Torcedores invadem treino para cobrar raça

Integrantes de uma extinta facção organizada da torcida do Paissandu invadiram o gramado dao estádio da Curuzu, na tarde desta quinta-feira, cobrando “raça e empenho” dos jogadores. No momento da manifestação, o técnico Edson Gaúcho comandava o  treino coletivo e mostrou-se visivelmente incomodado com a movimentação dos torcedores, que inicialmente só faziam protestos nas arquibancadas, com faixas, gritos e muita batucada.

Com a barulheira, Gaúcho interrompeu  o treino e mandou que parte do elenco descesse para os vestiários. Minutos depois, já nos exercícios de chutes a gol, com Alexandre Fávaro, Rafael Oliveira e Luciano Henrique, cerca de 30 torcedores entraram no campo exigindo vitória no domingo e cobrando “sangue” dos jogadores. Irritado, o técnico chegou a tentar tirar de campo um dos integrantes da torcida pelo braço. Depois de rápida discussão, os ânimos foram acalmados e os torcedores se retiraram.

O time titular treinou com Fávaro; Sidny, Leandro Camilo, Márcio Santos e Fábio Gaúcho; Daniel, Sandro, Luciano Henrique e Juliano; Josiel e Rafael Oliveira. Daniel substituiu Vânderson, Juliano entrou no lugar de Robinho e Josiel ocupou posição no ataque na vaga de Héliton, que até quarta-feira era escalado como titular. (Com informações de Syanne Neno/DOL e da Rádio Clube – Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)  

Globo adula cartolas para festejar contrato

A Globo não economiza na hora de adoçar a boca de cartola deslumbrado. A emissora promoverá um evento no Rio de Janeiro para comemorar sua parceria com os presidentes dos clubes, após ter driblado o Clube dos 13 e adquirido os direitos de TV do Brasileiro (2012 a 2015). De acordo com a coluna, a emissora enviou convite para 18 mandatários e se dispôs a pagar as passagens aéreas e a hospedagem no Copacabana Palace para os cartolas e mais um acompanhante nos dias 22 e 23 de setembro. Entre outros eventos, vão conhecer até o Projac, onde são gravadas as novelas, entre outros programas. No primeiro dia, será servido um jantar de confraternização entre os presidentes dos clubes. No segundo dia, está prevista uma visita aos estúdios da Globo e um encontro com o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho. (Da Folha de S. Paulo)

Mais uma lambança da CBF

Eram 25 minutos do 1º tempo, e o Bragantino já vencia o Náutico por 1 a 0 quando Lincoln, aparentemente em posição de impedimento, ampliou o placar a favor dos paulistas. O lance gerou reclamação dos pernambucanos, que se sentiram prejudicados, após o jogo em Bragança Paulista. Os protestos poderiam ter esfriado ontem, dia seguinte à partida válida pela 23ª rodada da Série B, não fosse a revelação, feita num blog de torcedores alvirrubros, de que a bandeirinha que validou o segundo gol do Bragantino, Márcia Bezerra Lopes Caetano, é irmã de Júnior Lopes, titular da zaga do time do interior de São Paulo. Ambos são filhos de Lourival Domingos Lopes, ex-árbitro, mas de mães diferentes. A informação, até então desconhecida pelo Náutico, irritou a direção do clube, que, com a derrota, caiu para a terceira posição. “É um absurdo uma bandeira trabalhar em uma partida em que o irmão está diretamente envolvido”, afirmou o presidente do Náutico, Berillo Albuquerque, que fará protesto formal na CBF.

Apesar da revolta do Náutico, não há impedimento legal para a escalação de Márcia nos jogos de seu irmão. “O regulamento não impede. Juridicamente, não há nada”, afirmou o diretor jurídico da Anaf, Giulliano Bozzano. Não foi a primeira vez que Márcia bandeirou uma partida em que Júnior Lopes esteve em campo. No ano passado, a auxiliar fez parte do trio que apitou a goleada do Bragantino sobre o Brasiliense, em Brasília, por 4 a 0, também na Série B. O zagueiro fez um dos gols do seu time. (Da Folha de S. Paulo)

Tribuna do torcedor

Por Daniel Malcher (malcher78@yahoo.com.br)

Entra ano, sai ano, e a questão que se impõe a nós torcedores e à imprensa esportiva do Pará a cada insucesso de nossos clubes de futebol é: qual o modelo, a fórmula ou o passe de mágica necessário para que nossos times tenham sucesso nas divisões inferiores do Campeonato Brasileiro de Futebol? “Planejamento” – palavra banalizada pelos pseudo-teóricos do futebol por sua utilização corriqueira para explicar derrotas ou vitórias –, “time e treinador de Série B” com jogadores e comissão técnica de alto custo, treinadores regionais e que “conhecem nossa realidade”, sorte ou mesmo mágica não respondem – e tampouco responderam –
tal questionamento. Por outro lado, a incompetência administrativa, o provincianismo, os egos inflados e uma total ausência de coerência dos gestores e que via de regra separa por uma linha tênue o exato momento de agir da simples e ignóbil omissão respondem por uma certeza: a do fracasso iminente.
LOP recentemente tirou um coelho da cartola para tentar debelar o caos que se instalou na Curuzú após o revés na terra dos seringais, e tal sacada abalou as estruturas de sepulcros e tumbas egípcias, tamanha a obra de ressurreição: a contratação de Édson Gaúcho, treinador que por aqui esteve em 2009.
Não sou fã dos métodos, das abordagens e da filosofia de trabalho do treinador gaúcho. Embora tenha um perfil disciplinador, seus times, a meu ver, são mal treinados – como a maioria das equipes brasileiras, mesmo as que postulam na atual Série A, diga-se – e o treinador é mais um dos acometidos pelo “Mal de Caçarola”, ou seja, a popular “panelinha” ou “panelada”, privilegiando jogadores indicados por ele ao invés de jogadores que atravessam melhor fase técnica (ou alguém aqui esqueceu que o dito treinador privilegiava bondes como a dupla de zaga Roni e Luciano e descartava o melhor zagueiro do elenco, o ótimo Rogério Corrêa, egresso do Remo?).
Assim, podemos dizer que a diferença básica entre o embromador Roberto Fernandes e o turrão Édson Gaúcho são suas condutas fora de campo: se Fernandes é um bom orador, um autêntico relações públicas de fala compassada e convicções firmes e aparentemente coerentes e convincentes – mas suas escalações e preferências desmentiram tal aparência –, Gaúcho é o sargentão no melhor estilo cavalo de polícia, célebre por suas patacoadas contra torcedores, imprensa, diretores, jogadores ou qualquer um que atravesse seu caminho num dia de mau humor elevado mesmo num belo e ensolarado dia de verão.
Mesmo tendo que ser condescendente com o bombeiro da ocasião caso um revés se cristalize no domingo vindouro, afinal, Gaúcho não terá culpa de nada ou no mínimo será o menor dos alvejados pelos estilhaços da granada, sua contratação para salvar a nau é um indicação clara e irrefutável de que nossos dirigentes entraram num círculo vicioso e de extrema falta de criatividade e idéias. Édson Gaúcho é tão ou mais limitado que Roberto Fernandes. Conceder a Gaúcho a condução de um “projeto” – outra das inúmeras palavras desgastadas pelo corolário futebolístico local – para 2012 soa como acinte às cabeças pensantes ou, para ser mais suave na crítica, a repetição irresponsável de erros do passado e do presente. E a indagação que faço no início deste texto e que aflige a nós torcedores, imprensa e aficcionados em geral permanece sem reposta. No entanto, episódios como o sorteio de passagens aéreas em Rio Branco, os altos salários – embora alguns não sendo pagos – a jogadores improdutivos e sem a mínima estratégia de captação de recursos e dependente de bilheteria assim como a ausência de dirigentes no aeroporto da capital acreana para resolver o imbróglio das passagens aéreas para a equipe e comissão técnica reforçam a assertiva relacionada ao insucesso.
Futebol paraense… o fim se avizinha, pois já estamos além do fim do poço. Acho até que o nosso futebol foi o primeiro a conhecer e a andar pelas bandas do pré-sal.

Papão sonha em obter vaga via tapetão

Por haver descumprido uma das regras do Brasileiro da Série C, o Rio Branco (AC) será julgado nesta quinta-feira, às 13h, pelo STJD, no Rio de Janeiro (RJ). O clube acreano corre o risco de ser eliminado da competição, hipótese que poderia beneficiar diretamente o Paissandu. Em função do interesse no caso, o diretor de futebol do Papão, Izomar Souza, e dois advogados estão no Rio para acompanhar de perto o julgamento do Estrelão. Em campo, o Rio Branco se classificou antecipadamente à segunda fase da Terceirona.

O clube será julgado por ter acionado a Justiça comum, recorrendo de decisão que determinava a interdição do estádio Arena da Floresta. Segundo o artigo 231 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, um clube só pode pleitear qualquer causa na Justiça comum após ter esgotado todas as instâncias da Justiça Desportiva.

Lambreta de Damião salva pelada em Córdoba

Fazia tempo que Brasil e Argentina não faziam um jogo tão ruim. Times desentrosados, poucas chances de gol e quase nenhuma iniciativa individual digna de nota. A exceção foi a lambreta (ou avião) de Leandro Damião sobre o beque Papa, aos 31 minutos do segundo tempo. Na sequência, o camisa 9 mandou a bola no poste direito da Argentina. Em partida tão pobre tecnicamente, o ousado lance do atacante colorado arrancou aplausos até da torcida argentina no estádio Mario Kempes, em Córdoba. Apesar disso, a Seleção Brasileira ficou devendo. Com craques como Neymar e Ronaldinho Gaúcho, tinha a obrigação de ser mais audaciosa, pelo menos. Que o segundo jogo, daqui a duas semanas em Belém, tenha um Brasil pelo menos mais a fim de jogo.

Coluna: Sinais de um bom começo

A semana mais importante para o Paissandu na Série C continua conturbada. Problemas, reais ou criados artificialmente, insistem em desviar a atenção do assunto que realmente interessa: o jogo contra o Araguaína e a disputa com Águia e Luverdense pela classificação à próxima fase.
Ao torcedor, a essa altura do pagode, pouco importa se a atual diretoria é um desastre em gestão, se deveria ter havido troca de técnicos ou se o clube acertou em abortar (por falta de dinheiro) a dispensa de sete jogadores. Prevalece neste momento a ansiedade pelo confronto decisivo, bem como a curiosidade sobre o time a ser montado por Edson Gaúcho. Acontece que o começo de trabalho do novo treinador já está comprometido pelas desconfianças na relação entre clube (empregador) e jogadores (empregados).
Exatamente como nos anos anteriores, quando o time teve pela frente confrontos com Icasa (2009) e Salgueiro (2010). Nem a lembrança das situações aflitivas vividas nessas ocasiões parece ter proporcionado alguma lição aos dirigentes. Os mesmos erros foram repetidos e, incrivelmente, outros foram acrescentados.
Das mazelas antigas, o mais sério é o atraso de salários, capaz de sabotar qualquer projeto. No cruzamento contra o Icasa, divulgou-se depois que alguns jogadores teriam feito “corpo mole” porque não tinham recebido o pagamento prometido.
Contra o Salgueiro, houve o episódio que envolveu Sandro, que teria peitado o presidente por gratificação maior pela classificação e para que renovasse seu contrato antes do embate. A crise se alastrou no elenco causando efeitos danosos, como se veria depois.
Agora, pela terceira vez seguida, a falta de pagamento volta a assombrar o elenco. Informações seguras indicam que mais da metade do grupo não recebe há três meses. Ironicamente, os reforços mais recentes estão rigorosamente em dia, mas os da casa e os primeiros contratados estão no prejuízo.
Obviamente, ninguém se sente motivado sem receber salários. Pior: há sempre a possibilidade de motim a bordo, pois alguns jogadores ameaçam não entrar em campo domingo caso não consigam ver a cor do dinheiro. Por sinal, são os mesmos que se rebelaram antes da viagem para Rio Branco, insatisfeitos com a falta de palavra dos dirigentes.
Nem precisa ser pitonisa para saber que essa combinação – salários atrasados + jogadores aborrecidos – dificilmente resulta em boa coisa.   
 
 
É compreensível que a torcida esteja olhando para Edson Gaúcho como o salvador da pátria. A diretoria pretendia exatamente criar esse sentimento na galera, a fim de resgatar a auto-estima abalada pelos últimos acontecimentos. O técnico parece até estimular esse sentimento, mas também emite sinais de que mudou (para melhor) seu discurso da época da primeira passagem por aqui.
Disse à Rádio Clube que é inadmissível a importação em massa de jogadores, alvejando principalmente os técnicos que vêm e vão sem assumir suas responsabilidades pelos prejuízos causados ao clube. Nem parece aquele Gaúcho da primeira vez, que preferia atribuir culpa a tudo e a todos. De quebra, elogiou muito Rafael Oliveira, com quem teve problemas anteriormente. Sem dúvida, um bom começo.
 
 
Alexandre Fávaro; Sidny, Leandro Camilo, Márcio Santos e Fábio; Vanderson, Sandro, Robinho e Luciano Henrique; Rafael Oliveira e Héliton. Se nada de excepcional ocorrer até sexta-feira, esta é a escalação desenhada por Gaúcho para a decisão na Curuzu.
 
 
Em decisão das mais sensatas, a assessoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB) cancelou ontem a promoção para sorteio no Twitter de dois ingressos para o jogo Brasil x Argentina, no dia 28. Melhor assim. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 15)