Vocação para homenagear ditadores

20130127-010832

Por Roberto Vieira (do Blog do Juca)

Rodada dupla. Inaugura-se o novo Castelão. Símbolo dos novos tempos do Brasil varonil. Novos? Lá esteve a presidenta Dilma. Não. O Castelão não é homenagem ao ditador cearense Castelo Branco.

Castelo Branco que insistia em não ser ditador. Castelo Branco que legou uma ditadura ao país. O Castelão foi homenagem ao governador Plácido Castelo. Que não era ditador mas foi governante da ditadura em seu estado.

Quando os cearenses decidiram construir um mega estádio. Aproveitaram-se dos castelos políticos nos anos 70. E batizaram Castelão.

Curiosidade local. O outro grande estádio de Fortaleza se chama Presidente Vargas. Vargas que navegou nas rédeas do Estado Novo. Difícil entender.

Território libertário. Liderança da luta contra a escravidão. Belíssima pátria de Iracema e José de Alencar.

Por que será que o Ceará batiza seus Coliseus com nomes inóspitos? Não se sabe. Mas lá se foi mais uma grande oportunidade. De mudar a história nas velas do Mucuripe…

Site americano faz lista dos 20 melhores do Brasil

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site americano Bleacher Report arriscou ao fazer a lista dos 20 maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, tema que sempre rende uma baita polêmica. E aí, concorda com o ranking?

1. Pelé
2. Garrincha
3. Ronaldo
4. Zico
5. Sócrates
6. Jairzinho
7. Romário
8. Falcão
9. Ronaldinho Gaúcho
10. Gerson
11. Nilton Santos
12. Carlos Alberto Torres
13. Rivellino
14. Leônidas da Silva
15. Tostão
16. Didi
17. Júnior
18. Clodoaldo
19. Heleno de Freitas
20. Careca

Listas sempre geram polêmicas e controvérsias, mas emplacar 6 botafoguenses entre os 20 melhores é bem bacana.

Parazão 2013 – Classificação do turno

TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Remo 12 4 4 0 0 7 2 5 100.0
Paissandu 7 4 2 1 1 11 7 4 58.3
São Francisco 7 4 2 1 1 8 7 1 58.3
Paragominas 7 4 2 1 1 7 6 1 58.3
Santa Cruz 4 4 1 1 2 4 5 -1 33.3
Cametá 4 4 1 1 2 2 3 -1 33.3
Águia 2 4 0 2 2 3 8 -5 16.7
Tuna Luso 1 4 0 1 3 0 4 -4 8.3

Um craque, muitas dúvidas

Por Gerson Nogueira

Ele foi cuidadosamente preparado ao longo de dois meses para entrar tinindo no time do São Paulo. Não como um reforço qualquer, mas como o comandante da esquadra. Maestro foi o nome idealizado pelo marketing do clube. Pois, na primeira oportunidade realmente importante, abrindo a participação na Libertadores em casa, diante de mais de 60 mil torcedores, Paulo Henrique Ganso ficou no banco de reservas. Esperou intermináveis 80 minutos para entrar, isso quando a partida já estava decidida.

O técnico Ney Franco preferiu apostar em Jadson como o organizador, aproveitando Aloísio como o atacante pela direita e Fabiano no centro do ataque e Osvaldo pela esquerda. Na formatação, não sobrou lugar para o craque paraense, mas pipocaram indagações, principalmente porque o São Paulo disparou uma goleada tranquila sobre o retrancado Bolívar, com boas atuações individuais dos homens de frente.

Diante disso, crescem as interrogações sobre o futuro de Ganso no Morumbi – e na Seleção Brasileira. Dias antes de ser barrado por Ney Franco, ele havia sido preterido na primeira convocação de Felipão no escrete. Perdeu vez para jovens tão badalados quanto ele (Oscar, Lucas) e até para um veterano, Ronaldinho Gaúcho.

Os sinais internos não favorecem. Depois do jogo contra o Bolívar, o capitão Rogério Ceni fez uma análise detalhada das atuações, falou sobre todos os jogadores e reservou um carinhoso trecho a Ganso, dizendo que ele está se enturmando e se adaptando ao time. Jeito educado de admitir que ele não está dentro, ainda está chegando. Ney Franco, momentos antes, foi mais sucinto. Referiu-se a quase todos os jogadores e, quando perguntado sobre Ganso, fez um comentário genérico.

O grande desafio de Ganso é voltar a jogar bola no nível de 2009/2010/2011, quando encantou com seu estilo clássico e cadenciado, cheio de toques sutis. É verdade que na Vila Belmiro era um coadjuvante de luxo. Escoltava o astro Neymar. Esse papel secundário, refletido em acentuadas diferenças salariais e de tratamento, apressou a saída do meia paraense.

Acontece que naquele time Neymar era a flecha e Ganso funcionava como arco. Eram régua e compasso. Entendiam-se desde os primeiros treinos entre a garotada do Santos. O sucesso crescente de Neymar, alicerçado nos passes do companheiro, serviam para referendar a qualidade de Ganso.

No São Paulo, Ganso viu-se livre da sombra projetada por Neymar, mas ficou sem outro parceiro que sirva de referência e seja beneficiário direto de seu talento para armar. Junte-se a isso o fato de ter chegado a um time que já tinha um meia-armador, Jadson, e um técnico que começava a esboçar a escalação ideal.

Enquanto Ganso buscava o melhor condicionamento, o meio-de-campo foi sendo montado e nem mesmo a saída de Lucas significou abertura para o recém-contratado. Para piorar, a cadência de Ganso não combina com a velocidade que o São Paulo passou a adotar.

Sua condição oficial de reserva foi reafirmada por Ney Franco ao anunciar o time para enfrentar o modesto Atlético Sorocaba neste sábado. Ganso tem bola para brigar por um lugar no time principal, mas, ao que parece, terá que se reinventar novamente. E precisa ser rápido porque 2014 já está bem ali.

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Cultura germânica na bola

Ao anunciar que vai substituir o técnico Jupp Heynckes por Pep Guardiola, o Bayern pôs em prática o mais estrito senso profissional germânico. Quem estranhou a atitude, quase como um gesto de aposentadoria forçada de Heynckes, desconhece o estilo alemão de lidar com questões trabalhistas. Veterano, com extensa folha de serviços prestados, Heynckes reagiu com naturalidade e compreensão.

O clube foi transparente, avisou com meses de antecedência e deu à troca um caráter absolutamente normal. Em sentido contrário, o estilo sul-americano, e particularmente o brasileiro, incluiriam quase com certeza o ritual de fritura do técnico que estivesse no comando.

O posicionamento do clube alemão deu a Guardiola a segurança para desembarcar em Munique com total autonomia para gerir um dos gigantes do futebol mundial. Não ficará responsável apenas pelo futebol profissional. Vai estar diretamente ligado às demais divisões do Bayern, da mesma forma como trabalhava no Barcelona.

Ciente das especificidades da cultura alemã, Guardiola dedica-se a aprender o idioma, a fim de poder se comunicar bem e entender melhor reações, comentários e humores de seus comandados.

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Primeiro clássico carioca

O primeiro clássico carioca põe frente a frente neste domingo Fluminense e Botafogo. O campeão brasileiro pode se dar ao luxo de escalar um time mesclado e, ainda assim, terá altas doses de competitividade. Já o Botafogo, que se atrapalhou em Moça Bonita na quinta-feira, possivelmente não terá Seedorf e ainda busca a melhor formação ofensiva. Como quase sempre nos últimos tempos, o favoritismo é tricolor.

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Bola na Torre

Iarley (PSC) é o convidado do programa neste domingo. Guilherme Guerreiro apresenta. Participações de Giuseppe Tomaso e deste escriba baionense. Começa logo depois do Pânico na Band.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 27)

Deixemos de nhenhenhém (parte III)

arquivoexibirMais ditados, chistes e locuções tradicionais do Brasil…

Onde judas perdeu as botas – Como todos sabem, depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depressão e culpa, vindo a se suicidar enforcando-se numa árvore. Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca as botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro. A história é omissa daí pra frente. Nunca saberemos se acharam ou não as botas e o dinheiro. Mas a expressão atravessou vinte séculos. Atualmente, o ditado significa lugar distante, inacessível.

Quem não tem cão caça com gato – Se você não pode fazer algo de uma maneira, se vira e faz de outra. Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia “quem não tem cão caça como gato”, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

De pá virada – Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio. A origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando ela está virada para baixo, é inútil não serve para nada. Hoje em dia, “pá virada” tem outro sentido. Refere-se a uma pessoa de maus instintos e criadora de casos ou a um aventureiro.

Deixar de nhenhenhém – Conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona. Resmungo, rezinga. Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

Estar de paquete – Situação das mulheres quando estão menstruadas. Paquete, já nos ensina o Aurélio, é um das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma “Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes”, referindo-se, é claro, aos navios mensais.

Pensando na morte da bezerra – Estar distante, pensativo, alheio a tudo. Esta é bíblica. Como vocês sabem, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs. Em vão. A bezerra foi oferecida aos céus e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar “pensando na morte da bezerra”. Consta que meses depois veio a falecer.

Não entender patavina – Não saber nada sobre determinado assunto. Nada mesmo. Tito Lívio, natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália), usava um latim horroroso, originário de sua região. Nem todos entendiam. Daí surgiu o Patavinismo, que originariamente significava não entender Tito Lívio, não entender patavina.

Jurar de pés junto – A expressão surgiu das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para confessar seus crimes.

emanuele_filiberto_di_savoiaTesta de ferro – O Duque Emanuele Filiberto di Savoia (ao lado), conhecido como Testa di Ferro, foi rei de Chipre e Jerusalém. Mas tinha somente o título e nenhum poder verdadeiro. Daí a expressão ser atribuída a alguém que aparece como responsável por um por um negócio ou empresa sem que o seja efetivamente.

Erro crasso – Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por três pessoas. No primeiro destes Triunviratos, tínhamos: Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os Partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas um dos primeiros a cair. Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos tratar-se de um “erro crasso“.

Lágrimas de crocodilo – O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima. Daí a expressão significar choro fingido.

Fila indiana – Tem origem na forma de caminhar dos índios americanos, que, desse modo, encobriam as pegadas dos que iam na frente.

Passar a mão pela cabeça – Significa perdoar, e vem do costume judaico de abençoar cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronuncia a bênção.

Gatos pingados – Esta expressão remonta a uma tortura procedente do Japão que consistia em pingar óleo fervente em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos. Existem várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas com os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente. Como o suplício tinha uma assistência reduzida, tal era a crueldade, a expressão “gatos pingados” passou a significar pequena assistência sem entusiasmo ou curiosidade para qualquer evento.

Queimar as pestanas – Antes do aparecimento da eletricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar num momento de descuido queimar as pestanas. Por essa razão, aplica-se àqueles que estudam muito.

Sem papas na língua – Significa ser franco, dizer o que sabe, sem rodeios. A expressão vem da frase castelhana “no tener pepitas em la lengua”. Pepitas, diminutivo de papas, são partículas que surgem na língua de algumas galinhas, é uma espécie de tumor que lhes obstrui o cacarejo. Quando não há pepitas (papas), a língua fica livre.

A toque de caixa – A caixa é o corpo oco do tambor que foi levado para a a Europa pelos árabes. Como os exercícios militares eram acompanhados pelo som de tambores, dizia-se que os soldados marchavam a toque de caixa. Atualmente, refere-se a uma tarefa que se tem de fazer rapidamente, eventualmente a mando de alguém ou mesmo à força.

Maria vai com as outras – Dona Maria I, mãe de D. João VI (avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro . Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono. Passou a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar a pé, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via a rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar: “Lá vai D. Maria com as outras”. Atualmente aplica-se a expressão a uma pessoa que não tem opinião e se deixa convencer com a maior facilidade.

Fonte: CASCUDO, Luís da Câmara. Locuções Tradicionais no Brasil. São Paulo, Editora Global/2008. Fonte internet –http://saibahistoria.blogspot.com.br/2010/07/blog-post.html

http://tokdehistoria.wordpress.com/2013/01/16/ditados-populares-e-seus-significados-segundo-cascudo/