A evolução do futebol brasileiro

Por Tostão

Nos últimos dez a 15 anos, enquanto evoluía o futebol coletivo na Europa, predominava no Brasil o jogo tumultuado, o excesso de faltas, de jogadas aéreas, de chutões e de lançamentos longos, com a esperança de a bola cair nos pés do companheiro, mesmo marcado. É a chamada segunda bola, que os técnicos tanto gostam.

Esse período de péssimo futebol, um horror, foi, paradoxalmente, o da supervalorização dos técnicos. Todas as análises passaram a ser feitas a partir da conduta dos treinadores. Os “professores” davam aulas de “futebol moderno” e recebiam muitos aplausos.
Felizmente, nos últimos dois anos, o futebol, aos poucos, tem melhorado, coletivamente. A seleção, na Copa das Confederações, e a maioria das equipes tem jogado mais com a bola no chão, com mais troca de passes, triangulações, apesar do mau momento atual dos times paulistas. As partidas estão menos tumultuadas.

Os volantes, em vez de ficarem muito atrás, só para proteger os zagueiros e fazer a cobertura dos laterais, passaram a atuar no meio-campo. No lugar de laterais, que corriam pelas pontas, só para cruzar as bolas, há hoje atacantes mais habilidosos pelos lados, que voltam para marcar ao lado dos volantes. Formam duplas com os laterais, na defesa e no ataque.

Antes, os times só marcavam por pressão no fim das partidas, no desespero. Agora, fazem isso com mais frequência. As equipes estão mais compactas, com menos espaço entre os setores. A confusa marcação individual, que os técnicos tanto gostavam, tem sido abandonada.

O Inter joga diferente, com três no meio-campo (um volante mais recuado e um de cada lado, que marca e avança) e mais três adiantados (um meia ofensivo e dois atacantes). O São Paulo fez o mesmo contra o Corinthians. Lúcio saiu quando a defesa ficou mais protegida. Antes, com Paulo Autuori, o time tinha dois meias ofensivos (Jadson e Ganso), que só voltavam para receber a bola. Não dá para marcar com apenas dois jogadores no meio.

Com a melhora do futebol coletivo e mais troca de passes, surgirão, brevemente, mais jogadores de talento, especialmente no meio-campo. Individualmente, o nível continua baixo. Veteranos são destaques. Quando o Botafogo trouxe Seedorf, achava que não brilharia, baseado nos dois últimos anos no Milan. Seedorf está exuberante, como nos melhores momentos da carreira.

O Corinthians, inicialmente com Mano Menezes, desde a Série B, e, depois, com Tite, foi o precursor dessa evolução coletiva. Técnicos novos e alguns mais antigos foram atrás. Uma das razões da queda de eficiência do Corinthians foi que os outros times passaram a jogar da mesma forma. O mais difícil é melhorar, fora de campo, e diminuir a promíscua troca de favores, praga do futebol e da sociedade.

Gallo libera brincos e cabelo marrento

Por Juca Kfouri

20130731-1513501O técnico das categorias de base da CBF disse no programa Arena Sportv que ninguém deixará de ser convocado por usar brinco ou cabelo marrento. Que ele apenas quer uma apresentação adequada aos padrões da Seleção, sem exageros. Não foi exatamente isso o que ele disse ao jornal “Estado de S.Paulo” e causou grande reação. A aparente recuada vem na hora certa.

De resto, revelou firmeza e inteligência em seu projeto com a meninada de nosso futebol, passando a mesma segurança que Ney Franco passou quando ocupou o posto. Espera-se que não tenha vida curta como o antecessor, movido pelo desejo de assumir um grande clube, embora, no caso de Franco, o presidente da CBF desestimulou sua permanência e, ao contrário, incentivou que ele fosse assumir o São Paulo.

Brilhou, também, o jornalista Marco Antônio Rodrigues que, finamente como sempre, sem agredir o convidado do programa, não tergiversou ao dizer que é um absurdo José Maria Marin ter apontado Gallo como sucessor de Felipão depois da Copa do Mundo.