Pena que pouca gente viu, mas o Paissandu jogou um futebol encantador na sexta-feira à noite, na Curuzu, na vitória por 4 a 3 sobre o Independente Tucuruí. Os 45 minutos iniciais mostraram um time incrivelmente audacioso, veloz e objetivo. Jogou com o descompromisso e a velocidade que a torcida espera há tempos. É provável que tenha sido a melhor apresentação da equipe sob o comando de Roberto Fernandes.
Héliton foi o mais acionado no ataque e não refugou. Reapresentou o velho estilo driblador, partiu para cima dos zagueiros e terminou marcando um golaço. Curiosa a situação de Héliton no Paissandu. No campeonato, era o jogador que entrava para mudar a feição de partidas complicadas. Normalmente, fazia bem seu papel.
Contra o Independente, num amistoso que teve cara de jogo pra valer, Héliton mostrou que pode ser muito útil. Basta que apostem em seu potencial para furar retrancas pelas extremas. Houve um tempo em que o futebol acreditava que esse era o caminho mais fácil para o gol.
Revelado no maior rival, Héliton lembra um pouco alguns atacantes que fizeram história com a camisa alviceleste. Seu talento para a finta (e a finalização) remete a nomes como Alfredinho, Evandro, Careca, Lupercínio.
Na sexta-feira, pode-se dizer que Héliton foi acima de tudo ele mesmo. Sem medo e jogando sempre no rumo do gol. Há muito tempo não era escalado dessa maneira, bem como nunca mais tinha entrado de cara.
Outro que se destacou muito foi Diguinho, seguro e tranqüilo como primeiro volante. Muito melhor que alguns dos titulares do Paissandu na Série C. Ao lado de Sandro, Robinho e Tiago Potiguar formou um quarteto de grande afinação, como se estivesse acostumado a atuar junto. Ainda cabe destaque para a exibição de Diogo Galvão, atuante nas ações de área e com bom posicionamento.
Os idiotas da objetividade irão alegar que era um reles amistoso. Nem tanto. O Independente não veio para brincadeiras, tanto que saiu logo fazendo gol. Usou o time titular e se empenhou em busca da vitória. Como um legítimo campeão estadual. Por isso mesmo, a exibição do Paissandu não pode ser subestimada, nem diminuída. Pelo contrário, passou o atestado de que há vida inteligente no elenco. E isso, se bem trabalhado, pode livrar o torcedor das angústias e sofrimentos das últimas partidas.
De ruim mesmo apenas a estréia do goleiro Vizotto. Nervoso e estabanado, falhou feio no lance do primeiro gol do Independente. Cometeu alguns outros deslizes e foi bem substituído por Dida na etapa final.
Para esclarecer definitivamente as dúvidas quanto à pontuação do grupo A da Série C. Com 11 pontos, não basta ao Paissandu vencer o Araguaína na última rodada para garantir a vaga. Águia (que pega Araguaína e Luverdense) e Rio Branco (que joga com Luverdense e Paissandu) podem ir a 16 pontos e superá-lo. Ao Papão, portanto, resta torcer nesta rodada por Luverdense e Araguaína para ter o caminho facilitado até a classificação.
Pedro Minowa propõe ambiciosa campanha de ajuda ao Remo. Associados teriam que pagar R$ 250,00 mensais pelas cadeiras vips no estádio Baenão. O “Anjo do Oriente” garante já ter 40 compradores certos. Duro será cooptar os demais, tradicionalmente arredios a filantropias pelo clube de coração.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 4)



