Por Ana Diniz (Jornalista)
A tribo nem-nem vive mal, tanto de corpo como de alma. Vive somente o presente e não pensa e nem quer saber de futuro. Nem por isso, tem filhos, que cuida mal ou entrega para adoção. Esmolam, trocam favores, furtam e odeiam qualquer disciplina, mesmo a brandíssima disciplina colegial de hoje. Literalmente desperdiçam a sua vida.
Alguns estudiosos chamam de geração nem-nem. Acho a palavra “geração” muito ampla e muito injusta: a grande maioria de nossa geração de jovens está em outra. Chamo de tribo: a tribo nem-nem, composta de jovens com idades entre 16 e 24 anos, que não estudam nem trabalham. Estima-se que entre 15% e 20% dos jovens nessa faixa de idade participe da tribo.
Suas condições de vida são diversas: mães precoces cuidando dos filhos; jovens com algum tipo de deficiência, principalmente mental, entre outros casos específicos. Mas há uma grande quantidade de simples desocupados, que alguém mais rigoroso e desabrido poderia chamar de vagabundos.
Onde eles estão, é fácil saber: na rua. E em tudo o que se movimenta nela: torcidas, protestos, sereno de hotel de pop-star, praia, shows gratuitos. Eles moram geralmente na casa dos pais ou de um parente próximo. Não querem nada: largaram os estudos e, sob pressão, até arranjam algum trabalho ocasional. Falam de desemprego, mas jamais procuram sair dessa.
Nada demais – desde que o mundo é mundo que existem esses tipos e por causa deles que o sétimo pecado capital é a preguiça. O que me chamou atenção foi a quantidade: um quinto de toda uma geração se recusa a participar de qualquer tipo de produção. Evidentemente que na tribo nem-nem devem estar também delinquentes e bandidos – mas isso não é privilégio só dessa tribo. Qualquer professor pode confirmar isso.
Transição estrutural, talvez, como quer Wallerstein, cujo último artigo reproduzi na postagem passada. É verdade que há muitos registros históricos de, em épocas de crise econômica, jovens saem vagando sem rumo por seu país. Ou emigram. Mas o Brasil não está numa crise tal que ficar no mesmo lugar signifique morrer. Há oportunidades. Há mercado formal, há mercado informal. Há escolas, incentivos oficiais e privados. Eu penso que “transição estrutural” é um termo vasto demais para justificar isso aí.
A tribo nem-nem vive mal, tanto de corpo como de alma. Vive somente o presente e não pensa e nem quer saber de futuro. Nem por isso, tem filhos, que cuida mal ou entrega para adoção. Esmolam, trocam favores, furtam e odeiam qualquer disciplina, mesmo a brandíssima disciplina colegial de hoje. Literalmente desperdiçam a sua vida.
Ela está crescendo, essa tribo, segundo o IBGE, que tira os dados da Pesquisa Mensal de Emprego. Alguns dizem que a solução para eles está na educação, que me parece ser usada hoje como outra panaceia universal. O problema é que um membro da tribo nem-nem não quer saber de estudo. Aliás, não quer saber de nada que signifique esforçar-se por alguma coisa. É preguiça, mesmo.
E combater a preguiça é uma das coisas mais difíceis que existem. Tudo porque só a pessoa pode resolver esse problema. É como se livrar de qualquer outro vício: a primeira coisa necessária é querer. O que, para a tribo nem-nem, é complicado demais.
(Transcrito do blog de Manuel Dutra)
Há mais gente nesta “tribo” ou “geração” que não foi citada no artigo…
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Amigo Antonio, existem aqueles que fazem parte da tribo mas que não necessariamente vivem a vagar, mas possuem vínculos formais com escolas, faculdades, universidades, partidos políticos, igrejas e ou qualquer outra instituição. Criam vínculos por obrigação (caso das escolas) ou visando auferir dividendos que somente a condição de partícipe, bem ou mal, pode oferecer.
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Como tunante, também me sinto um nem-nem, nem jogo e por isso nem perco…
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Boa Harold, boa. Parabéns por sua sinceridade… e pela boa dose de humor, hehege.
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Vagabundos.
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Muito bem notado, caro Daniel (postagem-2).
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O quê tem de vagabundos usando máscara de estudante…
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É, Daniel, também e ainda existem esses.
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Agora falando seriamente, cada lugar no mundo, tem seus próprios nem-nem. A característica do nem-nem europeu ,difere do mundo nipônico .os olhos de bicas sob a forte alegação de que os impostos,previdências ..sao caros nao criam vínculos em emprego algum.
Preferem viver de arubaitos(bicos) do alemão -arbeit- sao os herdeiros -finados- da grande bolha. Preferem os empregos temporários . Deu pra bancar a ida aos restaurantes,celular,birita,cigarro e etc.. Ta de bom tamanho. Em sua grande maioria moram com os pais.
Ha uma diferença enorme c relação aos nem-nem brasileiros e europeus., nao produzem filhos..n matam..n roubam. Mas sao nem-nem.
Penso que no Brasil uma boa parte dos nem-nem , sao frutos do atual momento vivido. As transformações foram muitas e em uma velocidade nunca vista.
Ficou difícil e muito confuso para os mais lerdos. Mas ha caminhos e somente uma boa discussão em torno do nem-nem que nos assola ,pode diminuir o tamanho de mais essa, triste realidade.
Nao se pode ficar nem-nem para o fato.
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