Divórcio quase consumado em Madri

Acabou a paciência do Real Madri com Kaká. É o que afirma o jornal espanhol As em matéria cheia de críticas contra o meio campista brasileiro publicada nesta segunda-feira. O clube estaria disposto a ouvir propostas pelo jogador ao fim da temporada. Segundo o diário, a última chance a Kaká, de volta ao time neste início de ano após sete meses ausente com lesão no joelho esquerdo, foi dada durante o empate de sábado contra o La Coruña pelo Campeonato Espanhol. O jogador foi substituído no início do segundo tempo. Para o As, “o time melhorou consideravelmente depois de sua saída”. Kaká ainda teria demorado para deixar o gramado no momento de sua saída, irritando o técnico José Mourinho. “Saia já!”, teria gritado Mourinho, que não recebeu os cumprimentos do jogador. O Chelsea tem sido noticiado novamente como o provável destino do meio campista. Segundo o jornal inglês “Daily Mirror”, o atacante Didier Drogba seria oferecido em uma troca.

Tribuna do torcedor

Por João Lopes (englopesjr@gmail.com)

Sempre acompanho sua coluna – impecável – no Diário e a boa fase remista é surpreendente, até para um remista apaixonado como eu. Isso me deixa com umas certas desconfianças quanto ao desempenho do time na série D que, não dá pra duvidar até agora, o Remo jogará. É que uma certa linearidade tem ocorrido até agora com os selecionados azulinos no Brasileiro da série D, o time não indo bem no parazão, não convencendo a torcida, ia mal também no nacional, num certame onde os times são, no máximo, esforçados. Evidentemente, os times do Remo foram menos que isso nos últimos tempos. Porém, agora o time está bem e tem convencido de que pode praticar um futebol de bom nível técnico. Mesmo assim, fica uma incômoda preocupação, uma desconfortável desconfiança, de que alguma coisa pode dar errado na hora mais inconveniente, quando tudo é imprevisível. Tudo indo tão bem até agora, com tão poucos erros, não parece o Remo dos últimos campeonatos. Felizmente, revigorou-se. Torço, e como torço, pelo reequilibrio azulino do bom futebol com a tradição. Torço também a favor de que os erros aconteçam tão extraordinariamente educantes e edificantes que sirvam mesmo para corrigir o que tem que ser corrigido agora, o ataque, e que isso não comprometa o que vem dando certo, principalmente a defesa, rumo ao título estadual, que tenho a convicção torcedora de que virá para o Baenão, e que isso corrobore para a formação de um time tanto quanto completo e capaz para a série D e que nos leve, ao menos, a sonhar com o acesso. Me importa e me interessa mais um time que pode realmente ser campeão que um que deva ser campeão. Independentemente da crise financeira e das altas dívidas do clube, existe um certo ar de compromisso profissional lá pelos lados do Evandro Almeida, mas isso sem que eu possa ter certeza, só me deixa a expectativa e a torcida de que seja mesmo assim como aparenta de longe. Espero que tenhas razão quando deixa algo a sugerir que no Clube do Remo haja um diferencial, para usar uma palavra da moda, de que hoje seja, ao menos, um pouco diferente das últimas administrações. Quando a cartolagem não atrapalha há de sair senão um bom trabalho um outro muito superior àqueles dois últimos que afundaram o clube e o deixaram em ruínas. Um abraço.

Paissandu traz meia argentino desconhecido

Ninguém viu o cara jogar, mas a diretoria do Paissandu garante que ele vem para arrebentar: Martín Miguel Cortés, meia-armador revelado nas divisões de base do River Plate, é o mais novo contratado do clube. Quem fez o anúncio oficial foi o vice-presidente de futebol Izomar Souza, na tarde desta terça-feira, sem dar maiores detalhes sobre a indicação do jogador. Cortés, de 28 anos, defendeu nos dois últimos anos o também desconhecido Nublense, do Chile. O meia, que já está em Belém, será apresentado à torcida antes do jogo Paissandu x Penarol pela Copa do Brasil, nesta quarta-feira, na Curuzu. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Fim dos tempos

Integrantes da facção organizada (e declarada ilegal pela Justiça) “Terror Bicolor” tumultuaram o treino do Paissandu na manhã desta terça-feira, no campo do Kaza, em Ananindeua. A título de protestar contra a má fase do time, interromperam a prática e complicaram os preparativos para o jogo de amanhã contra o Penarol, pela Copa do Brasil. O principal alvo foi, obviamente, o técnico Sérgio Cosme, com quem alguns integrantes do grupo chegaram a discutir antes de serem afastados.

Um clube não pode ficar refém de torcedores profissionais. Do contrário, estabelece-se a bagunça e o caos.

Coluna: QI forte, técnicos fracos

Um aleijão antigo do serviço público no Brasil assola neste momento os grandes clubes. É o popular QI (quem indica), que causa espanto nos profissionais sérios e tácita aceitação dos que acham que até corneteiro de arquibancada tem direito de palpitar em contratações. Trata-se do apadrinhamento de “reforços”, prática que é ainda mais freqüente quando os times estão em baixa, os técnicos são submissos e dirigentes tentam driblar a pressão dos torcedores.
No Pará, Remo e Paissandu são tradicionalmente as maiores vítimas dessa praga, que corrói a autoridade dos técnicos e é caminho mais curto para o inchaço irresponsável dos elencos. Com o time oscilando muito, principalmente por falhas no setor defensivo, o Paissandu tornou-se de repente o paraíso para empresários e agentes.
Enquanto a defesa continuar vacilando, a Curuzu seguirá como alvo natural dos negociantes da bola. Não há dia que termine sem que surjam notícias de novas contratações. As mais recentes foram dos beques Nei Baiano (que ainda nem estreou), Hebert, Rafael Lima e Elton Lira. E há mais gente sendo oferecida à diretoria. 
Já estavam por lá os zagueiros Ari, Tinoco, Cristiano Laranjeira, Tobias e Wesley, que foi revelado pelo Botafogo (RJ) e trazido ao clube por um colaborador. Os dois últimos não tiveram oportunidades no time principal, e dificilmente terão. Wesley, inclusive, ainda espera regularização de sua situação funcional. Casos clássicos de ausência de bons padrinhos.  
Mas a farra de aquisições não se restringe à defesa. No ataque, Sérgio Cosme recebeu um autêntico presente de grego, por ingerência tácita da cartolagem: Cleysson Rato. Além de ter sido imposto na marra ao treinador, um detalhe torna o negócio ainda mais bizarro. O atacante voltou à Curuzu sob as bênçãos de uma das facções “organizadas” do clube. Em outras palavras: a coisa chegou mesmo ao fundo do poço. Vale dizer que Rato já defendeu o Paissandu em outras ocasiões, sem deixar saudades.
O Remo não fica atrás. A folia de contratações indicadas por padrinhos só teve um freio nesta temporada, sob o comando da nova diretoria, que tem dado carta branca ao técnico Paulo Comelli e ao superintendente Armando Bracalli. O Baenão, no ano passado, foi palco de outra modalidade de apadrinhamento, não menos danosa. Partia do próprio treinador, Giba, responsável por contratações desastrosas e que só causaram prejuízos ao clube, inclusive nos tribunais – como comprovam os recentes processos movidos por Paulo Sérgio e Júlio Bastos. 
 
 
O amigo e desportista Paulinho Oliveira, naturalmente presente à decisão da Taça Guanabara, conversou com a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, e também falou com o técnico Vanderlei Luxemburgo, de quem é amigo há muito tempo. Aproveitou o gancho para indicar Rafael Oliveira aos rubro-negros. Na fase negra vivida pelos atacantes do time, o artilheiro do Parazão pode ter chances. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 1)