas há algo de errado nisso. Como diria Machado de Assis (embora ele falasse de outras coisas, literárias), há nisso mais erro do que acerto. Porque há um esquecimento. A matriz desse tipo de golpe se encontra na matriz patrocinadora de todos os golpes de estado latino-americanos, ou quase, os Estados Unidos.

Em 2000 concorriam o vice-presidente democrata Al Gore e o republicano George Bush Filho à sucessão de Bill Clinton. No final das contas, Gore tinha a maioria dos votos populares, mas Bush tinha a maioria de votos no Colégio Eleitoral. Mas tudo dependia de 25 votos neste Colégio, provenientes da Flórida, onde seu irmão Jeb Bush (hoje pré-candidato republicano) era governador.

A vantagem de Bush, na contagem final, era muito estreita, menos de 500 votos, e havia denúncias de várias irregularidades no sistema de votação. Gore pediu recontagem, e houve uma batalha judicial.

O caso acabou na Suprema Corte dos Estados Unidos, que decidiu a favor de não recontar os votos na Florida por 5 x 4. Ou seja, Bush Filho foi eleito por um voto, numa decisão judicial apertada, com base jurídica suspeita, para dizer o mínimo, e graças ao sistema inseguro das eleições norte-americanas, que envolvem votações em cartelas de papelão e outras inseguranças.

Mas desde então as direitas latino-americanos, desapoderadas de suas bases militares, têm se concentrado neste recurso “legal” para exercer seus “direitos” de “corrigir” os resultados eleitorais populares.

Portanto, aos Césares o que for dos Césares. A matriz dos golpes das repúblicas de bananas em que querem nos transformar é a república dos xisburguers eleitorais.

A frase do dia

“O Paysandu precisa de R$ 3 milhões até dezembro para não ficar no vermelho. Precisamos de no mínimo 10 mil pagantes (por jogo), fora o sócio-torcedor. (…) O que estamos tendo de faturamento nos jogos em Belém, infelizmente, está muito aquém daquilo que precisamos. (…) Se eu colocasse R$ 60,00 o ingresso, parte da imprensa estava me matando. Como é do outro lado tem que pagar”.

Alberto Maia, presidente do PSC.