Atraso salarial gera insatisfação na Curuzu

Josiel e Alexandre Fávaro devem voltar a treinar nesta quinta-feira, na Curuzu, depois de terem interrompido os trabalhos até que a diretoria pagasse seus salários em atraso. A diretoria entrou em ação e debelou o princípio de crise no elenco. No caso de Fávaro, há também atraso nas parcelas do acordo trabalhista firmado pelo clube. O presidente do Paissandu, Luiz Omar Pinheiro, está no Rio a trabalho e deve voltar a Belém até sexta-feira.

Momentos inglórios de um goleiro recordista

Do Blog do Perrone

A histórica milésima partida de Rogério pelo São Paulo, nesta quarta, virou tema de conversas entre cartolas corintianos. Eles relembram o dia em que o ídolo são-paulino foi oferecido ao clube por um empresário que dizia representá-lo, em 2001. Há dez anos, Rogério enfrentava a maior crise de sua carreira e estava com um pé fora do São Paulo. A saída seria pela porta dos fundos. Tinha sido suspenso pela própria diretoria após se desentender com Paulo Amaral, presidente do clube, depois de alegar uma suposta proposta do Arsenal, interpretada como uma forma de pressão por um aumento.

No mesmo momento, os corintianos procuravam um goleiro experiente. Ficaram surpresos com a oferta, mas descartaram a contratação, pois tinham um plano mais ousado: tirar Marcos do Palmeiras. Seu contrato estava chegando ao fim. O projeto não evoluiu. Pouco depois da sondagem, a notícia chegou aos jornais. Antonio Roque Citadini, vice de futebol corintiano, apagou o incêndio negando o interesse em entrevista. Rogério também sempre negou ter autorizado alguém a procurar o alvinegro.

Na ocasião, o imbróglio entre Rogério e a diretoria teve dimensão de escândalo. Os valores da suposta oferta do Arsenal foram apresentados num relatório em papel timbrado da Tango Marketing e Esportes, empresa que ainda não existia. Seria criada, segundo declarou na oportunidade Álvaro Reis Cerdeira, dono da Tango Instrumentos Musicais e amigo de Rogério. Ele sustentou que uma oferta oficial do time inglês foi feita por meio de dois empresários. Um deles, Arion Bueno Oliveira Júnior, negou representar a equipe estrangeira e disse que os números colocados no documento tinham sido falados informalmente numa conversa sobre quanto o Arsenal pagaria a um goleiro. Negou existir uma proposta, o que o próprio clube fez depois por fax.

O caso caiu no esquecimento. Assim como o flerte com o Corinthians. Prova de uma imunidade rara dada pela torcida a Rogério. Não me lembro de outro jogador que tenha seus deslizes apagados da memória pelos torcedores dessa forma. Certamente, os são-paulinos não se arrependeram da chance dada ao goleiro de seguir no clube sua história, escrita mais com glórias do que vexames.

A frase do dia

“Perdemos o nosso grande trunfo: o tempo para organizar a competição. As autoridades sabiam que a Copa aconteceria aqui há muitos anos (desde 2007). E nada foi feito. O atraso é incompreensível. Os gastos são absurdos. Sinto nos políticos que comandam o esporte no Brasil em relação à Copa uma velha característica. Estranhamente, todos estão preocupados com as obras. Construir enormes e caríssimos estádios. Estamos perdendo uma enorme oportunidade com a Copa do Mundo. Poderíamos desenvolver de verdade o esporte nas escolas. Fazer com que as crianças tenham acesso de verdade a todo tipo de esporte. Para a saúde, educação, integração social. Acabar com a embromação das aulas semanais de Educação Física nas escolas. Aproveitar a euforia que a Copa provoca nas pessoas”.

De Lars Grael, ex-velejador e medalhista olímpico.

Dr. Sócrates está em coma induzido

Do Folhaonline

É grave o estado de saúde do ex-jogador Sócrates, 57, internado depois de intensa hemorragia digestiva na madrugada de segunda-feira. A hemorragia foi causada por um aumento de pressão sanguínea na veia porta, que drena sangue para o fígado. A crise ocorreu nove dias após Sócrates, ídolo corintiano e capitão da seleção na Copa de 1982, ter recebido alta de uma internação causada pelo mesmo problema. Um boletim médico divulgado na manhã de terça-feira informou que Sócrates foi submetido a tratamento com remédios e radiologia para estancar o sangramento.

Ele passou o dia na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em coma induzido e respirando com ajuda de aparelhos. Foi medicado para manter a pressão arterial estável. Familiares e amigos compareceram ao Albert Einstein. Raí, o irmão caçula, apareceu de manhã. Kátia Bagnarelli, mulher de Sócrates, esteve durante o dia no hospital. Amigo do ex-jogador, o jornalista e colunista da Folha Juca Kfouri escreveu em seu blog que Sócrates “esteve perdendo o jogo de sua vida por alarmante goleada…mas a reação aconteceu”.

Força, Doutor!

Turma do Bate-Papo invade a Feira do Livro

A tradicional Turma do Bate-Papo foi transmitida, excepcionalmente, do estande do DIÁRIO DO PARÁ na Feira do Livro, na noite desta terça-feira, no Hangar. Com apresentação de Valmir Rodrigues e presenças de Abelha, Paulo Caxiado, Dinho Menezes e Rui Guimarães, a atração da campeoníssima Rádio Clube do Pará foi prestigiada também por Guilherme Guerreiro, coordenador de Esportes da Clube; Giuseppe Tomaso e este escriba. O programa recebeu ainda os jogadores Diguinho (Paissandu) e Reis (Remo) como convidados especiais. O futebol paraense, com ênfase na disputa da Série C, foi o tema principal dos debates e entrevistas que atraíram a atenção dos frequentadores da feira e fãs da Clube. (Fotos: MARCO SANTOS/Diário)

Coluna: Um time em busca de arrumação

Reina quase unanimidade entre torcedores e cronistas esportivos quanto à necessidade de escalação do trio Tiago Potiguar, Robinho e Héliton para o jogo decisivo do Paissandu em Rio Branco, domingo. Aliás, normalmente contraditória quanto às preferências, a torcida desta vez parece saber exatamente o que quer.
No fim das contas, esse posicionamento da massa torcedora é até natural e tem origem na constatação de que o time não consegue envolver seus adversários na Série C. É uma dificuldade crônica, que se evidencia em todos os jogos disputados pelo Paissandu na competição.
Claro que a receita ideal para adicionar capacidade técnica a uma equipe passa pela estrutura de criação no meio-campo. Na configuração atual, priorizando a marcação, o Paissandu é incapaz de construir uma boa sequência de jogadas. Com isso, é facilmente anulado por qualquer oponente. Não por acaso, todos os seus jogos tiveram escores magros, confirmando a timidez ofensiva.
Logo na estréia, apesar do excelente resultado (1 a 0 diante do Araguaína, fora de casa), a equipe apresentou sérios problemas na articulação, apesar de boa desenvoltura no ataque.
Diante da torcida, no Mangueirão, contra o Rio Branco, um tropeço provocado pela verdadeira barafunda tática e o baixo rendimento de alguns jogadores – Tiago Potiguar e Fábio, principalmente. A vitória, dada como favas contadas, derivou para um empate frustrante.
Depois, veio o Águia e o triunfo caiu do céu, aos 48 do segundo tempo, em jogada de bate-rebate na área marabaense. Cabe lembrar que, ao longo do segundo tempo, o visitante esteve sempre mais perto de marcar o segundo gol, vacilando apenas no instante final. Potiguar jogou um primeiro tempo quase impecável, mas foi sacado no intervalo.
Contra o Luverdense, em Lucas do Rio Verde, o time se perdeu nas confusões de um 3-5-2 não treinado. Fez o primeiro gol, mas cedeu o empate. Os melhores momentos coincidiram com a entrada de Potiguar.
Em Marabá, contra o Águia, aconteceu a única derrota, embora o revés já tivesse se desenhado nas rodadas anteriores. Coincidência ou não, o time subiu de produção novamente quando Potiguar (autor do gol alviceleste) entrou.
O sufoco entrou em campo novamente diante do Luverdense, na Curuzu, quando o gol saiu aos 30 minutos do segundo tempo em jogada fortuita e imediatamente posterior a um ataque fulminante do visitante, salvo por milagre pelo competente Fávaro.
Esse quadro de aperreios no campeonato sinaliza para um embate encarniçado na Arena da Floresta, em circunstâncias agravadas pela necessidade que o dono da casa tem de vencer a partida. O desenho de time esboçado até agora por Roberto Fernandes não poderia ser mais preocupante: um 3-5-2, com uma aglomeração de volantes (Pontes, Charles e Diguinho), apenas um meia (provavelmente Luciano Henrique) e dois atacantes, entre os quais o imexível Josiel. Algo precisa acontecer na semana de treinos para que o Paissandu não se atrapalhe já na escalação.
 
 
O Luverdense, que ainda tem chances matemáticas de classificação, parece já estar enrolando a bandeira: anunciou ontem a dispensa de quatro jogadores, entre os quais o bom zagueiro Bolacha. Notícia que soa como música aos ouvidos do Águia e aumenta a preocupação alviceleste.
 
 
 
Direto do blog
 
“Quando hors-concours, Paulo Henrique Ganso não sofria de mau-olhado. Era a preferência nacional e ninguém se preocupava com ‘vibrações’ que pudessem embaraçá-lo. Se os ‘banhos’ do Ver-o-Peso resolvessem, nossos clubes estariam numa boa e aí mandaríamos uma boa receita para o Ganso”.
 
De Tavernard Neves, cronista dos bons, desmontando a tese da uruca em torno do nosso PHG.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 7)