O passado é uma parada…

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Parte frontal do Palácio Antonio Lemos, nos idos de 1951. Do arquivo do IBGE. (Via Nostalgia Belém, no Facebook) 

MP garante que Portuguesa sabia da suspensão

Por Cosme Rímoli

Virou caso de polícia. Com todas as letras o Ministério Público de São Paulo garante. Alguém da direção da Portuguesa sabia que Héverton estava suspenso. Não poderia nem ter sido relacionado para a partida contra o Grêmio. Foi e entrou em campo por 14 minutos. O promotor Roberto Senise investiga o caso. Principalmente o período entre 6 e 10 de dezembro de 2013. E já tem uma certeza. Um e-mail chegou escritório do ex-presidente Manuel da Lupa. Detalhando a punição.

Ou seja, ele ou quem lia seus e-mails sabia. Assim como outras pessoas. Até porque o MP apurou. O e-mail foi repassado para o departamento jurídico do clube. Heverton precisava ficar de fora da partida contra o Grêmio. Tinha mais um jogo de suspensão a cumprir. Sua presença poderia provocar o rebaixamento da Portuguesa. E salvar outro clube de tradição. Foi o que aconteceu.

1ae7Graças ao ‘erro’ da Portuguesa, o STJD confirmou o Fluminense na A. O promotor também tem outra certeza. A que o advogado Osvaldo Sestário falou a verdade. Que realmente telefonou para a Portuguesa. E informou sobre a impossibilidade de Héverton atuar. Sestário é claro: garante saber muito bem com quem falou. “Foi com o ex-vice jurídico Valdir Rocha.”

O Ministério Público investiga Valdir e Manuel da Lupa. E outras pessoas da antiga diretoria. Roberto Senise quer os seus sigilos bancários quebrados. Assim como os telefônicos. A desconfiança é que alguém levou vantagem econômica com a escalação. Ou seja: ganhou dinheiro para rebaixar juridicamente a Portuguesa. Os ex-dirigentes do clube estão incomunicáveis.

Não atendem seus celulares. Não falam com outros membros de diretoria do clube. O presidente Ilídio Lico também se cala. Não se pronuncia mesmo com o promotor espalhando suas acusações. A Portuguesa passou de vítima para suspeita. Se ficar provado, será um escândalo. Com até a possibilidade de punições além das esportivas. Talvez até prisão.

A acusação é gravíssima. O promotor Roberto Senise é conhecido por sua conduta firme no MP. Não iria se expor. Tanto que garante ter provas do que diz. A revolta já chega aos conselheiros e torcedores da Portuguesa. Eles querem logo a definição do promotor. Que ele identifique a pessoa ou as pessoas que ganharam esse dinheiro ilícito. E de quem.

A vergonhosa situação não isenta a briga na área esportiva. Para o Ministério Paulista, a Portuguesa deve continuar na Série A. A análise é a de sempre. O STJD e o Pleno do STJD desrespeitaram o Estatuto do Torcedor. A sentença da suspensão de Heverton foi publicada depois do jogo contra o Grêmio. Ou seja, ele estaria livre para atuar. Apesar da escalação que tudo indica ser criminosa.

O Ministério Público paulista avisa que não aceitaria o clube na Segunda Divisão. Os dirigentes ao menos já divulgaram publicamente. Não cederam o que muitos no Canindé chamaram de ‘suborno’ da CBF. A entidade oferecia R$ 4 milhões ao endividado clube. Anteciparia dinheiro por participação em competições. Desde que os dirigentes se comprometesse em disputar a Série B. E não brigar em nenhuma instância pela Primeira Divisão.

A direção de Ilídio Lico não aceitou a proposta indecente. Mas também não está fazendo nada para não ser rebaixada. Absolutamente nada. Nem cogita sequer ir para a Tribunal Arbitral do Esporte na Suíça. Quanto mais entrar na Justiça Comum. Não é segredo para ninguém que o clube tem R$ 120 milhões em dívidas. E que para Ilídio Lico seria melhor disputar a Série B. Muito mais barata.

A liminar que vigora na Justiça Comum foi conseguida por Daniel Neves. Professor de Direito, advogado e torcedor da Portuguesa. Ela foi acatada pelo juiz Marcello do Amaral Perino. Já vigora há duas semanas. A sentença foi embasada no Estatuto do Torcedor. O escritório de Carlos Miguel Aidar foi contratado pela CBF. Para cassar as liminares favoráveis à Portuguesa e ao Flamengo.

Ele teve sucesso na obtida por Luiz Paulo Pieruccetti Marques. Advogado e sócio do clube carioca ele havia conseguido na mesma 42ª Vara. Mas apesar de tentar, está muito mais difícil cassar a de Daniel Neves. Para complicar, ontem em São José do Rio Preto nova liminar. O torcedor Cristiano Abdanur São Bento foi rápido. E entrou com uma ação pedindo a anulação dos julgamentos do STJD. Baseado também no Estatuto do Torcedor.

O juiz Cristiano de Castro Jarreta Coelho acatou seu pedido. O escritório de Aidar terá de trabalhar para cassar também essa liminar. O movimento “Vamos à Luta”, formado por torcedores da Portuguesa promete agir. E espalhar ações até o dia 20 de fevereiro. A intenção é inviabilizar à CBF o Brasileiro de 2014 sem a Portuguesa. Essa é a data limite imposta pelo Estatuto do Torcedor. Tabela, regulamento e clubes envolvidos precisam ser divulgados.

Se não for, não há Brasileiro. A cúpula da Globo acompanha tudo com muita apreensão. O torneio já foi vendido aos seus patrocinadores. E pressiona a CBF. Mas Marin foi desmoralizado com a proposta indecente à Portuguesa. Para complicar ainda mais, o MP promete entrar na Justiça Comum. Em fevereiro, o que será terrível à CBF. O promotor quer obrigar que a o clube paulista fique na Série A.

Ao mesmo tempo continuará sua investigação. Deseja punir a pessoa ou as pessoas que sabiam. E que teriam ganho dinheiro para liberar Héverton para o jogo. A atual diretoria da Portuguesa promete também uma investigação interna. Se descobrir que houve mesmo dolo, jura que agirá. Divulgará o nome dos envolvidos. E os expulsará do clube.

A situação é apenas mais uma. É muita sujeira neste país. A menos de cinco meses da Copa do Mundo. A credibilidade do futebol brasileiro desaba. Vexame atrás de vexame…

O jogo da vida

Por Edmilson Caminha (**)

Determinados personagens me fascinam: pelo poder que exerceram, pela beleza que tiveram, pelo talento com que brilharam – mas, principalmente, por uma certa vocação para a tragédia, pelo sofrimento e a desventura a que, de uma ou de outra maneira, foram condenados. Getúlio Vargas, Leila Diniz e Nelson Rodrigues são exemplos.  Talvez ao direito à glória corresponda, como imposto, a provação do infortúnio, o padecer da infelicidade.

heleno1Heleno de Freitas viveu uma dessas histórias. Para seus pais provavelmente ninguém discorreu sobre a origem do nome, o passado grego repleto de mitos e dores. Chamaram-no assim sem que soubessem que nele reencarnaria um deus, a reinar grandioso no futebol brasileiro da década de 40. Mestre de uma geração, à arte de Heleno deve o Botafogo tardes inesquecíveis, noites que ficarão para sempre na memória do clube. A cada bola que transforma em gol, a explosão da torcida realizava , por segundos, o ideal da fraternidade humana, entre beijos, abraços e sorrisos de pessoas que se olhavam pela primeira vez. Senhor do estádio, o ídolo era quase indiferente à multidão que o amava, certo de que nascera para ganhar, vivia para vencer. Um gol era, apenas, o prenúncio do seguinte.

Buscava a perfeição com a ânsia dos grandes criadores, com o desespero dos que a procuram como sonho. Nele, o artista e o homem travavam luta de morte, a que sobrevivia, sem forças, um ser machucado e infeliz. Não lhe interessava menos do que a vitória, fosse numa final de campeonato ou num treino de apronto. Por ela, brigava primeiro com o marcador, depois com os companheiros, com o juiz e até com a escolta policial, nas muitas vezes em que saiu expulso. Um dia, cabeceia para o fundo das redes a bola que lhe viera em lançamento primoroso. O ponta-esquerda corre para abraçá-lo mas desiste quando ouve: “Na próxima, vê se chuta mais devagar pra não me partir a cabeça.” Jamais se punha a serviço do grupo, da união de forças, da comunhão de espíritos que se exalta no futebol: todos, no campo, trabalhariam em função dele, para que pudesse fazer do jogo uma obra de arte. Os adversários também pois eles é que se ofereciam à  violência dos chutes, ao desconcerto dos passes, à desmoralização dos dribles, ao holocausto dos gols.

Na época em que os homens podiam ser bonitos, mas não muito, Heleno de Freitas desfilava sua beleza no Cassino da Urca e nas boates de Copacabana – para o fascínio das mulheres, a revolta dos namorados e o pavor dos maridos. Razão bastante para que o apelidassem de Gilda, sucesso de Rita Hayworth nas salas de cinema. Era despontar na boca do túnel para que os torcedores do contra começassem a gritar: “Gil-da! Gil-da! Gil-da” Cabelo cuidadosamente penteado, elegantíssimo no preto-e-branco do uniforme, lá estava o belo da tarde, o dono da noite, a fazer de conta que não era com ele. Mas sofria, ante o coro a sugerir dezenas de vezes preferência que não tinha. Talvez por isso as muitas paixões que viveu, as tantas mulheres que amou, várias mais sedutoras do que Gilda, mais deslumbrantes  do que Rita Hayworth, aventuras que acabariam por roubar-lhe a saúde e precipitar-lhe o fim.

Do sanatório em Barbacena jamais sairia, presa da loucura que lhe trouxera a sífilis. A cabeça rodando no olho do furacão, julgava-se ainda o grande Heleno, pronto para entrar no derradeiro minuto, fazer três gols e virar a partida. Nas profundezas da noite, recebia a bola, passava por um, por dois, o estádio em pé, passava por três, vai Heleno!, e ficava frente a frente com o goleiro, a cara do enfermeiro asqueroso que o perseguia, o jaleco imundo como alvo a destruir com o chute mais potente do planeta, a bola a trezentos quilômetros por hora furando a rede para se perder no silêncio da escuridão. Acorda molhado de suor, senta-se na cama e chora baixinho enquanto o dia amanhece.

Assim morreu Heleno de Freitas, louco e só. Idade: 39 anos.   

(*) Inventário de Crônicas – 1997 – Thesaurus Editora

(**) Jornalista, professor de língua portuguesa e de literatura brasileira.

Saída de Pikachu agita Papão na véspera do Re-Pa

PSCXAvai serieB-Mario Quadros

Pikachu tornou-se, mesmo sem querer, o principal assunto deste Re-Pa. E talvez nem jogue domingo. Às vésperas da partida, surgiu nesta sexta-feira a informação de que investidores irão pagar a multa rescisória de R$ 8 milhões e adquirir os direitos econômicos do jogador. O clube foi notificado pelos advogados de Pikachu sobre a iminente saída do atleta, apresentando uma carta dos investidores, datada de 14 de janeiro e estabelecendo prazo de 48 horas para depósito da quantia na conta do clube. Não ficou claro porque só nesta sexta-feira, 10 dias depois da emissão do documento, os advogados do jogador procuraram o Paissandu.

A diretoria reagiu informando que o jogador tem contrato a cumprir até dezembro de 2014 e sua liberação está condicionada ao pagamento da multa rescisória. Ao mesmo tempo, o diretor do departamento jurídico do clube, Alberto Maia, criticou a atitude de Pikachu, que se despediu do técnico Mazola Junior e dos demais companheiros, dando a entender que não pretende disputar o Re-Pa. O advogado considerou que houve precipitação por parte de Pikachu e explicou que há um contrato em vigor. Disse ainda que o jogador já foi alertado a esse respeito.

Cogitado para deixar o Paissandu desde 2012, quando chegou a ser negociado pelo então presidente Luís Omar Pinheiro, pela quantia de R$ 700 mil (até hoje não recebida pelo Paissandu), o jogador se destacou na Série B do ano passado e despertou o interesse de vários clubes da Primeira Divisão. Palmeiras, Internacional, Sport, Atlético-PR e Goiás manifestaram a intenção de contratá-lo, mas só os dois últimos apresentaram propostas oficiais, ambas por empréstimo. O Paissandu não aceitou as ofertas, mas Pikachu deixou claro que pretendia sair.

“Acho que o atleta deveria falar conosco, informar que seria feito esse procedimento. Mas não, contratou advogados para comunicar ao Paysandu o seu interesse em sair do clube, e de uma forma que a gente lamenta, um momento que não seria oportuno. Estamos às vésperas de um clássico, e lamentavelmente o atleta está demonstrando desta forma que neste momento não pensa no Paissandu Esporte Clube, ele não está pensando em cumprir o contrato dele com o clube”, afirmou o advogado Alberto Maia, em entrevista ao repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Empresária dá um drible nos urubulinos

Precisamos de mais gente assim, que trabalha e produz, preocupando-se sinceramente com o futuro do Brasil.

Remo oferece venda on-line de ingressos

Consciente da força de sua torcida, que já proporcionou um total de 31 mil espectadores nas primeiras rodadas do Parazão 2014, a diretoria do Remo disponibilizou a venda on-line para o clássico de domingo. Para comprar o ingresso, o torcedor deve acessar o link: http://ticketsbelem.showdeingressos.com.br/remo-x-paysandu. Para formalizar a compra, o torcedor deve escolher seu ingresso e a quantidade, informando nome completo e e-mail válido. Em seguida, escolhe a forma de pagamento (cartão de crédito, boleto bancário ou débito bancário), informar CPF e RG e esperar a confirmação da compra. Por fim, deve imprimir o voucher de comprovação. As vendas no cartão de crédito podem ser feitas em até nove vezes. Para retirar os ingressos, o torcedor deve apresentar nos postos de troca o comprovante de compra e um documento de identificação  nos postos de troca.

Locais e horários dos postos de troca:

– Sexta-feira (24), de 9h às 19h; e sábado (25), de  9h às 18h, na sala da presidência da Sede Social do Clube do Remo (avenida Nazaré, 962);

– Domingo (26), a partir das 12h, no portão B3 do Mangueirão.