Nos EUA, preços altos de apartamentos obrigam jovens a morarem em contêineres

POR SARAH MASLIN NIR, no The New York Times

Neste verão americano, o aluguel médio de um apartamento de um quarto em San Francisco subiu mais do que em Manhattan, impulsionado por um déficit habitacional alimentado em parte pela chegada de levas de pessoas que vêm minar o ouro da tecnologia.
E assim, como sempre acontece com essas cidades, as pessoas que não conseguem arcar com o aluguel são obrigadas a sair da cidade — em Nova York, para o Brooklyn e cada vez mais para o Queens. Para os moradores de San Francisco, o refúgio é em Oakland, onde os preços também estão subindo. Tanto é assim que os jovens profissionais estão morando em contêineres reaproveitados, enquanto os sem-teto estão arrastando caixas para dormir sobre rodas.
Estas duas possibilidades de alojamento improvisadas surgiram em um bolsão industrial de Oakland, onde o aluguel médio subiu 20% em relação ao ano passado. Um desses projetos, em um armazém, é chamado de Containertopia, uma comunidade de jovens que criaram uma aldeia de contêineres de 15 metros quadrados, como os usados no porto de Oakland. Cada morador paga US$ 600 por mês (em torno de R$ 2.400) para viver em um recipiente que pode ser modificado com adicionais como isolamento, portas de vidro, tomadas elétricas, painéis solares e um banheiro independente.

Heather Stewart entra no contêiner onde vive em Oakland; aluguel custa US$ 600
O Containertopia foi criado no ano passado por Luke Iseman, 32, e Heather Stewart, 30, que eram casados. Para Iseman, que se formou na Universidade da Pensilvânia e trabalha com tecnologia — mais recentemente, desenvolvendo sistemas automatizados para regar as plantas –, a vida no contêiner tem sido uma experiência de simplificação, que ele espera ensinar a outros.
“Se nós conseguimos em um dos lugares de maior custo do mundo”, disse ele, “as pessoas podem fazer isso em qualquer lugar”.
Bem na porta do armazém há outra comunidade que também mora em recipientes. Nela, os sem-teto moram em abrigos fabricados por um artista local chamado Gregory Kloehn, montados sobre rodas e feitos para as ruas. Cada um tem cerca de 2,5 metros de comprimento e a altura suficiente para uma pessoa se sentar.
“A estrutura não se encaixa em nossa mentalidade do que é uma casa”, disse Kloehn, 44 anos, que começou a criar e oferecer as casas portáteis feitas de material reciclado em 2011. Oakland tem ao redor de 3.000 pessoas desabrigadas, de acordo com o projeto East Oakland Community Project, uma organização sem fins lucrativos que ajuda a abrigar as pessoas que vivem na rua; San Francisco tem aproximadamente 6.700.
Kloehn fez cerca de 40 caixas sobre rodas alegremente pintadas, persuadindo as pessoas a deixar papelão e lona nas ruas.
“Dentro desta cidade, com todo o seu dinheiro, há outra camada: esses povos nômades que vivem do nosso lixo”, disse ele.
Stewart e Iseman montaram o Containertopia inicialmente em um terreno baldio da região, que eles compraram por US$ 425.000 com vários amigos. Eles foram forçados a sair na primavera deste ano, depois que os vizinhos reclamaram. (O zoneamento da área não permite residências; por enquanto, os proprietários estão cultivando uma horta lá, enquanto decidem o que fazer com o terreno.)
Em seguida, com 12 amigos e uma empilhadeira, Iseman e Stewart transferiram as casas de contêineres para um armazém fechado. Para serem habitáveis, os contêineres de Iseman, pintados de azul por dentro, precisam de um investimento de cerca de US$ 12.000, para uma cama tipo loft e uma janela cortada em uma lateral. Stewart ainda está trabalhando no contêiner dela, usando drywall e esculpindo uma bancada de cozinha a partir de uma tábua que ela extraiu de um tronco gigante.

É a crise…

Lula declara se “orgulhar” das palestras no exterior

Do UOL

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) prestou depoimento de forma voluntária nesta quinta-feira (15) ao Ministério Público Federal, em Brasília, segundo informou o Instituto Lula. Segundo a nota do instituto, o ex-presidente esclareceu palestras e viagens ao exterior que estão sob investigação no MPF e disse que as mesmas são “motivo de orgulho”. “Lula respondeu às perguntas do procurador e argumentou que os presidentes e ex-presidentes do mundo inteiro defendem as empresas de seus países no exterior. Afirmou também que para ele isso é motivo de orgulho. Disse que todas as suas palestras feitas estão declaradas e contabilizadas, com os devidos impostos pagos, e que jamais interferiu na autonomia do BNDES e nas decisões do banco sobre concessões de empréstimos”, afirma a nota.

Em julho, o MPF do Distrito Federal abriu um inquérito para investigar o suposto tráfico de influência do ex-presidente junto a políticos de outros países para conseguir contratos para a construtora Odebrecht. As obras investigadas pelo MPF seriam financiadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Lula nega.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em palestra para empresários dos países da União Europeia

Veja íntegra da nota do instituto:

“Nesta quinta-feira (15), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esteve com o Procurador da República, Ivan Cláudio Marx, e prestou voluntariamente depoimento acerca do inquérito aberto pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPF-DF) pedindo esclarecimentos a respeito das palestras e viagens ao exterior do ex-presidente.

Lula respondeu às perguntas do procurador e argumentou que os presidentes e ex-presidentes do mundo inteiro defendem as empresas de seus países no exterior. Afirmou também que para ele isso é motivo de orgulho. Disse que todas as suas palestras feitas estão declaradas e contabilizadas, com os devidos impostos pagos, e que jamais interferiu na autonomia do BNDES e nas decisões do banco sobre concessões de empréstimos. Em seu depoimento afirmou: “quem desconfia do BNDES não tem noção da seriedade da instituição”. Lula ressaltou “jamais ter interferido” em qualquer contrato celebrado entre o BNDES e empresas privadas. Mas que sempre procurou ampliar as oportunidades de divulgação dessas companhias no exterior, com vistas à geração de empregos e de divisas para o Brasil.”

Cabra bom.

Curió confessa assassinatos de prisioneiros

Foto de arquivo

POR LEANDRO MAZZINI, na Coluna Esplanada (Uol)

Em um depoimento inédito à Justiça Federal, Sebastião Rodrigues de Moura, 77 anos, o Major Curió, revelou que matou dois prisioneiros da Guerrilha do Araguaia no início da década de 70, durante o regime militar.

A audiência em segredo de Justiça ocorreu ontem na 1ª Vara Federal de Brasília, sob comando da juíza Solange Salgado. Curió enviara atestado médico para não comparecer, mas a juíza recusou e expediu mandado de condução coercitiva e a Polícia Federal buscou Curió em casa.

Com a restrita presença de advogados e de familiares das vítimas, o depoimento foi longo, ocorreu entre 13h30 e 23h. Só tarde da noite o militar confessou os crimes.

O militar, que era capitão à época, mas tido como o principal algoz da Guerrilha, confessou ter matado os guerrilheiros Antônio Theodoro Castro, codinome Raul, e Cilon Cunha Brun, o Simão. Mandou um capataz enterrar os corpos e indicou à juíza a localização atual. No depoimento, Curió alegou que a dupla tentou fugir e foi abatida a tiros – na sua tese, não houve execução.

Embora o militar esteja amparado pela anistia, as revelações do depoimento vão nortear várias decisões da Justiça a respeito das buscas de desaparecidos e desencadear mudanças editoriais nas obras já publicadas até agora.

A audiência foi tensa em alguns momentos, com acareações, bate bocas e intimidações.

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PREPARAÇÃO

A juíza preparou um questionário para Curió. Outros dois procuradores do MPF, Felipe Fritz e Ivan Marx, também preparam questões – ao todo foram mais de 100. O grupo vem estudando o caso há meses.

Curió foi o mais temido militar atuante na região do Araguaia durante o regime. Era capitão das tropas que aniquilaram a guerrilha. Ganhou fama desde então, e ascendeu na hierarquia militar chegando às patentes de major e tenente-coronel. Com esta patente controlou na década de 80 o garimpo de Serra Pelada (PA) e fundou uma cidade que leva o seu nome, Curionópolis (PA).

A mesma juíza determinou semana passada em despacho que o MPF investigue os gastos milionários do Grupo de Trabalho da Presidência sobre as buscas de desaparecidos no Araguaia nos últimos três anos, sem resultados.

Dado ainda não definiu a escalação do Papão

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O Papão treinou na tarde desta quarta-feira (14) no gramado do estádio Jornalista Edgar Proença (Mangueirão), local da partida contra o Macaé no próximo sábado (17), às 21h. A equipe comandada pelo técnico Dado Cavalcanti realizou inicialmente trabalho físico e depois fez treino com bola. Dado fez várias alterações, incluindo a presença de Djalma na lateral-esquerda e de Jonathan na direita, mas não anunciou a escalação para o confronto.

Quinto colocado na Série B com 48 pontos, o Papão tem a grande possibilidade de voltar novamente ao G4 em caso de triunfo sobre o Macaé. (Com informações e foto da Ascom/PSC)

Papão supera marca de 17 mil sócios torcedores

Através do site oficial, o Paissandu informou ontem à tarde que o programa Sócio Bicolor ultrapassou a casa dos 17 mil cadastrados, colocando-se em 13º lugar entre os ST’s do Brasil, à frente do Vasco (RJ). A notícia não citou a fonte do ranking. “O Sócio Bicolor surgiu em 2013, e de lá pra cá, segue investindo forte na valorização dos seus associados, que contribuem diretamente para o andamento dos planejamentos do clube bicolor com o pagamento das mensalidades. Agora, o programa possui exatamente 17.448 associados. Vale lembrar que o Programa Sócio Bicolor não possui nenhum vínculo com programas específicos para sócios torcedores, ou seja, é um programa independente e exclusivo do Paysandu, que vem atraindo novos associados todos os dias, aproveitando as diversas vantagens de ser associado ao Sócio Bicolor”, diz a nota.

O fim (impune) de um carrasco

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Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel que chefiou o DOI-Codi durante a repressão a presos políticos na ditadura militar, morreu nesta quinta-feira, em Brasília, sem ser punido por seus crimes. Depoimento da ex-presa política Maria Amélia Teles revela parte dos métodos utilizados pelo carrasco nos porões da ditadura.

Em entrevista ao UOL, Maria Amélia conta que foi presa no DOI-Codi de São Paulo e que seus dois filhos pequenos foram sequestrado e levados para o local. “O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra levou meus filhos. Eu estava dentro da sala sendo torturada na ‘cadeira do dragão’. Ele pegou na mão dos dois e os levou. Eu nua, vomitada, com fezes, sangue, urinada. E eles levaram meus filhos ali”. 

Quando o futebol se mistura com o rock

DO BLOG DO OHATA

Futebol e música. O que os dois têm em comum? No caso de Chelsea, Arsenal e a banda inglesa The Clash, muito. Descubra abaixo a ligação entre futebol e o álbum London Calling.
Agradecimentos ao pequisador e tradutor Vitor Santi, que viabilizou a publicação em português, e ao autor, Chris Salewicz, que revelou a divertida conexão.

Como o futebol moldou o maior álbum do The Clash

Em 1979, a banda punk The Clash escreveu e gravou London Calling, um álbum duplo que foi a sua melhor confirmação artística. Lançado nos Estados Unidos apenas em janeiro de 1980, seria aclamado pela revista “Rolling Stone” como o “álbum da década.”

Quando eles começaram a traballhar em sua obra-prima, o Clash estava em baixa. Tendo demitido seu empresário original, Bernie Rhodes, e seu sucessor temporário, a banda não tinha em quem se apoiar a não ser neles mesmos. E foi o futebol, assim como suas incríveis habilidades de composição, que os colocaram no espírito necessário para escrever e gravar o disco.

Se preparando para escrever London Calling, os integrantes do Clash jogaram longas partidas de futebol todas as tardes no centro de recreação em frente ao Vanilla, o estúdio onde ensaiavam em Plimico, no centro de Londres. “Eu simplesmente acho que nos encontramos naquela época, e teve muito a ver com o futebol”, diz um dos membros fundadores e guitarrista do Clash, Mick Jones. “Porque nos fez jogar juntos como um só.”

“Jogávamos muito futebol até nossas pernas não conseguirem dar um único chute,” Joe Strummer me disse no ano seguinte. “E então nós começávamos a tocar e escrever as músicas. Era o nosso jeito de esquentar.”

Todo dia perto das 16h, crianças do bairro que tinham acabado de sair da escola batiam na porta do Vanilla: “Vocês podem vir jogar?”

“Eram garotos típicos da classe trabalhadora de Londres, entre 9 e 13 anos, das moradias sociais locais,” diz Andrew Leslie, que gerenciava o estúdio.

“Esses garotos viam o Clash jogando uns contra os outros e se juntavam a partida, e isso se tornou corriqueiro. Eu acredito que eles desconfiavam que o Clash era uma banda – e eles poderiam se gabar disso na escola. Era uma boa hora para a banda dar uma pausa: Eles começariam a trabalhar às 13h. Jogavam dois em um time e dois em outro, junto com as crianças.”

“Topper em especial era o que mais gostava de jogar, provavelmente o melhor jogador,” afirma Leslie sobre o baterista baixinho, Topper Headon, que sempre estava em forma por emular as habilidades do Karatê de seu ídolo Bruce Lee.

Jones era espalhafatoso, lembra o empresário de turnê Johnny Green, mas suas habilidades não batiam com a sua gana e ambição; Strummer era incessantemente determinado, mas faltava habilidade com a bola; e o baixista Paul Simonon era infinitamente empolgado.

Antes de descobrir o Rock’n’Roll, Jones era imerso na cultura do futebol. Com uma idade igual a dos meninos que batiam na porta do Vanilla, ele se juntava a outros fãs pré-adolescentes todo sábado de manhã nas fileiras de hotéis nos arredores da Russell Square em Londres; times visitantes ficavam ali antes das partidas contra os times da casa.

Com os autógrafos dos jogadores garantidos, Jones atravessava a cidade para ir a um jogo, no campo do Chelsea ou do Queens Park Rangers. “Você podia pular a cerca da linha do trem do estádio do Chelsea. Uma vez, eu fiquei preso, prendendo minha perna no arame farpado e quase fui pego. Primeiro eu era um caçador de autógrafos de jogadores. Depois, eu passei desta fase e o rock’n’roll estava na minha frente – me tornei um grande fã de música e queria estar em uma banda,” ele disse.

“Porém, colecionar autógrafos de jogadores me deu uma boa lição. Porque alguns dos jogadores eram realmente poderosos e famosos – eu não quero dizer seus nomes, mas eu poderia. Como eles tratam você foi um grande aprendizado de como não tratar os outros quando se está em uma posição de celebridade.”

De fato, o generoso tratamento com os fãs que o Clash dava virou parte de sua lenda. E o amor de Jones pela música e o futebol – compartilhado por outros membros do Clash, Strummer em especial – personifica como o futebol e o rock’n’roll eram as válvulas de escape tradicionais para jovens atingidos pelo tédio e a morosidade da vida cotidiana no Reino Unido naquela época.

Durante a fase de composição de London Calling, Strummer vivia com sua namorada Gaby Salter e sua mãe em um terreno perto de Stamford Bridge, campo do Chelsea; o terreno ficava atrás do Tâmisa: a letra de “London Calling” confirma, “I live by the river.” Quando os Blues jogavam em casa, ele ia ver as partidas nos sábados a tarde.

Iam juntos, o acompanhando, Josie Ohendjan, de 12 anos, que mais tarde se tornou a babá das duas filhas de Strummer; o irmão de 16 anos de Gaby, Nicky; um colega de classe de Nicky, Black John; e Crispin Chetwynd, um amigo da família. Todos se encontravam na casa da mãe de Gaby, fumavam um baseado e – com um saco de batatas fritas comprados no caminho – andavam 10 minutos até o estádio. Lá, pagando duas libras, eles sentavam na arquibancada da torcida organizada.

Strummer era um fã do Chelsea: ele leu tudo o que podia sobre o time. No entanto, eram dias sombrios para o time de West London, que estava na segunda divisão. De acordo com Ohendjan, entretanto, Strummer “adorava o tribalismo daquilo, o movimento daquilo, pessoas se unindo sob as cores do time. Joe vivia perto e era um fã, e gostava de fato do aspecto de ser um torcedor.”

O que Strummer não ligava era para “a agressão e o racismo.” Isso foi antes de duas temporadas onde Paul Canoville se tornou o primeiro jogador negro do Chelsea, frequentemente recebido por sua própria torcida com bananas jogadas no campo e cantos “Não queremos o negro.” Torcedores mais extremos do Chelsea eram famosos por serem da Frente Nacional, uma facção de extrema direita: jogadores negros dos times visitantes recebiam o mesmo tratamento em Stamford Bridge.

A identidade visual do homem que escreveu “(White Man) In Hammersmith Palais” não causava nenhum problema a Strummer durante os jogos. “Em Stamford Bridge, Joe era reconhecido,” disse Ohendjan. “Nós éramos punks e ficávamos juntos dos skinheads, mas ele não era incomodado.” Paul Cook, baterista do Sex Pistols, também ia regularmente à Stamford Bridge, assim como Suggs McPhearson e Chas Smash do Madness – todos os três, inclusive, ainda vão aos jogos no estádio do Chelsea.

Porém, depois de um jogo contra o West Ham, em setembro de 1980, Strummer e o seu pessoal foram perseguidos por torcedores dos Hammers, que brandiam navalhas e canivetes. “Nós corremos para longe da casa onde Joe vivia,” lembra Ohendjan. “Foi assustador. Todos nós, incluindo Joe, decidimos parar um pouco de ir aos jogos depois disso.”

Outro time de Londres, entretanto, se provaria uma inspiração para London Calling. O material composto no Vanilla foi gravado no Wessex Studios em Highbury, norte de Londres, em Agosto e Setembro de 1979. O bairro de Highbury era a casa do Arsenal, e o produtor do disco, Guy Stevens, lendário excêntrico da indústria musical da Inglaterra, era um torcedor obcecado pelo time.

Ao descobrir que alguns funcionários do Arsenal eram fãs do Clash e, conspirando com eles, Stevens estabeleceu um ritual diário, onde sentiu que acrescentaria algum tipo de mágica que ele estava tentando injetar no disco. O táxi encarregado de levá-lo toda manhã para o estúdio fazia um pequeno desvio, parando no campo do Arsenal. Lá, Stevens saía do veículo bem rapidamente e se dirigia ao círculo central de Highbury, onde ele se ajoelhava e fazia uma homenagem mental ao meio campo do Arsenal, Liam Brady. Só então ia para o estúdio.

Depois de London Calling ser lançado nas lojas, Strummer retornou às arquibancadas do Chelsea para assistir a um jogo. Deixando Stamford Bridge naquela tarde de sábado, ele deu uma olhadela em uma loja de discos, onde descobriu algo mais perturbador que torcedores skinheads do West Ham armados com facas e canivetes. Para o seu horror, ele viu que uma cópia do álbum recém lançado de London Calling estava sendo vendida por £7.99 – O Clash havia decretado que o álbum não poderia ser vendido por mais de £5, o preço de um álbum simples.

Furioso, Strummer repreendeu o gerente da loja até que o preço fosse reduzido para o certo. Então, ele se juntou à massa de torcedores deixando Stamford Bridge.

Texto de Chris Salewicz, autor de 15 livros, entre eles “Redemption Song: the Definitive Biography of Joe Strummer” sobre o vocalista do Clash e “Bob Marley: The Untold Story” sobre o lendário expoente do Reggae.

Tradução, autorizada pelo autor, por Vitor Santi