O adeus a Sérgio Pandolfo

Morreu nesta quarta-feira o médico Sérgio Martins Pandolfo, profissional renomado na sua área, azulino de quatro costados e um desportista em tempo integral. Seu velório será realizado no salão da Sociedade Médico-Cirúrgica do Pará, localizada no Palacete Bolonha.

E lá vem o pé d’água…

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Do avarandado da Marquês, a contemplação do pé d’água  majestoso que se aproxima, embora os ventos ameacem empurrá-lo rumo às ilhas. Uma cena tipicamente belemense.

A vida é bela – para alguns

José Maria Marin das Medalhas renovou “contrato” de “consultoria” com o notório Ricardo Teixeira, que ora se encontra exilado em Miami. Peixeira, para os íntimos, seguirá recebendo R$ 120 mil todo mês, pagos pela generosa CBF. Parabéns a todos os envolvidos.

A pergunta que não quer calar

“Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?”

(Confúcio)

Alvim é o novo reforço do Papão

O lateral-esquerdo Rodrigo de Oliveira da Silva Alvim, de 29 anos, é o novo reforço do Paissandu. Ele fechou acordo para jogar toda a temporada 2013. Rodrigo Alvim é rodado. Já atuou pelo Caxias, Grêmio, Vila Nova, Paraná, Flamengo e Joinville, e tem experiência também no futebol europeu, onde atuou pelo Belenenses de Portugal e no Wolfsburg (Alemanha), sendo campeão da Bundesliga de 2009.

Dilma Rousseff e o destino

Por Mino Carta

Há situações que me causam alguma perplexidade. Durante o governo Lula o empresariado queixava-se dos juros escorchantes, com exceção dos banqueiros, está claro. De sua alegria cuidava o presidente do BC, Henrique Meirelles. Em compensação, o vice-presidente da República, o inesquecível e digníssimo José Alencar, defendia com ardor a demanda dos seus pares.
Agora o governo Dilma abaixa os juros, e todos se queixam, em perfeito uníssono. Busco uma explicação, embora me tente recorrer a um dos grandes escritores do absurdo, movido pela convicção de que somente eles seriam capazes de explicar o Brasil. Este é um país que consegue viver contradições abissais, a começar pelo seguinte fato: atravessamos no mesmo instante épocas diferentes. A modernidade tecnológica e a Idade Média política e social.
No caso dos juros, os lances mais recentes do governo Dilma revelaram outro fato bastante significativo: muitos brasileiros que se dizem empresários são, de verdade, apenas e tão somente especuladores. Contaminados pelo vírus do neoliberalismo, acertaram sua irredutível preferência pela renda no confronto com a produção, e a baixa dos juros os atinge na parte mais sensível do corpo humano, ou seja, o bolso, como disse há muito tempo o professor Delfim Netto.
Seria preciso assumir o autêntico papel do empresário e, em vez de acompanhar os movimentos das bolsas e das oligarquias financeiras, trabalhar para produzir e enfrentar a concorrência e riscos variados como, creio eu, vaticinava Adam Smith. Os próprios banqueiros perdem benesses e têm de arregaçar as mangas para voltar às tarefas da Banca di San Giorgio.

O governo Dilma dá um passo adiante em relação àquele que o precedeu. Mexe com os interesses do poder real, conforme a opinião de analistas atilados. Ousa o que Lula não ousou. E o balanço da primeira metade do seu mandato há de registrar esse avanço em primeiro lugar.
É justo perguntar aos nossos botões por que um país tão favorecido pela natureza não atingiu o grau de desenvolvimento que lhe compete. E a resposta é inescapável: a casa-grande ficou de pé e conseguiu, sem maiores esforços, a bem da verdade, manter a Nação atada ao seu próprio tempo de prepotência. “Eles querem um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”, dizia Raymundo Faoro.
Poder absoluto de um lado, submissão do outro. Getúlio Vargas, eleito democraticamente em 1950, tentou enfrentar a casa-grande e morreu suicidado. O novo desafio demorou 48 anos e começou com a eleição de Lula, início de um capítulo inédito da história, este por ora a mostrar-se duradouro. Como se deu com Getúlio, mas em circunstâncias diferentes, o povo identificou-se com seu líder. No entanto, ao contrário de Getúlio, Lula é seu povo, e chegou depois de uma ditadura de 21 anos imposta pela casa-grande e de uma fase da chamada “redemocratização”, na prática voltada à manutenção do poder real e dos seus privilégios medievais.
Dilma, nesses seus últimos dois anos de mandato, deu continuidade à obra do antecessor sem deixar de conferir marca pessoal ao desempenho. De saída, livrou-se de ministros incômodos, como o exorbitante “operador” Antonio Palocci, ou Nelson Jobim, atucanado militarista. Prosseguiu pelos caminhos traçados por Lula na política social e exterior e foi recebida mundo afora como digna sucessora do “cara”. Lança, enfim, as bases de uma política econômica afinada com os objetivos de um governo social-democrático habilitado à contemporaneidade do mundo.
Janus bifronte mostra o cenho franzido na face que encara o passado, enxerga um 2012 difícil, de desenvolvimento econômico medíocre, abalado por uma crise mundial muito antes que brasileira. Não está desanuviado o rosto que olha para o futuro. O ministro Mantega promete em 2013 um crescimento de 4%, ou pouco mais, índice excelente nas circunstâncias. Não me arrisco a analisar a promessa. As dificuldades para Dilma se espraiam bem além da situação econômica, a despeito das influências que esta exercerá em outros quadrantes.
A “Operação 2014”, desencadeada pela mídia contra Lula e contra o governo não arrefecerá certamente na perspectiva do pleito do ano próximo. De certa maneira, a campanha eleitoral já partiu e definiu seus temas recorrentes. Sim, os tempos mudaram e os porta-vozes do poder real não alcançam a maioria da Nação. Sobram, porém, os problemas criados dentro do PT, da base governista e até do governo. Semeados inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, lunaticamente inclinado a subverter as regras basilares da democracia e a agredir a Constituição. Será que o ministro da Justiça tem mesmo de resignar-se diante de tanto descalabro?
Assustam, sejamos claros, um STF e um procurador-geral da República claramente engajados na Operação 2014. Para seu próprio bem, cabe ao governo uma reação à altura, também em outra frente, para reestruturar o Partido dos Trabalhadores, hoje dividido, depauperado e em estado de confusão. Neste campo, a intervenção do fundador é indispensável. Lula é o líder em condições de conduzir o partido no retorno ao passado, para reencontrar aquela agremiação que o sustentou por três eleições e enfim o levou à Presidência em 2002.
Quanto à base governista, os problemas parecem insolúveis. Governar exige alianças de ocasião e as melhores intenções acabam por lastrear o caminho do inferno. Há parceiros confiáveis e outros que veem na carreira política a escada da vantagem pessoal. Há quem sugira uma ação para buscar o favor do empresariado. Talvez aqui a tarefa seja menos complicada do que a tentativa de formular planos comuns com, digamos, o PMDB do vice-presidente Michel Temer e do senador José Sarney, ou com o PDT de Miro Teixeira e outros do mesmo jaez.
Permito-me, de todo modo, como se daria a aproximação ao empresariado descontente com a política econômica. Por meio de um seminário sobre o capitalismo de Adam Smith e John Maynard Keynes? Mesmo assim, tentativas menos ingênuas poderiam ser experimentadas, com algum êxito, quem sabe.
Pego-me a olhar para os colegas da redação, dobrados sobre seus computadores, intérpretes da modernidade, enquanto eu batuco na minha Olivetti Linea 88. Sou francamente arcaico, mas temo que o computador me engula como fez e faz com tantos outros. Não escapo à sina, também eu mereço Ionesco, ou Beckett. Certo é, sem qualquer parentesco com o absurdo, que às vezes o bonde da história passa pela porta de casa. Não da minha, é óbvio. Falo de Dilma Rousseff. Sinto nela a crença, a energia, a determinação, a capacidade e o porte dos escolhidos do destino.

O passado é uma parada…

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No dia 9 de janeiro de 1822, o então príncipe regente Pedro Orleans e Bragança surpreendeu a Corte portuguesa, que cobrava seu retorno imediato a Portugal. Contagiado pelo clamor nacionalista da então colônia, proferiu a célebre frase: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fito”.

Professora sofre ameaças por defender floresta

Citada no último relatório da Anistia Internacional sobre a situação dos defensores de direitos humanos na América Latina, a professoraLaísa Santos Sampaio, ameaçada de morte por defender a Floresta Amazônica, ainda não conseguiu proteção do governo.  Enquanto aguarda em Nova Ipixuna (PA), teme ter o mesmo destino de sua irmã e de seu cunhado, assassinados por causa de disputas de terra na região.
Os extrativistas Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro foram mortos no ano passado, nessa mesma cidade. Laísa tem seu caso reavaliado pelo Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos, do governo federal – em uma análise preliminar, a proteção foi negada. Além da menção no relatório da Anistia Internacional, corre na internet uma petição pública para que ela receba proteção imediata. Dos cinco suspeitos da morte do casal, dois continuam soltos.
Em fevereiro, a professora recebeu em Nova York um prêmio póstumo oferecido pela ONU a seus familiares, que denunciavam o uso irregular de terra e o desmatamento na região do assentamento agroextrativista Praia Alta Piranheira, o primeiro do tipo no Pará. Desde então, mesmo ameaçada, Laísa dá aulas na escola local e mantém o Grupo de Trabalhadoras Artesanais Extrativistas, que produz fito-cosméticos e fitoterápicos com óleo da andiroba.

A entrevista foi publicada por Amazonia.org.br.

Qual a origem das disputas?
Isso se deve ao processo desordenado de ocupação de terras na Amazônia. Em 1997, foi designada uma área de 22 mil hectares para o primeiro projeto agroextrativista do Pará. Nessa área, que pertencia a grandes fazendeiros de Marabá, há predominância de culturas como a castanha e o cupuaçu, além do babaçu e do açaí, em menor escala. Colocaram então o Zé Cláudio, meu cunhado, como primeiro presidente da Associação dos Pequenos Produtores do Projeto de Assentamento Praia Alta Piranheira (Apaep). Desde o início houve tensão, pois a Maria, minha irmã, e o Zé Cláudio bateram de frente e os próprios fazendeiros os procuraram com pistoleiros. Foram três linhas de perseguição. Uma foi por causa desses conflitos por lotes de terra. Depois, pela questão madeireira, pois em 2004 começou a se intensificar a entrada dos madeireiros no assentamento e, logo em seguida, foi a vez dos carvoeiros.

Por que começaram a invadir?

Em um primeiro momento, viram que a Maria e o Zé Cláudio tinham coragem ímpar e respeitaram. Depois de um tempo foram acabando as espécies madeireiras de valor nas áreas próximas. Então, começaram a invadir o assentamento para tirar as castanheiras, que são protegidas por lei. Para isso, entravam armados. O Zé Cláudio e a Maria paravam o caminhão e discutiam. Tentavam interditar de qualquer forma, fazendo registros fotográficos. Depois, vieram os carvoeiros, que derrubam todas as espécies de árvore e deixam a área desertificada.

Falta fiscalização ali?
Há muita floresta na região, é propícia para práticas ilegais. Mas há descaso do governo, pois em um projeto extrativista tem de haver fiscalização intensiva. O madeireiro entra e sai porque não há fiscalização permanente. Quando apareciam, os fiscais até diziam que só estavam ali porque havia sido feita uma denúncia.

Quando começaram as ameaças?
A primeira de que me lembro foi em 2001, quando chegou à casa deles uma caminhonete com um fazendeiro e três pistoleiros. Com um papel na mão, tentaram despistar o Zé Cláudio, mas ele não tirou o olho deles. Na saída, ainda disseram: “Não foi desta vez”.

Os dois pediram ajuda às autoridades?
Tenho queixas deles protocoladas no Ibama e no Incra. Eles pediram auxílio nos níveis municipal, regional, estadual e até federal. Procuraram o Ministério Público, que veio algumas vezes, mas voltava depois de seis meses e não conseguia avançar na investigação.

Quando foram mortos?
Foram assassinados juntos no dia 24 de maio de 2011, aqui mesmo no assentamento, a 4 quilômetros da casa deles. Estavam indo em direção à cidade numa moto e tiveram de parar em uma ponte velha. Era um ponto estratégico, onde dois pistoleiros estavam esperando. A investigação da Polícia Civil apontou como principal mandante um homem chamado Zé Rodrigues, que também está preso. Mas a Polícia Federal chegou a cinco nomes, pelas intercepções que foram feitas. Esses outros dois não estão presos.

Um grande livro-reportagem sobre os Beatles

Por André Barcinski

13008343Os Beatles criaram a trilha sonora dos anos 1960 e representaram, mais que qualquer outro artista, a ingenuidade, a beleza e o otimismo daquela década. Mas a separação da banda, em 1970, foi marcada por ódio, vingança e processos judiciais. Um fim triste para o grupo que sonhou em mudar o mundo. O jornalista inglês Peter Doggett escreveu o livro definitivo sobre o longo e doloroso processo de separação dos Beatles: “A Batalha pela Alma dos Beatles”, que acaba de sair no Brasil pela editora Nossa Cultura.

Mesmo quem conhece a história dos Beatles vai se surpreender com o detalhamento do livro de Doggett. Ele revela todos os pequenos desentendimentos que acabaram virando abismos intransponíveis no relacionamento da banda. A história da Apple, a utópica e malsucedida gravadora da banda, é contada com minúcias, assim como as complicadíssimas batalhas judiciais pós-separação.

“Venho coletando material sobre os Beatles desde 1970, quando era apenas um fã da banda”, diz Doggett à Folha. “Quando chegou a hora de escrever o livro, eu já havia entrevistado muitas pessoas num período de 20 anos.” Entre elas, Doggett destaca as de Yoko Ono e de Louise, irmã de George Harrison (1943-2001). “Foi fascinante falar com Louise e saber detalhes sobre como George recebeu a notícia da morte de John [Lennon].”

Mas a entrevista mais reveladora, segundo o autor, foi a de Derek Taylor (1932-1997), o assessor de imprensa dos Beatles. “Falei com ele pela primeira vez em 1988”, conta. “Taylor foi incrivelmente honesto sobre as qualidades e fraquezas dos Beatles como seres humanos e sobre os problemas que tiveram com a Apple.”

Doggett afirma: “Os Beatles descobriram algumas grandes verdades: você não pode se envolver em negócios sem se tornar um negociante; você não pode entrar no mercado sem se tornar um capitalista; você não pode supor que, só porque você tem ideais fortes, o resto do mundo vai dividi-los com você”.

BRIGAS E SOCOS

O livro surpreende pelo teor raivoso das brigas, que só pioraram depois que John Lennon (1940-1980) começou a levar Yoko para o estúdio. George Harrison não suportava Yoko e chegou a sair da banda depois de trocar socos com Lennon, que imediatamente sugeriu Eric Clapton para o lugar de Harrison. Outro caso que mostra o grau de ódio entre eles aconteceu depois de um ensaio da música “Across the Universe”, de Lennon, quando Paul McCartney teria dito: “Tem uma influência oriental que realmente não combina aí”, deixando no ar se estava se referindo à música ou a Yoko.

“Fiquei triste por eles”, diz Doggett. “Eles cresceram confiando nas pessoas que estavam próximas. Depois de 1969, no entanto, se viram sem ninguém em quem pudessem confiar”. “O que mais me impressionou foi que eles continuaram a fazer música nos anos 1970, mesmo tendo reuniões diárias com advogados e quando todo mundo estava querendo processá-los e eles estavam processando uns aos outros”, completa.

A BATALHA PELA ALMA DOS BEATLES
AUTOR Peter Doggett
TRADUÇÃO Ivan Justen Santana
EDITORA Nossa Cultura
QUANTO R$ 69 (512 págs.)