Jogo teve pouco mais de 4 mil pagantes

Segundo a assessoria da Federação Paraense de Futebol, o jogo Paissandu x Independente teve público pagante de 4.206 espectadores, com renda de R$ 81.240,00. Excluindo as despesas de R$ 55.203,75, sobrou líquido para o Paissandu a quantia de R$ 26.036,25. O público total foi de 5.173 pessoas, incluindo 967 credenciados.

Paissandu passa fácil pelo Independente

O Paissandu está nas finais do primeiro turno do Campeonato Paraense. Com gols de Rafael Oliveira, Sidny e Marquinhos, derrotou o Independente Tucuruí por 3 a 1 na tarde deste domingo, na Curuzu. Marçal marcou o gol solitário dos visitantes. Como havia empatado a primeira partida (3 a 3) em Tucuruí, na quarta-feira, o Paissandu poderia até empatar de novo que passaria à decisão. Apesar da vantagem, o time buscou o gol desde os primeiros minutos, empurrado pelo bom público presente ao estádio. Mesmo agressivo, comandado por Alex Oliveira, que acionava bastante o lateral Sidny e o atacante Rafael Oliveira, o Paissandu não conseguiu dominar o Independente, que se defendia bem e levava perigo em lances isolados. Aos 26 minutos, quando o Independente era mais presente no ataque, nasceu o primeiro gol. Em jogada na entrada da área, Alex passou a bola a Rafael, que recebeu livre e tocou na saída do goleiro Evandro. A zaga do Independente reclamou de impedimento, mas o árbitro Joelson Nazareno Cardoso confirmou o gol.

Quase ao final do primeiro tempo, o Independente ameaçou em jogadas de Joãozinho, Tiago Floriano e Marçal. Joãozinho foi à linha de fundo e cruzou. Marçal ia receber de frente para o gol, mas Billy dividiu com ele e em seguida caiu agarrado à bola. O árbitro, na dúvida, marcou falta de ataque, gerando novos protestos do Independente. Em seguida, Floriano invadiu a área pela esquerda e bateu firme para excelente defesa de Alexandre Fávaro.

Para a etapa final, Sérgio Cosme tirou Alex Oliveira e lançou Marquinhos para injetar gás no meio-campo. O Independente tentou avançar, mas nem teve tempo de reagir, pois o Paissandu chegou ao segundo gol logo aos 5 minutos, em jogada individual de Sidny. O lateral recebeu a bola junto à linha de meio-campo, foi avançando sem marcação e próximo à grande área disparou um chute forte no canto direito de Evandro. O gol abateu o Independente, que se perdeu em jogadas dispersivas, sem ameaçar a defesa bicolor. Logo em seguida, aos 12 minutos, em rápida escapada pela esquerda, Rafael Oliveira cruzou rasteiro, Mendes furou e a bola sobrou para Marquinhos, livre, tocar para as redes.  

A partir daí, com a parada liquidada, o Paissandu passou a tocar a bola, sem forçar as jogadas de ataque. O Independente foi se animando e voltou a atacar. Joãozinho e Marçal buscavam sempre chegar à grande área, até que o meia acertou o caminho das redes e diminuiu. Mendes perdeu outra grande oportunidade, aos 35, após belo passe de Billy. Fábio e Joãozinho ainda tentaram chegar ao segundo gol, em bola que Marquinhos perdeu infantilmente dentro da área, mas o árbitro assinalou falta. E, apesar da vitória tranquila, o técnico Sérgio Cosme voltou a ser alvo de muitos protestos na Curuzu. Dividiu com o presidente Luiz Omar Pinheiro os apupos da torcida. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Felipão fritado em fogo brando

Por José Roberto Malia

Não dá mais para esconder: o periquito-chefe da bola palmeirense, Luiz Felipe Scolari, está sendo fritado. Por jogadores e cartolas comandados pelo cardeal Mustafá Contursi, inconformado com o holerite de R$ 700 mil do ‘sargentão’. Certamente alguns atletas como Lincoln, Valdivia e Kleber não soltariam foguetes se Felipão deixasse o clube agora, mas não esconderiam um sorriso de fazer inveja a garoto-propaganda de consultório odontológico. Já os dirigentes cutucam o treinador de todos os lados a fim de forçar sua demissão e livrar o clube de mais uma pesada multa.
Até hoje o Palmeiras contribui mais que satisfatoriamente com a renda mensal de três técnicos rifados na gestão do ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo: o ‘pofexô’ Vanderlei Luxemburgo, ‘Muriçoca’ Ramalho e Antônio Carlos Zago. A máquina de calcular aponta uma sangria superior a R$ 1 milhão por mês com os três defenestrados. Os cofres palmeirenses não suportariam mais uma rescisão unilateral, já que estão mais vazios que coração de mãe quando filho único vai embora de casa. Ou Congresso Nacional em véspera de feriado.
Há quem jure que as contas a pagar no velho Palestra assustariam até Eike Batista, o oitavo homem mais rico do planeta. O mago Valdivia, por exemplo, receberia R$ 800 mil mensais, entre salário, direito de imagem e luvas. Em seu site, o conselheiro e corneteiro Gilto Avallone publicou recentemente alguns números tranquilizadores. Dívidas a curto prazo: FGTS – R$ 938 mil; Imposto de Renda – R$ 4,9 milhões; INSS – R$ 657 mil; bancos – R$ 14 milhões; empresários de atletas – R$ 7 milhões. Que beleza!

Re-Pa nas arquibancadas, o grande desafio

O duelo era esperado desde o começo do campeonato e finalmente chegou o momento. Remo e Paissandu, que vivem disputando quem leva mais torcedores aos estádios, têm a oportunidade de tirar a limpo essa história. Neste domingo, às 16h, no estádio da Curuzu, o Papão recebe o Independente, contando com o apoio da torcida e tendo a vantagem do empate para se classificar à decisão do primeiro turno. Na segunda-feira (14), às 20h30, no estádio Baenão, o Remo recebe o Cametá em situação oposta. A vantagem é do time interiorano, que pode até perder por dois gols de diferença para ir à final. Apesar do vexame no primeiro jogo, quando foi goleado por 4 a 1, torcida remista promete lotar o estádio para empurrar o time a uma vitória redentora.

Os dois jogos terão transmissão ao vivo da TV Cultura e há previsão de chuva nas duas situações. Em tese, as situações se equivalem, o que significa que será um duelo em igualdade de condições. Quem levará a melhor? (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Coluna: Sob as bênçãos de Chacrinha

O Paissandu não pode se queixar de tédio. Ao contrário, vive momentos de constante ebulição. São turbulências que se arrastam há tempos, mas que no final do ano passaram por momentos de surpreendente calmaria. Foi quando a atual diretoria obteve a reeleição com o precário apoio dos grandes notáveis do clube, tendo como solitário baluarte o presidente do Conselho Deliberativo, Ricardo Rezende.
Nem mesmo os costumeiros períodos de ausência, pecado mais visível do atual presidente, pesaram no pleito de dezembro. Em resposta às críticas da campanha eleitoral, Luiz Omar Pinheiro fez questão de avisar que a gestão seria exatamente como no primeiro mandato.
Errou apenas na dose, pois a nova administração tem sido pior do que a anterior. Reina completa balbúrdia interna, agravada pela falta de autonomia dos demais diretores. Jogadores são contratados, dispensados e reabilitados em questão de minutos. O argentino Martín Cortés é um dos últimos exemplos do caos. Chegou de supetão, trazido por empresários e avalizado por minutos de imagem no Youtube. Nada que, nem de longe, recomende a contratação de um jogador.
Cerca de 10 dias depois de ser apresentado oficialmente, Cortés ainda não foi testado pelo técnico Sérgio Cosme. Não se sabe se joga tudo o que falam ou se é apenas produto da lábia de hábeis negociantes. Na sexta-feira, uma surpresa. Seus representantes deram um ultimato ao clube: ou paga o que lhe foi prometido ou toma o rumo do aeroporto.
Em meio a isso, arrasta-se desde o ano passado a penosa convivência com o ex-ídolo Sandro, cujo excelente acerto salarial inclui uma confusa compensação por antigas dívidas. Ao mesmo tempo, o jogador mantém viva uma ação contra o Paissandu na Justiça do Trabalho.
Na quarta-feira, antes da primeira partida contra o Independente, estourou outra bomba: a negociação de Tiago Potiguar com um clube chinês. Depois de desencontradas versões, descobriu-se que o Paissandu cedeu seu melhor jogador em troca de R$ 250 mil (por empréstimo).
Até os aliados há muito desistiram de entender tanta bagunça e já ensaiam um pedido de impeachment. A desorganização e a falta de transparência se transformam em marcas do mandato, mas LOP pouco se importa em esclarecer ou justificar seus atos. O modelo parece ser Chacrinha, que dizia não ter vindo para explicar, mas apenas para confundir.
 
 
No time que só precisa empatar sem gols para despachar o Independente, na manhã deste domingo, a maior novidade será Elton Lira na lateral-esquerda. Foi um dos últimos contratados e já viveu emoções fortes, chegando a ser incluído na primeira lista de dispensas. Reabilitado, entra de cara no time titular. Para a difícil missão de substituir Tiago Potiguar, Sérgio Cosme já escalou Alex Oliveira, que sabe organizar, mas não corre com a bola. Não há jeito, todos terão que se adaptar a esse novo estilo.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 13) 

É ou não é a casa da Mãe Joana?

Você sabia que a camisa oficial da Seleção Brasileira foi usada, indevidamente, num jogo caça-níqueis promovido na Chechênia e que teve como atrações Romário, Bebeto, Dunga e Cafu? E que a CBF, ao ser confrontada com a notícia, informou que não tem nada a ver com a história? Alegou que qualquer um pode comprar o uniforme e entrar em campo com ele. O problema é que Dunga e Cafu foram capitães do escrete e levantaram a Copa Fifa, devendo mostrar respeito pelo manto sagrado. Romário e Bebeto, campeões do mundo e deputados eleitos, deveriam ter a noção clara do papel que cada um representa para a história da Seleção pentacampeã do mundo. Sem esquecer que o Baixinho é o embaixador oficial da Copa de 2014.

Pensata: O futebol e o dinheiro

Por Oliver Seitz 
 
Não interessa quanto de dinheiro um clube ganha. Porque quanto mais ele ganha, mais ele efetua gastos

Alguém disse um dia que o futebol é um grande negócio. Um monte de gente acreditou. Esse alguém e esse monte de gente, infelizmente, estão errados. Futebol não é um grande negócio. É um negócio mediano. Energia, alimentação, automóveis, extração, jogos de azar e construção são grandes negócios. Futebol não. Não chega nem perto. Nem aqui, nem na Europa e muito menos na China. Mas no fundo, isso pouco importa, afinal o futebol independe do dinheiro que ele gera. Não é isso que faz a máquina funcionar. Se o futebol gera 10 milhões ou 10 bilhões de reais, a diferença, especialmente pro mercado brasileiro, é muito pequena. Isso acontece porque a cadeia de valores do futebol funciona de uma maneira bastante peculiar.

Diferente de cadeias normais, onde o processo de produção é baseado essencialmente no processo financeiro, o futebol se baseia no processo esportivo, independente do financeiro. Basicamente, a idéia da cadeia é a seguinte: times existem para ganhar partidas; times com jogadores mais talentosos ganham mais partidas; existem muito mais demanda do que oferta de jogadores talentosos; jogadores talentosos tendem a escolher o clube por conta da proposta financeira; quanto mais dinheiro um clube tem, mais chance de contratar jogadores talentosos ele possui e, portanto, ele terá mais chances de obter vitórias.

Só que o valor de um jogador talentoso não é baseado em uma tabela fixa, mas sim no preço atribuído por outros clubes que competem pelo mesmo talento, independente do quanto for isso. Clubes de futebol do mundo inteiro tendem a gastar em média uns 80% daquilo que arrecadam com salários e transferências e apenas 20% com outros custos, como estrutura de estádio e centro de treinamento. Esses últimos, porém, são gastos com valores determinados pelo mercado em geral, o que faz com que apenas essa parcela represente um ganho real de receita. Para esses valores, mais dinheiro de fato significa algo positivo. O resto, porém, é uma draga: quanto mais você ganha, mais você gasta.

Ou seja, não interessa quanto de dinheiro um clube ganha. Porque quanto mais ele ganha, mais ele gasta. O que interessa é que ele ganhe mais dinheiro do que os outros clubes. Se você analisar os números, na verdade você chega à conclusão que isso acontece de verdade: apesar das receitas dos clubes brasileiros terem aumentado significativamente ao longo da última década, os gastos aumentaram muito mais.

Isso porque a competitividade por talento é quase que uma disputa bélica, e o único jeito de acabar com isso é justamente o jeito com que EUA e Rússia conseguiram frear o espiral de gastos da guerra fria: chegaram a um acordo de corte de gastos conjunto. Clubes não deveriam se unir para descobrir um jeito de ganhar mais dinheiro. Deveriam se unir para descobrir um jeito de gastar menos.

(Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br)