Paissandu vence e já é líder do grupo E

Com um gol de Rafael Oliveira aos 42 minutos do segundo tempo, o Paissandu derrotou o América (RN) na tarde deste domingo, no estádio da Curuzu. Foi a estreia do Papão na segunda fase da Série C e o resultado coloca o representante paraense isolado em primeiro lugar na chave E. O jogo teve maior posse de bola do Paissandu ao longo dos dois tempos, mas com pontadas perigosas do visitante, que esteve perto de abrir o marcador em pelo menos três oportunidades. Do lado do Paissandu, o ataque abusou de perder gols no primeiro tempo, com Rafael, Josiel e Juliano disparando em cima do goleiro Fabiano. Os mesmos problemas de articulação dos tempos de Roberto Fernandes voltaram a assombrar a equipe, principalmente porque Sandro foi figura apagada na organização de jogadas. Daniel compensava com uma excelente atuação, tanto nos desarmes quanto na reposição de bola.

Como o meio-de-campo não rendia, Edson Gaúcho o começo da etapa final para fazer as substituições de Luciano Henrique por Tiago Potiguar, Sandro por Robinho e Josiel por Héliton. Como sempre ocorre nessas situações, o Paissandu melhorou e ganhou em velocidade, passando a buscar mais jogadas de linha de fundo. Em dois lances antes do gol, Héliton cruzou bolas rasantes que a defesa do América tirou com dificuldades.

Acontece que o tempo foi passando, o adversário ameaçando nos contra-ataques – Max desperdiçou duas grandes chances – e o desespero foi tomando conta dos alvicelestes, que passaram a arriscar chutes de longe, sem maior perigo. O gol salvador veio através de um cruzamento à meia altura de Sidny para o interior da área potiguar. O zagueiro falhou ao tentar rebater e Rafael Oliveira ficou livre para estufar as redes.

Aos 44 minutos, um último susto: Max errou o cabeceio na pequena área em cruzamento alto feito por André. (Foto 1: CEZAR MAGALHÃES; foto 2: MÁRIO QUADROS/Bola)

Fifa cogita mudar o local da Copa de 2014

Por Jorge Luis Rodrigues (Panorama Esportivo) 

RIO – Há mais de uma década acompanhando os bastidores da Fifa, a coluna desconfiou que o silêncio de Zurique em relação à Lei Geral da Copa-2014 não era um bom sinal. Se tivesse gostado, logo elogiaria, como sempre faz a Fifa nesses casos. Fomos apurar e descobrimos que a situação é mais grave. Existe, sim, a ameaça de rompimento, amparada pela cláusula 7.7 do Host Agreement (Contrato para Sediar). Hoje, não seria surpresa se a Fifa anunciasse, até o próximo dia 5, o cancelamento do evento de 20 de outubro – quando o Comitê Executivo da entidade planeja divulgar o calendário de jogos nas cidades-sedes tanto da Copa das Confederações-2013 quanto do Mundial-2014.
A cláusula 7.7, do contrato, assinado pelo governo brasileiro, estabelece o dia 1 de junho de 2012 – exatamente 2 anos e 11 dias antes da partida de abertura do Mundial-2014 – como prazo final para a Fifa rescindir o contrato e tirar a Copa-2014 do Brasil, sem pagamento de multa. Diz o texto da 7.7 que a rescisão será aplicada caso as leis e regulamentos necessários para a organização da Copa do Mundo-2014 não tenham sido aprovados, ou caso as autoridades competentes não estejam cumprindo as garantias governamentais exigidas.
As garantias e responsabilidades exigidas pela Fifa também fazem parte do Acordo de Candidatura, entregues em 31 de julho de 2007, pelo presidente Lula, três meses antes de o país ter sido confirmado como sede do Mundial. A Lei Geral da Copa, enviada ao Congresso no último dia 19 pela presidente Dilma Rousseff, é o ponto de discórdia. A coluna pôde apurar em Zurique que itens como ingressos, credenciamento, proteção ao marketing de emboscada, gratuidades e até transmissão de TV foram editados em desacordo com o que foi discutido e acertado em fevereiro deste ano, em Brasília, durante reunião do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, com o ministro do Esporte, Orlando Silva, e técnicos do governo. Além disso, a infraestrutura dos aeroportos e os projetos de mobilidade urbana são considerados incipientes pela entidade.
Pudemos apurar que a Fifa argumenta não ter como garantir aos patrocinadores a proteção às suas marcas. E a entidade teme inviabilizar o modelo da Copa do Mundo, que responde por 89% de sua arrecadação de quatro anos, se aceitar a Lei Geral da Copa-2014 como foi mandada pela presidente brasileira para o Congresso. As duas partes podem até negar, mas apuramos também que Valcke e o Comitê Organizador Local (COL-2014) perderam a confiança em Orlando Silva e não querem mais negociar com o ministro. E que uma nação plano B já é pensada, para o caso de a Lei Geral da Copa não ser modificada.

Coluna: Neymar, o dono da festa

Quem se dispôs a pagar até R$ 190,00 para ver o amistoso disfarçado de Superclássico das Américas tem pelo menos uma boa justificativa. Neymar é o grande astro do espetáculo. Digam o que disserem, critiquem seus penteados, mas é preciso admitir que o moleque abusado é hoje o único jogador brasileiro capaz de arrastar torcida aos estádios.
Alçado à condição de popstar, Neymar é marrento como Romário e joga mais bola que Robinho – bem mais até. Ajudou o Santos a ganhar uma Copa Libertadores e desponta como grande esperança nacional para 2014.
Quando os jogadores convocados por Mano Menezes começarem a desembarcar em Val-de-Cans, a partir desta madrugada, vai ser possível medir o termômetro da popularidade de cada um junto à galera. Neymar é, sem dúvida, o craque mais aguardado. Foi assim na Argentina, será assim em Belém. 
E ele pode pisar o gramado do Mangueirão, no jogo de quarta-feira, já com a vida profissional decidida. Ou com o topete mais valorizado do que nunca. Traduzindo: deve estar com contrato sacramentado com o Real Madri, que parece ter derrotado o rival Barcelona na batalha pela aquisição do craque santista.
Pai e assessores do jogador, segundo a imprensa paulista, dão como certo o fechamento do negócio com o clube merengue. E o motivo atende pelo nome de Wagner Ribeiro, empresário que controla todos os passos de Neymar desde que ele ainda era reles promessa nas divisões de base da Vila Belmiro.
Como o Barça não paga comissão a agentes, Ribeiro não tem obviamente o menor interesse em levar seu jogador para o Camp Nou. Por vias tortas, talvez seja a melhor alternativa. Buscar vaga no time prontinho de Guardiola, com a trinca Messi-Xavi-Iniesta arrebentando, seria um baita desafio.
Convenhamos, é bem mais fácil virar titular no ainda confuso Real de José Mourinho, apesar do imenso ego de Cristiano Ronaldo. Mas é justamente nesses momentos que é possível distinguir homens de meninos.  
 
 
Ao Paissandu não será permitido um instante de desatenção. Naqueles momentos preciosos, até os 30 minutos do primeiro tempo, quando o destino de um jogo normalmente é traçado, tem que se impor e determinar o ritmo das coisas. Como se sabe, a parada é decisiva, como todos os jogos desta etapa. Tropeços em casa significam morte antecipada.
Um aspecto que inspira otimismo no Paissandu é a interessante solução que Edson Gaúcho deu ao velho problema do meio-campo. Botou Sandro e, em torno dele, escalou Daniel, Juliano e Luciano Henrique. Esse desenho foi a principal causa do sucesso frente ao Araguaína e é bastante provável que continue a render diante do América (RN), que é mais time.
A diferença de qualidade entre os dois adversários vai desnudar a verdadeira força deste novo Paissandu, além de exigir maior capacidade de organização da meia cancha. Como fundamento essencial para domínio das ações, o passe tem que funcionar. Até para não deixar o ataque entregue à solidão, como nos tempos de Roberto Fernandes. Acredito em vitória, mas será um jogo de paciência, com poucas chances.
 
 
Edson Gaúcho é o convidado especial deste domingo no Bola na Torre (RBATV, 20h45). Programa promete. Guerreiro comanda.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 25)