Coluna: Seleção aprofunda incertezas

Cada novo jogo da Seleção acrescenta uma boa dose de preocupação em relação ao time da Copa. Eu sei, faltam ainda três anos e há tempo para arrumar a casa. Duro é observar que qualquer que seja o técnico no mundial – até mesmo Mano Menezes – terá dificuldades monstruosas para montar um escrete competitivo. Por um motivo simples: há uma carência de craques no Brasil.
Nessa categoria especial, pode-se citar Neymar, Paulo Henrique Ganso e Ronaldinho Gaúcho. Sendo que os dois primeiros ainda batalham por consolidação e o último passa por um processo de reabilitação. O jogo de ontem, contra Gana, aprofundou dúvidas sobre uns e confirmou certezas quanto a outros.
Ronaldinho e Ganso – que ficou apenas oito minutos em campo – são os duvidosos. No caso do meia-atacante rubro-negro, pouquíssimos lances de brilho e a repetição de sua história discreta com a camisa da Seleção.
Já o meia-armador paraense carrega incertezas de outra natureza. Desde que se lesionou gravemente em duas ocasiões, Ganso perdeu o viço técnico que demonstrava até junho do ano passado. A lesão de ontem deve deixá-lo fora de combate por até três meses, interrompendo o processo de recuperação técnica. Mais que isso: mina a confiança dos torcedores quanto à sua utilidade para a Seleção.
As certezas do fraco amistoso contra os ganeses ficam por conta de Leandro Damião, Marcelo e Hulk. Bons jogadores, com pinta de titulares (Damião e Marcelo) e reservas de luxo (Hulk). Apesar do bom passe para o gol, Fernandinho continua na cota dos prediletos de Mano, como Elias e alguns outros não lembrados desta vez.   
No fundo, o Brasil vive uma tremenda crise de talentos. Sintoma óbvio deste mau momento é que há muito tempo o país não ficava ausente da lista de grandes transações européias como neste ano. Depois do sucesso de Ronaldo, Rivaldo, Kaká e Ronaldinho Gaúcho, a fonte parece ter secado de repente. Neymar é a honrosa exceção, mas é pouco para um país que sempre produziu craques a rodo.  
 
 
A convocação anunciada por Mano Menezes depois do jogo traz uma notícia triste para a torcida paraense, que fica privada de ver Ganso em ação no amistoso contra a Argentina, dia 28, no Mangueirão. Mas a lista traz boas novidades: Mário Fernandes (Grêmio), Danilo (Santos), Oscar (Inter), Cortês (Botafogo) e Casemiro (São Paulo). Senti falta dos botafoguenses Renato e Elkesson, em grande fase no Brasileiro, mas Mano optou por Renato Abreu e Tiago Neves, em baixa no Flamengo. 
 
 
Edu Tavares, um dos grandes nomes da PRC-5 nos anos 70, morreu ontem em conseqüência de um AVC, para consternação de seu vasto círculo de amigos. Plantonista famoso – numa bancada que incluía também Bellard Pereira, Helder Bino e Pedro Hamilton Néri –, Edu abraçou a medicina como profissão depois que deixou o rádio. Tinha 68 anos.
Não convivi com ele, mas lembro de sua voz marcante nos plantões da PRC-5. Lá em Baião, ouvia a programação esportiva da emissora religiosamente todos os dias e Edu era um dos destaques do timaço chefiado por Edyr Proença.
Aliás, o “Escrete do Rádio” foi treinado durante anos por Edu, sustentando longa invencibilidade no interior paraense. A equipe visitou Baião diversas vezes, chegando a se apresentar também nos distritos de Umarizal, Joana Peres e São Joaquim de Ituquara. O velório acontece na capela dos Capuchinhos e o sepultamento está marcado para 10h.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 6)