Mês: junho 2010
Gana bate EUA e vai enfrentar o Uruguai
O estoque de feitos dramáticos dos Estados Unidos estava esgotado. Os norte-americanos acabaram eliminados por Gana, neste sábado, em Rustemburgo, na prorrogação, assegurando sua vaga nas quartas de final. Com esse triunfo, essa já é a melhor campanha dos Estrelas Negras na história da competição. O time agora enfrenta o Uruguai, carregando a torcida do continente, que sediou o Mundial pela primeira vez na história.
Gana, do seu lado, segue muito viva. O time fez um rápido gol contra os EUA e acabou cedendo o empate. Com mais fôlego, porém, levou a melhor no tempo extra. Kevin-Prince Boateng foi quem abriu o placar, aproveitando-se falha na saída de bola do volante Ricardo Clark no meio-campo. O jogador do Hamburgo se atrapalhou ao tentar uma finta no círculo central, foi desarmado e permitiu um contragolpe fatal aos africanos. Prince foi lançado pela direita e partiu com tudo. Foi rápido ao limpar o lance na entrada na área, cortando para a esquerda e batendo de primeira, rasteiro.
A partir daí, porém, a partida passou para os pés dos Estados Unidos. Bradley sacou Clark ainda na etapa inicial, ganhou mais consistência no meio e começou a reter mais a bola em seus pés, em mais boa participação de seu filho, Michael, e do astro da seleção, Landon Donovan. No segundo tempo, Bradley fez outra alteração – esta recorrente durante o torneio –, sacando o segundo atacante Findley para colocar o meia Benny Feilhaber, dando assim mais liberdade para seus homens de criação se aproximarem da área. E deu certo. Aos 62, veio o empate. Dempsey avançou pela faixa central de campo e foi derrubado pelo defensor ganês Jonathan Mensah. Donovan foi para a cobrança e converteu.
A energia norte-americana, contudo, foi caindo à medida que o segundo tempo avançava. E Gana voltava a aparecer no ataque, especialmente nos minutos finais, embora sua chegada à área não tão incisiva até o apito final. Bem diferente da arrancada de Asamoah Gyan aos 93 minutos, já na prorrogação. Um balão direto da intermediária ganesa encontrou o atacante no mano-a-mano com Carlos Bocanegra. Em jogo de corpo com o zagueiro norte-americano, Gyan levou a melhor e conseguiu preparar a bola pela esquerda para soltar uma bomba por cima de Howard. O atacante, desta forma, se juntou a Donovan, ao uruguaio Luis Suárez, ao espanhol David Villa, ao argentino Gonzalo Higuaín e ao eslovaco Róbert Vittek como artilheiros da Copa do Mundo da Fifa, todos com três gols. Na primeira fase, ele havia feito dois em cobranças de pênalti na vitória contra a Sérvia e no empate com a Austrália. Gana teve de se suar muito para passar pelos Estados Unidos, mas agora tem um bom período de descanso até enfrentar o Uruguai por uma vaga nas semifinais e manter a esperança africana de título em seu solo. A partida será apenas no dia 2 de julho, próxima sexta-feira. (Com informações do Fifa.com)
Britânico apita jogo do Brasil nesta 2ª
O inglês Howard Webb será o árbitro de Brasil e Chile, nesta segunda-feira, no Ellis Park em Johanesburgo. Holanda x Eslovaquia terá a arbitragem de Undiano Mallenco (Espanha). Já Paraguai e Japão será apitado por Frank De Bleeckere (Bélgica). O clássico europeu Espanha x Portugal terá como árbitro central o polêmico Héctor Baldassi (foto ao lado), da Argentina, que já fez inúmeras trapalhadas apitando jogos da Copa Libertadores.
Por um TJD-PA verdadeiramente independente
Por André Silva de Oliveira (presidente do TJD-PA)
O cidadão Paulo Sérgio Ribeiro dos Santos acionou, no mês de maio deste ano, a Promotoria do Consumidor do Ministério Público Estadual, pedindo que aquela instituição investigue a interação entre a Federação Paraense de Futebol (FPF) e o Tribunal de Justiça Desportiva no Estado do Pará (TJD/PA), pois considera que a autonomia do Judiciário Desportivo – prevista no Estatuto do Torcedor – não está assegurada pela FPF.
Recebido o pedido, a Promotoria do Consumidor houve por bem abrir investigação e requereu informações relativamente aos fatos alegados às Presidências da FPF e do TJD/PA respectivamente. Na condição de presidente do TJD/PA, informei que o Judiciário Desportivo paraense não dispõe de sede própria nem tampouco de orçamento financeiro (nem mesmo a receita obtida com o pagamento dos emolumentos judiciais são revertidos em favor do TJD/PA; na verdade, não há nem mesmo uma conta bancária aberta em nome da instituição), o corpo funcional – constituído de duas servidoras – é pago pela FPF, o que as subordina juridicamente à FPF e não ao TJD/PA, etc. Há outros pontos mais, de igual ou maior relevância, que demonstram, como se pode inferir facilmente, que o Judiciário Desportivo no Estado do Pará não é independente, melhor dizendo, não goza minimamente da autonomia que lhe confere a legislação desportiva.
Todavia, reina grande confusão entre nós, até mesmo entre os que acompanham o chamado mundo do futebol, com relação às finalidades institucionais da FPF e do TJD/PA. Trata-se de instituições diferentes, sendo que à primeira (FPF) compete organizar as competições, ao passo que à segunda (TJD/PA) compete julgar as infrações desportivas, aplicar suas respectivas sanções, assim como decidir os conflitos que decorrem dos certames realizados pela FPF. Na verdade, no plano jurídico-desportivo, o TJD/PA é a única instituição que pode julgar os atos inquinados de ilegalidade da FPF, sendo que esta se submete àquela e não o contrário – é o que estabelece o art. 1º, parágrafo 1º, inciso I, do novo Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
O descumprimento da medida liminar concedida pela Presidência do TJD/PA, no dia 13.01.2010, em favor do Castanhal Esporte Clube, demonstrou, a toda evidência, que, no caso do Pará, a Presidência da FPF agiu com absoluto desrespeito ao que determina o dispositivo acima mencionado. O descumprimento da ordem judicial desportiva – fato amplamente divulgado pela imprensa local na ocasião – deixou patente a completa submissão do Judiciário Desportivo no Pará a uma instituição que era parte no processo e só lhe restava cumprir a ordem ou tentar reformá-la junto ao STJD. O que mais degradou o Judiciário Desportivo como instituição foi o fato, nada desprezível, de que o Pleno de nosso tribunal sequer censurou, quando menos, a ação ilegal da Presidência do FPF.
A verdade é que não passamos de mero departamento – aliás, mal aparelhado e cuidado – da FPF e somente deixaremos essa condição de servidão no dia em que o novo CBJD e, mais ainda, o Estatuto do Torcedor forem cumpridos. E isto implica, dentre outras medidas, em ter uma sede própria, com orçamento específico (que virá, defendo eu, de uma rubrica no orçamento da FPF; trata-se, tão-somente, de cumprir o que determina o art. 9º, X, do CBJD), corpo funcional pago por nós e, sobretudo, com as nomeações dos auditores do Pleno do TJD/PA fiscalizadas pelo Ministério Público Estadual (neste aspecto, a judicialização da questão é, segundo me parece, inevitável, tal a resistência silenciosa do tribunal em realizar a necessária auto-reforma para conformá-la aos objetivos da legislação desportiva).
Um Judiciário Desportivo verdadeiramente independente resultará em mais respeito aos direitos do torcedor, em tratamento de consideração igual entre clubes e FPF (basta lembrar o caso da liminar desrespeitada para acentuar o que quero dizer com isso), enfim, resultará no aperfeiçoamento da nossa instituição, profissionalizando-a em definitivo, capaz de fazer frente a uma legislação desportiva cada vez mais intricada.
O desafio está, pois, colocado; precisamos de um Judiciário Desportivo forte, independente e até mesmo interventivo e não de um Judiciário Desportivo que simplesmente reage de maneira meramente espasmódica quando convocado e sem ter a noção exata de sua real importância.
Celeste Olímpica, quem diria, está chegando
Foi sofrido, com direito a lances emocionantes e algum sofrimento, mas o Uruguai conseguiu derrotar a Coreia do Sul, na tarde deste sábado, em Porto Elizabeth, e avançar às quartas de final da Copa do Mundo. É a melhor colocação que o país consegue desde a Copa de 1970. O habilidoso atacante Suárez foi o melhor jogador em campo, marcando os dois gols que garantiram a presença da Celeste na próxima fase, incluindo-se desde já entre as oito melhores do mundo.
Fifa pode punir goleiro brasileiro
A cinta utilizada pelo goleiro Júlio César, que foi filmada e fotografada no jogo contra os portugueses, em Durban, pode causar problemas para a Seleção Brasileira. A peça é proibida pela Fifa. Para utilizá-la, como proteção especial para as costas, o goleiro teria que ter autorização expressa da entidade. Caso haja alguma denúncia ao comitê especial da entidade, o Brasil pode ficar sem o seu goleiro nas próximas partidas. O artigo 4 do regulamento da entidade diz claramente que é vedado o uso de equipamento que possa pôr em risco a integridade física do jogador e dos demais atletas. Quem primeiro tocou no assunto, para variar, foi o Diário Olé, da Argentina, que aproveitou para relembrar os dois toques de mão na bola de Luís Fabiano no golaço contra a Costa do Marfim, e citou até o gol de Túlio contra a seleção portenha na Copa América. É o chamado sujo falando do mal lavado. Há gol mais descaradamente irregular do que o de Maradona contra a Inglaterra na Copa de 86? Pois é…
Maradona imita Dunga e ataca imprensa argentina
Durou até muito tempo a lua-de-mel de Maradona com a imprensa argentina. O clima das coletivas do técnico é bem diferente daquele encontrado nas entrevistas de Dunga. Os dois têm personalidades opostas, agem de formas diferentes e, sobretudo, o argentino tem um quê de popstar que o brasileiro nunca fez questão de buscar. Mas em uma coisa, os dois se parecem: ambos gostam de lembrar as críticas da imprensa, mesmo quando suas seleções estão em bom momento. Neste sábado, em entrevista em Pretória, Maradona sorriu, abraçou um amigo e mandou beijos. Mas também falou grosso. Questionado sobre o bom momento atual vivido por sua equipe, o argentino aproveitou a chance para atacar a imprensa. “Estamos muito bem, mesmo. Não é fácil de não ser ninguém em seu país e depois ganhar três jogos. Agora tenho de passar pela concentração e ver as mesmas pessoas que diziam que éramos um desastre, a pior seleção de todas, agora falarem que somos excelentes”, afirmou o treinador.
Os melhores da primeira fase da Copa
Ainda é cedo para uma lista dos melhores da Copa, que apresenta nível técnico ainda é muito baixo, mas alguns jogadores conseguiram se destacar. Um hipotético time desta etapa ficaria assim, na opinião do colunista:
Júlio César – Com boas intervenções contra Costa do Marfim e pelo menos duas saídas salvadoras contra Portugal, confirma a fama de melhor do mundo. O outro grande astro das traves, Buffon, nem chegou a disputar a Copa, pois sua Azzurra saiu logo na primeira fase. Caminho aberto para o brasileiro entrar para a seleção do torneio.
Philipe Lahm – Depois de fazer um empolgante jogo na estreia contra a Austrália, a Alemanha caiu diante da Sérvia e vários de seus jogadores sumiram em campo. O lateral/ala direito, porém, continuou firme, com a regularidade habitual. O brasileiro Maicon também se destacou, mas ficou abaixo do alemão.
Guy Demel – A Costa do Marfim já está fazendo o voo de volta, mas seu principal zagueiro teve boa participação nas partidas iniciais da Copa. Bom nas jogadas aéreas, mostrou técnica acima da média quando precisou sair jogando. O argentino Samuel é outro nome expressivo, mas o marfinense teve atuações superiores.
Lúcio – O capitão brasileiro manteve a regularidade nos três jogos da Seleção no mundial. Contra os norte-coreanos, falhou junto com toda a defesa no gol sofrido, mas se redimiu por completo com exibições impecáveis contra Costa do Marfim e Portugal.
Carlos Salcido – O mexicano teve dois grandes momentos na Copa, contra África do Sul e França, merecendo aparecer na lista. É forte no desarme e apoia bastante o ataque, transformando-se às vezes num ponta à moda antiga.
Juan Sebastián Verón – Apesar do peso da idade, o volante argentino dá experiência e categoria ao setor de meio-campo argentino. Todas as bolas passam por seus pés e dali seguem para o melhor endereço possível.
Mezut Oezil – Craque do Werder Bremen, Oezil tornou-se o grande nome da seleção alemã nesta primeira fase. Liderou todas as ações do meio-campo e ainda apareceu para finalizar com extrema perícia, marcando um golaço contra Gana. O japonês Honda foi decisivo na partida contra a Dinamarca, repetindo as boas atuações das eliminatórias asiáticas.
Landon Donovan – Foi, seguramente, o jogador mais decisivo da primeira etapa da Copa. Habilidoso, marcou gols importantes (contra Eslovênia e Argélia), comandando todos os avanços da seleção norte-americana.
Tiago – Grande destaque da goleada portuguesa sobre a Coreia do Norte, o meio-campista é um dos grandes suportes de Cristiano Ronaldo nas tramas ofensivas de Portugal. Quase desconhecido, começa a aparecer bem para o mundo. Valter Birsa, da Eslovênia, vinha evoluindo na competição, mas sua seleção acabou perdendo a direção e saiu prematuramente. O brasileiro Luís Fabiano desencantou contra a Costa do Marfim, mas ainda está devendo um comportamento mais regular nos jogos.
Lionel Messi – Melhor jogador do mundo, o camisa 10 do time de Maradona concentra as atenções nesta Copa. Não foi ainda o craque goleador do Barcelona, mas destaca-se pela técnica refinada numa Copa de poucos craques em forma. Cristiano Ronaldo, que marcou um gol no massacre sobre a Coreia do Norte, ainda não exibiu a face matadora dos tempos de Manchester, mas parece evoluir no torneio.
Gonzalo Higuaín – Artilheiro da Copa, com três gols, o atacante do Real Madri perdeu várias chances na estreia contra a Nigeria, mas se redimiu fazendo logo três contra a Coreia do Sul. Titular absoluto da Argentina, tendo como sombras grandes goleadores, como Diego Milito e Sergio Aguero.
Marcelo Bielsa – Conduzir o Chile às oitavas de final da Copa é a primeira conquista de Bielsa, melhor técnico sul-americano em atividade. A outra é fazer com que seu time jogue em alta velocidade, bom passe e demonstrações de habilidade no meio-campo.
Aventuras gastronômicas no país da Copa (9)
No registro acima, a pizza BBQ, à base de frango, ervas variadas e molho agridoce, servida à equipe DIÁRIO/Rádio Clube na noite da quinta-feira, no restaurante H-Stop, em Salt Rock, movimentado distrito praiano de Durban, às margens do oceano Índico. Mesmo não sendo fã inveterado de comida italiana, reconheço que a pizza estava no ponto ideal: crocante nas extremidades, saborosa, fina e fácil de degustar. Virtudes valorizadas por um preço camarada, 48 rands (R$ 12,00). Nota 7,5.
Rock na madrugada – David Bowie, Fame
Capa do Bola, edição de sábado, 26
Conexão África (19)
Com Júlio Batista, o Brasil fica menor
O risco da perda de respeito dos adversários talvez seja o maior prejuízo do Brasil depois da pífia atuação diante de Portugal. O jogo não valia quase nada, apenas a definição da primeira posição no grupo, mas era importante como fator de afirmação na Copa do Mundo. Este é um torneio que mede capacidades e méritos, mas tem um forte componente emocional, que muitas vezes influi no comportamento dos times. O futebol é rico em situações nas quais um oponente mais fraco ganha força extra ao perceber que um dos favoritos não está com essa bola toda.
Ficar no 0 a 0 com Portugal não desonra, nem diminui ninguém. A rigor, é resultado normal entre duas equipes fortes e que dispõem de bons valores.
A decepção fica por conta da ausência de organização vísivel e total indigência técnica. Sobrou correria, mas faltou talento. Quando a troca de ataques ficou mais intensa, o jogo se tornou ainda mais pobre em beleza plástica. Os jogadores se entregavam à disputa como legionários romanos, mas não avançavam além do burocrático.
Nenhuma iniciativa que surpreendesse o adversário, nem mesmo um disparo de longa distância para testar a perícia dos goleiros. Um outro aspecto desmascarado ontem foi a tal insistência de Dunga com os treinos secretos, como forma de preservar suas táticas especiais. Pelo que se viu no belíssimo Moses Mabhida, o Brasil deve treinar muito pouco ou então treina errado. Portugal entrou em campo com nítida cautela, respeitando em demasia o histórico da Seleção. Usava duas linhas de Com o passar do tempo, como normalmente tem ocorrido em jogos da Seleção, a equipe de Carlos Queiroz foi se animando em campo à medida que percebia as dificuldades brasileiras. Passou a tentar jogadinhas de afunilamento para Cristiano Ronaldo e Tiago, principalmente. E cresceu no jogo.
O Brasil se comportava como aqueles times formados às pressas, com jogadores que mal se conhecem. Nilmar ia para um lado, Luís Fabiano para outro. Michel Bastos nem entrou em campo. Maicon era o mais assíduo atacante, buscando a linha de fundo, mas sem bons resultados nos cruzamentos. Quando acertou o primeiro, Nilmar perdeu gol ao errar o toque final. Minutos depois, encaixou outro chuveirinho e aí foi a vez de Luís Fabiano cabecear sem direção. Mas a tragédia se desenrolava no meio-de-campo, onde Júlio Batista tentava exercer a função que cabe a Kaká, a de criador de jogadas e condutor da ligação com o ataque.
O que 62 mil torcedores entusiasmados assistiram foi um espetáculo patético e indigno das tradições nacionais. Qualquer timeco de quinta categoria põe a camisa 10 e as funções de armar jogadas nos pés de quem tem habilidade. Batista não tem nem indícios de técnica para jogar ali. É desajeitado, mata bola de canela, não consegue driblar. Suas raras virtudes podem ser melhor aproveitadas em outros setores – talvez como beque ou atacante trombador, que é seu papel no Roma. Nunca no coração da equipe. E a culpa não pode ser atribuída ao jogador, cujas características são amplamente conhecidas.
Ao lado do campo, Dunga esbravejava, xingava a própria sombra, enquanto o Brasil se esmerava em entregar bolas e errar passes. Fiquei imaginando que o irascível treinador estava a se autoflagelar, pois as escolhas são exclusivamente dele. Todos os jogadores que estão aqui na África do Sul foram eleitos por Dunga como os melhores, tendo como principal critério o fato de terem trabalhado com ele desde o final de 2006. A tal coerência, tantas vezes invocada pelo técnico.
Desgraçadamente para a Seleção, o conceito nem sempre vale, ainda mais em Copa do Mundo. Para disputar (e ganhar, se possível) a competição, é necessário ter os melhores jogadores, que nem sempre são os mais leais e bonzinhos. Ficaram fora da lista peças que poderiam ajudar Dunga a sair de
enroscos sérios, como o de ontem, quando poderia ter perdido o jogo por falta de alguém que soubesse o que fazer com a bola. A função de maestro de um time deve pertencer a um craque. Na ausência deste, deve haver outro craque. A tristeza é que outras seleções não têm como repor peças, por absoluta carência natural. O Brasil tem jogadores em abundância, mas o selecionador preferiu trazer os de sua preferência. Desconfio que escolheu errado.
Lúcio, o melhor em campo
O zagueiro não ganhou o prêmio de melhor jogador da horrorosa partida entre Brasil e Portugal. Os analistas da Fifa preferiram Cristiano Ronaldo. Se o critério foi a busca incessante do gol, a escolha é justa. Mas, como marcador implacável do português, Lúcio merecia ser destacado. Jogou muito, assim como Juan. Resolveu situações difíceis para a defesa brasileira. No segundo tempo, exasperado com a anemia criativa do time, chegou a ensaiar arrancadas com a bola para servir aos atacantes. Quase conseguiu armar duas boas jogadas, mas falta-lhe jeito. Na sua função, lá atrás, foi praticamente perfeito.
Caso de propaganda enganosa
As torcidas fizeram o grande espetáculo da tarde de ontem no estádio Moses Mabhida. Mais de 62 mil torcedores promoveram uma festa divertida e colorida, animada em todos os instantes. Estranhamente, a empolgação só murchou quando a bola começou a rolar. Quem pagou até 300 dólares por um lugar nas arquibancadas deve ter se sentido lesado. A Copa gerou ontem um caso típico de propaganda enganosa. Todos acreditavam que veriam um grande clássico, mas tiveram que se contentar com uma pelada bem fajuta.
(Coluna publicada no caderno Bola/DIÁRIO, edição de sábado, 26)




