Outro que tira graça com Belém…

Reproduzo nota publicada na coluna de Ancelmo Góes, originalmente em O Globo, com traços indisfarçados de preconceito. Coisa de babaca.  

No mais
A presença de Neymar & Cia provocou uma comoção em Belém. A seleção brasileira, a exemplo da Arena no passado e do lulismo no presente, parece fazer mais sucesso nos rincões distantes. Com todo o respeito.

Imagine se o Ancelmo iria gostar que alguém se referisse a Aracaju nesses termos. Esta é a minha opinião, como paraense da gema. Mexeu com isso aqui, mexe comigo. Mas há quem goste desse tipo de presepada, inclusive aqui no blog. Enfim, cada um dá o que tem…

Protesto de peito aberto

Integrantes do grupo feminista Femen fizeram um ruidoso protesto nesta terça-feira, mostrando os seios em frente ao estádio Olímpico de Kiev, na Ucrânia, exigindo combate à prostituição durante a realização da Euro-2012, que será sediada em conjunto por ucranianos e poloneses. A manifestação, que também pede a fiscalização contra a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a competição, acontece um dia depois de o presidente da Uefa, o francês Michel Platini, chegar à Ucrânia. Quatro participantes do ato acabaram detidas pela polícia local. “O Femen pede à Uefa para que inicie uma campanha para os torcedores de futebol sobre ser inadmissível o turismo sexual e o apoio à indústria do sexo. Além disso, solicita às autoridades ucranianas para que criminalizem a vinda de prostitutas ao país”, diz o texto divulgado pelo Femen. (Foto: Reuters)

O blog, como manda a tradição, dá o maior apoio às manifestações desnudas.

Josiel pede desculpas pelas declarações

Diante da repercussão do episódio, o atacante Josiel se desculpou com os paraenses em entrevista na manhã desta terça-feira, na Curuzu. Disse, também, que suas palavras na matéria do UOL Esporte foram mal interpretadas. Josiel disse, ao repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube, que não teve a intenção de ofender os moradores de Belém ao afirmar que já morou “em cidades melhores”. Segundo ele, tudo não passou de um mal-entendido. “Houve, na verdade, um baita de um mal-entendido”, disse o jogador.

Melhor assim. Belém não é perfeita, tem mil problemas, mas merece respeito. 

Remo confirma homenagem a Teixeira

Por Bruno Freitas (UOL Esporte)

Afundado em problemas financeiros e em má fase esportiva, ausente da disputa do Brasileiro mesmo em seu patamar mais baixo na Série D, o Clube do Remo planeja uma homenagem ao presidente da CBF Ricardo Teixeira antes do amistoso de quarta-feira em Belém entre Brasil e Argentina. O agrado deverá acontecer em forma de uma carta de apoio incondicional. O afago da gestão do presidente Sérgio Cabeça serve para agradar a CBF, que recentemente ajudou o clube paraense com um empréstimo – realizado na administração anterior, de Amaro Klautau. O negócio de R$ 1 milhão ainda não teria sido quitado pelos paraenses, que receberam a primeira parcela de R$ 400 mil.

De quebra, o ato de carta maneira ajuda o presidente da CBF a confrontar a imagem recente nos estádios, marcada por protestos de um movimento denominado “Fora Teixeira”, que contesta a atuação do cartola na gestão da organização brasileira na Copa de 2014.

O UOL Esporte tentou entrar em contato com o presidente Sérgio Cabeça em Belém para tratar da natureza da homenagem, mas o dirigente não foi encontrado na sede do clube e não retornou as mensagens deixadas em seu gabinete. No entanto, a reportagem obteve a confirmação do ato pró-Teixeira. O Remo atravessa um momento delicado em sua vida esportiva. Neste ano, ficou de fora do Estadual, decidido entre Independente e Paysandu. A popular equipe paraense também não conseguiu a classificação para a Série D do Brasileirão e, no segundo semestre, se mantém em atividade com amistosos esporádicos.

Te contar… a sabujice não tem limites.

Para a Folha de SP, amistoso é “migalha” da CBF

Por Martín Fernandez (Folha de S. Paulo)

Brasil e Argentina se enfrentam amanhã à noite, com seleções de atletas locais, em um dos palcos mais abandonados do futebol brasileiro. O jogo vale a simbólica taça Superclássico das Américas, reedição da Copa Roca, disputada entre 1914 e 1976. Para o público local, uma rara oportunidade de ver a elite do futebol brasileiro de perto ainda que sem os atletas que atuam na Europa. Ontem, cerca de 25 mil pessoas pagaram um quilo de alimento não perecível para ver a seleção fazer um treino leve. Houve gritaria dos fãs cada vez que Neymar e Ronaldinho tocavam na bola.

O pouco uso do Mangueirão, palco da partida de amanhã com capacidade para 65 mil pessoas, é um retrato do que ocorre no futebol com o Norte do país em geral e com o Pará em particular. A região é a única do Brasil a não ter clubes nas Séries A e B do Brasileiro de 2011. Não tem um representante na primeira divisão desde 2005, quando o Paysandu foi rebaixado. Não vê um clássico estadual na elite desde 1994, quando Remo e Paysandu jogaram juntos entre os melhores do país pela última vez.

O retrospecto na Copa do Brasil também é ruim. O melhor resultado foi do Remo, em 1991, quando o time chegou às semifinais. É longa a má fase dos maiores clubes do Pará. O Paysandu tenta voltar à Série B em 2012, o Remo não conseguiu vaga nem na Série D e só volta a jogar no ano que vem, pelo Paraense. Tal situação levou os clubes a abandonar o Mangueirão, considerado caro a manutenção da arena custa cerca de R$ 100 mil por mês.

Em 2011, o estádio só encheu para um evento de uma igreja evangélica. Deve encher de novo amanhã, e só voltará a abrigar jogos de futebol no ano que vem. A escolha por Belém se deu para compensar o fato de ela ter sido excluída da Copa-14 Manaus, com menos tradição no futebol, será a sede amazônica do Mundial. A cidade tenta agora se transformar em anfitriã dos treinos de alguma seleção durante a Copa a ser no país.

A turnê da compensação para as cidades excluídas da Copa já passou por Goiânia, onde a seleção empatou (0 a 0) com a Holanda, em junho. E, a partir do ano que vem, deve passar por outras cidades em situação semelhante, como Florianópolis, Vitória, Cuiabá e Rio Branco. Para receber o duelo entre Brasil e Argentina, o governo do Pará gastou R$ 2 milhões em reformas no estádio, inaugurado em 1978 e reformado pela primeira vez em 2002.

Tribuna do torcedor

Por Leonardo Redig (leoredig@hotmail.com) 

Venho através desse e-mail mostrar que como eu, torcedor que vai apenas para incentivar o Paysandu, sofreu as conseqüências desse jogo. Meu carro levou pedradas, teve o vidro quebrado e a lataria arranhada. Fiquei preso num estabelecimento sem poder sair, pois não havia condições alguma. O mais triste de tudo isso foi, um torcedor que veio de São Paulo e que mora em Belém há pouco tempo, foi comprar o ingresso para ir ao estádio com seu filho, que desde que chegou a Belém, gostou muito do Paysandu.  Ficou preso junto comigo e mais alguns torcedores. Sua resposta pra tudo isso? – Nunca mais venho a um jogo de futebol aqui em Belém, não quero que meu filho seja uma vítima da violência. Fiquei sem reação e sem explicação perante a esse torcedor. Torço muito para que essa violência acabe o mais rápido possível e que a paz prevaleça nos estádios.

Série C: dois bicolores na seleção da rodada

Rafael Oliveira e Márcio Santos, do Paissandu, estão na seleção da primeira rodada da segunda fase do Brasileiro da Série C. A relação conta com um time fechado, com destaque para os jogadores de Brasiliense e Chapecoense, que protagonizaram uma bela partida na tarde da última segunda-feira e compõem metade dos 12 indicados – 11 jogadores e um treinador – à seleção FI da Rodada, elaborada pela equipe da Agência Futebol Interior. A seleção da Série C está assim escalada: Rafael Córdova (Rio Branco-AC); Eduardo (Joinville), Pedro Paulo (Joinville), Marcio Santos (Paissandu) e Aelson (Chapecoense); Ferrugem (Brasiliense), Geovani (CRB-AL), Fabiano Gadelha (Brasiliense) e Diogo Oliveira (Chapecoense); Neílson (Chapecoense) e Rafael Oliveira (Paissandu). Técnico: Argel Fucks (Brasiliense). (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Coluna: A capital do futebol

Pelos próximos dois dias Belém será a capital brasileira do futebol. Nós, que conhecemos bem esta terra, sabemos que o título lhe cai bem. Aliás, poucas cidades fazem tanto por merecer a designação. Respira-se aqui futebol em todos os cantos e recantos.
Além da paixão tribal por Remo e Paissandu, o paraense discute e vivencia o futebol como poucos no Brasil. Não apenas por rivalidade clubística, mas por sincero amor pelo esporte. Por isso, poucas dores foram tão pungentes do que a exclusão da lista de cidades-sede da Copa-2014.
Ao contrário dos que menosprezam o amistoso com a Argentina, a maioria da população torcedora entende o evento como boa oportunidade para mostrar a todos – inclusive à Fifa – que Belém merecia a escolha. Penso ligeiramente diferente e, sem exagero, acho que a Copa-2014 merecia ter Belém como uma de suas praças. 
Da última vez que a Seleção passou por aqui, em 2005, nas Eliminatórias à Copa da Alemanha, com os Ronaldos em grande forma e Adriano arrebentando, a exibição foi irretocável. Belém, porém, arcou com o ônus dos terríveis tumultos ocorridos no acesso ao treino do escrete. 
Autoridades, desportistas e população têm a obrigação de receber a Seleção com a hospitalidade que tornou o Pará famoso no país inteiro. E que essa civilidade se estenda à organização do jogo. Afinal, a cidade já é candidata a outro grande torneio de futebol: a Copa América 2015.
 
 
Houve quem estranhasse a tietagem em torno de Neymar. Apareceu até gente criticando o assédio. Bobagem. O futebol, como qualquer manifestação popular, produz sempre esse tipo de fã. Algo que remete à adoração pelos astros da cultura pop. Neymar é jovem, lança moda e é craque. Ingredientes irresistíveis para o público adolescente. 
 
 
Faz tempo que defendo a extinção das “torcidas organizadas” por uma razão bem simples: o futebol, manifestação popular por excelência, não pode ficar à mercê de atos de banditismo. Os verdadeiros torcedores devem ser preservados da barbárie e da insegurança. Deixemos de ilusão: as gangues que agem fora e dentro dos estádios não são formadas por fãs de futebol, mas por baderneiros, que marcam brigas pela internet e costumam passar partidas inteiras cantando hinos de guerra.
Nunca vi esse falso torcedor envolvido em ações positivas, esforçando-se pela paz e contribuindo para a recuperação do nosso futebol. Ao contrário, seus atos de selvageria ajudam a consolidar injustamente uma imagem negativa do Estado lá fora. Por que injusto? Porque o torcedor de verdade é pacífico, ordeiro e vai a estádios para incentivar seu clube, jamais para brigar, assaltar ou matar.
Moral da história: a batalha insana entre hordas de delinquentes, que também chegou às arquibancadas da Curuzu, domingo, pode resultar em punição para o Paissandu. Daí minha convicção de que os “organizados” não têm paixão clubística, apenas uma causa: a violência pela violência.
 
 
Direto do Twitter
 
De André Cavalcante, advogado e desportista:
 
“A segurança nos estádios melhoraria apenas pondo em prática o que a lei já determina. Baderneiros já indiciados tinham que ser liminarmente impedidos de ir aos estádios até o fim do processo. A cada jogo teriam que se apresentar na delegacia em que foi registrado o BOP”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 27)