Coluna: A chance que caiu do céu

O torcedor mais consciente sabe que o Paissandu deu uma tremenda largura, conforme a linguagem própria das arquibancadas. Até antes da decisão do STJD, que excluiu o Rio Branco da Série C e o rebaixou à Série D 2012, ninguém se atrevia a arriscar palpite sobre o desfecho da rodada de domingo. Com isso, o caminho do Paissandu ficou menos pedregoso.
Como num passe de mágica, o clima de angustiante expectativa que reinava na Curuzu cedeu lugar a um ambiente de alegria e plena felicidade. A euforia foi tamanha que a diretoria resolveu, assim meio do nada, pagar os salários da comissão técnica e dos funcionários.
Decisões do tapetão sempre trazem um gosto travoso, mas a essa altura do campeonato não cabe ficar aqui reparando nos dentes do cavalo dado. Ao Paissandu cabe, neste domingo, aproveitar a chance que caiu do céu, como um raio feliz. Para o time, a grande novidade é que sai de cena a obrigação de golear.
Todo mundo sabe o quanto é difícil em futebol construir um resultado por obrigação. No script anterior, o Paissandu teria que vencer por quatro gols de diferença. Pelo entusiasmo do torcedor e o ânimo do time, sob o comando de um novo técnico, é bem provável que a goleada aconteça, mas virá naturalmente, sem agonia.
O fato é que agora tudo ficou mais simples. O Paissandu precisa vencer, por qualquer escore, para assegurar a vaga. Como o adversário é o saco de pancadas oficial do grupo (tem apenas um ponto), os comandados do Gaúcho não deverão ter maiores problemas, a não ser que voltem a ter os apagões vistos nos últimos jogos.
Contribuem também para esse otimismo as mudanças pontuais surgidas nos treinos da semana. Para o crucial setor do meio-campo, onde reinava o caos até domingo passado, há a prometida presença de Sandro, que era cobrada por todos. De quebra, anuncia-se a estréia (em Belém) de Juliano, verdadeiro leão de treino que não se firmou com o antigo técnico.
Outro que pode aparecer como titular é Daniel, que brilhou com a camisa do Águia e é um jogador de bons recursos técnicos. São alterações que podem alterar profundamente a forma de atuar do Paissandu. Sandro compensa a já visível falta de combatividade na marcação com a facilidade para distribuir jogadas. Sobre ele deve recair a responsabilidade de organizar a equipe. Sempre que isso ocorreu, mesmo que por poucos minutos, o time saiu lucrando.
Até mesmo o possível aproveitamento de Luciano Henrique, a peça mais improdutiva daquele time de Roberto Fernandes, não deve alterar a ordem natural das coisas. Há quem creia que o experiente meia-armador possa mostrar a partir de agora um futebol mais convincente. Penso diferente, mas, como a maré anda tão favorável ao Paissandu, é melhor não duvidar.
 
 
Em meio à onda de entusiasmo que invadiu a Curuzu na sexta-feira, Edson Gaúcho deu festiva entrevista ao repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube. Estava tão alto astral que disse entender todas as cobranças do torcedor, até mesmo quando ele extrapola e invade treinos. Lá pelas tantas, porém, mudou o tom da prosa e aconselhou a torcida a “baixar a porrada” em jogador que for encontrado em barcas noturnas. Não há dúvida, o velho estilo maçaranduba está de volta.
 
 
Jorge Ohana, Rafael Levy, Hildebrando e Alexandre Carvalho, botafoguenses ilustres, se movimentam para fazer do Feijão no Fogão um grande acontecimento em Belém. Será no dia 22 de outubro, no Computer Hall BR, com a possível presença de Amarildo, Jairzinho e Túlio.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 18)

Há coisas que só acontecem ao Botafogo

Por Thiago Fernandes (Globo.com) 

Amor de mãe. Amor de torcedora. O sentimento de Dona Terezinha pelo Botafogo é difícil de explicar. Algo tão forte que fez com que a senhora de mais de oitenta anos decidisse mudar seu testamento para deixar uma de suas posses para o Alvinegro quando morresse. Mas ela não fez uma simples caridade. Afirmou, com clareza, como o presente deve ser usado. O terreno de cerca de 35 mil metros quadrados, que fica em uma área nobre da Freguesia, zona oeste do Rio de Janeiro, apenas poderá ser utilizado pelo clube como área de construção de um centro de treinamento ou para um projeto social esportivo.

– Eu fico até constrangido de falar sobre o assunto porque a dona Terezinha é muito querida e sempre ajudou o clube. Ela teve esse gesto bonito que eu, como presidente, não poderia recusar. Mas o terreno só será efetivamente do Botafogo quando ela não estiver mais aqui. E eu espero que isso demore muito. Quero que ela veja o Botafogo ser campeão brasileiro. Merece muito essa alegria – explicou o presidente Maurício Assumpção.

O clube negocia com a senhora os últimos detalhes da transação. Em breve, o Botafogo já será o detentor da área, embora o usufruto da terra continue pertencendo à Dona Terezinha. O vice-presidente geral do clube, Antônio Carlos Mantuano é o responsável por intermediar as negociações com a senhora.

Viúva e sem filhos, dona Terezinha é muito conhecida na área da Freguesia. Dona de alguns imóveis na região, a senhora vem de uma família alvinegra. No clube, é reconhecida por ajudar, principalmente, as categorias de base. A senhora, inclusive, já comprou um dos carrinhos de atendimento aos jogadores quando eles se machucam em campo.

Acreanos em pé de guerra com derrota no tapetão

Acreanos estão encarando a derrota do Rio Branco no STJD como um ataque aos interesses do Estado. As emissoras de rádio não falam de outra coisa e os políticos se mobilizam para ir à CBF cobrar uma reviravolta na decisão. O próprio governador Tião Vianna, dois senadores e diversos deputados federais devem ir ao Rio de Janeiro nesta segunda-feira fazer o chamado corpo-a-corpo. Há um sentimento de injustiça e perseguição, principalmente porque o Rio Branco foi o primeiro classificado de sua chave, com excelente campanha dentro de campo. Todos alegam que a Arena da Floresta é um dos melhores estádios da Região Norte (o que é verdade) e que sua interdição – origem de toda a confusão – foi absurda. A pressão será grande sobre os auditores do STJD. E há um retrospecto de mudanças nas decisões do pleno do tribunal (Brasil/RS, América/AM e Duque de Caxias/RJ). Por via das dúvidas, o Paissandu deveria se esforçar para golear o Araguaína, neste domingo, na Curuzu.