Operário-PR será o adversário do Leão

Com a conclusão das oitavas de final, o adversário do Remo nas quartas da Série D será o Operário de Ponta Grossa (PR). Como tem melhor campanha, o Remo fará o segundo jogo em Belém, no estádio Jornalista Edgar Proença. O Operário é o atual campeão paranaense, mas se desfez dos principais jogadores utilizados na campanha. O zagueiro e capitão Juan Sosa (que já defendeu o Remo) é o único remanescente do time campeão. Nata, que defendeu também o Remo, é outro jogador conhecido do time.

Campanha do Operário na Série D 2015 jogando em casa, no estádio Germano Kruger:

Operário/PR 2 x 1 Red Bull
Operário/PR 1 x 0 Ypiranga-RS
Operário/PR 1 x 0 Internacional-SC
Operário/PR 3 x 1 Resende-RJ
Operário/PR 1 x 0 Campinense-PB

Obteve uma vitória fora de casa: 

Red Bull 1 x 2 Operário/PR

E sofreu 3 derrotas fora de casa:

Internacional-SC 1 x 0 Operário/PR
Ypiranga-RS 2 x 0 Operário/PR
Campinense-PB 1 x 0 Operário/PR

Abaixo, o lance do gol do Operário no primeiro jogo do mata-mata com o Campinense, disputado em Ponta Grossa. Neste domingo, em Campina Grande, o Campinense devolveu o placar, mas perdeu nos penais (3 x 4).

Tuna decepciona, Castanhal se isola

Com um gol no começo do jogo e outro no final, a emergente Desportiva derrotou a Tuna por 2 a 0 na manhã deste domingo, no estádio Mangueirão, pela chave A2 da segundinha do Campeonato Paraense. Na outra partida do grupo, o Castanhal disparou goleada de 5 a 2 sobre o Vila Rica, no estádio Francisco Vasques, se consolidando na liderança. A derrota deixa a Tuna em situação difícil na tabela da competição, com apenas um ponto ganho.

A morte das revistas semanais brasileiras

Fernando Morais e as capas infames

POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

É a morte do jornalismo semanal. E uma morte infame, desonrosa, suja.

Tantas revelações em torno de Eduardo Cunha com suas contas na Suíça, e nenhuma revista semanal o deu na capa.

Que ele precisaria fazer para ir para a capa da Veja, da Época e da IstoÉ?

A mídia fala tanto em corrupção, e quando aparece um caso espetacular destes finge que não viu.

É uma amostra do que a imprensa sempre faz quando se trata de político amigo: joga a corrupção para baixo no tapete.

Isto se chama manipulação.

O brasileiro ingênuo é, simplesmente, ludibriado. Depois, corre para as redes sociais para vomitar as besteiras que leu na imprensa.

Durante a semana a mesma coisa ocorrera com os jornais. Eles esconderam o caso Cunha.

Fernando Morais comentou as capas logo na manhã de sábado. Notou, com razão, que parte disso é culpa do próprio PT por ter enchido de dinheiro público empresas de mídia que desinformam e não hesitam em sabotar a democracia quando sentem que seus inumeráveis privilégios correm risco.

As capas das revistas semanais e as primeiras páginas dos jornais nestes dias demonstram que, na prática, existe um monopólio na mídia brasileira.

São quatro ou cinco famílias, e na verdade uma só voz.

Não fosse a mão invisível do mercado, para usar a grande expressão de Adam Smith, e o poder das grandes corporações jornalísticas seria um obstáculo formidável ao avanço social brasileiro.

Mas a mão invisível trouxe a internet, e com ela um jornalismo que se contrapõe ao gangsterismo editorial das grandes corporações.

Fazer jornais e revistas de papel é coisa para grandes empresas, pelo tamanho dos investimentos necessários.

Mas montar um site é barato. Você não tem que imprimir sua publicação em gráficas, pagar uma distribuidora, comprar papel em fábricas finlandesas e coisas do gênero.

Seu custo é infinitamente mais baixo.

Paralelamente, a voz única das grandes corporações abre um espaço enorme para visões de mundo diferentes.

Foi assim que surgiu e floresceu, na internet, um jornalismo dissidente vital para a democracia nacional.

Considere: sob Getúlio e Jango, vítimas da imprensa, não houve contraponto à narrativa golpista da imprensa.

(Getúlio, um homem de visão, tentou resistir aos barões da imprensa com a criação de um jornal, a Última Hora, mas era quase nada diante da avalanche dos grandes jornais.)

Avalie como seriam as coisas sem o contraponto dos sites independentes.

O caso Eduardo Cunha mostra muitas coisas, e não apenas sobre a mídia. Estampa a parcialidade da Justiça e da Polícia Federal, também.

Cunha tinha que estar dedicando todo o seu tempo a se defender das acusações terríveis que pairam sobre ele.

Em vez disso, trama a derrubada de Dilma como se não tivesse nada além do impeachment em sua agenda.

Ele só faz isso porque sabe que goza de ampla proteção.

Essa proteção ficou grotescamente evidente neste final de semana, nas bancas brasileiras, com as capas das revistas semanais.

Crime e castigo

POR GERSON NOGUEIRA

Foi uma semana movimentada para Neymar. Mudou o modelito do penteado, comprou um brinquedo novo (Ferrari reluzente, de R$ 1,3 milhão), teve quase R$ 200 milhões bloqueados pela Receita Federal e viu se confirmar nas instâncias da Fifa a pena de dois jogos de suspensão pela Seleção Brasileira. O moço não pode se queixar de tédio, definitivamente.

Quanto ao problema mais sério, do ponto de vista dos interesses do futebol brasileiro, que é a ausência nos dois primeiros compromissos pelas Eliminatórias da Copa de 2018, o tribunal agiu corretamente. Neymar havia sido suspenso na última Copa América, no Chile, depois de expulsão de campo e tentativa de agressão ao árbitro da partida contra a Colômbia.

A CBF custou a agir, poderia ter recorrido ainda durante o torneio sul-americano, mas entendeu que não valia a pena. Deixou para que a questão fosse analisada um pouco mais à frente, apostando que o assunto esfriaria e a atitude antidesportiva de Neymar seria atenuada.

Não foi, e deve servir de exemplo para outros atletas brasileiros acostumados a peitar árbitros e assistentes, falar o que dá na telha e tudo acabar relativizado depois no STJD. Dudu (Palmeiras), Guerrero e Petros (Corinthians) são exemplos recentes da bagunça generalizada quanto à punição a atletas que desrespeitam árbitros. Os três agrediram árbitros, foram inicialmente suspensos com rigor e logo a seguir tiveram as penas reduzidas graciosamente.

Ali pelos anos 60 e 70 qualquer atitude afrontosa contra o trio de arbitragem era punida exemplarmente. Havia o temor entre os boleiros de que um gesto impensado pudesse até abreviar uma carreira. Atletas que se excediam sempre tomavam punições drásticas.

Os jovens viam nisso exemplos a serem seguidos. Poucos se arriscavam a levantar a voz para um árbitro. Quem fazia, usava de malandragem. Soltava os cachorros para cima de sua senhoria, mas em voz baixa e expressão tranquila, enganando a quem não estava por perto.

Não funcionava muito bem com árbitros passados na casca do alho, como Armando Marques, Dulcídio Vanderlei Boschilla, José Assis Aragão e Arnaldo Cézar Coelho, mas dava certo com juízes inexperientes.

No futebol europeu, principalmente o inglês, sempre muito cumpridor de regras e regulamentos, a figura do árbitro é sempre reverenciada. Suas decisões são acatadas e é incomum a chamada prensa, tão corriqueira em gramados brasileiros e sul-americanos.

Neymar desfalcará a Seleção de Dunga em confrontos importantes de uma etapa eliminatória das mais indigestas para o Brasil. É talvez a mais complicada desde a que antecedeu a Copa do Mundo de 1994, quando Romário acabou salvando a lavoura em pleno Maracanã diante dos uruguaios.

Mas que a punição aplicada ao melhor jogador brasileiro sirva de lição e balizamento a todos os jovens atletas, visto que os mais veteranos já não têm conserto. Contestar decisões da arbitragem dificilmente surte efeito positivo. Pelo contrário, pode piorar o que já não era bom.

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Monitoração eletrônica afugenta brigões

Um olhar atento ao comportamento das diferentes torcidas nos jogos das séries A e B aponta para uma expressiva redução de incidentes envolvendo os chamados “torcedores organizados” dentro dos estádios, principalmente das arenas construídas para a Copa do Mundo. Quase todos os jogos são realizados sem que sejam registradas brigas nas arquibancadas, como era praxe há até algum tempo.

A causa da mudança de comportamento não está na educação ou na conscientização dos desordeiros, mas na eficácia dos recursos tecnológicos de monitoração instalados para a Copa realizada aqui no ano passado. O sofisticado circuito de câmeras, capaz de esquadrinhar todos os recantos do estádio, intimida os bagunceiros profissionais.

Com medo de serem flagrados e identificados, eles transferiram os locais dos duelos entre facções rivais. Agora, as sangrentas batalhas ocorrem nos arredores dos estádios, como recentemente em Santos, nas cercanias da Vila Belmiro.

A grande vantagem desse novo cenário é que, se os confrontos na área externa não poderão ser evitados pela parafernália eletrônica, certamente serão limitados a uma área que permitirá ações preventivas por parte das forças de segurança.

Ao mesmo tempo, fica descortinado o caminho mais prático para o combate à violência nos estádios. Todos os clubes proprietários de arenas modernas sabem que o alto custo de manutenção dos equipamentos é regiamente compensado pela preservação das instalações internas.

No Rio de Janeiro, a situação ganha um reforço extra, praticamente inexistente nos outros Estados: o banimento pela via judicial das gangues mais violentas. Vasco, Botafogo e Fluminense tiveram suas principais brigadas afastadas por um ano. O Flamengo teve a sua maior “organizada” punida seguidas vezes, só podendo reaparecer em 2016.

Com a saída de cena dos brucutus, os verdadeiros torcedores puderam finalmente ocupar espaço nos estádios, levando mulheres e filhos a tiracolo. A nova face das torcidas já pode ser observada em jogos realizados no Maracanã e no Engenhão.

É quase uma volta aos anos dourados, quando bandeiras podiam ser usadas sem sustos, tremulando e dando aos jogos um espetáculo cênico exuberante. Os cânticos de guerra abriram espaço para os hinos dos clubes e canções de cunho positivo, como as torcidas argentinas pacificadas fazem normalmente.

O mais interessante é que, segundo matéria recente do jornal Extra, as torcidas “normais” começam a sufocar e excluir os grupelhos radicais numa espécie de seleção natural.

Que a nova onda se espraie pelo Brasil inteiro e chegue por aqui, onde a Justiça seguidamente decidiu pelo expurgo de organizadas, mas não se conseguiu extirpar a causa da doença, pois os condenados usam truques baratos, como a troca de siglas ou mudança de palavras nos nomes, para continuar a agir impunemente.

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Bola na Torre

Kiros é o convidado do programa desta noite. Giuseppe Tommaso apresenta a partir de 00h15, na RBATV, logo depois do Pânico. Na bancada, Valmir Rodrigues e este escriba de Baião, debatendo a rodada das séries B e D do Campeonato Brasileiro.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 04)