Coluna: O jornalismo rebolativo

Pelos próximos três dias, o país se carnavaliza e ninguém deve levar as coisas muito a sério. A maioria dos normais curte a folia, botando o bloco na rua e a purpurina no asfalto, mas ninguém perde de vista o nobre esporte bretão, apesar de a CBF cismar que não é atividade de interesse social. Mas, cá pra nós, quem liga para o que pensam CBF e Ricardo Teixeira? 
O certo é que, nesta breve pausa nos campeonatos imposta pelo feriadão, é possível observar o futuro do futebol como produto televisivo e midiático, mirando particularmente nos programas esportivos das redes nacionais e canais fechados. Tudo se resume ao entretenimento fácil. De jornalismo, quase nada. Perde-se a noção de ridículo, mas não se perde a piada. 
Com exceção das bancadas de debates, fiéis ao modelito mais tradicional, com mediador central e quatro convidados, os telejornais dedicados ao esporte andam saltitantes demais. Descontrair parece ser a única meta.
Sabe-se que o noticiário de esportes exige tratamento de maior leveza, bom humor e criatividade. Os americanos abriram a picada e o formato foi adotado como bíblia no Brasil. O xis da questão está na dosagem. Tudo o que é demais, enjoa. A fórmula que une apresentador engraçadinho + repórteres gaiatos está se esgotando perigosamente, por cansaço.
Há criatividade em abundância, de gosto pra lá de duvidoso e se equilibrando no pincel quanto à capacidade de tolerância das pessoas. Sei que soa intolerante, mas tem apresentador que já adentra o estúdio de ladinho, mandando o samba no pé, com aquele sorriso sem sal que é marca registrada da escola global.
As presepadas variam de forma e intensidade, mas brigam com as notícias, como se divertir fosse mais urgente que informar. Pequena mostra das gracinhas infames que atazanam o telespectador veio a reboque dos quatro gols de Adriano Michael Jackson, do Palmeiras, contra o Comercial do Piauí pela Copa do Brasil.
Nas horas seguintes ao jogo, a coreografia do descolado atacante se propagou feito praga via TV e internet, mais até do que os próprios gols. É o típico caso da fantasia à frente da competição, a embalagem triunfando sobre o conteúdo. O rebolado rendeu matérias até o último sábado e não duvido que ainda invada os programas da domingueira. No começo, era apenas chato, mas depois da 12ª repetição ficou massacrante.
Deve haver público para esse tipo de atração, afinal as programações se baseiam em pesquisas diárias. Produtores e marqueteiros vivem de olho nessas manifestações curiosas. Os times fazem sua parte (Santos à frente), ensaiando passinhos e requebrados para comemorar gols.
Brasileiro adora aquele lugar-comum de povo inzoneiro e dionisíaco, sempre a um passo do remelexo. E, de vez em quando, pontuando uma ou outra matéria mais carrancuda, até que uma papagaiada vai bem. Só não pode ser mais importante que o fato, pois aí o jornalismo abre alas para a ficção e o show. Ainda prefiro a notícia.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 6)

13 comentários em “Coluna: O jornalismo rebolativo

  1. É verdade, Gerson. E o boleiro tem q entrar na da tevê sob pena de ser boicotado. Para os programas chatos, eu tenho um remédio: ‘controle-remoto’.

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  2. Postei aqui ante-ontem sobre o “denilsonshow”-como se cuto-denomina e sua dancinha.Diretor de programa preterir nomes como de Sócrates,Emerson,e outros ex-jogadores e ficar com um cara que sequer sabe falr…a explicação é essa mesma que vc apontou G. N. Lamentável.

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  3. Parabéns pela coluna Gerson. Isso que vc falou tá acontecendo de uns tempos p/ cá no Globo Esporte, que se transformou em programa de humor, e não de jornalismo esportivo. Dá até raiva, a gente quer saber o placar do jogo e ver os gols, mas eles ficam enrolando, pegam uma imagem de uma “furada”, ou de um escorregão de um jogador, e ficam mostrando isso em vários ângulos, deixando o gol, que é o momento mais importante do jogo em segundo plano. Parece que isso aconteceu pq eles estavam perdendo p/ o Chaves na audiência, então decidiram investir no humor. Indico um artigo falando sobre isso tb: http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=623IMQ004
    Abraços.

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  4. Eu lendo a matéria sobre as disparidades de salarios existente no futebol brasileiro, mim lembrei de uma materia vinculada no Esporte Espetacular da Globo em 2007 em que mostrava isto e eles entrevistaram Vieira um lateral direito que foi para o futebol Árabe e entrou de forma candlestina naquele País e estava tendo êxito e este mesmo atleta em 2006 tinha atuado pelo Potyguar de C. Novos e ganhava apenas um salário minimo e em 94 época em que o Robgol atuou no Potyguar os atletas caseiros de C. Novos assinaram o contrato para disputar todo o campeonato por uma bicicleta e não era nem uma MONARK

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  5. Convenhamos, uma paradinha não faz. às vezes o ambiente fica chato por conta da mesmice. Os livros estão ahí como alternaivas inconparáveis.

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  6. DIFERENÇAS SALARIAIS GRITANTES EXISTEM EM TODO OS SEGMENTOS PROFISSIONAIS E ASSIM COMO NO FUTEBOL O CARA TEM QUE CORRER ATRÁS ,SUAR,NO FUTEBOL TEM DEMONSTRAR TÉCNICA,HABILIDADES,SENSO DE PROFISSIONALISMO,SER COESO COM O GRUPO,SER D GRUPO E OUTROS QUESITOS .NOS OUTROS SEGMENTOS É SIMILAR A NECESSIDADE DE O PROFISSIONAL FAZER CURSOS,SE APRIMORAR E SEGURAR AS OPORTUNIDADES.LEMBRO-ME DE UM COLEGA DE PROFISSÃO QUE AINDA ESTÁ EM SÃO PAULO ,NO INTERIOR ,EM OURINHOS.QUANDO ME VIU E CONVERSAMOS APÓS QUASE DEZ ANOS SEM NOS ENOCNTRARMOS ARREGALOU OS OLHOS QUANDO EU DISSE EM QUE EMPRESA TRABALHAVA E MEU CARGO ATUAL E OS CURSOS NO EXTERIOR E TASCOU A FRASE “PUXA QUE SORTE A SUA” AO QUE REBATI “NÃO É SORTE AMIGO É DEDICAÇÃO,TRABALHO E INTERESSE PELO TRABALHO”.ASSIM PENSO QUE NO FUTEBOL OU NO BASQUETE O PROFISIONAL TEM QUE SE DEDICAR QUE A OPORTUNIDADE CHEGA.UM DIA LI QUE O OSCAR DO BASQUETE ,MAIS DE MIL PTS ETC TREINAVA NO QUINTAL DA CASA DELE TODOS OS DIAS ATÉ ÁS 11 DA NOITE …SUA ESPOSA LANÇAVA E ELE SIMULAVA LIVRAR -SE DE UM MARCADOR INVISIVEL E “JUMP”…CESTA…TODOS OS DIAS .TODA NOITE…TREINOU PRA SER QUEM FOI E QUEM É.DEDICOU-SE …POR ISSO REPITO SE O CARA SE INTERESSAR ELE VAI CONSEGUIR UMA CHANCE E AÍ VAI MOSTRAR SEU VALOR .

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    1. Alonso acredito que não seja apenas estes adjetivos, faltou o principal que é um empresário ou padrinho , sem ele um atleta de futebol pode ter todos os adjetivos em que citastes, mas dificilmente terá êxito na sua carreira profissional e com relação ao Oscar mão santa que é irmão do Tadeu Schimit da Globo eles são Potiguares da cidade de Parelhas mesma cidade do Didi ex-atleta do PSC e técnino do time Negra, maas quando crianças foram morrar em Natal e depois no RJ

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  7. ” A fórmula que une apresentador engraçadinho + repórteres gaiatos está se esgotando perigosamente, por cansaço.”

    Parece que estou vendo o programa do milton neves e sua turma de comentaristas.

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    1. Mas a poderosa Globo não fica atrás, caro Carlos. Tem uns novos apresentadores que não fazem outra coisa a não ser fazer caretas e brincadeirinhas sem-graça.

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  8. ESSE TAL DE CAXIADO DEVE SER SÓCIO DA EMISSORA PORQUE POR DUAS VEZES OUVI O PROGRAMA DAS 18 HORAS COM MEU SOGRO E SÓ ELE FALANDO DO TIME ACESSORIO DE BARCO,VEZ OU OUTRA OS SETORISTAS DO PAPÃO E DO TUNA FALAVAM ,E LOGO ESTAVA ELE DE VOLTA COM VOZ DE AZAMBUJA ,CHATO TODA VIDA …IMAGINEM UM CARA DESSES APRESENTANDO UM PROGRAMA.Não suportei mais e me retirei d asal,meu sogro tem um dauqels radios e senta numa cadeira das antigas de balanço e fica ouvindo a programação…

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