Coluna: Sobre respeito e civilidade

Protesto de um grupo de torcedores dito “organizados” interrompeu na manhã de ontem o treino final do Paissandu para o jogo desta noite contra o Penarol, pela Copa do Brasil. Por inusitado, o incidente acabou ganhando mais relevância do que as tradicionais notícias sobre escalação da equipe e esquema tático. Além de inadequada e inoportuna, a agitação serviu para escancarar a instabilidade interna do clube.
Sob forte pressão, o Paissandu luta pela classificação à fase seguinte da Copa do Brasil e pela preservação da paz interna, seriamente abalada após a derrota frente ao São Raimundo, no último domingo em Santarém.
Aqui cabe uma reflexão importante: a quem interessa conturbar ainda mais o ambiente do clube na véspera de jogo tão importante? Impressiona a facilidade de acesso da facção “organizada” (declarada ilegal pela Justiça) ao local do treino, como se houvesse passe livre. O protesto dos invasores sem-camisa lembrou até aqueles factóides tão comuns a clubes como Corinthians, Palmeiras e Flamengo, quase sempre fomentados pelos próprios cartolas para fritar técnicos (ou boleiros) indesejáveis.
Ironicamente, o grupo foi exigir dos jogadores a promessa de vencer, como se alguém entrasse em campo para perder. Óbvio que o alvo preferencial era o técnico Sérgio Cosme, desgastado pelas críticas e apontado como principal responsável pelos problemas do time.
Neste ponto, os invasores do treino falam a mesma língua do torcedor de verdade, aquele que paga ingressos para incentivar o time nos estádios. É quase unânime a rejeição ao treinador, o que não significa que ele deva ser insultado enquanto exerce seu ofício.
As imagens da manifestação indicam que a atitude não é representativa dos anseios da parte normal e ordeira da torcida – que, felizmente, é sua esmagadora maioria. Ninguém questiona o legítimo direito de crítica e esperneio do torcedor, desde que isso seja exercido no local e oportunidade adequados: nos estádios durante os jogos.
Interromper treinamento é atitude anti-social e grosseira. Hostilizar não é a maneira mais inteligente de sair em defesa do clube. Nenhum profissional merece ser insultado e ofendido em seu local de trabalho e, no futebol, isso se estende ao campo de treinos. Existem leis que resguardam a integridade do trabalhador, seja ele gari, comerciário, professor ou jogador de futebol. E o empregador é o principal responsável pela segurança dos empregados.
Por outro lado, caso o técnico não seja mais do agrado e da conveniência dos dirigentes, existem meios civilizados de resolver o problema. Basta rescindir contrato e liberar o profissional. É legal e mais digno.  
 
 
Sobre o jogo, apesar das circunstâncias negativas, é improvável que o Paissandu não consiga superar o campeão amazonense. Creio até que a vitória será bem mais serena que os treinos no campo do Kaza.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 2) 

20 comentários em “Coluna: Sobre respeito e civilidade

  1. Opiniões se divergem, mas uma atitude exigia para o caso e essa veio da torcida, um grupo sim, mas que representa a vontade de uma boa parcela dos bicolores, incluindo eu. Gostei e que ordeiramente tenha seguimento.

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  2. Do jeito que estão administrando Paysandu e Remo, amigo Berlli, penso que só nós torcedores para fazer com que essa incompetência diminua. Continuo parabenizando os torcedores do Papão pelo que fizeram, ontem. Acredito que eles(dirigentes) já devem estar parando de pesquisar jogadores e passaram a pesquisar técnicos, Anotem.

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  3. SIM é iminente a saída do treinador do Psc. Mas eu, sinceramente, gostaria que ocorresse somente depois do próximo RE-pa. Por razões obvias.

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  4. Égua Gerson, ainda não tinha pensado nessa possibilidade de que a invasão dos torcedores poderia ter sido orquestrada pelos dirigentes, sabe que é possível, pois o treinador pedindo pra sair o clube se livra da tal multa de indenização. O Sergio Cosme se “gaba” que tem contrato até final do ano e que está com toda família aqui, inclusive o cachorro.

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  5. Discordo radicalmente dos amigos Berlli e Claudio. Só copiamos coisas que não prestam de outros estados, apenas nessas horas de atitudes condenáveis nos parecemos com grandes clubes. Acho que mais uma vez a coluna está perfeita. Eu que normalmente não fico elogiando para não encher de comentários repetitivos, dessa vez faço questão, pois vejo que é necessário acabar com essa presepada no nascedouro. Onde estava o centralizador LOP na hora? Certamente bem longe. Quem o representa na sua ausência? Esses é que devem satisfações e precisam ser cobrados, com respeito e civilidade. Outra, acho que além de um boleiro argentino que sue sangue em campo, precisamos de torcedores que apoiem do início ao fim dos jogos, perdendo ou ganhando, incondicionalmente, como “la hinchada” faz.

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  6. O calo so aperta no dono do sapato.Não sao vcs da imprensa que pegam chuva,onibus lotado,filas,apertos etc pra ver o time de coração ser humilhado pra times sem divisão e serie D.Quem diz que a atitude da T.O de invadir o treino do time pra cobrar é o pensamento da minoria da torcida, é porque nao faz parte dela, dai não sente o calo apertar.Entre na maior comunidade do orkut de um clube do norte que é a do Paysandu com mais de 40.000 seguidores e tire suas conclusões.

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  7. Concordo radicalmente com os amigos Berlli e Cláudio.
    Tivemos até agora toda a paciencia do mundo com esse SC e o que ele tem feito? Só porcaria. treina o clube com um bom plantel há um tempão e o time não consegue sequer sair jogando com a bola. Um horror.
    Fizemos protestos das arquibancadas várias vezes e o que os dirigente fizeram? nada.
    Então meus amigos só nos resta protestar sim e nos treinos.
    Sou contra agressão física quebra quebra, mais ir lá e dar uma pressão é muito importante.
    Vejam lá no curintia: rapidinho eles foram buscar um atacante que preste, os jogadores deixaram de ir pras baladas e o ronaldo parou de ficar brincando de ex jogador em atividade.

    Se não protestarmos vamos acabar falidos igualzinho ao remo.
    Lá ninguém reclama e eles estão aonde estão.

    Só recomendaria que da proxima vez os caras divulgassem os protestos pra gente ir lá também e dar mais legitimidade a essas necessárias manifestações em defesa do nosso papão.

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  8. Protestar é direito de todos, mas tudo tem de ser feito dentro dos princípios da civilidade e não podendo extrapolar seus direitos.
    Ir protestar em treino não sou contra, porém sem nenhum tipo de invasão de campo. A invasão ocorrida é que nos remete a achar q a diretoria tem algo a ver com esta situação. Não haviam contratado um gerente de futebol? Cadê o mesmo nestas horas?
    Também diante destas situações não se pode cobrar quando o técnico começa a realizar treino de portões fechados.

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  9. Gerson, mesmo considerando que é uma lebre importante esta que você levanta – a de que o protesto pode ter sido orquestrado pela própria diretoria – me permita uma ligeira discordância. É que repelindo qualquer forma de violência, creio firme que os protestos dos torcedores (cidadão e consumidores, antes de tudo), tem lugar TAMBÉM no horário destinados aos treinos.

    Aliás, estádio é o local adequado para o sujeito ir torcer e se alegrar com o seu time. Seria um verdadeiro contracenso o torcedor pagar para entrar no estádio com o objetivo de protestar. O protesto no estádio é contra uma jogada errada, um acidental gol contra, um erro comum do juíz, enfim, por qualquer eventualidade desagradável. Contra a política de administração do clube e o uso inadequado dos recursos públicos investidos mediante contratações temerárias o dia dos jogos, pode até ser utilizado, mas é o menos indicado. Ademais, o Clube passa o ano inteiro recebendo verba do governo (dinheiro dos tributos pagos por todos nós) e seis meses sem jogar pelos desmandos da diretorira, quando então se vai protestar? Enfim, limitar os protestos aos dias de jogos é cercear a liberadade de manifestação do torcedor.

    Ocorre que toda manifestação de protesto e de pressão para reverter quadros considerados desfavoráveis, tipo passeatas, buzinaço, panelaço, greve, piquete etc. devem ser realizados em momentos capazes de causar impacto, posto que do contrário, não surtirão qualquer efeito. Daí que mesmo incomodando (e são feitas pra isso mesmo) manifestações não violentas, ainda que veementes, são admitidas socialmente e algumas até autorizadas pela lei. O momento do jogo, nos estádios, me parece o mais inadequado. Desconcentra os jogadores, prejudica o desempenho e ainda pode até gerar agressões aos torcedores como já foi relatado que ocorreu.

    Enfim, os torcedores que proporcionam ao Clube tanto as verbas públicas, quanto às verbas privadas, além da verba dos ingressos, tem o direito de protestar (sem violência) também na ocasião dos treinos, contra os desmandos e baixo rendimento de dirigentes e atletas. Até porque conforme se suspeita fortemente, algumas vezes mais do que não entrar para ganhar eles (dirigentes e atletas) até entram para perder mesmo (aquele goleiro do Remo contra o Figueirense, o jogo contra o Internacional e os dois acessos frustrados no caso do paysandu, são apenas alguns exemplos destas suspeitas). Aliás, numa imagem que vi pela televisão lá estava o Sérgio Cosme confortavelmente rodeado pelos torcedores aplicando-lhes aquela lábia e o próprio Tiago Potiguar, que domingo reclamava da torcida no Bola, concedia entrevista admitindo ao repórter que a torcida tem razão no protesto e que o time precisa reagir.

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  10. senão vejamos o que de mais crucial aparece:
    A falta de CT do Clube, se o clube dispusesse desse equipamento, no treino não entraria torcedor e eles teriam a tranquilidade necessária prá trabalhar; por outra, o empregador não está proporcionando lugar digno pros seus trabalhadores executarem suas tarefas, considerando que o treino, é parte integrante da lide laborativa do atleta e condição indispensável prá execução dela, não acham? doutra forma, do que ví na reportagem veiculado na TV, não houve hostilidade ou grosseria, os torcedores, entraram inclusive lentamente, caminhando com tranquilidade e conversaram com o técnico e atletas, claro está, que tem nego ali que se sente atingido pois tem atitude comprometedora em jogos passados, que só está no plantel por sabe-se lá qual motivo, esses chinelinhos, tem algo a temer sim!
    No entanto o wque me chama a atenção e eu passo a cobrar é: CADÊ O CT DO GRANDE BICOLOR AMAZÔNICO, FOI SÓ CAMPANHA ENGANOSA PRÁ SE REELEGER LOP????

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  11. CORREÇÃO DO POST ACIMA,com inclusão da parte inicial do texto, DESCULPEM:
    Gerson Nogueira e Amigos do Blog;
    A manifestação de parte da Torcida do GRANDE BICOLOR AMAZÔNICO, ESCANCARA ALGUMAS SITUAÇÕES ATÉ ENTÃO ACOMODADAS OU, TOLERADAS, digamos assim,
    senão vejamos, o que de mais crucial aparece:
    A falta de CT do Clube, se o clube dispusesse desse equipamento, no treino não entraria torcedor e eles teriam a tranquilidade necessária prá trabalhar; por outra, o empregador não está proporcionando lugar digno pros seus trabalhadores executarem suas tarefas, considerando que o treino, é parte integrante da lide laborativa do atleta e condição indispensável prá execução dela, não acham? doutra forma, do que ví na reportagem veiculado na TV, não houve hostilidade ou grosseria, os torcedores, entraram inclusive lentamente, caminhando com tranquilidade e conversaram com o técnico e atletas, claro está, que tem nego ali que se sente atingido pois tem atitude comprometedora em jogos passados, que só está no plantel por sabe-se lá qual motivo, esses chinelinhos, tem algo a temer sim!
    No entanto o wque me chama a atenção e eu passo a cobrar é: CADÊ O CT DO GRANDE BICOLOR AMAZÔNICO, FOI SÓ CAMPANHA ENGANOSA PRÁ SE REELEGER LOP????

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  12. O PONTO DE VISTA DO BLOGUEIRO É O CORRETO,LOCAL DE TRABALHO É PRA SER RESPEITADO.CASO QUEIRAM ,OS TORCEDORES ,COBRAR EM DIA DE TREINO QUE AGUARDEM PELO FINAL DOS TRABALHOS E PEÇAM PARA SEREM ACEITOS POR ALGUNS DIRETORES EM LOCAL APROPRIADO.QUANTO AO MARTIN ,MEU COMPATRIOTA É COMO SE FOSSE EU JOGANDO…QUE LEGAL VER UM ARGENTINO QUE TEM GARRA E VONTADE JOGANDO PELO MAIOR E MELHOR TIME DA AMAZONIA DE TODOS OS TEMPO.HISTORIA SENDO FEITA,BOA SORTE PARA MARTIN.

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    1. Alonso então o Martin se for igual a você jogando, mas você já disse em postrs anteriores que era goleiro e de peladas, eu acredito que o rapaz seja bem mais qualificado

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  13. QUIS FALAR DE RAÇA ,DE DEFENDER COM VONTADE …NA LINHA MAL ACERTO A BOLA COM O PÉ ESQUERDO.NO GOL ,SERIAMENTE EU ERA PROMISSOR…MAS NA DÚVIDA PREFERI ESTUDAR ADMINISTRAÇÃO E DEPOIS ENGENHARIA…RS RS RS

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  14. AS PELADAS QUE EU PARTICIPEI ,HAVIA ARBITROS E E TC …INCLUSIVE MUITOS JOGADORES SE TORNARAM PROFISSIONAIS OU ARRUMARAM BONS EMPREGOS…EU MESMO TIVE CONVITES PARA TRABALHAR EM EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR CONTA DE SER UM GOLEIRO MEDIANO…MINHA ALTURA ME AJUDAVA MUITO.HOJE NÃO ,HOJE ENGORDEI ,PESO 141 KG…

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  15. Discordo de algumas posições manifestadas aqui. Protestar é salutar, é manifestação de inconformismo e sinal de que algo ainda pulsa nas veias. Porém, mesmo assim, há limites. Embora a profissão de jogador de futebol envolva paixões e sentimentos que beiram o irracionalismo, em muitos aspectos é uma profissão como outra qualquer, e como tal se resguarda de certos direitos e condições. Invadir local de trabalho para cobrar de forma grosseira um professor, um engenheiro, um médico, um juiz ou um gari, mesmo que seja constatado dano ao interesse público ou ineficiência na função, não é atitude recomendável. O trabalhador tem em seu ambiente de trabalho o “foro íntimo”. Neste ambiente lhe é requisitado concentração e dedicação; este espaço geralmente é co-habitado por outros profissionais que também necessitam de pré-requisitos para o exercício de suas funções, e dentre estes pré-requisitos há o respeito para com este ambiente, para os que nele co-habitam e para com o próprio ofício. Para manifestações mais acaloradas há os foros públicos, como as ruas, as praças, o plenários… e neste caso, as arquibancadas. Concordo plenamente com o Alonso e com o Gerson: lo trabalhador deve ser respeitado em sue ambiente de trabalho, pois este é lugar sagrado, é santuário, e como tal merece os traquejos adequados.

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    1. Caro Daniel, parabéns pelo comentário, como sempre bastante equilibrado. No fundo, estamos falando apenas de educação e respeito pelas pessoas.

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  16. Li no bola, edição de hoje, que o Toninho Assef, e o supervisor de segurança do Grande Bicolor Amazônico, registraram BO para investigar os torcedores que resolveram mostrar as carsas e cobrar, olhando no olho, de quem se deve, atitude responsável com o time pelo qual torcemos.
    Ora senhores, quanta incoerência; o episódio deveria servir para alertar, no entanto, ofende-os, pois são tremendamente incompetentes, reprimir a torcida que banca os times é um verdadeiro tiro no pé; pelo que se ouve pela imprensa esportiva, a diretoria é cheia de superegos, cada qual contrata à rodo e a seu bel prazer, ignoram CT e ddemais colaboradores, taçlvez nem o LOP saiba; no entanto o LOP saber ou não saber, faz alguma diferença???
    Meu protesto Continua;
    NÃO VOU AOS JOGOS DO GRANDE BICOLOR AMAZÔNICO, enquanto lá figurar, o traíra e entregador sandro!!!
    Ainda não esquecí do salgueiraço!!!!
    Ele ainda é escalado por esse incopetente técnico!!!
    Te dizer!!! permitam-me.
    A TORCIDA DEVERIA PROTESTAR NÃO INGRESSANDO NO ESTÁDIO, NÃO COMPRANDO INGRESSO!!!
    CONCENTRAR NAS TRAVESSAS DO CHACO E CURUZÚ E FAZER UM CARNAVAL, LÁ FORA!!!!
    ACOMPANHAR O JOGO PELO RÁDIO!!!!
    BO PRÁ TORCIDA!!!
    PODEM IR!!!
    INCOMPETENTES!!!!,
    SE TIVÉSSEMOS UM TIME DE HONRA, DE VERGONHA NA CARAR, UMA COMISSÃO TÉCNICA COMPETENTE !!!! E UMA DIRETORIA COMPROMETIDA COM A MANUTENÇÃO DA HISTÓRIA VITORIOSA DESSA NAÇÃO CELESTE, NÃO HAVERIAM TAIS PROTESTOS!!!

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