Mês: agosto 2013
Capa da D Semanal, edição de domingo, 18
Capa da TODA!, edição de domingo, 18
A missão abençoada
O tempo bom flui mais rápido. Momentos felizes passam que a gente nem percebe direito. Posso dizer que os últimos 12 anos transcorreram assim, voando. João nasceu em 2001, poucos dias antes do fatídico 11 de setembro. Por causa dele, parece que aquelas imagens de Nova York aconteceram há pouco. Sim, porque na minha cabeça de pai o João veio ao mundo ontem. Alguém já disse que os filhos crescem como plantas e, quando nos damos conta, eles já são árvores imensas.
Olho para as marcas da idade de João riscadas na parede da cozinha e vejo o quanto o moleque disparou. Está quase ultrapassando o pai em altura – o que, obviamente, não é nenhuma vantagem. Está mais forte e ainda mais articulado. Agora, vejam vocês, já conversa com os amigos e lê mangá em inglês no computador. Papeia com o irmão Pedro já com argumentos e humor de gente graúda. As risadas mudaram de tom e ficaram mais econômicas. Mas permanece inalterada a alegria que ele irradia à minha vida. Os que me conhecem sabem o quanto sou apaixonado pelos meus filhos. A isto eu chamo de bênção.
Sou pai em tempo integral, participo de tudo, converso, pergunto, brinco, estrago também. E sinto orgulho disso. Acordo a qualquer hora para atender um chamado deles e fico triste quando preferem não me incomodar. Nasci com essa missão, não saberia ser diferente, talvez porque aprendi a ser assim com meus dois pais, José e Juca. É claro que, com mestres desse naipe, teria que aprender alguma coisa. Agradeço aos velhos pela suprema felicidade de saber ser pai. E a vocês, amigos, imploro que relevem a corujice.
A sentença eterna
Galeria do rock
Momento de superação
Por Gerson Nogueira
O Paissandu cumpre hoje sua jornada mais espinhosa nesta Série B. Não há dúvida que, pelo retrospecto e campanha na competição, o Palmeiras é favoritíssimo. Será um confronto entre times que disputam competições diferentes. Um luta pelo acesso e o outro briga contra o rebaixamento.
Ocorre que o que parece desanimador de véspera pode ser também fonte de esperança. Treinadores bons de lábia já transformaram muito limão em limonada, motivando seus atletas diante de uma missão aparentemente impossível de realizar.
Arturzinho, que chegou há duas semanas, é o quarto comandante da nau alviceleste no torneio e cultiva a fama de motivador. Sempre trabalhou assim nos clubes que dirigiu. Nas entrevistas, deixa transparecer essa faceta, sempre acrescentando um detalhe de otimismo e estímulo. É mais do que oportuno que coloque esse talento a serviço do Papão hoje.
Além de armar o time, Arturzinho tem que cuidar da força mental e do equilíbrio psicológico dos jogadores. São itens fundamentais em qualquer competição esportiva. No Paissandu, que não tem psicólogo, a necessidade de ajustes nessas áreas é mais do que evidente.
Problemas recentes, envolvendo situações extracampo, acentuam a urgência de providências que tornem o time mais tranquilo e concentrado em obter bons resultados. Mais do que o futebol pouco consistente apresentado até agora, o Paissandu exibe um esgarçamento de objetivos, parecendo jogar a toalha sempre que sofre um gol.
O quadro se agrava dramaticamente quando o Papão se apresenta fora de casa. Como o adversário da vez é o todo-poderoso Palmeiras é de se esperar que Arturzinho esteja atento a esses apagões que têm vitimado a equipe no campeonato.
Mais que isso: precisa ter tranquilidade para escalar jogadores que tenham comprometimento e que estejam dispostos a defender o Paissandu com dignidade. Nos últimos jogos, o time demonstrou desânimo e apatia na maior parte do tempo.
Há quem entenda que o grupo está dividido e em descompasso com o técnico. Atuações espantosamente ruins de vários jogadores teriam a insatisfação como causa. Se for verdade, o problema é mais sério do que se imagina e sai da esfera de Arturzinho, passando a ser de responsabilidade da diretoria.
Diante de tanta turbulência interna, o Palmeiras nem é o adversário mais difícil a esta altura. O maior inimigo é o próprio Paissandu. A situação exige capacidade de superação. Pelo investimento feito, é inadmissível que o time não represente a fibra e a paixão de sua torcida.
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A mais nova sina botafoguense
Todo mundo sabe que, quando a questão é crendice ou superstição, o Botafogo é praticamente imbatível. Desconfio que, mesmo na liderança, acaba de inaugurar uma nova mania neste campeonato da Série A. Desde o clássico com o Flamengo, já são três gols sofridos no 49º minuto do segundo tempo. A coisa ocorreu contra o Atlético-MG e contra o Internacional, anteontem.
O chamado gol no apagar das luzes, como se esgoelavam antigamente os locutores de rádio, periga virar maldição botafoguense. É começar a se aproximar aquele período fatal de acréscimos para o torcedor entrar em pânico. Todo adversário pressente e explora isso. Cada bola cruzada para a área é um deus-nos-acuda. Prefiro nem olhar o desfecho do lance. Problema é que a zaga também está deixando de olhar a bola.
De olho na TV, senti aquele frio na espinha quando Oswaldinho da Cuíca iniciou a sua tradicional estratégia de tirar atacantes para encher o time de volantes e beques. Sacrificou o moleque Vitinho, herói da noite e fonte de preocupação para a defesa colorada, para reforçar o setor defensivo.
Apesar da raiva pelo gol de empate, não pude deixar de dar razão aos deuses da bola. A lei é sagrada. Quem se preocupa demais em não perder acaba abrindo a chance de não vencer.
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A coluna de hoje é dedicada ao infante João Gerson, que festeja 12 anos de idade – e tão botafoguense quanto o pai.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 17)









