Tribuna do torcedor

Por Walmiglisson Ribeiro da Silva (wall_rsilva@hotmail.com) (*)

Dirijo-me a você no sentido de externar toda a minha insatisfação com os preços praticados no interior do Estádio Olímpico do Pará, a quando da partida Brasil x Argentina. Veja alguns exemplos: água mineral de 500 ml: R$ 6,00 (nos melhores supermercados da cidade, mesmo com a margem de lucro do comerciante, eu pago menos de R$ 5,00 em um garrafão de 5 litros); pacote de rosquinhas: R$ R$ 5,00 (fora do estádio comprei o mesmo produto por R$ 1,00); refrigerante, lata de 350 ml: R$ 4,00 (fora do estádio, R$ 2,00). E por aí vai… Meu questionamento se dá pelo fato de entender (a menos que esteja errado) que todos os ambulantes que atuam nas dependências do referido estádio têm concessão (onerosa ou gratuita) da SEEL, ou atuam para a mesma, e está completamente apartado de considerações sobre a renda ou situação econômica daqueles que estavam no estádio, visto que o futebol é e sempre foi o esporte do povo. Por se tratar de um estádio mantido por uma Secretaria de Governo, que por sua vez é mantida com o dinheiro público, ou seja, do torcedor, é evidente que algo precisa ser feito no sentido de coibir este verdadeiro furto contra o povo que aprecia estes eventos, pois isto é oportunismo. Tenho certeza que não praticarão os mesmos preços nos jogos do PSC na Série C, por exemplo. Conto com a ajuda dos Sr.s para que as sejam dados esclarecimentos sobre o tema, por quem de direito, sempre com vistas a resguardar o direito daquele que é a grande estrela do nosso esporte, o torcedor. Abraço…

(*) Walmiglisson é bacharel em Direito (UFPA) / assessor e consultor jurídico

Que beleza! Um campeonato só para juízes federais

Do Blog do Juca

Em reportagem de Marcelo Auler, o diário “Lance!” de hoje revela que a CBF está patrocinando um torneio de futebol entre juízes federais espalhados pelo país na Granja Comary, com tudo pago pela entidade. A reportagem mostra um e-mail de um juiz federal, Wilson Witzel, que é diretor de esportes da AJUFE (Associação dos Juízes Federais) convidando seus pares para o evento que será realizado nos dias 11, 12 e 13 de novembro. Witzel está lotado na 2a. Vara de Execuções Fiscais de São João do Meriti, na Baixada Fluminense. Não é a primeira vez que a CBF faz gentilezas a magistrados, porque ficaram famosos os vôos da alegria por ela promovidos nas Copas do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, e em 1998, na França, quando até desembargadores da Justiça do Rio de Janeiro, com suas mulheres, foram convidados da CBF em hotéis cinco estrelas.

A Corregedoria do Tribunal de Justiça fluminense chegou a se manifestar a respeito, não vendo, no entanto, nenhum problema ético ou de conflito de interesses, embora viva julgando casos que envolvem não só a CBF como, principalmente, seu presidente. Como lembra o diário “Lance!”, Ricardo Teixeira já foi condenado, em agosto de 2000, a seis anos de reclusão por prestar informações falsas às autoridades fazendárias, mas a sentença ficou por tanto tempo para ser decidida no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que, quando foi, o crime já estava prescrito e ele se livrou da condenação.

A grave denúncia do “Lance!” surge exatamente quando o STF (Supremo Tribunal Federal)  avalia a competência do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para julgar magistrados. A decisão deveria ter saído ontem, mas foi adiada, exatamente porque a opinião pública manifestou sua indignação com a ameaça de limites ao necessário contrôle externo da magistratura. Tudo porque, corajosa, a corregedora-geral da Justiça, Eliana Calmon, referiu-se à “infiltração de bandidos escondidos atrás da toga”. Ao que tudo indica, há também alguns que calçam chuteiras, aproveitam-se de mordomias comprometedoras e não estão nem aí para as mulheres de César, que além de ser devem parecer honestas.

Belém será uma das sedes da Copa América 2015

Belém foi anunciada oficialmente, na noite desta quarta-feira, como uma das subsedes da Copa América 2015. O anúncio foi feito no estádio do Mangueirão, no intervalo do jogo Brasil x Argentina, pelo governador Simão Jatene e pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira. “Agora sim, podemos anunciar com todas as letras que a capital do Pará vai ser sede da Copa América. Quero agradecer a todos que contribuíram para que isso acontecesse. Não tenho nenhuma dúvida de que o belíssimo espetáculo que estamos vendo nesta quarta-feira (28) contribuiu e muito para essa decisão da CBF. O povo paraense está de parabéns e vamos comemorar juntos mais essa vitória”, disse Jatene. 
Segundo Ricardo Teixeira, a escolha é um reconhecimento dos esforços do Estado e a pronta resposta dada pela organização do Superclássico das Américas entre Brasil e Argentina. “Todos estão de parabéns. O evento foi muito bem organizado e o Estádio Olímpico do Pará tem condições para receber o evento. O povo do Pará também contribuiu muito para que isso acontecesse. O Pará merece”, afirmou. A Copa América é a principal competição de futebol do continente, organizado pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A quadragésima quarta edição da disputa acontecerá em 2015 em cidades brasileiras a serem definidas pela organização do evento. Até agora, Goiânia e Belém foram as escolhidas pela CBF.

Coluna: Seleção ganha taça e um novo lateral

O segundo tempo ficou com a melhor parte do espetáculo. Foi quando aconteceram os gols e brilhou, de forma insofismável, o futebol do estreante Bruno Cortês. Mais que as arrancadas de Neymar, já conhecidas, destacaram-se os avanços audaciosos do lateral-esquerdo que era mais conhecido pelo casamento na lanchonete de quibes. Superou até o outro bom nome da Seleção: Lucas, que teve a melhor atuação do primeiro tempo, conduzindo as manobras pelo lado direito do ataque.
Cortês ganhou todos os prêmios da noite pela maneira desassombrada como se comportou desde o começo. Apoiava como um veterano, trocava passes com Neymar mesmo quando a banda direita da defesa argentina ainda marcava forte. Explodiu, porém, na etapa final quando foi liberado para atacar sempre. Ganhou confiança, empolgou a torcida com a velocidade e a ginga, acabando por transformar-se no iniciador dos lances que resultaram nos gols brasileiros.
No primeiro, quando a Seleção sofria um ataque perigoso, recolheu a bola e saiu com habilidade. Tocou para Borges, este para Danilo, que enfiou para Lucas arrancar e bater na saída de Orion. Quando esse gol aconteceu, o Brasil já merecia há muito tempo estar em vantagem. Neymar, Borges e Ronaldinho tinham desperdiçado pelo menos quatro excelentes oportunidades.
Aberta a porteira, a Seleção entrou na cadência da torcida, que aplaudia até arremesso lateral e tiro de meta. As jogadas aconteciam com rapidez, passagens inteligentes de laterais e inversões de posicionamento na frente. Neymar enfileirou argentinos junto à linha de fundo e o estádio quase veio abaixo.
Aí, Mano decidiu tirar Lucas – que só foi escalado porque o corintiano Paulinho foi cortado – e lançar Diego Souza. De início, a massa resmungou, contrariada. Aos poucos, o vascaíno foi mostrando utilidade. Com um futebol que une força e técnica, ele caía pela esquerda abrindo a marcação da zaga, com a ajuda do sempre presente Cortês. E foi um passe preciso do lateral botafoguense que conduziu ao segundo gol. Souza recebeu junto à linha lateral, escapou de dois marcadores e cruzou na medida para Neymar finalizar.
O Mangueirão, festeiro pela própria natureza, virou uma imensa celebração. Ao estilo europeu, Mano providenciou a troca de Cortês por Kleber só para que a torcida pudesse homenageá-lo à altura. O lateral saiu coberto de glórias, aclamado como se estivesse no Engenhão.
Fiquei com a sensação de que, depois de quase oito anos, a Seleção encontrou finalmente um lateral-esquerdo. Eu sei, é cedo ainda. Cortês (que já passou um chuvisco na Curuzu há três anos) precisa evoluir na marcação e ser mais observado. Mas, no primeiro teste, ele indiscutivelmente passou com sobras. Foi tão bem que não deixou que se reparasse também na portentosa atuação de outro alvinegro, o goleiro Jefferson. 
Houve outro grande protagonista no jogo, junto com Cortês, Lucas e Neymar: o torcedor paraense. A vitória brasileiro foi à altura da estupenda apresentação, pode-se dizer assim, da galera na hora do hino nacional. Quando o serviço de som interrompeu a primeira parte da música, a plateia inteira (cerca de 43 mil pessoas) seguiu cantando o restante do hino. No gogó, com afinação impressionante e sem errar a letra. Um show.
No Twitter, torcedores de todo o país se manifestaram, expressando sua emoção diante da cena, raríssima de ver em estádios brasileiros. Foi uma espécie de grito reprimido da população de Belém, até hoje magoada com a exclusão do banquete da Copa de 2014. O gesto não podia vir em melhor hora, pois no intervalo do amistoso surgiu a confirmação de que a Cidade das Mangueiras será sede da Copa América de 2015. Merecíamos a outra Copa, mas, enfim, tudo bem.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 29)