Por Gerson Nogueira
O festival de trapalhadas envolvendo CBF, STJD, Portuguesa e Fluminense parece não ter fim. A cada novo capítulo, o futebol brasileiro perde mais conceito e credibilidade. A última descoberta é um contrato oferecido pela entidade máxima à Lusa, a fim de estabelecer permuta no mínimo esquisita: a concessão de “empréstimo” de R$ 4 milhões em troca da aceitação pelo clube de jogar a Série B 2014, desistindo das ações judiciais.
Não há nada de ilegal ou indecente, diz o diretor jurídico da CBF, com a singeleza dos grandes rábulas. Segundo ele, tudo foi feito por iniciativa da própria Portuguesa, que se queixou de dívidas e pediu que a cota da Série B fosse adiantada. Seria até cômico se não fosse trágico para o futuro do futebol profissional no Brasil.
É duro verificar que práticas que há muito tempo deveriam ter sido banidas da relação entre CBF e clubes reaparecem sempre que há um imbróglio de natureza jurídica, em torno de algum item dos confusos regulamentos de campeonatos oficiais no país.
O lado mais exasperante, a partir da exposição da minuta do contrato, é a sem-cerimônia dos atores desse espetáculo ridículo. A crer nas palavras do diretor jurídico da CBF, o acordo (tramoia) foi toda acertada entre dirigentes do clube e da confederação.
O arranjo financeiro tem como consequência reabrir um questionamento sobre a posição oficial da Lusa no caso Héverton: por que o clube, mesmo sabendo da condição irregular, teimou em escalar o atleta nos minutos finais da última rodada da Série A? Há quem acredite que a escalação do jogador (hoje no Paissandu) não foi um simples descuido.
Como tudo é possível na balbúrdia criada pela cartolagem, a CBF conseguiu tornar sem efeito a liminar favorável ao Flamengo, que buscava reaver os quatro pontos que lhe foram subtraídos pelo STJD, referentes à escalação irregular do lateral André Santos contra o Cruzeiro na rodada derradeira do Brasileiro.
Diante disso, como a outra liminar (que devolve os quatro pontos à Portuguesa) ainda não foi cassada, surge uma situação absolutamente inusitada em se tratando do tradicionalmente imbatível Rubro-Negro carioca nos tribunais: por força do acaso, o Flamengo ocupa desde ontem a 17ª posição do campeonato, com 45 pontos, e assim estaria rebaixado à Segunda Divisão.
É óbvio que a medida será desfeita antes que o torcedor termine de pronunciar a palavra Pirassununga, mas o fato é que as perlengas de tribunal criam indefinições e semeiam dúvidas onde deveria reinar transparência e respeito ao torcedor.
A essa altura do pagode, só prevalece uma certeza: ninguém sabe dizer como será realizado o Brasileiro da Série A em 2014. A rigor, todas as hipóteses (inclusive as mais destrambelhadas) devem ser consideradas, inclusive a de uma virada de mesa que cancelaria o rebaixamentos em todas as divisões nacionais.
———————————————————-
Neymar, o mais caro de todos os tempos?
Como a provar que lambanças não são exclusividade nacional, eis que irrompe notícia sobre a transferência de Neymar para o Barcelona, apontando um valor não declarado de 38 milhões de euros. Segundo o jornal El Mundo, o Barça teria pago 95 milhões de euros (R$ 304 milhões) pelo brasileiro, e não os 57 milhões de euros (R$ 182 milhões) oficializados pelo polêmico Sandro Rosell, presidente do clube espanhol.
A omissão dos 38 milhões de euros (R$ 121 milhões) envolvidos no negócio põe em dúvida a legalidade da transação. Essa pequena fábula teria servido para pagar comissões à família de Neymar. Do montante, R$ 6 milhões seriam para o pai do craque bancar o olheiro de novas promessas do Santos. Vale dizer que Sandro Rosell já se envolveu em outros rolos monumentais, inclusive com o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Caso a denúncia do jornal se confirme, Neymar passa a ser o jogador mais caro da história do futebol, já que o português Cristiano Ronaldo foi adquirido por 94 milhões de euros pelo Real Madrid junto ao Manchester United, um milhão a menos do que o Barcelona gastou pelo brasileiro.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 21)
Deixe uma resposta