Rir é o melhor remédio

540112_470864589642260_1211292303_nDois caipiras, prontos para a tão esperada pescaria, encontram-se no local combinado: 
– Então cumpadre, tá animado? – pergunta um deles. 
– Tô -, responde o outro. E complementa: ô cumpadre, pra quê tá carregano dois embornal? 
– É que tô levano uma pingazinha… 
– Pinga? Mas nóis num tinha acertado na última vez que num ia bebê mais?! 
– Tinha, mas pode aparecê uma cobra e picá a gente. Aí nóis desinfeta com a pinga e toma uns gole prá mode num sintí dor. 
– Tem razão! E na outra sacola, o que tá levano? 
– É a cobra, cumpadre. Pode num tê por lá…

Araújo define Leão para enfrentar o PFC

Remo Leandro e Ze Antonio-Mario Quadros

Depois do último treino coletivo, realizado na tarde desta terça-feira, o técnico Flávio Araújo definiu o Remo para o jogo desta noite contra o PFC Paragominas com a seguinte escalação: Fabiano; Zé Antônio, Carlinhos Rech e Mauro; Endy, Gerônimo, Nata, Tiago Galhardo e Berg; Val Barreto e Fábio Paulista. Banco de reservas: Dida, Rodrigo Guerra, Allan Peterson, Jonathan, Edilsinho, Leandro Cearense e Branco. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Remo Flavio e jogadores-Mario Quadros (1)

O desassombro dos forasteiros

Por Gerson Nogueira

bol_qua_300113_11.psMeu amigo-irmão Nelson Gil, em conversa pós-clássico, levantou uma teoria que, de tão interessante, resolvi partilhar com os habituais 27 baluartes da coluna. “O fato de o Clube do Remo ser formado por 99,9% de ‘estrangeiros’ não diminui a responsabilidade de jogar com Paissandu, Cametá ou qualquer outra equipe local?”, propõe Gil, que foi um razoável goleiro nos tempos de juventude.

É uma possibilidade, pois é evidente que o Remo joga neste campeonato como se não se preocupasse muito com os concorrentes. Entra em campo e se comporta do mesmo jeito, seja no Baenão, Mangueirão ou Parque do Bacurau. Claro que, a princípio, a idéia de encher um time de forasteiros (a exceção é o volante Endy) parecia arriscado demais.

No Re-Pa essa inédita condição chegou a ser vista com temeridade pelos azulinos, preocupados porque nenhum de seus jogadores havia disputado o principal clássico do Norte. O sucesso em campo desfez todas as desconfianças, mostrando que o empenho e a aplicação do time superaram qualquer desconhecimento sobre o adversário e a própria história do jogo.

A impressão é de que, aliado ao esquema tático executado com disciplina quase militar, os jogadores não se impressionam com velhas cábulas, tabus ou escritas. O que interessa a Galhardo, Rech, Val Barreto ou Paulista se o Remo não vencia o Paissandu desde 2011? Ou tem algum efeito sobre Fabiano, Zé Antonio e Nata se o Cametá calou mais de 35 mil remistas no Mangueirão na última decisão do Parazão?

Sobre esses jogadores, quase todos recrutados em times medianos do Nordeste, aparentemente a desmemória tem tido efeito positivo. Se o passado é negativo, melhor não lembrar – ou não saber –, diz a lógica mais rasteira. A situação certamente envolve também o técnico Flávio Araújo, também um neófito em assuntos do futebol paraense.

Sem compromissos ou traumas, todos tenderiam a render melhor, indiferentes ao adversário que tenham pela frente. Enfim, é apenas uma tese, mas digna de avaliação. O jogo de hoje com o PFC Paragominas pode confirmar ou não se as coisas funcionam assim.

O certo é que Araújo, coerente com o esboço inicial de time, preserva o 3-5-2, com a vantagem de ter o ex-reserva Mauro ao lado de Rech e Zé Antonio na zaga em substituição a Henrique. Quem acompanha os treinos do Remo garante que Mauro é mais técnico e seguro que o ex-titular. De fato, no Re-Pa, a troca deu mais consistência à defesa.

Além da troca vantajosa no sistema defensivo, a escalação traz outra alteração. Gerônimo, que também entrou no clássico, substitui Tony e Endy será aproveitado como ala direito, credenciando-se como o mais polivalente do time até agora.

Pelo futebol apresentado nas quatro rodadas anteriores, o Remo deve repetir a fórmula de se defender ferrenhamente e procurar partir em velocidade ao ataque sempre que retoma a bola. Às vezes, aceita o domínio do adversário, mas leva vantagem pela eficácia nas finalizações. A dúvida é saber até quando a fórmula simples e certeira continuará dando certo.

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Vidal e a façanha de Indianápolis 87

A morte de Ary Vidal, uma das legendas do nosso basquete, ensejou ontem uma entrevista de Marcel, craque daquele timaço dirigido pelo técnico no Pan-Americano de Indianápolis, em 1987. Ao lado de Oscar, Marcel foi fundamental na espetacular virada que levou à histórica vitória sobre a seleção norte-americana, até então invicta em competições realizadas dentro dos EUA.

Marcelo contou que naquela partida, na qual o Brasil perdia por 14 pontos até o intervalo, o que mudou o eixo das coisas foi a visão que os jogadores brasileiros tiveram do vestiário americano. Já havia bolo comemorativo ao título pan-americano, com direito a faixas e até o telefone que seria usado para que os futuros campeões falassem com a Casa Branca.

A cena, reveladora do menosprezo dos americanos pelo time brasileiro, fez disparar o gatilho que empurrou Oscar & cia., sob a batuta de Vidal, ao triunfo consagrador em quadra. Não esquecendo que naquele quinteto ianque despontavam astros como Alonzo Mourning e David Robinson. Anos depois, Vidal seria treinador de basquete do Remo por uma temporada.

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Providências para PSC x Tuna

Carlos Silva, diretor de Segurança do Paissandu, avisa que, devido ao aniversário do clube no próximo sábado, a entrega de gratuidades, venda de meia-entrada e atendimento aos ambulantes para o jogo contra a Tuna serão antecipados. Os idosos poderão receber gratuidades na quinta-feira, 31, das 8h às 10h (pelo portão de saída da travessa do Chaco).

Já a venda de meia-entrada para estudantes ocorre na sexta-feira, 01, das 8h às 10h, na bilheteria da travessa Curuzu com avenida Almirante Barroso. Quanto aos ambulantes – cadastro, pagamento de taxa de serviço e venda de ingresso –, o atendimento será feito de quarta até sexta (30, 31 e 1 de fevereiro), das 14h às 18h, na Curuzu.

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Múltiplas explorações da tragédia

Beira a sabotagem pura e simples a tentativa de vincular a tragédia de Santa Maria às condições de segurança para a Copa do Mundo de 2014, levada a cabo por alguns veículos de imprensa do Sudeste, reverberando noticiário de jornais ingleses e espanhóis, notoriamente críticos em relação a países de Terceiro Mundo. Não por acaso, praticamente toda semana, o tradicional Financial Times dedica-se a criticar a política econômica brasileira.

O problema não está na má vontade histórica dos gringos, mas na sabujice explícita de brasileiros que ainda não entenderam (ou fingem não ver) a verdadeira sentido de sediar uma Copa do Mundo. Quem esteve na Alemanha (2006) e na África do Sul (2010) sabe o quanto o evento modifica, para melhor, a vida das pessoas. É burrice ignorar o fato.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 30)

Bolando as trocas

Por Ruy Castro

Outro dia, citaram uma frase, “Sem tesão não há solução”, e a atribuíram a Nelson Rodrigues. Pobre Nelson. Como se não bastassem as frases que inventou, ainda tem de responder pelas dos outros. E esta não era dele, mas do psiquiatra e humorista Roberto Freire. Nelson nunca diria aquilo. Nem era de seu estilo usar palavras como “tesão”.

Também há pouco foi atribuída a Stanislaw Ponte Preta a frase “São Paulo é o túmulo do samba”, dita por Vinicius de Moraes nos anos 50, numa boate paulistana cujos frequentadores falavam alto e abafavam o infeliz cantor -Johnny Alf. Já esclareci aqui que “samba”, no caso, não se referia ao ritmo, mas à música popular em geral -a futura “MPB”. Enfim, sai Stanislaw e entra Vinicius, que, nos anos seguintes, pagou por cada sílaba da frase.

E, idem, alguém deixou escapar o verso de Fernando Pessoa, “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, e atribuiu-o a Carlos Drummond de Andrade. Corrigiu-se em seguida e até pediu perdão pelo clichê. Mas a gafe ficou. Não que o verso faça falta ao vasto Pessoa. Só que Drummond tem suas próprias pedras de toque e dispensa apropriações.

Já li o “Ora, direi, ouvir estrelas”, de Olavo Bilac, atribuído a Castro Alves; o “Tu pisavas nos astros distraída”, de Orestes Barbosa, atribuído a Noel Rosa; e “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”, do político baiano Juracy Magalhães, atribuído a Paulo Francis. Mas nada se compara a “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, de Euclydes da Cunha, atribuído a Mazzaropi.

Trocam-se as bolas, é normal. Engraçado é que, às vezes, uma frase de X realmente ficaria melhor se de autoria de Y. Como quando citaram para Carlos Heitor Cony o dito de Guimarães Rosa, “A gente morre para provar que viveu”. Cony matou no peito e emendou de primeira: “Conselheiro Acácio!”.