Blatter tenta reverter suspensão de 90 dias

Joseph Blatter, presidente da Fifa, recorreu de suspensão de 90 dias, segundo NYT

Um dia após ser suspenso por 90 dias, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, entrou com um recurso contra a decisão do Comitê de Ética da entidade. As informações são do jornal norte-americano “New York Times”. A publicação não revela trechos nem declarações do recurso redigido pelos advogados de Blatter e se limita a apresentar sua própria leitura.

Segundo o New York Times, os advogados afirmam em seu recurso que a suspensão é prematura e contrária à presunção de inocência. Consideram que Blatter tem o status de acusado por parte da justiça civil suíça e que pode ser absolvido por falta de provas.

Os advogados de Blatter teriam solicitado na carta de recurso que o dirigente suíço seja ouvido para poder defender sua causa, afirmando que antes do anúncio de sua suspensão “só pôde se defender em uma curta conversa com os investigadores”.

Além disso, os advogados lamentam “a maneira como Blatter foi tratado”, informando que soube de sua suspensão no momento em que a Fifa a anunciou publicamente. Citando uma fonte próxima ao suíço, o New York Times afirma que Blatter soube de sua suspensão ao lê-la “na tela do computador de seu escritório”.

Investigado criminalmente na Suíça, Blatter foi suspenso por 90 dias pelo Comitê de Ética da Fifa na quinta-feira. Michel Platini, presidente da Uefa e candidato a suceder o suíço, e Jérôme Valcke, ex-secretário geral da entidade máxima do futebol, receberam a mesma sanção.

A Promotoria suíça anunciou no final de setembro a abertura de um processo contra Blatter por suspeitas de gestão desleal e abuso de confiança e investiga “um pagamento irregular” de dois milhões de francos (cerca de dois milhões de euros no câmbio de hoje) que este fez ao presidente da Uefa, Michel Platini “em prejuízo da Fifa”. (Da ESPN)

Lennon, 75 anos, e o álbum que redefiniu sua vida

POR JAMARI FRANÇA

Neste nove de outubro John Lennon faria 75 anos. Quando os Beatles acabaram, em 4 de abril de 1970, encerrou-se para ele uma etapa  iniciada em 1956 quando fundou a primeira banda, The Quarrymen. A decolagem para a História começou em cinco de outubro de 1962, quando saiu o primeiro compacto com Love Me Do e P.S. I Love You. O fim da banda o encontrou sob o tiroteio de ter se casado com Yoko Ono, uma japonesa rotulada de feia e esquisita, numa demonstração de racismo e desrespeito a uma artista plástica de vanguarda e ao direito de livre escolha de John. A violência foi uma surpresa para os dois. Yoko: “Estávamos em plena Swinging London e, de repente, a Idade Média desabou sobre nós.”

Nos últimos anos os Beatles implodiram gradualmente em contradições. John disse em 1969 que precisava de mais espaço, os Beatles o aprisionavam. Ele queria se sentir livre para fazer o que quisesse sem que o mundo desabasse em cima dos outros, como aconteceu quando ele disse, em 1966, que os Beatles eram mais famosos do que Jesus. Daí partiu para um misto de arte de vanguarda com militância política a favor da paz. Gravou discos e rodou filmes experimentais como provocação – “As pessoas são gelatinas congeladas. É preciso alguém para desligar a geladeira.” Fez os bed ins com Yoko Ono em Amsterdam e Montreal, quando criou o hino pacifista “All we are saying is give peace a chance”.

Viciou-se em heroína depois de ler Ópio, O Diário De Uma Cura, de Jean Cocteau, que fala da luta do autor contra o vício. Livrou-se da droga na marra, não quis se internar numa clínica porque a imprensa ia cair em cima. Os horrores da cura estão na letra do segundo single solo, Cold Turkey: “36 horas rolando de dor – Rezando para que alguém – Me liberte novamente!” (“Thirty-six hours – Rolling in pain – Praying to someone – Free me again”), de 1969 (o primeiro foi Give Peace A Chance). Apesar do amor de Yoko, estava mergulhado em angústia existencial e, um dia, lhe caiu nas mãos o livro The Primal Scream – Primal Therapy, The Cure For Neurosis, do terapeuta americano Arthur Janov, lido de enfiada. O método tinha um viés freudiano de influência dos traumas de infância na vida adulta, incluindo o desejo do incesto, que John confessou ter experimentado em relação à mãe, Julia Stanley. Ela o entregou com cinco anos para a irmã, Mary Elizabeth (Mimi),  quando casou pela segunda vez, mas reentrou na vida de John quando ele tinha 16 anos e morreu atropelada dois anos depois.

Janov ficou impressionado com o estado de John: “O nível de seu sofrimento era enorme. Ele era quase completamente disfuncional. Não conseguia sair de casa. Não tinha defesas, estava desmoronando, cheio de raiva, hostilidade, cinismo e ceticismo. Era alguém que o mundo inteiro adorava, mas isto não fazia a menor diferença. No centro de toda aquela fama, riqueza e adulação estava apenas um menino solitário.” A terapia incluía fazer o paciente berrar as dores infligidas desde a dor do parto. A princípio John travou mas, com ajuda de Yoko, conseguiu se soltar.

Um dos temas da terapia foi a religião. John perguntou porque as pessoas se apegavam tanto às religiões. Janov respondeu que a religião era uma busca de consolo para o sofrimento. John: “Oh, então Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor?” Que virou o verso de abertura da música God, em que ele nega religiões, políticos e músicos, incluindo os Beatles. E faz a grande despedida do mito: “O sonho acabou – O que posso dizer – Eu era o artífice do sonho – Mas agora renasci – Eu era a morsa – Mas agora sou John – Então, queridos amigos – Vocês tem que seguir em frente – O sonho acabou.” (“The dream is over – What can I say? (…) I was the dreamweaver – But now I’m reborn – I was the Walrus – But now I’m John- And so dear friends – You’ll just have to carry on – The dream is over”). Numa entrevista ele disse: “A gente nasce e vive a maior parte da vida com dor. Quanto mais dor se sente, de mais deuses se precisa.”

Como Janov tinha uma clínica concorrida na Califórnia, teve que voltar quando terminou a primeira fase, Lennon foi a San Francisco e completou o tratamento sob marcação da imigração por conta de uma condenação por porte de maconha na Inglaterra em 1968. Nesse processo terapêutico foram compostas as 11 canções do álbum.

Para acompanhá-lo chamou para o baixo seu velho amigo alemão Klaus Voormann, autor da capa de Revolver, Ringo Starr tocou bateria, Billy Preston tocou piano em God, John guitarra e piano e Yoko vento (John diz que ela criou a ambientação). Phil Spector, o inventor da muralha sonora, assinou a produção, mas só entrou na fase final e tocou piano em Love. Depois da complexidade da produção Beatle, de Revolver (1966) a Abbey Road (1969), John optou pela mesma simplicidade e crueza que era a idéia original do álbum Get Back, lançado como Let It Be em oito de maio de 1970 com acréscimos não previstos no projeto original, incluindo massas instrumentais pelo mesmo Phil Spector. Aqui não houve isso, instrumentação econômica e pouco tratamento na voz de John. As gravações foram feitas ao vivo, todos tocando juntos.

Os agentes do ódio

POR GERSON NOGUEIRA

Desocupados virtuais dispostos a manipular incautos começam a povoar as redes sociais com ofensas racistas e discriminatórias de supostos internautas paranaenses contra a torcida do Remo, às vésperas do confronto entre o clube paraense e o Operário de Ponta Grossa (PR). É preciso denunciar e informar às pessoas que se trata de um golpe.

O torcedor deve se acautelar em relação a tais fakes que se espalham como pragas pela internet, divertindo-se à custa da boa fé alheia.

Foi assim que agiu um grupo local atiçando a ira de grande parte da torcida do Papão ao reproduzir mensagens discriminatórias no Facebook atribuídas a torcedores do Fluminense. Eram postagens chamando de “índios” os bicolores, por ocasião do confronto entre os dois times pela Copa do Brasil.

Um olhar menos apressado, sem as tintas explosivas da paixão, revelaria que nenhum dos posts tinha identificação ou origem confirmada. Era tudo fake. Bastava pesquisar os nomes dos supostos cariocas no Face para constatar a fraude.

A estratégia, porém, surtiu o efeito desejado: criar um clima de hostilidade aos cariocas em Belém. Durante dias, a cobertura esportiva – principalmente na TV – ocupou-se do assunto, focando nas manifestações indignadas de cidadãos paraenses quanto ao pretenso ato de discriminação por parte de adeptos do clube carioca.

Muitas pessoas compareceram ao Mangueirão fantasiadas de índio como forma de protesto, submetendo-se involuntariamente à manipulação engendrada pelos delinquentes virtuais.

Houve crime, cujas penalidades estão previstas em lei, mas ninguém foi sequer investigado pela incitação à violência, ao racismo e à xenofobia. Aliás, muita gente sequer desconfiou que estava sendo alvo de uma picaretagem.

Como não existem providências preventivas por parte das autoridades, resta ao torcedor se precaver ao receber tais mensagens, procurando prestar bastante atenção ao enunciado das frases. Quase sempre há um ou outro detalhe, um palavrão ou xingamento a mais, que denuncia a armação.

De maneira geral, é preciso reagir ao uso irresponsável e criminoso da internet. Há robôs em ação para tentar influenciar opiniões a serviço dos mais diversos interesses, políticos inclusive, semeando ódio e intolerância. Enfrentar isso é um gesto de cidadania.

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Calote em atletas pode provocar rebaixamento

O Macaé (RJ), que disputa a Série B, marcha para ser o primeiro clube brasileiro a ser punido pela resolução da CBF contra atrasos salariais de atletas em competições nacionais. Por dever de dois a cinco meses aos jogadores, o clube foi denunciado ontem ao STJD pelo Sindicato dos Atletas de Futebol do Rio.

A denúncia se refere ao artigo 18 do Regulamento Geral de Competições da CBF, que, a partir desta temporada, pune com a perda de pontos clubes que não pagarem em dia seus jogadores. Caso seja condenado, o Macaé pode vir a ser rebaixado.

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Um mestre que reverenciava a bola 

Astro da grande safra de boleiros do nosso futebol, Mestre Didi faria 87 anos ontem, se estivesse vivo. A data passou em branco, mas sua passagem pelo futebol foi fulgurante e inestimável, com especial brilho no super Botafogo do final dos anos 50 e começo dos 60.

Um craque de fina estampa, com lugar cativo na galeria dos imortais. Tratava a bola com tanto carinho que a chamava de Leonor. Tão diferente dos pés de chumbo que hoje deslustram a lendária camisa canarinho.

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Seleção Brasileira continua sem técnico

Os chilenos mereceram vencer. Chegaram a respeitar o time brasileiro em boa parte do confronto, mas foram agudos e certeiros quando partiram para decidir o jogo. A diferença não está na qualidade individual dos jogadores, mas na competência dos técnicos. A seleção de Sampaoli joga com intensidade e aproximação, não cede espaços em excesso. Abusa das pancadas, mas é eficiente na marcação.

O Brasil de Dunga é lento na saída, incapaz de surpreender e tem um buraco no meio-campo. A opção de fazer Oscar jogar pela esquerda do ataque não acrescenta força ofensiva e deixa o time sem um bom armador. William é o mais dinâmico e habilidoso, mas o desnível entre jogadores afeta o equilíbrio.

Para piorar, com Oscar e Hulk bem abertos, não havia um finalizador correndo pelo centro. Ao mesmo tempo, Dunga apostou em três volantes, atraindo os chilenos para o seu campo de defesa. E só foi corrigir o vazio na frente após tomar o primeiro gol em vacilo coletivo da defesa, incluindo o goleiro Jefferson.

Kaká, convocado para acrescentar experiência ao grupo, poderia ter entrado no segundo tempo. Teria sido mais útil que Lucas Lima.

Não há mistério. Desde o começo, o problema no Brasil segue o mesmo: o grupo tem limitações, agravadas sem Neymar, e a Seleção precisa de um técnico.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 09)