Josiel se queixa da cidade, do calor e das viagens

Por Bruno Freitas (UOL Esporte)

Há apenas quatro anos, Josiel se valorizava como artilheiro do Campeonato Brasileiro ao fazer 20 gols pelo Paraná Clube. Em 2009, duas temporadas mais tarde, o jogador gaúcho era contratado como grande reforço para o ataque do Flamengo. Hoje, a roda gigante da carreira do goleador passa mais abaixo, com a sua presença no Paysandu na disputa da Série C, onde tenta reencontrar a exposição para voltar à elite.

Josiel falou com a reportagem do UOL Esporte no último domingo, logo após a vitória do Paysandu sobre o América-RN por 1 a 0 em Belém, no primeiro jogo do quadrangular semifinal da Terceirona. Aos 31 anos, o jogador diz manter a esperança de retornar a um elenco de Série A em breve.

“Eu penso ainda [em jogar por um time da Série A]. Acho que não precisa ser um que dispute títulos, mas pode ser um com elenco mediano”, disse o atacante, que acumula passagens por Paraná, Flamengo e futebol de Emirados Árabes e México.

O goleador do Paysandu também diz estar enfrentando dificuldades na adaptação em Belém, junto com esposa e duas filhas. “Já morei em cidades melhores, mas é o que tem, a gente se acostuma. O futebol acaba deixando isso em segundo plano. O duro também é o calor, faz uns 50 graus no primeiro tempo aqui”, afirma o gaúcho de Rodeio Bonito.

Para voltar a um clube do pelotão de elite do país, Josiel conta ter encarado a missão de se destacar em condições das mais adversas. O atacante que há quatro anos acabou como o mais efetivo do Brasileirão hoje enfrenta campos maltratados e viagens das mais desgastantes.

“As viagens são muito grandes. Às vezes a gente leva um dia inteiro viajando. Teve uma viagem de volta de Mato Grosso que tivemos que fazer um trecho em ônibus, foi bem difícil. Fora isso pegamos muitos campos ruins, principalmente na primeira fase”, relata Josiel.

Ainda neste contexto, o camisa 11 do Paysandu precisa lidar com a pressão de levar a campo na Série C a reputação de ter sido um recente artilheiro da Primeira Divisão.

“A gente carrega este peso, de que vai chegar e fazer acontecer na Série C. Mas às vezes não é bem assim. É uma competição com um estilo de jogo diferente. Nosso técnico até fala que a vontade vale até mais do que a qualidade”, diz o jogador, que antes do Paysandu vinha de passagem pelo Atlético-GO.

No jogo contra o América-RN no último domingo no estádio da Curuzu, debaixo do severo calor do Norte do país (acima de 30º), Josiel apresentou uma atuação esforçada. Teve um gol anulado logo no primeiro minuto de partida e depois desperdiçou quatro oportunidades dentro da área. Em uma delas, cortou o goleiro e só não marcou porque um zagueiro adversário tirou a bola em cima da linha. Na etapa final, foi substituído por Helinton.   

Mesmo com Josiel passando em branco, na saída do time de campo, o locutor do estádio pediu para a torcida aplaudir o atacante. Depois, nos vestiários, o goleador foi bastante cumprimentado pela diretoria do Paysandu.

Além de Josiel, a atual direção do clube de Belém investiu em outros jogadores com passagens por times grandes para a disputa da Série C, casos do volante Sandro Goiano (ex-Grêmio), do goleiro Alexandre Fávaro (ex-Ponte Preta) e do zagueiro Rodrigo Pontes (ex-Corinthians). Para estes atletas a rotina competitiva da Terceirona também é um desafio diferente.

“A arbitragem às vezes é muito ruim. E tem campo pior do que os de várzea que joguei em São Paulo. Mas a gente tem que passar por cima disso tudo”, declara Rodrigo Pontes.

A história da Copa 2014 poderia ser outra

Por Rodrigo Prada – Do blog Tira-teima

Nesta quarta-feira (2/3), o Portal 2014 apontou em relatório feito por sua equipe de reportagem que, dos doze estádios escolhidos para a Copa 2014, ao menos cinco devem virar elefantes brancos. Definitivamente, o que mais atrasa o crescimento do Brasil é a falta de planejamento. O que mais ouvimos dizer hoje é que o grande problema da Copa 2014 serão os aeroportos. De fato serão. Mas quem não sabia que esse seria o maior gargalo do país, frente ao enorme desafio de prepará-lo para o maior evento de mídia do planeta? As obras de que precisávamos não aconteceram. Teremos os puxadinhos… E a escolha das cidades, do ponto de vista de logística, não poderia ser pior.
Certamente não escolheram Manaus por conta da sua enorme tradição no futebol. Nem Cuiabá pela sua bem-equipada estrutura hoteleira. Ou Natal, pela força da iniciativa privada, capaz de, sem recursos públicos, erguer uma arena de futebol.
Se em 31 de maio de 2009, data em que a Fifa divulgou nas Bahamas a escolha feita pela CBF e governo brasileiro das cidades escolhidas, Belém, Goiânia e Florianópolis tivessem sido anunciadas, será que o risco de elefantes brancos seria menor?
Em 2008, fui assistir a um clássico manauara no Vivaldão, entre Rio Negro e São Raimundo. Sabem qual foi o público pagante? Exatas 198 pessoas. Com uma renda de R$ 4 mil. E isso dificilmente vai mudar…
No entanto, Belém, que disputava com Manaus o direito de sediar a Copa, foi preterida, mesmo tendo Payssandú e Remo como duas das torcidas mais apaixonadas do Brasil. Sem contar o estádio do Mangueirão, que é um dos mais belos e funcionais do país.
O grande argumento para a escolha de Manaus foi o marketing da Amazônia. Agora, será que os turistas vão gostar de ver igarapés poluídos, uma bagunça urbana com trânsito caótico e todas as mazelas da cidade?
Florianópolis apresentou como proposta a reforma do estádio do Figueirense, com capital privado, para sediar a Copa.  No entanto, a escolhida Natal patinou até hoje para encontrar um modelo que fosse interessante para as construtoras.
Seu grande trunfo foi proximidade da cidade com a Europa. Ora pois, em altura de cruzeiro, o aeroporto de Recife, por exemplo, está a 15 minutos de vôo amais. Mas o problema maior não é na chegada dos europeus ao país, e sim o transporte entre as cidades, principalmente de aviação executiva. E Florianópolis, com potencial esportivo, estádio privado e entre Porto Alegre e Curitiba, a uma hora de vôo de São Paulo, ficou de fora… Alguém consegue explicar?
Cuiabá ter optado por construir um estádio com arquibancadas removíveis não esconde o fato de que a capital mato-grossense terá um dos maiores elefantes brancos da Copa. Afinal, serão gastos mais de R$ 500 milhões em uma arena que jamais terá um uso proporcional a tanto investimento.
Situação oposta é a de Goiânia, que já possui um estádio incrível projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e tem torcida para enchê-lo, tanto do Goiás, quanto do Vila Nova e do Atlético-GO. Em alguma coisa nossos governantes erraram. Ou foi na escolha das cidades, ou na falta de prioridade em melhorar os aeroportos, portos, hotéis e, principalmente, a mobilidade entre as cidades. Para aquelas que foram as escolhidas – ocupando o lugar das preteridas –, não me levem a mal, pois é carnaval!!!

Seleção já está na área

A Seleção Brasileira já está em Belém, encarando o calor da temperatura e da paixão do torcedor paraense por futebol. O técnico Mano Menezes foi o primeiro a desembarcar em Val-de-Cans, na madrugada desta segunda-feira. Discreto, evitou falar com os jornalistas. Meia hora depois, chegaram os jogadores Diego Souza, Dedé e Romulo, do Vasco. Agora à tarde, haverá treino no estádio Edgar Proença, para o jogo de quarta-feira contra a Argentina.

Durante toda a manhã e até o começo da tarde chegaram os demais atletas convocados, com exceção do lateral-direito gremista Mário Fernandes, que pediu dispensa da Seleção alegando motivos pessoais. O desembarque dos atletas e o traslado até o hotel Crowne Plaza, em Nazaré, causou muitos transtornos ao trânsito do centro da cidade. (Foto: WAGNER ALMEIDA/Bola)

Coluna: Triunfo suado e importantíssimo

Como se imaginava, foi uma vitória arrancada no sufoco, suada até o fim. A questão é que extremas dificuldades como a do jogo de ontem fazem os times se tornarem mais fortes e confiantes. Assim é desde que o futebol chegou aos trópicos e agora não vai ser diferente.
Mais ainda: o triunfo teve a marca inconfundível do Paissandu dos anos 60, de João Tavares, Quarenta, Beto, Paulo Tavares e Ércio. Um grupo guerreiro, que parecia blindado em aço e acostumado a ganhar jogos em cima do laço, daí o apelido ganho por João Tavares de “mata na hora”.
Aos 42 minutos, quando o desespero naturalmente já batia à porta, uma bola esticada por Sidny para a área passou pelo beque e chegou aos pés de Rafael Oliveira e daí para as redes. Gol salvador, mas merecido pela produção do Paissandu em campo. Ofensivo, buscou sempre a vitória e tentou envolver o adversário, apesar da forte marcação potiguar.
Curiosamente, Rafael já havia perdido uma chance muito mais cristalina, aos 37 minutos do primeiro tempo, quando invadiu a área e chutou em cima do goleiro Fabiano. Josiel e Juliano também tiveram oportunidades excelentes, em lances parecidos, e falharam na finalização.
Daniel jogou esplendorosamente numa tarde de baixo rendimento de Sandro. Juliano também foi utilíssimo. Luciano Henrique se movimentou muito, mas teve atuação apenas razoável. No segundo tempo, Edson Gaúcho decidiu mexer no setor mais sensível do time e acertou. Potiguar e Robinho substituíram Luciano e Sandro.
O time ficou mais leve e rápido, principalmente com a entrada de Héliton no lugar de Josiel, mas Daniel e Juliano tiveram que se desdobrar na marcação, pois Robinho e Tiago só atacavam. Pela reclamação dos zagueiros e as palavras de Gaúcho, ambos terão que mudar de atitude ou dificilmente entrarão no time.     
Em relação ao jogo contra o Araguaína, o time não foi tão desembaraçado e rápido. Obviamente, o América é um time mais bem estruturado e dificultou bastante a evolução do Paissandu, que teve, além dos problemas no meio-campo, um confuso posicionamento da dupla Josiel-Rafael no primeiro tempo, explorando sempre o lado direito. Só depois do intervalo o problema foi corrigido, a tempo de melhorar a produção de ambos.
Excelente resultado, que consolida a fé do torcedor na possibilidade do acesso e dá confiança ao time para os dois jogos fora de casa. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)
 
 
Edson Gaúcho deu uma interessante entrevista ao “Bola na Torre” (RBATV). Sem enrolar, falou das diferenças de métodos em relação ao antecessor, Roberto Fernandes, sem estabelecer comparações críticas, e ressaltou o rigor na cobrança aos atletas por mais entrega nos jogos. Seu grande momento, porém, foi a admissão sincera de que mudou em relação à sua passagem anterior (2009) em função da experiência como comentarista esportivo numa rádio catarinense. Vivenciou as agruras do nosso ofício, mas observou que os cronistas também deveriam experimentar o cotidiano de um técnico de futebol. O bate-papo garantiu novo recorde de audiência ao programa.
 
 
Direto do blog
 
“Verdadeiramente, os últimos dois jogos nos mostram outro comportamento, pois apesar de ainda haver diversos defeitos, a melhora é significativa e a possibilidade de sucesso é real. Espero que os jogadores de frente sejam menos egoístas e passem a bola para o companheiro melhor colocado, pois, se isso tivesse ocorrido, a vitória poderia ser bem mais fácil. Edson Gaúcho não é o melhor técnico do mundo, nem muito menos o pior, mas, vejo jogadas ensaiadas – na saída de bola e em faltas próximas da área – coisa que há muito não via nos jogos do Papão”.
 
Do José Maria Eiró Alves, atestando a mudança de atitude do Paissandu.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 26)