Entre a velocidade e a paciência

Por Gerson Nogueira

Em dissonância com as boas práticas, mas por pura necessidade, o Remo estreia uma zaga inteiramente nova num embate decisivo. Contra o Vilhena, hoje à noite, o técnico Marcelo Veiga se viu obrigado a botar para jogar o estreante Rafael Andrade ao lado de Igor João, que era um reserva meio esquecido no elenco, e Marcelão, zagueiro que disputou apenas uma partida e deixou impressão das mais negativas.

É a aposta no desconhecido que move o treinador remista, que desde que chegou na última sexta-feira já travou contato com a gangorra interna do clube e suas muitas variáveis desconcertantes. Improvisado ou não, o Remo terá que se impor como mandante e arrancar uma vitória que garantirá a primeira colocação no grupo, fugindo pelo menos de início de um indesejado confronto com o Sampaio Corrêa, que ostenta campanha 100% na competição.

Além dos beques que mal se conhecem, Marcelo Veiga terá que superar em 90 minutos a pouca familiaridade que os jogadores têm com o sistema 3-5-2, utilizado somente uma vez (e durante um tempo de jogo) pelo ex-técnico Edson Gaúcho.

O trio de meio-de-campo é bem experiente e não padece do mal do desentrosamento. A provável escalação de André, Edu Chiquita e Laionel pode dar ao time o equilíbrio necessário para armar as investidas de Ratinho e Fábio Oliveira, além de conter o ímpeto dos contragolpes do Vilhena, principal trunfo dos visitantes.

Nas alas, boas apostas para o apoio ao ataque. Dida, pela direita, e o novato Andrezinho pela esquerda podem dar ao Remo uma consistência que o time poucas vezes teve pelas laterais. Caso estivesse a fim de ser mais agressivo, o jogo era sob medida para a ofensividade de Tiago Cametá, deixado de lado no Baenão desde que Flávio Lopes o queimou numa das partidas finais do Parazão.

Com um mínimo de paciência e jogo em velocidade, o Remo tem boas chances de conquistar a vitória tão desejada. A rapidez é uma exigência do futebol moderno, mas a paciência é atributo que não envolve só os jogadores, mas principalmente a torcida, cuja ansiedade nem sempre pode ser controlada.

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Aliás, a expectativa de grande público foi parcialmente desfeita pelo movimento de vendas ontem, quando a diretoria do Remo apostava numa grande procura de ingressos. Os preços são convidativos, R$ 10,00 (arquibancada) e R$ 20,00 (cadeira), mas a desconfiança em relação ao time continua a ter um peso considerável na cabeça do torcedor.

De qualquer maneira, a mobilização nas redes sociais é grande e é possível ainda que o Fenômeno Azul decida invadir o Mangueirão, constituindo-se em reforço fundamental para o time de Marcelo Veiga.

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Em mensagem espirituosa dirigida à coluna, o publicitário Dennis Oliveira desvenda o cenário brumoso do nosso futebol. Sob o título “O óbvio do nosso futebol”, ele conceitua e propõe alguns questionamentos. “Se o time não passa confiança, o torcedor não vai a campo. Sem não vai a campo, o clube não arrecada dinheiro. Sem dinheiro, não tem como contratar um time bom, que vença, empolgue. Sem empolgação nas arquibancadas, o jogador, na cara do gol, joga sem vontade, sem vibração. Ou seja, quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? E agora, como quebrar esse círculo vicioso? O time precisa ter olheiros que saibam descobrir talentos, ao invés de acreditar na lorota de empresários”, analisa.

E acrescenta: “Cadê os campeonatos de pelada? Cadê as novas competições que o governo e a prefeitura poderiam realizar para incentivar a descoberta de novos talentos? Um grande exemplo foi a descoberta do Tiago Potiguar, no fim do mundo do futebol. Jogador que veio barato e que nos últimos anos, provavelmente, é o melhor jogado no nosso futebol”.

Admitindo o risco de parecer óbvio, Dennis receita a fórmula tão conhecida – e desprezada reiteradas vezes. “O time precisa também é investir na base, na molecada, na fome de bola e de fama que essa nova geração tem com o advento do futebol no mundo. Mas isso é chover no molhado. Os pessimistas dizem logo que falta din-din para estrutura profissional. Verdade. Mas esse é um investimento para longo prazo. Enquanto isso, enquanto o clube precisa conquistar títulos, pode-se montar um time de jogadores locais que sempre se destacam. Com um bom técnico, boas revelações da base, talvez pudéssemos fazer um futebol mais doméstico, todavia vencedor. Isso tudo não parece óbvio?”. É, sabe-se bem o que fazer, mas falta a tal vontade por parte dos responsáveis.

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O Remo é o tema de selo personalizado produzido pelos Correios e que será lançado na próxima sexta-feira (31), às 11h, em cerimônia programada para a sede social do clube na avenida Nazaré. Segundo a assessoria do órgão, “os Correios sempre perpetuaram por meio da emissão de selos postais, personalidades, datas e eventos relevantes no contexto das instituições nacionais”.

Cada selo passa a fazer parte do acervo iconográfico, bibliográfico e histórico dos Correios, além de integrar coleções de filatelistas de todo o mundo, eternizando para as gerações futuras todos os fatos e instituições merecedoras de registro histórico. O mesmo deve ocorrer com o selo em homenagem ao Remo, cujo aniversário de reorganização é comemorado em agosto.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 29)

23 comentários em “Entre a velocidade e a paciência

  1. Uma pena, Gerson e amigos, que o Futebol não é só teoria. A prática é mais importante. Muito preocupado com essa formação do Remo. O Remo, não é o Bragantino. Nem a história e muito menos a torcida, se comparam..
    – O torcedor vai ganhar essa classificação para o Remo, se o Vilhena “tremer” no jogo. É, porque por essa escalação..Tudo bem que ele tem 3 desfalques, mas ele tem jogadores no banco que poderiam melhorar esse time.
    – Vou ficar na torcida por uma vitória azulina.
    Vamoooooooooos, Leãoooooooooooo

  2. Amigo Dênnis, assim como muitos amigos meus, que torcem pelo Papão (minha familia, também..) estão muito preocupados com esse time do Paysandu. Eu, mais ainda. Jogo contra o Luverdense é um jogo chave para o Papão. Acredito que, se os jogadores fizerem tudo que o Giva pedir, o Papão sai de Lucas do Rio Verde, com a vitória. Uma pena, apenas, que o Thiago Costa não tenha um substituto e continuará no time..
    – Digo que é um jogo chave, pois o Papão fora do G-4, ganha do Luverdense,fora e do Lanterna, em casa, voltará ao G-4, em 3º, possivelmente e embalará na competição.
    – Estando fora do G-4 e perdendo, mesmo ganhando o lanterna em casa, não conseguirá entrar no G-4 e logo depois, fazendo outra partida fora, as coisas irão se tornando mais difíceis.

    É tudo ou nada pro Papão.

    – Ainda, acredito..

    É a minha opinião.

  3. Concordo com as colocações do Denis Oliveira. Falta no futebol paraense principalmente a humildade para reconhecer que não está mais em condições de contratar técnicos caros e lotear contratações de jogadores que não rendem a altura do investimento. Temos que parar, começar um projeto barato com técnicos e jogadores locais garimpando valores e aperfeiçoá-los. Por quanto vem o Givanildo? Quanto foi o gasto com a rescisão de contrato com EG? É parar pra pensar e se conscientizar que renda de jogos não mantém os clubes e que os tempos mudaram financeiramente. Primeiro passo é acertar em bons presidentes para os clubes, sem isso nada adianta.

  4. Gerson, sigo acreditando que nas circunstâncias é o que o Remo tem de melhor para o jogo, seja no que respeita ao desenho tático, seja no que alude à escalação.

    Mas, para ensaiar uma advocacia diabólica, peço licença para indagar-lhe: caso o técnico resolva alterar o desenho e a escalação, seja de última hora, para iniciar o jogo; seja contingencialmente durante o jogo, com quais alternativas ele conta no banco?

    Quanto aos comentários do Dennis, só vejo um ponto suscetível de controvérsia. Me refiro àquele onde ele fala da torcida. Deveras, creio que a torcida não pode entrar nesta “equação do fracasso”, Afinal, ela tem comparecido em número sempre expressivo, mesmo vindo sendo crescente e permanentemente decepcionada pelos times formados pela dupla RE/PA.

    No mais, agora me reportando especificamente ao Clube do Remo, o que me parece que falta não é exatamente dinheiro. Afinal, só este ano o Clube já teve 4 técnicos de futebol e, segundo levantamento feito na Clube, já contratou um número de jogadores suficiente para formar pelo menos 3 times.

  5. O publicitario Dennis perguntar ”cadê os campeonatos de pelada”? soa ignorancia…o que mais se tem na GRMB é campeonato de pelada….

  6. Amigo, Edmundo, eu sei que existem campeonatos de pelada pelos campos de areia… o que eu quis dizer é sobre campeonatos de “pelada” feitos e organizados pelo governo e os próprios clubes, talvez, especificamente para se descobrir novos talentos. Ou seja, feitos de maneira mais profissional. O que existe, na verdade, são jogos feitos de qualquer maneira, onde no final só o que vale é a cachaça pós-jogo.

  7. É isso ai Edmundo,realmente você tem razão,pois pra quem não sabe a paixão futebolística continua e muito bem mostrada nos bairros de Belém,onde os peladeiros se encontram nos campeonatos de bairros,e enquanto os dirigentes dos clubes e a imprensa evidênciam jogadores pernas de paus que aqui vem somente para nos enganar,bons valores estão se perdendo na perifería onde eles pensam que só tem bandido.Tenho boas recordações de João Adário quando o mesmo fazia cobertura dos campeonatos de paladas na cidade,todos sabem que foram desses campeonatos que surgiram grandes craques para o nosso futebol,hoje pouca gente da imprensa cobre o futebol pelada como ele devería e nenhum dirigente de clube vai aos bairros olhar uma partida de futebol para ver se algum atleta podería dar um bom fruto para seu clube ,e mais, todos lembram que os clubes que disputavam o campeonato paraense (Izabelense , Sport Belém,Tiradendes,Tuna , Pinheirense e etc…) Utilizavam vários jogadores dos campeonatos de bairros e travavam grandes duelos contra Remo e Paissandú.Na verdade só dava os dois ou as vezes a Tuna na final,mas isso porque eles sempre contratavam as revelações dos clubes pequenos,a Tuna que não é pequena perdia grandes atletas para os dois titãns devido ter uma pequena torcida e não conseguia segurar seus jogadores,hoje só quem gosta realmente de futebol sabe oque temos de valores nas partidas de palada,pois sei que quem gosta, vai sempre dar uma espiadinha em uma ou participa da mesma devido a paixão que tem pelo futebol.

  8. Apesar da desorganização por parte dos dirigentes do Clube do Remo, acredito na vitória tranquila hoje.

  9. Denis, vc está certo, mas muitos jogadores saíram justamente dessas peladas que vc diz terminarem sempre em cachaça…eu que apito nos finais de semana ouço de muito coordenador de campeonato que ”fulano” jogou aqui, ”ciclano” jogou ali e ”beltrano” jogou acolá…esses com organização mais profissional como vc diz, os participantes sao ex jogadores que atuam…como aproveitar ? Obs :Manoel Lima, a réplica foi melhor neh ???? rsrsrrssr

  10. E o Edmundo, o nosso especialista em arbitragem hein, está cada vez mais rigoroso ultimamente. Mas, pensando bem …

    Aliás, sem querer polemizar, e sem descartar a ideia proposta pelo Dennis, é de lembrar que desde sempre qualquer competição futebolística tem suas barcas no pós jogo, inclusive as profissionais.

    Com efeito, me parece que não é o “gelo” (ou similar) que rola depois das partidas que vai desqualificar os campeonatos dos bairros e do interior como eventual fornecedor de craques. Até porque há uma parte muito expressiva dos peladeiros que não se permitem ou mesmo não são adeptos desta esticada etílica.

    A propósito, o saudoso Neves, do Clube do Remo, indiscutível craque, egresso dos campeonatos de bairro, não era abstêmio. E, como ele, abstêmio ou nem tanto, existiram muitos no passado e certamente ainda existem muitos atualmente. É só peneirar.

  11. Bem pensado. Primeiro LOP diz que o estádio está sob risco de cair. Depois quer que o torcedor vá arriscar sua vida lá. Mais uma Mancada da semana!

  12. CBF acabou de divulgar os clubes participantes da 1ª Copa do Brasil sub-20, que começará dia 02 de Outubro desse ano. São os 20 times da série A e mais os 12 prmeiros colocados da série B.

    – Corinthians/SP, Vasco/RJ, Flumínense/RJ, Flamengo/RJ, Internacional/RS, Säo Paulo/SP, Figueirense/ SC, Coritiba/PR, Botafogo/RJ, Santos/SP, Palmeiras/SP, Grêmio/RS, Atlético/GO, ABC/RN, Bahia/BA, Atlético/MG, Cruzeiro/MG, Atlético/PR, Ceará/CE, América/MG, Avaí/SC, Portuguesa/SP, Náutico/PE, Ponte Preta/SP, Sport/PE, Vitória/BA, Bragantino/SP, Boa/MG, Americana/SP, Grêmío Barueri/ SP, Goiás/GO, Guarani/SP.

  13. Edmundo, amigo, por favor, não estou querendo polemizar nada. É apenas uma opinião sobre como nossos times poderiam sair dessa vergonha que estão.
    Eu fico demais triste quando vejo que o nosso futebol não está nem inserido em campeonatos sub-20, como essa copa do Brasil da sub-categoria que a CBF criou.
    Não quis falar mal dos campeonatos de pelada que acontecem na nossa Belém. Muito pelo contrário.
    Também não quis ser pejorativo quanto terminarem em cachaça.
    O que quis dizer, e repito, é que acredito que falta um olhar mais profissional para essa galera.
    Tenho absoluta certeza que existem muitos garotos bons de bola que dariam de tudo para vestir os mantos sagrados de Remo e Paysandu. Muito mais que esses que só querem saber de din-din.
    Acredito que se tivéssemos olheiros nesses jogos de bairro, os titãs paraense pinçariam alguns novos talentos.
    Aliás, não só nesses jogos.
    Mas ainda no interior, no futebol argentino, chileno, uruguaio etc.
    Por que o governador ou o prefeito ou alguns deputado, quem sabe, não organiza campeonatos sub-20 com Remo, Paysandu, Tuna, Castanhal junto com sub-20 dos times da Argentina, por exemplo.
    Lembro que já teve um campeonato desses com times de bairro em Belém, só não lembro se foi organizado pela prefeitura.
    Lembro ainda de um torneio feito pela RBA, se não me engano.
    Enfim, ótimo. Deveríamos ter mais, muito mais, ter sempre.
    É isso, amigo, sem mais polêmicas desnecessárias.

  14. O torneio da RBA que vc se refere é a Copa da Juventude, que descobriu os talentos de Adriano Miranda, Seleção da Pedreira, treinada pelo Nivaldo, Moises, Seleçao de Icoaraci, Thiago Cametá, Alcides, e.t.c..ela ainda acontece, mas sem as transmissoes da RBA…aproveito para informar que neste sabado começa uma copa de uma marca de refrigerantes..nela muitos talentos sao descobertos tambem..Obs: eu nao estou polemizando, caro Dennis..rs rs rs..é que de pelada eu entendo…he he he ….

  15. Antonio Oliveira, arbitragem é comigo mesmo…rs rs rs …..que a super quarta termine tranquilo nas series A e D…Ontem no jogo do Joinville e Atletico PR jah tivemos ”problemas” é nova gestao …mas os lapsos fazem parte…neh Gerson??? rsrsrs

  16. Amigo, Edmundo, você é juiz nesses jogos? Final de semana passado, eu assisti a um jogo do campeonato do Grêmio Português – acho que quase master – e o juiz sofreu. Não imaginava que em futebol amador rolava tanto estresse como no profissional.

    Essa sua informação só confirma o que eu penso. Não lembrava o nome desse campeonato “amador”, Copa da Juventude. Tem todo ano? Se não, deveria ter. O Moisés, lembro, foi uma grata surpresa e só enriqueceu o nosso futebol. Pena que ele, hoje, não esteja mais naquela boa forma.

  17. Sem dúvida, Edmundo!
    Relativamente à quarta, amém!
    Dennis, é por este estresse que depois o gelo é impositivo.

  18. Já que o Dennis citou o nome do Tiago Potyguar, no ultimo domingo foi a decisão do campeonato Potyguar da segunda divisão ente o Potyguar de Currais Novos e o Currias Novos esporte clube e o Potyguar sagrou-se campeão da 2ª divisão e ganhou o acesso para a 1ª divisão do RN e a revelação do campeonato foi o garoto de apenas 17 anos Maike do potyguar

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