Quem é contra o Bolsa Família ou é mal-intencionado, ou está mal-informado

POR ANDRÉ FORASTIERI, no Linkedin

Sempre que a oportunidade aparece, ressuscitam a campanha contra o Bolsa Família. O objetivo não é acabar com o benefício. É tão impossível quanto acabar com o salário mínimo, o Natal, o nascer do sol. As metas são outras: manter o Bolsa Família com o menor valor possível, enxovalhar a reputação de quem o recebe, influenciar a opinião pública para que se torne politicamente difícil a criação de outros benefícios semelhantes, e bater no governo. A quem interessa? Aos que têm outros destinos para o dinheiro dos nossos impostos.

Agora é o deputado Ricardo Barros, do PP do Paraná. Ele é o relator do orçamento federal de 2016. Vem sendo reconhecido na rua e até aplaudido, desde que propôs um corte de 35% no Bolsa-Família. O argumento dele é que 75% dos beneficiados declaram estar no mercado de trabalho. Claro, quem vai viver de Bolsa Família? O valor médio do benefício é R$ 167,00…

O orçamento previsto para o Bolsa Família, em 2016, é de R$ 28 bilhões. Barros propõe baixar para R$ 18 bilhões.  São 14 milhões de famílias beneficiadas. Metade dos beneficiados são crianças e adolescentes. Barros faz marketing político rasteiro.

Mas ao propor o corte, dá margem para as questões habituais se arrastarem para fora da tumba: o Bolsa Família é bom? É justo? Não é um estímulo oficial à vagabundagem e à procriação destrambelhada? Não seria melhor deixar de lado essa política assistencialista, e focar na geração de empregos, verdadeira porta de saída dessa esmola? Não tenha dúvida: na próxima oportunidade que pintar, os mesmos de sempre voltarão a atiçar com desinformação os mesmos preconceitos. É bom estar preparado para retrucar.

A revista britânica Lancet publicou em 2013 um estudo que relaciona de forma conclusiva o Bolsa Família com a queda da mortalidade infantil. Dados de quase 3000 municípios brasileiros foram utilizados, no período entre 2004 e 2009. A Lancet é a mais tradicional publicação científica na área de saúde do planeta – existe desde 1823.

Nas cidades em que o programa tem alta cobertura, a queda geral na mortalidade infantil foi de 19,4%. Cruzando o Bolsa Família com causas específicas de morte, o impacto é ainda maior: queda de 65% nas mortes por desnutrição e 53% nas mortes por diarreia. O Bolsa Família, portanto, salva vidas.

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É a solução para a pobreza? Claro que não. É uma operação de emergência, necessária hoje e todo dia. Como essas missões da Cruz Vermelha e dos Médicos Sem Fronteiras em zonas afetadas por desastres naturais ou guerras. Seu objetivo é imediatista. É salvar vidas em perigo. Vidas que enfrentam uma calamidade permanente: o miserê brasileiro, desastre que de natural não tem nada.

Aí chegamos a outra crítica comum ao programa: mas pra quê tanta criança? Essa mulherada sem vergonha não está parindo um filho atrás do outro, só pra garantir uma renda fixa?

A resposta é um grande não. A taxa de fertilidade do Brasil vem caindo rápido. Hoje é de 1,8 filhos por mulher, a mesma que o Chile, menos que os Estados Unidos (1,9). Está abaixo do nível mínimo de reposição da população (que é 2,1%). As mais pobres têm mais filhos? Sim, principalmente por ignorância e falta de acesso a métodos contraceptivos. Alguém acha mesmo que é a perspectiva de embolsar R$ 167,00 por mês que faz uma brasileira engravidar?

É evidente que se o mundo tivesse dois bilhões de pessoas, em vez de sete, estaríamos melhor na fita. Quanto menos pobre, menos pobreza… Mas o fato inquestionável é que as brasileiras têm cada vez menos filhos. E cada vez mais tarde, porque 40% das nossas conterrâneas entre 25 e 29 anos ainda não têm filhos.

Dilma foi rapidinho à TV assegurar a população que o Bolsa Família não será cortado. Fez bem. Sempre que essa papo ressuscita, acontece corre-corre. Parecem cenas de refugiados na África, se batendo por um galão de água, um saco de ração. Por que nossos compatriotas ficam tão desesperados com a possibilidade de ficar sem o Bolsa Família? Porque eles não recebem um monte de outros benefícios simultaneamente. Comparando com os países que tem a melhor qualidade de vida, o Brasil tem benefícios sociais minúsculos.

O sociólogo Alberto Carlos Almeida fez uma comparação chocante entre Brasil e Inglaterra, em artigo para o jornal Valor Econômico. Os ingleses ganham salários muito mais altos que os brasileiros. E mesmo assim recebem muitos tipos de auxílio diferentes, que aqui não existem. Alguns:

– bolsa funeral (R$ 2100 para ajudar no enterro de seu familiar, incluindo pagar flores, caixão, uma viagem de algum parente para o velório etc.)
– bolsa aquecimento no inverno (média de R$ 2400 por mês para ajudar você a se aquecer no inverno)
– bolsa necessidades especiais (para deficientes ou idosos, até R$ 1500 por mês)
– bolsa cuidador de quem tem necessidades especiais (R$ 720 por mês)
– bolsa aquecimento por painéis solares (até R$ 3600 por mês)
– seguro desemprego (R$ 720 por mês)

E muitos outros de todo gênero. Almeida destaca o bolsa criança, que paga R$ 1350 por mês para a família que tem uma criança (e mais uns R$ 1200 para o segundo filho etc.). Vale lembrar que a saúde pública inglesa é boa e gratuita, assim como a educação, em sua maior parte.

Por isso tudo, os ingleses são mais saudáveis e educados que os brasileiros, vivem mais e melhor que nós, em um país sem violência. Lá, os impostos são aplicados em benefícios que garantem uma vida mais saudável e segura. Quando alguém criticar o Bolsa Família, faça-lhe um favor: jogue esses dados na cara do infeliz. Nós, brasileiros, precisamos ter consciência do que funciona bem em outros países, para cobrarmos as mesmas leis aqui.

Certo que o Brasil não é a Inglaterra. Certeza que há dinheiro suficiente para ajudarmos nossos deficientes, idosos, crianças, desempregados e defuntos. Estão aí os estádios faraônicos que construímos para a Copa e construiremos para as Olimpíadas, molezas diversas para empresas próximas do poder, corrupção desenfreada (e multipartidária), benesses variadas para apadrinhados etc. O cobertor está mais curto que alguns anos atrás? Mais uma razão para priorizarmos as prioridades. Forçar a aplicação dos recursos que temos no que trará mais benefícios para nossa população. Nesse caso, é salvar vidas em perigo. Nem vou listar aqui os inúmeros trabalhos que mais e mais tornam evidente a importância de programas de renda mínima para o bom funcionamento da economia de cada país – fica para outra hora.

O PT explora politicamente o Bolsa Família? Claro, é isso que governos fazem, e oposição idem. O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde, como nos ensinou Rubens Ricúpero. Aécio Neves até já disse que quem criou o Bolsa Família foi o PSDB. Não foi, mas criaram coisas parecidas. Lula, quando o Fome Zero não decolou, reempacotou os benefícios criados pelos tucanos, engordou um tanto o bolo, e marketou magistralmente. Minha sugestão é que os governos estaduais e municipais da oposição criem seus próprios bolsa isso e bolsa aquilo. Que bom se os políticos disputarem nosso voto nos dando dinheiro, em vez de tirar…

O questionamento do Bolsa Família mais furado de todos é o moral: é justo uma pessoa receber dinheiro, sem ter trabalhado por isso? Nem merece resposta, mas aqui está: a questão não é de justiça, é de isonomia. Os mais ricos já recebem bastante dinheiro sem trabalhar. Embolsam rendimentos de suas aplicações financeiras, aluguel de imóveis e tal. Acionistas de empresas recebem dinheiro sem trabalhar: os lucros. E herdeiros recebem dinheiro sem trabalhar, às vezes sem nunca ter trabalhado de verdade.

Muitas crianças brasileiras felizardas já têm seus futuros assegurados, graças ao que construíram seus pais ou avós. Nunca precisarão pegar no batente (e mesmo assim, como sabemos, muita gente abonada continua trabalhando, porque assim se sente realizada, produtiva, estimulada, ganha mais dinheiro ainda etc. Dinheiro é 100%, mas não é tudo…).

Na próxima vez que a campanha contra o Bolsa Família mostrar sua cara feia, ajude a cravar uma estaca em seu coração. O Bolsa Família não é nenhuma maravilha, mas é infinitamente melhor que nada. Tem que ser aplaudido, imitado, diversificado e expandido para pessoas que não têm família. Tem que ter o seu valor aumentado, bastante e rápido. Contra fatos, e vidas salvas, não há argumentos.

(Se você achou esse texto interessante, talvez curta meu blog, onde escrevo desde 2009 sobre política, negócios, cultura e o que me inspira a cada dia. Convido você para uma visita: http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/)

Cabra bom. Uma aula para demolir os argumentos mais toscos da direita contra o programa social que tirou o país da linha da miséria. 

Mazola Jr.: “Cantaram acesso e título antes da hora”

CRB x Paysandu, no Rei Pelé (Foto: Ailton Cruz/Gazeta de Alagoas )

POR CAIO LORENA – Globo Esporte/Maceió-AL

O CRB ocupa uma posição confortável na Série B, embora direção, comissão técnica e jogadores almejem terminar na parte de cima da tabela. Com seis jogos por disputar, o Galo encara três equipes que brigam pelo acesso: Náutico, Sampaio Corrêa e Paysandu, sendo este o adversário do próximo sábado, às 16h30 (horário local) no Mangueirão. O panorama abre espaço para uma velha discussão no mundo da bola: haverá incentivo financeiro extra para o Galo por parte dos concorrentes diretos, a conhecida mala branca? .

Técnico do Galo, Mazola Júnior não costuma sair à francesa das perguntas. Na última coletiva em solo alagoano, o treinador criticou quem se contorce diante do tema e assegurou que o dinheiro extra para vencer os adversários é visto com bons olhos no clube. Mesmo assim, descartou qualquer tipo de mudança no comportamento do grupo.

– Não sou hipócrita, cínico e muito menos falso. Essa história de mala branca sempre existiu e sempre vai existir. Quem falou que nunca viu, não está no futebol ou é mentiroso. O grave e imperdoável é a mala preta, que também existe. Também existe. Enquanto for a mala branca será muito bem-vista, apesar de que nesse grupo de trabalho não vai mudar nada. O Brasil inteiro está achando que o CRB, pela gana que está correndo nos jogos, está com bicho, premiação e tudo isso. Não tem nada disso. Acredito que, sinceramente, por conhecer esse grupo, isso não vai alterar em nada a gente correr mais ou menos.

Mazola Júnior, técnico do CRB (Foto: Caio Lorena / GloboEsporte.com)

O discurso sem rodeios de Mazola não parou por aí. O técnico regatiano espera o Paysandu em um 4-1-4-1 ofensivo, com marcação forte na saída de bola e jogadores rápidos pressionando a defesa regatiana, descartando ainda uma marcação individual no time paraense. Fora do plano tático, vê uma cobrança excessiva sobre comissão técnica e jogadores do Papão em virtude de discursos antecipados sobre vitória antes do tempo na Série B.

– Com certeza estão encarando esse jogo de uma forma muito decisiva porque depois tem uma saída complicada contra o América em Minas. Há seis jogos sem vencer, a pressão é enorme por parte do torcedor porque cantaram o acesso e o título muito antes da hora e estão pagando o preço disso. Uma pressão totalmente desnecessária em um momento desnecessário. Vamos nos preocupar com o conjunto e com esse fator motivacional e de pressão.

HOMENAGEM

A intimidade em falar sobre o Papão se apoia na grande ligação do treinador com o clube. Em 2014, ele comandou os bicolores no vice do Parazão, Copa Verde e Série C, com direito a comemoração no alambrado com a torcida em Juiz de Fora, no jogo do acesso. Há uma expectativa de homenagem ao técnico no Mangueirão, nada fora do normal para Mazola.

– Sinceramente, não me estranha. Já tive o parabéns cantado pelo Mangueirão inteiro no meu aniversário, dia 28 de fevereiro. Tive uma ovação muito grande na final do Campeonato Paraense, mesmo sendo vice-campeão. O meu relacionamento com a torcida do Paysandu é simplesmente fantástico. Desde 2002, na Copa dos Campeões. Foi um trabalho de um ano, muito gratificante. É um clube que tenho diferenciado no meu coração, uma torcida diferenciada no coração. Só que estou do outro lado e, assim como foi aqui, o profissionalismo vai falar mais alto. Depois do jogo, a gente vê o que faz. É gratificante para todo profissional, ainda mais aqui no Brasil, o treinador ter o respeito, consideração e a simbiose que a gente conseguiu lá com a torcida, imprensa e todos de Belém. Tirando o outro lado da avenida, o resto foi tudo maravilhoso.

Com 49 pontos, o Papão é o sétimo colocado da Série B e luta pelo acesso. O Galo, por sua vez, acumula 44 e tem possibilidades remotas.

Amazonense propõe inchar as Séries C e D

Com a confirmação da Arena Amazônia como o maior elefante branco deixado pela Copa do Mundo de 2014, como todo mundo sabia que iria ocorrer, o presidente da Federação Amazonense, Dissica Valerio Thomaz, resolveu lançar uma ideia gaiata: quer retomar um projeto adormecido de deixar mais “nacional” as Séries C e D.

A ideia do cartola amazonense é fazer com que os participantes das duas competições sejam definidos pelos estaduais. Na C, 27 campeões, mais cinco melhores classificados no ranking da CBF. Na D, 27 vices e outros cinco vindos do ranking.

Dissica diz que tem apoio de colegas das federações do Norte e Nordeste do país. Ele afirma que a iniciativa é para evitar que os estados do Sul e do Sudeste dominem também as Séries inferiores do futebol nacional. Segundo o dirigente, que na quarta-feira esteve em audiência da CPI do Futebol, em Brasília, o assunto foi abordado na CBF após a assembleia geral.

Na verdade, Dissica está lutando para diminuir o fracasso do Nacional e do Princesa do Solimões na Série D, deixando o Amazonas com participação somente na Quarta Divisão em 2016. (Com informações do Lance!)

Onda conservadora ou apenas cretinos com orgulho?

POR LEANDRO KARNAL, via Facebook

O Enem colocou um texto da filósofa Simone de Beauvoir, de 1949: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”.

O texto não é uma novidade ou uma controvérsia. É um texto histórico que relembra o óbvio: a construção do feminino é um processo dado pela civilização. Houve grita na internet. Vários falam hoje de uma onda conservadora; mas vejo uma onda de estupidez apenas. Quem reclamou não leu, não inseriu no contexto, não aprofundou.

Não é apenas conservadorismo: é burrice declarada. Dá para debater com gente conservadora, pois vários conservadores do passado eram brilhantes: Burke, Tocqueville etc. Mas não dá para discutir com gente tapada e que se orgulha da estupidez. Com este grau de atualização filosófica, em breve esta malta vai gritar contra Newton na prova.

Ataques a Lula atingem conquistas do povo brasileiro

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POR RENATO RABELO, no Brasil247

Incomodada há exatamente um ano com a quarta derrota seguida numa eleição presidencial, a oposição direitista não dá tréguas à presidenta Dilma e, ao mesmo tempo, promove uma verdadeira campanha de desconstrução da imagem do ex-presidente Lula.

A trama oposicionista não tem escrúpulos e ocorre de forma articulada com a mídia, que lhe dá ampla repercussão. À tentativa de vincular o ex-presidente às investigações da Polícia Federal e à acusação de haver tirado proveito pessoal através de lobby em favor de empresas brasileiras no exterior, soma-se atos de pura e simples difamação com a utilização de bonecos detratores que circulam nas capitais e em algumas cidades brasileiras.

Lula é alvo de ataques desde que ocupava a Presidência da República. O auge foi em 2005 através do chamado “mensalão” e o intuito era impedir sua reeleição em 2006, interrompendo, ainda nos primeiros anos, o ciclo de desenvolvimento econômico e inclusão social que agora completa 13 anos.

Ao encerrar o período de oito anos como presidente da República em 2010, Lula ostentava 87% de aprovação popular. O índice é um recorde mundial mantido até hoje e supera a aprovação de personagens históricos como Mandela, que deixou o governo com 82% de aprovação, Roosevelt, com 66%, e De Gaulle, com 55%. Por outro lado Fernando Henrique Cardoso saiu do governo com apenas 26%. Para a elite brasileira é inaceitável um operário ter chegado a tal ponto, ainda mais sendo um retirante nordestino, que sequer concluiu o ensino fundamental.

Além do carisma e da trajetória pessoal, Lula carrega outros fatores que fizeram dele a maior liderança popular de nossa história. A retomada do desenvolvimento, com geração de emprego e aumento real de salários; a implantação de programas sociais como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Prouni, Fies e Pronatec; o maior protagonismo internacional do Brasil e sua integração com os países da América Latina e do Hemisfério Sul, são algumas das razões que selaram a identificação da maioria da população com o ex-presidente.

A questão, portanto, não é apenas sujar a imagem de Lula perante a população, mas atingir programas e ações do seu governo que mudaram a cara do Brasil. Daí se explica a tentativa de reduzir cerca de um terço do orçamento do Bolsa Família para 2016, de impedir a ampliação dos recursos para saúde através da CPMF, de inviabilizar medidas do governo para superar a crise econômica e de fomentar a intolerância de parcelas da sociedade contra os beneficiários dos programas sociais. Faz parte do “quanto pior, melhor” que pode levar a população a identificar na oposição, embalada por um discurso de suposta mudança, uma saída para suas dificuldades.

Neste sentido é alvissareiro o fato de que a Frente Brasil Popular, integrada pelos partidos e organizações mais avançadas da sociedade brasileira, esteja convocando uma grande marcha em Brasília no próximo dia 13 de novembro. Um novo momento da batalha política começa a se anunciar e o protagonismo do movimento social, aliado a uma intensa ação política no plano institucional e a uma postura aguerrida da presidenta Dilma, são fatores determinantes para desarmar a trama golpista, o Brasil superar o momento difícil, retomar o desenvolvimento, promover as necessárias reformas estruturais e avançar nas conquistas.

TV: clubes cobram mudança na divisão de verbas

POR MARCUS ALVES, da ESPN

Na linha de frente, por ordem: Flamengo, Corinthians, Atlético-MG, Palmeiras e Cruzeiro. Esses foram os clubes que mais venderam pacotes de pay-per-view em 2015, conforme anunciado pela Rede Globo, em evento em São Paulo, na última terça-feira. A insatisfação, ainda assim, é geral e motivou o acordo para uma nova reunião daqui a 15 dias para discutir a metodologia de pesquisa que determina esse ranking.

Ficou acertado que cada um dos dirigentes retornará à capital paulista com sugestões para que a divisão do dinheiro supostamente reflita mais a realidade. O assunto é tratado como prioridade pelos times. Não poderia ser diferente.

A receita com o pay-per-view aumenta a cada ano. Em 2013, a Globo colocou à disposição R$ 280 milhões para divisão, proporcionalmente ao número de torcedores assinantes de cada equipe no sistema. Essa cifra aumentou para R$ 300 milhões no ano passado e chegou a R$ 350 milhões nesta temporada.

O melhor ainda está por vir. “Ano que vem, serão R$ 500 milhões com o novo contrato”, revelou o presidente do Santos, Modesto Roma, ao ESPN.com.br.

Não serão, portanto, apenas as cotas que crescerão com o início de um novo ciclo entre 2016 e 2018 de cessão dos direitos de transmissão do campeonato. A verba com PPV também e, por isso, praticamente todos os clubes reclamaram, durante o encontro da última terça-feira, em um hotel em São Paulo, do atual modelo de pesquisa.

Ele é feito a partir de pesquisa realizada pelo Ibope em conjunto com o DataFolha.

Flamengo e Corinthians ficam com a maior parte da receita de TV do Brasil

Em 2014, segundo documento encaminhado aos próprios times, foram apenas 1.825 mil domicílios consultados, por exemplo.

“A discordância é de todos”, afirma o santista Modesto Roma, que viu a sua equipe subir uma posição nesta temporada e assumir a 12ª posição na venda de pacotes. “É a mesma situação do ano passado. A amostragem é muito pequena, 10 mil pessoas. Não pode ser assim, temos que falar com 2 milhões. Não funciona dessa forma, mas, por enquanto, não debatemos mudar instituto e, sim, como é feito (o trabalho)”, completa.

“Não é porque o Flamengo é primeiro que vou deixar de contestar. De fato, (a pesquisa) precisa ser mais técnica, carregar um critério mais sensato porque tem umas distorções. Ela se concentra apenas nas capitais, não pode ser assim”, prossegue o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

Os primeiros dez colocados do ranking do PPV são os seguintes:

1º) Flamengo
2º) Corinthians;
3º) Atlético-MG;
4º) Palmeiras;
5º) Cruzeiro;
6º) Vasco;
7º) São Paulo;
8º) Grêmio;
9º) Inter;
10º) Fluminense.

Aumenta jejum brasileiro em finais sul-americanas

Chapecoense foi eliminada da Sul-Americana

As eliminações de Atlético-PR e Chapecoense da Copa Sul-Americana na noite desta quarta-feira encerraram as chances de um time brasileiro disputar uma final continental em 2015. Sem decidir também a Libertadores, o país amarga seu maior jejum de decisões na América do Sul em 25 anos.

Desde 1990, o Brasil não sabia o que era passar dois anos consecutivos sem decidir nenhum torneio sul-americano. Desde 2013, em que o Atlético-MG foi campeão da Libertadores e a Ponte Preta decidiu a Sul-Americana, as melhores campanhas brasileiras foram semifinais nessas duas competições.

Em 2014, a Libertadores foi decidida por San Lorenzo-ARG e Nacional-PAR e, em 2015, por River Plate-ARG e Tigres-MEX. A última final da Sul-Americana foi River x Atlético Nacional-COL e, neste ano, River, Huracán-ARG, Sportivo Luqueño-PAR e Independiente-ARG ou Santa Fe-COL disputarão as semis.

Em 1989 e 90, a Sul-Americana, criada em 2002, ainda não existia, e a segunda maior competição regional era a Supercopa. Nesses anos, as finais foram entre Olimpia-PAR x Nacional-URU e Boca-ARG x Independiente-ARG. Já a Libertadores teve o Olimpia em ambas, contra Barcelona-QUE e Nacional-COL.

Internacional, de Alisson, foi eliminado na semifinal da Libertadores de 2015

Desde então, o Brasil nunca havia passado dois anos seguidos longe de uma final sul-americana. O único ano, inclusive, que o país não emplacou nenhum clube em uma decisão nesse intervalo foi em 2004, quando o Boca decidiu Libertadores e Sul-Americana, contra Once Caldas-COL e Bolívar-BOL.

Na Libertadores, principal torneio do continente, os brasileiros só ficaram fora da decisão, além de 2004, em outras três ocasiões. Em todos esses anos, porém, algum clube do país fez final sul-americana: em 1991 e 1996, a Supercopa com o Cruzeiro; e, em 2001, a Copa Mercosul com o Flamengo.

Desde que passou dois anos fora de uma final sul-americana, os brasileiros conquistaram 12 vezes a Copa Libertadores, duas a Sul-Americana, três a Supercopa, cinco a Conmebol e três a Mercosul, além de nove títulos de Recopa – antes, entre campeões da Libertadores e Supercopa; hoje, Libertadores x Sul-Americana. (Da ESPN)

A frase do dia

“A gente propôs apertar o jogo na frente. Eles escaparam pelos lados, pelas jogadas que são o forte do Santos, pelos lados e aí parecia chute ao gol. Difícil analisar [se o São Paulo foi bem escalado] depois que o jogo está 3 a 0”.

Rogério Ceni, goleiro do S. Paulo, que deixou o campo no intervalo (quando o placar já era 3 a 0) alegando contusão.