Entrave maior para uma liga nacional é comercial

POR ERICH BETING

Alexandre Kalil, designado principal executivo da Liga Sul-Minas, deu algumas entrevistas após a reunião que houve na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e deixou claro que a ambição do grupo de dirigentes que foram à entidade é, em algum momento, formatar um projeto para finalmente tirar do papel uma Liga Nacional, que represente diversas divisões do futebol brasileiro.

Numa entrevista de Kalil ao Globoesporte.com (leia a íntegra aqui), porém, fica claro onde há hoje o maior entrave para a criação de uma liga. Diz o dirigente/executivo:

“O futebol brasileiro precisa de uma conta simples: quem vende, tem que cuidar. Quando houver a Liga, vamos cuidar da Série A, B, C, da quarta divisão. Vamos ter responsabilidade na hora de dividir. Não adianta pensar que eu tenho que ganhar mais que os outros”.

Kalil foi um dos poucos dirigentes que, em 2011, quando começou a implosão do Clube dos 13, se opôs ao modelo individual de negociação dos direitos de TV. Tanto que o Atlético-MG, clube que presidia, foi o último a assinar o contrato com a Globo, que acabou com a única negociação coletiva de direitos que existia no futebol brasileiro, provocando uma regressão de pelo menos 30 anos na organização da modalidade no país.

Agora, essa mesma situação criada no início da década se volta contra os clubes. Os contratos de cessão dos direitos do Brasileirão estão assinados com a Globo por pelo menos mais três anos.

Essa situação já cria o primeiro impasse para a formação de uma liga nacional. A maior receita que existe, em qualquer liga, em qualquer esporte, é a de televisão. E ela precisa seguir, como bem apontou Kalil, uma divisão democrática de receita, para fazer prevalecer a lógica da competitividade esportiva em vez da competitividade econômica.

Como conseguir convencer os clubes, principalmente os de maior torcida, de que eles terão de abrir mão do conforto da situação atual para diminuir a sua receita e tornar sua equipe menos competitiva?

Se os clubes olhassem para além do próprio umbigo, ou para além do fluxo de caixa defasado, seria absolutamente normal ter esse pensamento. O modelo de liga que comercialmente é mais eficiente, que é o dos Estados Unidos, parte do princípio de que todos os clubes são sócios de um negócio maior. O desempenho esportivo não pode ser unicamente dirigido pelo poderio econômico. Isso gera desinteresse do torcedor nesse negócio no médio/longo prazo.

Mas, por aqui, a lógica comercial é colocada em segundo plano. O dirigente, em vez de pensar no todo, olha o seu problema. É natural, é do ser humano. Mas, hoje, isso é um absoluto entrave para que haja condições de se criar uma liga nacional.

Na análise que faz, Kalil é preciso ao dizer que “esse tipo de coisa só nasce quando há vontade dos clubes”, respondendo sobre a possibilidade de a Liga Sul-Minas virar, com o tempo, a Liga Nacional.

A questão é que, além de haver uma miopia na direção de boa parte dos clubes sobre a necessidade de eles serem unidos fora de campo, o principal contrato que daria força econômica à liga hoje está dividido entre os clubes, com cada um recebendo, muito provavelmente, mais individualmente do que estaria se houvesse um contrato coletivo, em que seria obrigatório ser mais democrático na divisão das receitas e no financiamento das demais competições menores, subordinadas à liga.

A boa notícia, porém, é que os clubes finalmente entenderam que, se for para criar uma liga, ela não pode representar apenas alguns clubes, mas uma competição. Esse já foi um primeiro grande passo para que não aconteça, numa eventual criação da liga, o mesmo erro de princípio que, em pouco tempo, acabou com a Copa União e, posteriormente, o Clube dos 13. (Do UOL Esporte)

Unir para crescer e avançar

“Governos de coalizão, como é o caso do meu governo e de todos os governos que surgiram depois do processo de redemocratização e da Constituição de 1988, precisam de apoio do Congresso. Nós vivemos numa democracia. É com o Congresso, eleito pelo povo brasileiro para representá-lo, que meu governo igualmente legitimado pelo voto dos brasileiros, tem que dialogar em favor do nosso povo para aprovação de políticas de leis e de medidas provisórias que acelerem a saída da crise. O meu governo busca apoio no Congresso e a reforma faz parte também desse contexto para implementar os compromissos que assumi com a população, para fazer os ajustes que a crise nos impõe, para manter o Brasil na rota do desenvolvimento e criar mais e melhores empregos e oportunidades para todos os brasileiros e as brasileiras.

Nós precisamos sim de estabilidade política para fazer o país voltar a crescer, e crescer mais rapidamente, objetivo que tenho certeza é meu e de todas as brasileiras e brasileiros. Nós, em síntese, precisamos colocar os interesses do País acima dos interesses partidários.”

Presidenta Dilma Rousseff, no discurso desta manhã sobre a reforma ministerial. 

Vítimas da batalha

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POR GERSON NOGUEIRA

A síndrome do esgotamento físico em final de competição pegou o Papão de jeito e ameaça afetar a caminhada do time rumo ao acesso. Nada menos que quatro atacantes – Leandro Cearense, Betinho, Everaldo e Welinton Jr. (foto) – desfalcaram a equipe nas últimas partidas por motivos de contusão.

Betinho, que havia sido expulso na Copa do Brasil, foi suspenso do jogo contra o Vitória, mas o departamento jurídico do Papão conseguiu obter o efeito suspensivo. Momentos antes de a bola rolar, porém, ele sentiu contusão e acabou vetado para a partida.

Sem alternativas, o técnico Dado Cavalcanti lançou mão de Aylon para o comando da ofensiva, sendo que o jogador funciona mesmo como um atacante de lado, pela velocidade e facilidade para deslocamentos. Não é um especialista em jogar fixo na área.

Para jogar ao seu lado, Dado escalou Rony, meia-atacante que às vezes também se aventura pelos lados do campo. Léo, outro meia-atacante, também foi utilizado. A solução encontrada, apesar de não haver comprometido, deixou o time com limitado poder de fogo, acabando por perder a partida.

Quando se esperava o retorno de Leandro Cearense, o mais regular dos atacantes do Papão, eis que o jogador sofre novo veto para o importante jogo de amanhã contra o Atlético-GO, em Goiânia. Junte-se a isso a confirmação de que Betinho também não poderá atuar.

O problema aumenta de significado porque é uma posição crucial no time e é incomum que tantos atletas daquela faixa do campo estejam no estaleiro, justamente quando sua presença é mais exigida na competição.

Cearense está atuando desde as primeiras rodadas, depois de ter se recuperado de lesão grave ainda durante o Parazão. A carga extenuante de jogos da Série B, às vezes dois por semana, acabou por fragilizar o estado atlético do centroavante.

Já Betinho nem vinha jogando pelo Santa Cruz no começo da temporada e sua contusão parece mais relacionada ao processo de recondicionamento físico. Everaldo também não jogava há algum tempo pelo Figueirense quando foi contratado pelo Papão. Welinton Jr. tem situação mais ou menos semelhante.

A verdade é que Dado Cavalcanti está pagando o preço de ter sido obrigado a montar elenco ainda durante a competição, incorporando ao grupo jogadores em diferentes estágios de condicionamento.

Com a exigência cada vez maior por bons resultados e o afunilamento da classificação, é natural que as lesões se multipliquem. No meio-de-campo, além do grave problema de Ricardo Capanema, o volante Augusto Recife tem sofrido também o efeito da maratona. A defesa foi golpeada com a baixa de Gualberto, que se juntou aos demais contundidos.

Só não se esperava que a maré negativa atingisse de maneira tão contundente o setor de ataque do Papão.

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Jogo já contabiliza renda de R$ 349 mil

No final da tarde de ontem, o Remo soltou a informação de que haviam sido vendidos mais de 20 mil ingressos para o jogo de amanhã com o Palmas (TO) pelas oitavas de final da Série D. Não era verdade. Duas horas depois, a assessoria de imprensa do clube divulgava errata, informando que a venda parcial está em 10 mil ingressos. Ainda não era exatamente isso.

Alguns minutos depois disso, o repórter Magno Fernandes apurava os números reais. Segundo ele, foram vendidos 7.536 ingressos de arquibancada, perfazendo R$ 301.440,00, e 796 cadeiras,totalizando R$ 47.760,00. O balanço parcial aponta, portanto, 8.332 ingressos vendidos, arrecadando R$ 349.200,00.

Até a hora do jogo – e talvez até depois – os números da bilheteria irão sofrer muitas alterações ainda. É provável que, mesmo com o estádio Jornalista Edgar Proença lotado, como se prevê, o total oficial não seja exatamente o que se espera, por motivos diversos.

Isto é apenas um palpite.

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Técnico do Palmas faz promessa ousada

O técnico do Palmas anunciou, em entrevista à Rádio Clube do Pará, que não vem para garantir o empate, mesmo tendo essa vantagem pelo resultado obtido em casa no primeiro jogo. Wilsomar Sena jura que vem para tentar vencer, sem se intimidar com a força da torcida azulina nas arquibancadas do Mangueirão.

Animado com o retorno dos titulares Wallace, seu principal volante, e Valdo, meia-armador, o técnico tocantinense crê em um resultado positivo, surpreendendo a todos que consideram o Palmas apenas um azarão na competição.

Não duvido dessas intenções, mas penso que o problema maior do Remo não será uma eventual audácia do visitante. O drama está no próprio time paraense.

Aliás, sobre isso, em comentário postado no blog campeão, o torcedor Victor Palheta foi bem explícito: “O Palmas não me mete medo! Eu tenho medo é do Remo. Se os caras entrarem desinteressados e apáticos como entraram no primeiro jogo, aí lascou. Mas acredito que com a torcida berrando e com o pênalti mandrake eles vão correr atrás. Aí quero ver o Palmas vir pra cima”.

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O fim do horário torturante

Parece que a CBF levou em conta o que expus no último domingo aqui neste espaço, a respeito do desumano horário das 11h para jogos de futebol no Brasil. Em atendimento a reivindicações dos jogadores, a entidade concordou em suspender a presepada e já projeta marcar partidas para a faixa das 17h de sábado, bem mais condizente com a prática e a cultura do futebol no país.

A decisão até demorou a sair, mas indica que a CBF parece bem mais aberta a escutar apelos e críticas. Só mesmo a extrema insensibilidade de dirigentes e executivos de TV não levou em conta o erro terrível de obrigar atletas profissionais a jogarem sob o sol do meio-dia.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 02)