Público foi superior a 11 mil pagantes

Mais de 11 mil pessoas pagaram para ver o jogo decisivo das semifinais entre Remo e Cametá, na noite desta segunda-feira, no estádio Baenão. Segundo a assessoria da Federação Paraense de Futebol, 11.110 pagantes proporcionaram a renda de R$ 139.430,00. Descontadas as despesas de R$ 56.971,55, sobrou para o Remo a quantia de R$ 82.458,45. No total, o Baenão recebeu um público de 11.895 espectadores, incluindo 785 credenciados.

No detalhamento das despesas, chama atenção o custo dos ingressos, R$ 17.428,75; do lanche, R$ 1.755,00; e dos funcionários do Remo, R$ 1.258,43.

Cametá elimina Remo e vai à final

Com gols de Jailson e Leandro Cearense (2), todos no segundo tempo, o Cametá despachou o Remo na noite desta segunda-feira e vai decidir o primeiro turno do Campeonato Paraense com o Paissandu, a partir do próximo domingo. Como havia vencido a primeira partida por 4 a 1, o time interiorano podia até perder por dois de diferença, mas teve fibra e competência para obter o empate através de contragolpes certeiros.

O primeiro tempo teve amplo domínio do Remo, que sufocou o Cametá e conseguiu fazer 2 a 0. Tiaguinho marcou logo no começo, cobrando falta e empolgando a torcida que lotava o estádio. Depois disso, várias chances foram desperdiçadas por Elsinho, Tiaguinho e Rafael Morisco, que acertou o travessão de André Luís em cobrança de falta. Aos 44 minutos, o volante Wilson pôs a mão na bola e o árbitro Wilson Luiz Seneme assinalou pênalti, que Morisco converteu.

No segundo tempo, correndo contra o tempo, o Remo tentou manter a pressão, mas foi surpreendido por um rápido ataque cametaense, que resultou em cruzamento e finalização certeira de Jailson, aos 3 minutos. O gol arrefeceu o ânimo dos azulinos, que a partir daí precisavam fazer mais dois gols. Quando o time buscava se ajustar, já com Fininho no lugar de Tiaguinho e Ró na vaga de Tiago Marabá, veio a ducha de água fria. Em contragolpe iniciado por Robinho, a bola chegou a Leandro Cearense, que bateu na saída do goleiro Léo Rodrigues empatando a partida em 2 a 2.

Cansado pelo esforço para construir placar mais dilatado, o Remo via-se na situação de recomeçar do zero. Mesmo combalido, voltou a buscar o gol. E ele acabou saindo em novo penal, cobrado também por Morisco, aos 34 minutos. Ocorre que, nos instantes finais, com o time todo à frente, o Cametá encaixou novo contra-ataque mortal e Leandro Cearense deu números finais ao jogo. 3 a 3. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Tribuna do torcedor

Por João Lopes (englopesjr@gmail.com)

Missão difícil é missão possível também. Não há qualquer dificuldade a se considerar em se tratando de missões impossíveis, elas são impossíveis e não são um empreendimento factível mesmo, justamente por causa desta natureza: a da impossibilidade. Nem se constituem em
problemas de fato. Os problemas só existem quando os reconhecemos e tentamos resolve-los. Às vezes acertamos, às vezes erramos. Quem tenta resolver um problema é porque o identificou e errar faz parte de tentar encontrar uma resposta. E o problema remista ficou evidente na primeira partida diante do Cametá porque quando o time não tem a bola dominada é um deus nos acuda, ainda que se trate da defesa menos vazada do campeonato. Isto é, o time sabe se posicionar no ataque e eventualmente receber contra-ataques, mas quando o adversário tem a mesma proposta de jogo, a defesa fica confusa e, pior, vulnerável, mesmo com três volantes. Três. Entendo que volante demais atrapalha a própria marcação e a saída para o ataque, um grande prejuízo e um grande problema numérico. A matemática do futebol é implacável, quanto menos criadores de jogadas, menos jogadas, mas mais marcadores não significa mais marcação. A matemática pondera números, mas a inteligência pondera problemas nos quais a matemática é reduzida a mera ferramenta de auxílio, principalmente nos casos em que o maior perigo é matematicamente imprevísivel, como nas jogadas geniais de bons armadores de meio-campo. Pois, então vamos lá, o problema remista dentro de campo é antes de tudo estar viciado num jogo de pouca variação e apostando sempre nos jogadores de melhor fase técnica, Marlon e Elsinho principalmente, como válvula de escape, e por isso o intenso jogo pelos flancos. O problema é que ambos, mesmo sendo bons apoiadores, não são armadores, criativos, e assim até o futebol deles tende a desaparecer pela simples falta de visão de jogo apurada. Não que o Remo seja o único time a fazer isso, o Paysandu, por exemplo, descobriu um meio de jogar sem o Potiguar rapidamente, mas não ter mais nada a fazer em campo é inadmissível. Fran Costa observou bem este detalhe nos confrontos com o Remo até aqui e tirou proveito. Entre certamente cometer mais um erro, e a mera possibilidade de não acertar em lançar um time ofensivo ao gramado, sem dúvida, arriscaria o ataque. Menos um volante, mais um armador, e o problema remista começa a ser enfrentado como se deve e, quem sabe, resolvido.

Coluna: Em busca do milagre

Os mais antigos costumavam dizer que o futebol é imprevisível, fato parcialmente desmentido pela realidade dos últimos anos. Prefiro dizer que o jogo é surpreendente, às vezes, como na goleada cametaense sobre o Remo no meio da semana. A inesperada vitória por 4 a 1 mudou por completo o eixo da semifinal, pois até então acreditava-se que os azulinos eram os favoritos. Tinham (e têm) a melhor campanha e a defesa mais eficiente. Além disso, jogavam por dois empates.
De repente, a situação se inverteu dramaticamente. Não basta ao Remo vencer, precisa golear. E programar goleada é sempre tarefa complicada quando o adversário vem devidamente avisado quanto às intenções do oponente. O resultado de Cametá foi atípico e, por isso mesmo, outro placar elástico também será anormal.
Com necessidade de fazer muitos gols, é provável que Paulo Comelli arme o Remo de maneira diferente, explorando a presença de um centroavante típico (Wellington Silva), auxiliado por um atacante rápido, Tiago Marabá. Tem o reforço providencial de Tiaguinho, seu principal organizador. Se optar por um esquema mais ousado ainda deve escalar outro meia-armador, Fininho ou Léo Franco. Desse modo, com a participação dos laterais Marlon e Elsinho, o Remo teria formação extremamente ofensiva.
Em tese, não é o momento de usar muitos volantes, como na primeira partida. A opção deve ser por San e Mael guarnecendo a zaga e as laterais. O drama de Comelli é montar um time leve, apostando na habilidade para tentar furar o bloqueio adversário e, ao mesmo tempo, garantir vigilância sobre os perigosos Robinho e Leandro Cearense, principais jogadores do Cametá. Sob qualquer ponto de vista, a parada é indigesta.
 
 
O Paissandu anulou os mais importantes jogadores do Independente e liquidou a parada com relativa facilidade. Billy, o melhor em campo, e Alexandre se encarregaram de vigiar Marçal e Gian. Executaram a dupla missão com presteza e eficiência. Gian sumiu e Marçal só teve alguma liberdade quando o embate já estava decidido.
Parece simples, mas foi assim mesmo, com um correto planejamento de jogo, que Sérgio Cosme fez com que o Paissandu não sentisse tanto a falta de Tiago Potiguar. No primeiro tempo, Rafael Oliveira foi brilhantemente lançado por Alex Oliveira e marcou.
No intervalo, Marquinhos substituiu Alex e o time continuou sufocando o Independente. Logo aos 5 minutos, aproveitando clareira aberta na zaga inimiga, Sidny fez um disparo mortal e tranqüilizou ainda mais as coisas. Logo depois, Rafael foi à linha de fundo e deu passe perfeito para Marquinhos fazer o seu. Marçal descontou aproveitando a quase trapalhada de praxe da defesa do Paissandu, mas foi apenas o gol de honra. Na verdade, o Independente perdeu qualquer chance de classificação ao se contentar com o empate dentro de casa. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 14) 

O adeus de Muricy às Laranjeiras

Por José Ilan

A saída de Muricy do Fluminense tem dois lados. Um, em que ele tem muita razão. Outro – maior – em que tem enorme culpa. O técnico tem todo o direito de não aceitar a estrutura mambembe do clube. Quando chegou, recebeu promessas de que a situação melhoraria. Nada aconteceu. Mesmo com o novo presidente, não havia perspectiva a curto ou médio prazo de grandes progressos. O campeão brasileiro, vergonhosamente, continua com um único campo ruim para treinamentos. E tem, seguramente, as mais precárias condições de trabalho dentre todos os grandes do país.

Quando escrevi, há tempos atrás, que a chegada do treinador era o mesmo que comprar uma BMW para estacionar num casebre, tricolores tentaram desvirtuar o comentário. Mas o tempo deu razão à dura comparação. Com tudo isso, Muricy foi campeão brasileiro. Sob este ponto de vista, praticamente um milagre. Não foi brilhante quase em nenhum momento da campanha, mas superou inúmeros problemas de lesão no elenco e ganhou um título que o clube perseguia há 26 anos. Ponto pra ele. No mais, sobretudo neste começo de ano, Muricy errou aos montes e sai mal do clube.

Primeiro, sem dar qualquer explicação de frente para o torcedor. Realmente não vai ser fácil justificar de forma convincente uma quebra de contrato quando sempre empunhou a bandeira do cumprimento integral deles. Muricy recusou a seleção brasileira para ficar no Flu? O tempo e o pedido de demissão abrupto, mostram que não. Como chegou-se a suspeitar, Muricy aceitou a seleção. Mas o Fluminense simplesmente não o liberou do pagamento de uma gigante multa rescisória.

Voltando ao trabalho propriamente dito, a coisa andava muito mal: Muricy tinha em mãos o elenco mais caro do Brasil. Não é exagero dizer que recebeu quase todos os jogadores que quis, e até alguns que não quis também. Mesmo assim, fez papelão. Na Libertadores, escalou e substituiu mal em TODOS os jogos, e tem toda a culpa do mundo na virtual e quase irreversível eliminação do time na primeira fase. Tudo isso em meio à pérolas do tipo “mata-mata é sorte”, que simplesmente depõem contra sua seriedade… É bonito deixar o time no meio do caminho?! Não, não é. No estadual, uma eliminação vergonhosa para o Boavista numa semifinal em que não conseguiu ser convincente em momento algum do jogo.

Tem explicação largar o time no meio da Taça Rio sem um forte motivo aparente? Não, não tem. Nos últimos dias, irritado e provavelmente já forçando um impasse, Muricy desandou a falar bobagens. Não pode ganhar um salário milionário e expor a estrutura do clube ao ridículo, mesmo tendo razão. Não pode mostrar total desprezo e ironizar uma declaração do Presidente do clube – sim, do PRESIDENTE – sobre o assunto da hegemonia de títulos no estado do Rio. O Fluminense é um dos maiores clubes do país, e o mínimo que se poderia esperar de seu treinador é respeito à sua história e sensibilidade quanto aos objetivos de seus torcedores. A expectativa nos próximos dias é saber se Muricy tinha algum forte motivo para criar uma situação insustentável. E se, em nome dela, perdeu a mão, a cabeça, e toda a razão.

Sua história de conquistas ninguém vai apagar. Seu nome na galeria de glórias do Fluminense, está definitivamente assinado. Mas antes do adeus, Muricy sucumbiu à fraqueza humana. E a porta da frente, por onde entrou, foi dispensada na saída.