Papão lidera artilharia do campeonato

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Rafael Oliveira e João Neto (Paissandu) lideram a artilharia do Parazão, cada um com 4 gols. Na segunda colocação, com 2 gols cada, aparecem três jogadores: Aleilson (PFC Paragominas), Pikachu (PSC) e Val Barreto (Remo). O Paissandu é também a equipe de melhor ataque, com 10 gols marcados. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Olé nasceu no México (viva Garrincha!)

Por João Saldanha

O Estádio Universitário ficou à cunha. Cem mil pessoas comprimidas para assistir ao jogo. É muito alegre um jogo no México. É o país em que a torcida mais se parece com a do Rio de Janeiro. Barulhenta, participa de todos os lances da partida. Vários grupos de “mariaches” comparecem. Estes grupos, que formam o que há de mais típico da música mexicana, são constituídos de um ou dois “pistões” e clarins, dois ou três violões, harpa (parecida com a das guaranias), violinos e marimbas. As marimbas são completamente de madeira, mas não vão ao campo de futebol, sendo substituídas por instrumentos pequenos. O ponto alto dos “mariaches” é a turma do pistão, do clarim e o coro, naturalmente. No campo de futebol, os grupos amadores de “mariaches” que comparecem ficam mais ativos em dois momentos distintos: ou quando o jogo está muito bom e eles se entusiasmam, ou, inversamente, quando o jogo está chato e eles “atacam” músicas em tom gozador. No jogo em que vencemos ao Toluca, que estava no segundo caso, os “mariaches” salvaram o espetáculo.
O time do River era, realmente, uma máquina. Futebol bonito e um entendimento que só um time que joga junto há três anos pode ter. Modestamente, jogamos trancados. A prudência mandava que isto fosse feito. De fato, se “abríssemos”, tomaríamos um baile.
Foi um jogo de rara beleza. E não foi por acaso. De um lado estavam Rossi, Labruña, Vairo, Menéndez, Zarate, Carrizo. De outro, estavam Didi, Nilton Santos, Garrincha etc. Jogo duro e jogo limpo. Não se tratava de camaradagem adquirida em quase um mês no mesmo hotel, mas sim da presença de grandes craques no gramado. A torcida exultava e os “mariaches” atacavam entusiasmados.
Estava muito difícil fazer gol. Poucas vezes vi um jogo disputado com tanta seriedade e respeito mútuos. Mas houve um espetáculo à parte. Mané Garrincha foi o comandante. Dirigiu os cem mil espectadores. Fazendo reagirem à medida de suas jogadas. Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do “Olé”, tão comumente utilizada posteriormente em nossos campos. Não porque o Botafogo tivesse dado “Olé” no River. Não. Foi um “Olé” pessoal. De Garrincha em Vairo.
Nunca assisti a coisa igual. Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um “Olé” daquele tamanho. Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: “Ôôôôô”! O som do “olé” mexicano é diferente do nosso. O deles é o típico das touradas. Começa com um ô prolongado, em tom bem grave, parecendo um vento forte, em crescendo, e termina com a sílaba “lé” dita de forma rápida. Aqui é ao contrário: acentua-se mais o final “lé”: “Olééé!” – sem separar, com nitidez, as sílabas em tom aberto.
Verdadeira festa. Num dos momentos em que Vairo estava parado em frente a Garrincha, um dos clarins dos “mariaches” atacou aquele trecho da Carmem que é tocado na abertura das touradas. Quase veio abaixo o Estádio Universitário.
Numa jogada de Garrincha, Quarentinha completou com o gol vazio e fez nosso gol. O River reagiu e também fez o dele. Didi ainda fez outro, de fora da área, numa jogada que viera de um córner, mas o juiz anulou porque Paulo Valentim estava junto à baliza. Embora a bola tivesse entrado do outro lado, o árbitro considerou a posição de Paulinho ilegal. De fato, Paulinho estava “off-side”. Havia um bolo de jogadores na área, mas o árbitro estava bem ali. E Paulinho poderia estar distraindo a atenção de Carrizo.
O jogo terminou empatado. Vairo não foi até o fim. Minella tirou-o do campo, bem perto de nós no banco vizinho. Vairo saiu rindo e exclamando: “No hay nada que hacer. Imposible” – e dirigindo-se ao suplente que entrava, gozou:
– Buena suerte, muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá.
O jogo terminou empatado e uma multidão invadiu o campo. O “Jarrito de Oro”, que só seria entregue ao “melhor do campo” no dia seguinte, depois de uma votação no café Tupinambá, foi entregue ali mesmo a Garrincha. Os torcedores agarraram-no e deram uma volta olímpica carregando Mané nos ombros. Sob ensurdecedora ovação da torcida. No dia seguinte, os jornais acharam que tínhamos vencido o jogo, considerando o tal gol como válido. Mas só dedicaram a isto poucas linhas. O resto das reportagens e crônicas foi sobre Garrincha.
As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao “Olé”. As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o “Olé”. Foi assim que surgiu este tipo de gozação popular, tão discutido, mas que representa um sentimento da multidão.
Já tentaram acabar com o “Olé”. Os árbitros de futebol, com sua inequívoca vocação para levar vaias, discutiram o assunto em congresso e resolveram adotar sanções. Mas como aplicá-las? Expulsando a torcida do estádio? Verificando o ridículo a que estavam expostos, deixam cada dia mais o assunto de lado. É melhor assim. É mais fácil derrubar um governo do que acabar com o “Olé”.
Não poderia ter havido maior justiça a um jogador que a que foi feita pelos mexicanos a Mané Garrincha. Garrincha é o próprio “Olé”.
Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante, tão driblador. É impossível adivinhar-se o lado por onde Mané vai “sair” da enrascada. Foi a coisa mais justa do mundo que Garrincha tivesse sido o inspirador do “Olé”.

(Extraído do livro “Subterrâneos do Futebol”, ed. Tempo Brasileiro, 1963)

Meia remista marca presença no Bola na Torre

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Ramon, meia-atacante contratado pelo Remo em transação com investidores, foi o convidado do Bola na Torre deste domingo. De estilo descolado, mostrou-se impressionado com o carinho e a paixão da torcida azulina. Disse estar pronto para estrear no Re-Pa, caso o técnico Flávio Araújo assim decida. Comparou com outros clubes de massa pelo qual jogou (Flamengo, Corinthians e Atlético-MG). Admitiu que alguns maus passos atrapalharam sua carreira e que o Remo é a chance de voltar a mostrar seu futebol. Na foto acima, um registro da bancada do programa.

Papão sobra em campo

Por Gerson Nogueira

Foi a melhor atuação de um time neste Parazão. O Paissandu, não apenas pela goleada, encantou sua torcida (pequena ontem na Curuzu) e dominou inteiramente um atarantado Águia. E não se diga que o nível do adversário facilitou a coisa para os comandados de Lecheva. Na verdade, o resultado final expressou fielmente uma inspirada atuação do setor de meio-de-campo do Papão, cujas quatro peças praticamente não cometeram erros e ainda conseguiram extrapolar suas funções básicas. Além da manhã gloriosa dos homens de meio, o time teve ainda Rafael Oliveira, João Neto e Pikachu em altíssimo nível.

PSCXAGUIA Parazao 2013-Mario Quadros (63)Rafael marcou três vezes, voou em campo e assumiu a liderança da artilharia. João Neto não ficou muito atrás, marcando duas vezes, movimentando-se bastante e fazendo cruzamentos e assistências. Ambos, juntamente com Pikachu, contribuíram para que o grande rendimento do meio-de-campo acabasse se refletindo no escore. A não ser por alguns cochilos dos zagueiros, a atuação foi quase impecável.

Não só pelos gols marcados, a dupla Rafael-Neto destacou-se pela intensa participação. A atuação de ambos surpreende ainda mais porque os times ainda estão se ajustando e o começo da temporada costuma ser pobre em boas atuações individuais. Ontem, tanto os atacantes quanto os meio-campistas pareciam estar em atividade há vários meses, tal o entrosamento demonstrado.

O Águia, que costuma criar dificuldades jogando fora de casa, parece ter se espantado com a forte presença ofensiva do Paissandu. Desde os primeiros minutos, o time de João Galvão mostrou um acanhamento que não combina com seu histórico. Mantinha-se atrás, com o meio-campo até confundindo-se com a linha de zagueiros e pouquíssimas saídas para o ataque. Resistiu ao sufoco bicolor por 25 minutos, mas, a partir do primeiro gol, entrou em parafuso.

Enquanto Analdo, William, Rafinha e Wando perdiam-se em passes laterais e inconclusivos, o quadrado formado por Capanema, Esdras, Eduardo Ramos e Gaibu fazia a transição com impressionante facilidade. O bloqueio das ações do Águia vinha acompanhado por passes em velocidade para Pikachu, Rafael e Neto. Em alguns momentos, Gaibu (36 anos) fez mais: ia à linha de fundo preparar cruzamentos para a finalização na área.

Outro aspecto a ser ressaltado tem a ver com comprometimento. Pikachu, que ainda não tinha deslanchado no Parazão, entrou com a disposição de um novato, como se precisasse provar alguma coisa. Marcava, apoiava e chutava em gol, como aos 25 minutos, quando arriscou um disparo de fora da área, obrigando o goleiro a uma difícil defesa. No instante seguinte, apareceu à frente do lateral Mocajuba para roubar-lhe a bola e cruzar para Rafael abrir o placar.

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Em dez minutos, após acelerar o jogo, o Paissandu transformou a boa atuação em projeto de goleada. Marcou mais dois gols aos 34 (Rafael) e 36 (João Neto). O gol de William, aos 37, num dos descuidos da zaga a que me referi, deu a falsa impressão de que o Águia podia pegar embalo no segundo tempo.

As facilidades iniciais se confirmaram logo no comecinho da etapa final, quando Esdras foi derrubado na área depois de grande triangulação com Pikachu e Neto. Depois da cobrança da penalidade por Pikachu, a partida entrou em ritmo de amistoso. A partir daí, o Águia entregou de vez os pontos, beirando a apatia em várias ocasiões, e o Paissandu não ia à frente com o mesmo ímpeto. O forte calor certamente influiu nesse estado de ânimos.

Apesar disso, mais dois gols – de João Neto, em cabeceio certeiro, e Rafael, de peixinho – ainda iriam premiar a torcida, que destoou (5 mil pagantes) ontem. Nem mesmo a saída de Gaibu, que tornou o Paissandu mais lento na armação, beneficiou o Águia. Apostar nas incertezas de um ataque comandado pelo confuso Leleu e em laterais improdutivos foi apenas um dos equívocos do Águia no jogo.

Na verdade, a equipe padece de carências crônicas em todos os setores e sofre os efeitos de uma preparação incompleta para o campeonato. Algumas peças ainda não se encaixaram. Leandro, goleiro que substituía Adriano, falhou em lances cruciais (no terceiro e sexto gol) e passou intranquilidade ao time. Os zagueiros Bernardo e Mário demonstravam completo descompasso. O lateral Mocajuba errou praticamente todos os passes e cruzamentos. Wando foi o único jogador com tino de organização, mas não teve forças para contagiar seus companheiros. Diante de tantos problemas, as dificuldades se tornaram insuperáveis diante de um Paissandu aprumado e com atuações individuais iluminadas. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Teste de fogo para o Leão

O time de Flávio Araújo sai para o primeiro compromisso longe de sua torcida. Em Cametá, além das dificuldades naturais que todo visitante tem, os remistas terão que superar as condições do campo, um dos piores do Parazão. Em termos internos, Araújo luta para conseguir a consistência técnica necessária no setor de meio-campo. Edilsinho foi sacado da equipe e Galhardo confirmado na escalação.

Para quem adota o 3-5-2, jogar com apenas um meia de ligação – e Galhardo já disse que não é um organizador – é sempre um convite à pressão adversária. Contra o Santa Cruz e a Tuna, o Remo saiu vitorioso, mas foi dominado durante a maior parte do tempo, principalmente por não conseguir reter a posse da bola na meia cancha. Se o entrosamento não se materializar hoje, a saída é apostar na força individual dos atacantes. Paulista e Val Barreto já mostraram que podem fazer muito quando bem acionados.

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São Francisco frustra torcida

O melhor público da rodada veio de Santarém, o que não chega a ser surpreendente. O São Francisco, com bons resultados nas primeiras rodadas, atraiu 7.120 pagantes ao estádio Barbalhão. Infelizmente, para a apaixonada torcida santarena, o time frustrou as expectativas e foi derrotado pelo PFC Paragominas por 3 a 2. O Azulão ainda esboçou uma reação, mas não foi suficiente para impedir o triunfo do visitante, que chegou a fazer 3 a 0. Se o São Francisco empacou, a rodada marca a reabilitação do PFC, que chega aos seis pontos, igualando-se ao Remo na segunda colocação do campeonato.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 21)

Torcedores do Paissandu provocam rival

20130120_212041destaqueCircula no Facebook postagem (foto) de um grupo de torcedores do Paissandu em frente ao estádio Evandro Almeida, o Baenão. Segundo o autor da foto, o portão do estádio para a avenida Almirante Barroso teria sido quebrado pelos torcedores na manhã deste domingo (20), depois do jogo entre Paissandu e Águia pelo Campeonato Paraense, realizado no estádio da Curuzu. O objetivo seria provocar uma facção organizada remista. A diretoria do Remo não confirmou se o portão foi mesmo danificado pela ação de vândalos.