A frase do dia

“As portas da CBF (e da seleção) estão abertas para todo mundo. Hoje, a mentalidade é outra. Acima de tudo o atleta tem de sentir orgulho de estar na seleção e não se comportar como quem está fazendo um favor ao torcedor.”

De José Maria Marin, presidente da CBF, admitindo a possibilidade de convocação de Ronaldinho Gaúcho. 

Entre a velocidade e a paciência

Por Gerson Nogueira

Em dissonância com as boas práticas, mas por pura necessidade, o Remo estreia uma zaga inteiramente nova num embate decisivo. Contra o Vilhena, hoje à noite, o técnico Marcelo Veiga se viu obrigado a botar para jogar o estreante Rafael Andrade ao lado de Igor João, que era um reserva meio esquecido no elenco, e Marcelão, zagueiro que disputou apenas uma partida e deixou impressão das mais negativas.

É a aposta no desconhecido que move o treinador remista, que desde que chegou na última sexta-feira já travou contato com a gangorra interna do clube e suas muitas variáveis desconcertantes. Improvisado ou não, o Remo terá que se impor como mandante e arrancar uma vitória que garantirá a primeira colocação no grupo, fugindo pelo menos de início de um indesejado confronto com o Sampaio Corrêa, que ostenta campanha 100% na competição.

Além dos beques que mal se conhecem, Marcelo Veiga terá que superar em 90 minutos a pouca familiaridade que os jogadores têm com o sistema 3-5-2, utilizado somente uma vez (e durante um tempo de jogo) pelo ex-técnico Edson Gaúcho.

O trio de meio-de-campo é bem experiente e não padece do mal do desentrosamento. A provável escalação de André, Edu Chiquita e Laionel pode dar ao time o equilíbrio necessário para armar as investidas de Ratinho e Fábio Oliveira, além de conter o ímpeto dos contragolpes do Vilhena, principal trunfo dos visitantes.

Nas alas, boas apostas para o apoio ao ataque. Dida, pela direita, e o novato Andrezinho pela esquerda podem dar ao Remo uma consistência que o time poucas vezes teve pelas laterais. Caso estivesse a fim de ser mais agressivo, o jogo era sob medida para a ofensividade de Tiago Cametá, deixado de lado no Baenão desde que Flávio Lopes o queimou numa das partidas finais do Parazão.

Com um mínimo de paciência e jogo em velocidade, o Remo tem boas chances de conquistar a vitória tão desejada. A rapidez é uma exigência do futebol moderno, mas a paciência é atributo que não envolve só os jogadores, mas principalmente a torcida, cuja ansiedade nem sempre pode ser controlada.

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Aliás, a expectativa de grande público foi parcialmente desfeita pelo movimento de vendas ontem, quando a diretoria do Remo apostava numa grande procura de ingressos. Os preços são convidativos, R$ 10,00 (arquibancada) e R$ 20,00 (cadeira), mas a desconfiança em relação ao time continua a ter um peso considerável na cabeça do torcedor.

De qualquer maneira, a mobilização nas redes sociais é grande e é possível ainda que o Fenômeno Azul decida invadir o Mangueirão, constituindo-se em reforço fundamental para o time de Marcelo Veiga.

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Em mensagem espirituosa dirigida à coluna, o publicitário Dennis Oliveira desvenda o cenário brumoso do nosso futebol. Sob o título “O óbvio do nosso futebol”, ele conceitua e propõe alguns questionamentos. “Se o time não passa confiança, o torcedor não vai a campo. Sem não vai a campo, o clube não arrecada dinheiro. Sem dinheiro, não tem como contratar um time bom, que vença, empolgue. Sem empolgação nas arquibancadas, o jogador, na cara do gol, joga sem vontade, sem vibração. Ou seja, quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? E agora, como quebrar esse círculo vicioso? O time precisa ter olheiros que saibam descobrir talentos, ao invés de acreditar na lorota de empresários”, analisa.

E acrescenta: “Cadê os campeonatos de pelada? Cadê as novas competições que o governo e a prefeitura poderiam realizar para incentivar a descoberta de novos talentos? Um grande exemplo foi a descoberta do Tiago Potiguar, no fim do mundo do futebol. Jogador que veio barato e que nos últimos anos, provavelmente, é o melhor jogado no nosso futebol”.

Admitindo o risco de parecer óbvio, Dennis receita a fórmula tão conhecida – e desprezada reiteradas vezes. “O time precisa também é investir na base, na molecada, na fome de bola e de fama que essa nova geração tem com o advento do futebol no mundo. Mas isso é chover no molhado. Os pessimistas dizem logo que falta din-din para estrutura profissional. Verdade. Mas esse é um investimento para longo prazo. Enquanto isso, enquanto o clube precisa conquistar títulos, pode-se montar um time de jogadores locais que sempre se destacam. Com um bom técnico, boas revelações da base, talvez pudéssemos fazer um futebol mais doméstico, todavia vencedor. Isso tudo não parece óbvio?”. É, sabe-se bem o que fazer, mas falta a tal vontade por parte dos responsáveis.

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O Remo é o tema de selo personalizado produzido pelos Correios e que será lançado na próxima sexta-feira (31), às 11h, em cerimônia programada para a sede social do clube na avenida Nazaré. Segundo a assessoria do órgão, “os Correios sempre perpetuaram por meio da emissão de selos postais, personalidades, datas e eventos relevantes no contexto das instituições nacionais”.

Cada selo passa a fazer parte do acervo iconográfico, bibliográfico e histórico dos Correios, além de integrar coleções de filatelistas de todo o mundo, eternizando para as gerações futuras todos os fatos e instituições merecedoras de registro histórico. O mesmo deve ocorrer com o selo em homenagem ao Remo, cujo aniversário de reorganização é comemorado em agosto.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 29)

Mourinho quer Kaká no terceiro mundo do futebol

O desejo do técnico do Real Madrid, José Mourinho, em não contar com Kaká no elenco é algo claro desde a temporada passada. Mas, em sua edição desta segunda-feira, o jornal espanhol “El País” detalha um processo de fritura do português para que o brasileiro deixe a equipe. A publicação revela que o tratamento do técnico ao jogador já deixou de ser frio e agora é quase que um assédio para que ele saia.
Nos últimos dias, Kaká não foi sequer relacionado para o banco de reservas para os jogos contra Barcelona, pela Supercopa da Espanha, e Getafe, pelo Campeonato Espanhol.
A cada treinamento na pré-temporada da equipe, o treinador aumentava a aspereza no trato e pouco se esforçava para uma boa relação. Logo na apresentação da equipe, o brasileiro fez questão de sorrir e desejar bom dia. Mas Mourinho já estava impaciente. Em um treino, chegou perto do brasileiro e perguntou de maneira seca: “O que pensa sobre seu futuro?”. Kaká disse que queria continuar. E isso irritou ainda mais o treinador.
O jornal diz que o brasileiro está convencido de que o treinador o maltrata para que saia do clube por vontade própria. “Ele é uma pessoa muito má”, disse Kaká a um de seus amigos, segundo a publicação. O El País diz, no entanto, que Kaká evita o confronto com o técnico e opta pelo sorriso a cada vez que Mourinho o maltrata. “Mas o brasileiro é religioso fanático, não se permite discutir ou insultar”, diz trecho da matéria.
É clara a percepção do elenco de que o português força a saída do brasileiro. “Mourinho o tratou como um inútil”, disse um companheiro do brasileiro ao jornal espanhol. Uma conversa entre os dois e mais o pai do jogador, Bosco Leite, teria sido o estopim para a péssima relação. A publicação relata um diálogo em que o pai de Kaká indica que Mourinho dá preferência a jogadores de seu agente, Jorge Mendes, e o clima esquenta. “Não consegue perceber que não quero contar com você?”, indagou Mourinho a Kaká. O brasileiro fez cara de espanto e disse que não.
“Não pensa em fazer nada para retomar sua carreira?”, perguntou o treinador. Então, o pai do jogador teria dito que para que ele saia teria que receber o que o Real deve. Mourinho retrucou. “Seu filho aqui atrapalha meu projeto”, falou.“Seu projeto e o de Jorge Mendes”, rebateu o pai do atleta.
A conversa esquentou até que tivesse acusações mais graves, não reveladas pelo jornal. Mourinho teria oferecido duas saídas para o brasileiro: ou voltar para o Brasil ou jogar nos Estados Unidos. (Do Uol Esportes)

Teixeirão vendeu a Seleção Brasileira até 2022

Por Juca Kfouri

No dia 15 de novembro de 2011, quatro meses antes de renunciar à presidência da CBF, Ricardo Teixeira assinou, em Doha, no Qatar, um novo contrato com a International Sports Events (ISE), dando à empresa da Arábia Saudita, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, o direito de organizar amistosos da Seleção Brasileira até o final da Copa do Mundo de 2022. A revelação está na Folha de S.Paulo de hoje, assinada por este blogueiro.

Desde 2006 a ISE é responsável pelos amistosos do time da CBF que não estiveram contidos no contrato com a Nike, num acerto que vigoraria até 2010 e que foi alterado em março daquele ano para contemplar mais 10 partidas da seleção. Teixeira assinou o novo contrato pela CBF e, pela ISE, um tal Moheyddin Kamel, que teria sido apresentado por Sandro Rossel, presidente do Barcelona.

Então, já era dada como certa a saída de Teixeira da CBF.

Rossel é investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal por seu envolvimento no amistoso entre as seleções do Brasil e de Portugal, em 2008, quando recebeu R$ 9 milhões para organizar o jogo. O novo contrato da CBF/ISE prevê o pagamento de uma taxa fixa de US$ 805.000 pelos jogos ainda referentes ao contrato antigo e de US$ 1.050 pelo acordo que vigorará até 2022.

Veiga e o dilema da escolha

Por Gerson Nogueira

O drama de um técnico que dispõe de uma multidão para escolher a equipe titular começa pela baixa qualidade da mão-de-obra. Dos quase quatro times que o Remo tem, dá para escolher, com muita boa vontade, 13 nomes. Por esse ponto de vista, a escalação prevista para o jogo decisivo de amanhã é a melhor possível, nas circunstâncias.

Gustavo; Rafael Andrade, Marcelão e Igor João; Dida, André, Edu Chiquita, Laionel e Andrezinho; Ratinho e Fábio Oliveira (Mendes). Marcelo Veiga, que identificou logo a avenida existente na lateral esquerda, tratou de trazer um jogador de sua confiança, Andrezinho. Cuidou também do crônico problema no miolo de zaga, indicando Rafael Andrade.

Como o tempo é curto para treinar a nova formação, Veiga esquematizou o time no 3-5-2, sistema que normalmente usava durante seus sete anos de Bragantino. Na preparação para o jogo, o técnico insiste na aproximação entre os jogadores como recurso para diminuir a possibilidade de erros, principalmente na troca de passes.

É um desafio para qualquer treinador estrear logo em jogo decisivo, onde a derrota significa a eliminação sumária da competição. Veiga, em conversa na RBA no domingo à noite, demonstrou estar consciente dos riscos. Acredita que, na base do diálogo, vai desmanchar a nuvem de intranquilidade que encontrou no Evandro Almeida. Para ganhar a confiança dos boleiros, descartou dispensas antes de garantir a classificação.

Boas intenções às vezes garantem resultados positivos. Veiga talvez esteja no caminho certo do ponto de vista das relações humanas, mas o Remo precisará mostrar contra o Vilhena um time mais arrumado, comprometido e determinado do que aquele que se deixou golear com tamanha passividade pelo Penarol, em Itacoatiara. Acima de tudo, o Remo precisa jogar bola, pois mesmo um adversário modesto pode criar problemas no Mangueirão. A história recente mostra isso.

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A notícia se espalhou como fogo no capim seco, logo depois do empate com o Icasa, sábado à tarde. O Paissandu estaria com duas folhas salariais em atraso, gerando com isso um clima de descontentamento no elenco e o surgimento de situações localizadas, como o caso do meia Robinho, que teria pendências não assumidas pelo clube.

Em entrevistas, no domingo, o presidente não admitiu a dívida com os jogadores. Ao contrário, preferiu bravatear. Aos gritos, disse ter vontade de chegar na Curuzu e dispensar vários atletas. O discurso vazio da falsa valentia, que irrompe sempre em momentos de crise, já não impressiona ninguém, nem mesmo torcedores mais ingênuos.

Ao invés de potocas, a diretoria deve se organizar para cumprir o compromisso com o elenco. Numa competição difícil e equilibrada como a Série C, pagar em dia pode fazer uma enorme diferença neste returno da primeira fase.

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Uma grande publicação europeia finalmente reconhece o campeonato nacional do Brasil como um dos mais fortes do mundo. Trata-se da revista britânica Four Four Two, que situou o Brasileirão num honroso quarto lugar, abaixo apenas dos certames Inglês, Alemão e Espanhol, e à frente de competições tradicionais, como o Italiano, o Português e o Francês.

Na reportagem, a FFT justifica a surpreendente posição do torneio brazuca no ranking pelo grau de equilíbrio entre os times que brigam pelo título. A contratação de bons veteranos, como Forlán, Seedorf e Luís Fabiano, também ajuda a alavancar a imagem da Série A brasileira.

Para variar, o lado negativo diz respeito à atenção com o torcedor. A revista informa que o sistema de transportes é ruim, há muita insegurança nos estádios e os ingressos custam mais caro do que na Europa. No quesito “qualidade do futebol”, o Brasil também não aparece bem, obtendo apenas nota 4, contra 10 dos três primeiros torneios da lista.

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A CBF anunciou ontem uma novidade que pode dar samba no país do breganejo. Vai criar, ainda neste ano, a Copa do Brasil sub-20. O torneio será realizado entre os meses de outubro e dezembro, com 32 participantes de todo o país. O objetivo é promover e valorizar o trabalho das categorias de base, ajudando a revelar jogadores para as seleções amadoras.

A Copa BR sub-20 deve dar vaga para a Taça Libertadores da categoria, que foi criada no ano passado pela Conmebol. Falta definir como serão escolhidos os times participantes, embora a hipótese mais viável seja o respeito ao ranking do futebol profissional.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 28)