Tribuna do torcedor

Por Denilson Tavares (dentav@ig.com.br)

Todo ano é a mesma coisa: a diretoria acéfala do Remo monta um time de pernas de pau em Janeiro (faltando 2 semanas pra começar o campeonato) quando todos nós sabemos que os bons jogadores já estão empregados desde Dezembro. Aí só sobram as “rebarbas” (se o Adriano Pardal fosse bom viria de graça?) pra enganar a torcida e fazer turismo no nosso estado as custas do clube! Quando chega o fim do primeiro turno (faz tempo que não sabemos o que é ganhar turno), temos que assistir o time da FPF (o coronel Nunes é o nosso Ricardo Teixeira tupiniquim, se perpetuando no poder) ganhar do time pequeno que nos eliminou e levar a taça. Aí então, vamos atrás de novos “reforços” (a “rebarba da rebarba”) para passar novo vexame no segundo turno. Vocês acham sinceramente que a sábia diretoria conseguirá algum jogador bom de bola desempregado a baixo custo, querendo vir pro Remo (sem calendário garantido no segundo semestre) a esta altura do campeonato? É muito querer duvidar da inteligência da torcida, não? Aliás, a imensa nação azulina não merece este castigo tamanho.
Aí, quando o Remo fracassar no segundo turno também e passar a humilhação de ficar sem divisão mais uma vez, aparece um bando de diretores incompetentes dizendo que o clube não tem dinheiro pra honrar os compromissos até o fim do ano, que a renda dos patrocinadores está sendo usada pra pagar jogadores e funcionários na justiça, que ano que vem o planejamento será diferente (vão continuar contratando os pernas-de-pau só em janeiro) e que a torcida pode esperar que o Remo voltará a ser grande. Tudo balela!
Também, o que podemos esperar de um clube sem a mínima estrutura exigida para um time de futebol decente (sem academia, sem centro de treinamento, sem departamento médico, etc.) e que o antigo presidente (aquele da venda do Baenão) fez questão de depredá-lo moralmente e emocionalmente?
Enquanto isso, vemos bons valores como Robinho e Leandro Cearense já negociando com o maior rival para o segundo semestre dando perspectivas de retorno financeiro futuro (assim como foi com o Thiago Potiguar e será com o Rafael Oliveira), já que eles tem calendário e nós não. Além do mais, ano que vem já terão uma renda extra na copa do Brasil e nós não.
Caros amigos, ou a nobre e inteligentíssima diretoria abre o olho e procura se reciclar, profissionalizando sua administração amadora, ou veremos o glorioso centenário Clube do Remo virar um museu com histórias de conquistas do passado apenas, para contar pros nossos netos.

Quirino na mira do Remo para o returno

Autor de três gols no jogo contra o Centenário no último domingo, o veterano atacante Quirino, do Santa Cruz (RN), volta a entrar nas cogitações da diretoria do Remo. Em alta no futebol nordestino e com 10 gols no campeonato potiguar, o artilheiro já demonstrou interesse em jogar no Pará, animado com o sucesso de seu amigo e ex-companheiro de time, Tiago Potiguar. Do lado azulino, o interesse pelo jogador aumentou depois que fracassaram as tentativas para contratar Nunes, do Red Bull, que é cobiçado por vários outros clubes, inclusive do exterior. Um dos problemas, segundo um dirigente, é convencer o técnico Paulo Comelli, que não conhece o goleador. Importante: o prazo para inscrição de novos jogadores se encerra a 1º de abril.

Coluna: A vitória do artilheiro

Um atacante de ofício, hábil o suficiente para se posicionar bem e capaz de variar seu repertório de truques, representa um bem precioso para qualquer time de futebol. Aqui ou na Transilvânia. Mendes, que chegou por aqui se destacando mais pelas entrevistas e presença espirituosa no Twitter, começa a justificar sua utilidade para o Paissandu.
Estava há três partidas sem balançar as redes e, ontem, aproveitou logo para carimbar duas vezes a defesa do Cametá. Pode-se dizer, sem exagero, que a tarde foi de Mendes. No primeiro lance, decisivo para a vitória, mostrou capacidade de antevisão do lance: recebeu cruzamento rasteiro de Billy e, diante da marcação do zagueiro Rubran, desviou com um toque sutil de bico de chuteira. A bola pegou o efeito desejado e enganou o goleiro André Luís.
Quando o embate ficava perigosamente penso em favor do Cametá, que atacava com até seis homens e iniciava um sufoco em busca do empate, Mendes recorreu ao fundamento do chute de longa distância, nem sempre muito exercitado no futebol paraense.
Recebeu a bola passada por Rafael Oliveira e confundiu o marcador. Ao invés de partir para invadir a área, usou o pé esquerdo para mandar um chute no ângulo direito da trave de André Luís. Tiro indefensável. Golaço.
Aproveitamento excelente para quem só recebeu três boas bolas no jogo. Foram três passes e dois gols. Sem mistérios, o artilheiro construiu a vantagem que o Paissandu precisava para suportar quase três quartos do jogo sob pressão constante do Cametá. Quem tem bons jogadores de área sabe a importância que eles têm. Costumam marcar presença justamente em ocasiões enrascadas, quando as oportunidades rareiam.
Experiente, Mendes sabe proteger bem a bola, passa com correção e é quase sempre certeiro nos arremates. Tanto que surpreendeu ao desperdiçar uma chance preciosa, no segundo tempo, depois de levar a melhor sobre a defesa cametaense. A surpresa veio do fato de que é um goleador que raramente perde os chamados gols fáceis. 
Depois que foi trocado por Zé Augusto, o Paissandu teve apenas outro bom momento, mas Billy desperdiçou. Rafael Oliveira, principal artilheiro do time, não estava em dia de grande inspiração, apesar de esforço e participação na partida. Mas, graças à produtiva atuação de Mendes, o Paissandu não precisou dele.
 
De espantar na partida foi a apatia inicial e a ausência de recursos do Cametá para mudar um cenário flagrantemente desfavorável. Tinha a posse de bola e tomava conta do campo inimigo, mas não encontrava brechas para chutar. Seu domínio era ilusório, mas o time insistiu nessas tentativas do começo ao fim. Com Leandro Cearense anulado, só chegou ao gol quando Robinho foi à linha de fundo e cruzou para Jailson. Pena que tenha buscado esse caminho apenas uma vez.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 21)