Liga nacional pode acabar com rebaixamento

Os dissidentes do Clube dos 13 avançaram na discussão sobre a nova Liga que pretendem montar. Uma das ideias é acabar com o rebaixamento. Apenas os convidados da primeira edição disputariam a competição e não haveria uma segunda divisão. Seriam provavelmente 16 times. A fórmula foi discutida com representantes da TV Globo, a grande aliada desses clubes, ao lado da CBF. O problema é que essa receita não combina com o estatuto do torcedor, que exige critérios técnicos para definir participantes de campeonatos e também para rebaixamento e acesso. O projeto ainda é cru. Mas criar uma turma de intocáveis seria uma das maiores derrotas do futebol brasileiro. (Do blog de Ricardo Perrone)

Sindicato repudia ameaças de Felipão

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo divulgou nota repudiando as ameaças feitas pelo técnico Luiz Felipe Scolari ao jornalista da Folha de SP Rodrigo Bueno, autor de reportagem que comparava o salário do treinador do Palmeiras com as folhas salariais dos times que o clube venceu neste ano. “Em entrevista coletiva, o treinador mostrou mais uma vez seu destempero”, afirma trecho da nota. “Convém salientar que o repórter apenas relatou o que os próprios dirigentes do Palmeiras já afirmaram inúmeras vezes em emissoras de rádio e de televisão”, acrescenta a organização, que completa: “O sindicato não admite agressões e ameaças”.

Na última quarta-feira, depois da vitória do Palmeiras sobre o Linense, em Barueri, Scolari afirmou que “se um dia acontecer alguma coisa”, iria “buscar quem escreveu no inferno”. E ressaltou: “É uma ameaça? Sim”. Anteontem, o Palmeiras divulgou, em seu site oficial, nota de repúdio ao jornalista e à reportagem pela Folha de SP. Desde o ano passado, Scolari se queixa de os meios de comunicação citarem seu salário, de cerca de R$ 700 mil/mês. Argumenta que isso põe seus familiares em risco.

As declarações de Scolari e a nota divulgada pelo Palmeiras provocaram uma onda de ameaças de grupos de torcedores organizados do time a jornalistas da Folha por meio do Twitter, do Facebook e também de sites, blogs e fóruns de torcedores.

Uma dica de bom cinema

Por Marcelo Hessel, do site Omelete

A Rede Social (The Social Network) vence o espectador logo na primeira cena por exaustão, quase por W.O., antes mesmo dos créditos iniciais. Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) fala sem parar sobre os QIs dos gênio e as fraternidades mais exclusivas de Harvard numa velocidade que a sua namorada, à sua frente, não consegue acompanhar. O barulho no Thirsty Scholar Pub é alto, toca “Ball and Biscuit”, e no momento em que Zuckerberg finalmente leva um fora da garota nós podemos ouvir o climático solo de guitarra da música do White Stripes ao fundo.

A trilha sonora executada como extensão do conturbado fluxo de consciência de Zuckerberg é uma das ferramentas de que o diretor David Fincher dispõe para manter o espectador conectado à sua verborrágica história oral da criação do Facebook. Isso fica claro no instante seguinte, a saída do pub, os créditos do filme, quando toca fora de cena a primeira faixa composta por Trent Reznor e Atticus Ross especialmente para a trilha, “Hand Covers Bruise” (é a mesma música que fica ao fundo no site oficial). Nela, acordes simples ao piano vêm acompanhados de um zumbido que nos deixa ao mesmo tempo apreensivos e anestesiados.

Há um clima de urgência se instalando em A Rede Social, como se Mark Zuckerberg, depois do fora, corresse ao dormitório por predestinação, chamado a cumprir um papel milenar que lhe cabe. O nerd não é um macho alfa, de qualquer forma, e como o nosso narrador tem à mão a Internet, o seu fluxo de consciência logo vira uma série de posts rancorosos no velho Livejournal. Para se vingar das mulheres, Zuckerberg hackeia do seu quarto em Harvard algumas redes de faculdades e cria um site que ranqueia fotos de universitárias. Começa a germinar aí a ideia da rede social que o tornou bilionário.

O Zuckerberg real afirma que nunca houve a tal namorada, mas para o filme isso não importa. Como uma advogada diz mais adiante, “todo mito de criação precisa de um diabo”, e o gênio overachiever de Harvard não é muito diferente de outros magnatas da comunicação que acabam virando arquétipos de tragédia no cinema – homens que ligam pessoas e terminam sós, que lidam com as palavras mas não conseguem se expressar – como o próprio Charles Foster, o Cidadão Kane.

A Rede Social, então, funciona em dois níveis. O primeiro é o mundo como o narrador Zuckerberg vê, um borrão cor de musgo cheio de eventos desinteressantes. O próprio Fincher – sempre um niilista – em cenas como a da regata, onde o protagonista não está presente, reproduz essa visão (a mecanicidade eterna dos gêmeos remadores é o contraponto ideal aos arroubos de articulação de Zuckerberg). O segundo nível, em oposição, é o mundo de fato – que em seu movimento inercial não se deixa alterar pelos atos de Zuckerberg, ao contrário do que o nosso anti-herói, na sua mania de grandeza, gosta de pensar. Perguntas como “tenho sua atenção?” e “você está ouvindo o que estou dizendo?” surgem um par de vezes. No fim das contas, embora o Facebook trate de conectividade, David Fincher está fazendo um filme sobre a dissonância. É como o ruído que persiste na trilha de Reznor, literal e metaforicamente.

Nesse sentido, talvez A Rede Social esteja tão próximo de Zodíaco, o melhor filme do diretor, quanto de Cidadão Kane. A impossibilidade de redenção e a estrutura temporal baseada num longo flashback são as mesmas do clássico de 1941, e Zuckerberg tem seu Rosebud pessoal, evidentemente. Já a sensação de impotência é comparável à de Zodíaco, um filme com personagens que também projetam no mundo relações irreais de causa e efeito, para preencher seus vazios. No suspense, o jornalista e o cartunista procuram pistas de um assassino que talvez não exista mais. Em A Rede Social, Zuckerberg, desde aquela primeira cena no bar, enxerga segundas intenções em tudo. O Mark Zuckerberg da realidade tem todo o direito de reclamar do seu retrato ficcional, que afinal é simplificado para se encaixar num certo perfil, num certo arco. Mas o Zuckerberg do filme, embora pareça, não é uma vítima das circunstâncias ou do seu temperamento. É, sim, vítima de seu tempo.

A frase do dia

“Sei que em algum momento vou ganhar o Mundial que eu tanto quero. Meu desejo é conquistar uma Copa do Mundo. Graças a Deus, tive a sorte de ganhar tudo em nível de clubes e individualmente. A única coisa que está faltando é isso. A última vez que chorei foi quando ficamos fora do Mundial. Temos muito bons jogadores e infelizmente ainda não conseguimos conquistar coisas grandes com a seleção argentina”.

Do craque Lionel Messi, confirmando o projeto de ganhar uma Copa – só espero que não seja a de 2014.

Allen toca em homenagem a Niemeyer

O cineasta Woody Allen se qualificou nesta sexta-feira (25) como um “músico horrível” antes de tocar diante de uma plateia de 10 mil pessoas durante a abertura do Centro Cultural Oscar Niemeyer na cidade de Avilés, no norte da Espanha. O diretor nova-iorquino inaugurou o cinema do centro cultural, onde uma poltrona levará o nome de Niemeyer, e foi apresentado pelo presidente do governo regional asturiano, Vicente Álvarez Areces, e pelo cantor espanhol Luis Eduardo Aute, junto ao ministro da Presidência espanhol, Ramón Jáuregui. “Sou um bom diretor, mas sou um músico horrível, e é por isso que estou aqui hoje”, se limitou a dizer ao público que enchia a pequena sala de cinema, segundo notícia divulgada pela agência Efe.