Jogo chinfrim expõe fragilidades da Seleção

Jogo tecnicamente fraco teve o resultado adequado: 0 a 0. Brasil e Portugal até que tentaram, buscaram o gol, não fizeram jogo de compradres. Só faltou talento e competência. Dois times limitados a seus esquemas de marcação e sem criatividade no meio-campo. Não podia dar outro resultado. Para piorar, as poucas chances que apareceram não tiveram a finalização certa. Nilmar e Luís Fabiano desperdiçaram duas grandes oportunidades no primeiro tempo. Cristiano Ronaldo e Raul Meireles, no segundo tempo, perderam também suas chances. No final, já nos acréscimos, em lance isolado, Ramires recebeu bola na intermediária e disparou um belo arremate, que desviou em Bruno Alves e quase tomou o caminho das redes, mas foi espalmada pelo goleiro Eduardo.

O Brasil – que não teve Kaká, Elano e Robinho – enfrentou muitas dificuldades para impor seu jogo e superar a forte marcação portuguesa, que se posicionou com duas linhas de quatro homens na maior parte do tempo. Julio Batista, opção de Dunga para substituir Kaká na criação, literalmente apanhou da bola. Felipe Melo cansou de bater, levou cartão amarelo e foi substituído por Josué (que pouco acrescentou) ainda no primeiro tempo. Daniel Alves, esperança de habilidade no meio, perdeu-se em jogadas confusas e foi improdutivo.

O jogo expôs, com clareza, todas as limitações da Seleção Brasileira quando não conta com seus principais jogadores. As opções de Dunga no banco de reservas não têm condição de substituir à altura os titulares. E isso pode ser fatal numa competição de tiro curto, como é a Copa do Mundo. Situação preocupante, mas não surpreendente. Todo mundo sabia, menos Dunga, que isso poderia acontecer.

Nilmar é surpresa na Seleção Brasileira

Surpresa na escalação do Brasil, divulgada há pouco pela Fifa: Nilmar (21) entra no lugar de Robinho no ataque brasileiro. Agora, além de Júlio Batista na vaga de Kaká e de Daniel Alves substituindo a Elano, Nilmar é outra novidade na Seleção para  o confronto com Portugal. A informação saiu uma hora antes do jogo começar.

Bandeiras do Remo marcam presença no Moses

Diante das tribunas de imprensa (e das câmeras de TV, claro), posicionam-se duas bandeiras do Clube do Remo, desde 12h30 (7h30 em Belém) aqui no segundo lance de arquibancadas do estádio Moses Mabhida. O tradicional espetáculo de bandeiras de clubes brasileiros inclui ainda pavilhões de Vasco, Corinthians, Atlético-MG, Internacional, S. Paulo, Paraná e Flamengo.

CBF nega briga entre goleiro e zagueiro

Uma foto tirada pela agência de notícias espanhola EFE durante o treino recreativo da Seleção nesta quinta-feira foi interpretada pelo jornal argentino Olé como sendo uma briga entre o goleiro Julio César e o zagueiro Luisão. Os repórteres da ESPN Brasil e do site ESPN.com.br estiveram acompanhando a atividade e não repararam nenhuma movimentação anormal durante todo o “rachão”. Com o título “Qué te pasha, Dunga?” (“O que acontece com você, Dunga?”, em português), a nota divulgada publicada pelos argentinos contrapõe o pedido de desculpas feito pelo treinador ao povo brasileiro, que seria um sinal de melhora no ambiente do selecionado, à cena de um possível desentendimento entre os dois jogadores, o que colocaria mais tensão na situação já conturbada pelos recentes embates entre Dunga e a imprensa. Preocupada com a situação, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tratou de publicar em seu site uma nota desmentindo a suposta briga. Segundo a nota, “o zagueiro Luisão esclarece que ele e Júlio Cesar fizeram uma brincadeira, muito comum no bate-bola que antecede os treinos, e não entende como o fato pode ter sido interpretado como ‘briga'”.

Mais detalhes da ensolarada Durban

Vista da orla de Salt Rock, extensão de praia às margens do oceano, a cerca de 30 quilômetros do centro de Durban. Turistas europeus visitam muito essas praias e, agora durante a Copa, a temperatura agradável da cidade (média de 20 graus durante o dia) atrai ainda mais visitantes. Para brasileiros, pouco acostumados ao frio, isto aqui é um pedaço do paraíso. Com a vantagem adicional de sempre ouvir, em qualquer lugar, alguém falando a nossa língua. Abaixo, ao lado dos companheiros Valmir Rodrigues e Valmir Jorge, da Rádio Paiquerê (PR).

Copa aquece economia sul-africana

Turistas gastaram 54% a mais comparado com o mesmo período de 2009, com uma média diária de 45 mil transações durante as três primeiras semanas de junho.

A África do Sul já sente os reflexos positivos na economia em relação ao aumento dos gastos dos turistas portadores de cartões com a bandeira Visa durante a Copa do Mundo. Os brasileiros estão entre os turistas que mais contribuíram com o turismo local. Segundo os dados da Visa, o Reino Unido, seguido dos Estados Unidos, Austrália, França e Brasil respondem por 51% dos gastos totais na África do Sul.

Entre o início dos preparativos da Copa do Mundo e as primeiras três semanas de partidas – 1º de junho a 20 de junho -, os gastos dos turistas na África do Sul com cartões Visa ultrapassaram os US$128 milhões. O valor é 54% maior quando comparado aos US$ 83 milhões gastos no mesmo período do ano anterior. O número de transações de 1º de junho a 20 de junho foi de 900 mil (uma média de 45 mil por dia), sendo 60% maior (600 mil ou uma média de 30 mil por dia) comparado ao mesmo período de 2009.

O montante gasto pelos visitantes estrangeiros com cartões de crédito, débito e pré-pago Visa nos dez primeiros dias da Copa do Mundo (de 11 a 20 de junho) aumentou 81% sobre o mesmo período do ano anterior. Mais de 90% dos gastos são realizados com atividades de lazer e negócios – hospedagem, restaurantes, comércio, aluguel de carros e passagens aéreas.

Fonte: Maxpress

Dunga se desculpa pelo destempero

Por Mauro Cezar Pereira

Dunga usou a cabeça e parece ter sido bem orientado para corrigir erros e ampliar sua popularidade, alavancada entre parte dos torcedores da seleção brasileira após o imbróglio entre ele e a Rede Globo. Na entrevista coletiva da véspera do duelo com Portugal esteve contido e se desculpou com o público pelo destempero de domingo, após a vitória sobre a Costa do Marfim – clique aqui e leia.

Ao se dirigir apenas aos torcedores no seu pedido de desculpas, e não à imprensa, Dunga acertou. Sua falta de educação quatro dias antes foi um desrespeito ao público. Na confusão entre ele e a emissora, como este blog já se manifestou, o técnico tinha ampla e total razão, perdida em parte com sua atitude intempestiva. Mas não é o caso de se desculpar, ele apenas exerceu um direito.

Seria interessante se, neste momento reflexivo, Dunga aproveitasse para tentar entender o papel da imprensa. E aí dividir esse aprendizado com seus seguidores, os dunguistas. Todos lucrariam se o treinador compreendesse que o papel dos jornalistas não é torcer pela seleção, mas cobrir a Copa do Mundo, o que significa informar e analisar o que acontece. Da melhor maneira possível.

Enfim, um grande momento do nosso Capitão do Mato. Assim é que se age, reconhecendo excessos e buscando o caminho da civilidade. Ninguém torce contra o Brasil, estamos juntos nesse barco. E, para o internauta que reclamou do apelido que uso para Dunga, um lembrete: chamo-o assim desde que assumiu o escrete e a ideia não é desmerecê-lo, pelo contrário. Sou do mato e tenho o maior orgulho disso, camarada.

Conexão África (18)

Adversário do jeito que Dunga gosta

Como virou regra na atual Seleção Brasileira, os mistérios prevalecem às vésperas de jogo. A comissão técnica capricha nos segredos e despista o tempo todo, até mesmo quando já se sabe de antemão que o principal jogador do time não poderá ser escalado. Sabia-se, também, que o volante Elano dificilmente poderia participar, em função da lesão sofrida contra a Costa do Marfim. No afã de confundir os jornalistas, Dunga deixou até a última hora para definir (sem confirmar oficialmente) que Daniel Alves deve entrar como volante e Júlio Batista na vaga de Kaká.
Caso essas opções se confirmem, a Seleção terá um perfil bem diferente do que vinha apresentando na Copa. Para começar, Júlio Batista atua praticamente como atacante, o que obriga Robinho a recuar para fazer o papel habitualmente cumprido por Kaká. A lamentar a ausência de dois
jogadores responsáveis pelos melhores momentos do Brasil na Copa até aqui, no jogo contra a Costa do Marfim. Ambos apareceram muito bem quando saíram do posicionamento conhecido e caíram pelas extremidades do campo. Essa mudança, no segundo tempo daquela partida, foi
determinante para a vitória da Seleção, resultando inclusive no gol de Elano.
Apesar das ausências importantes, o Brasil tem condições de realizar uma grande apresentação. Portugal, animado pela goleada sobre a Coréia do Norte, deverá jogar ofensivamente, buscando a vitória para garantir a primeira colocação no grupo. Além disso, pelo que se nota nas ruas de Durban, a torcida portuguesa terá presença maciça no estádio Moses Mabhida, incentivando Cristiano Ronaldo e seus companheiros a mais uma vitória consagradora. São os ingredientes perfeitos para que Dunga explore os espaços que a defesa adversária vai permitir.
O técnico brasileiro costuma dizer, com razão, que a Seleção se apresenta melhor na medida em que enfrenta adversários de nível. Portugal é o primeiro grande oponente em seu caminho. Que o Brasil mostre, enfim, do que é capaz.

Azzura sofre vexame histórico

Coerente com a tradição italiana de gestos desesperados, a imprensa da pátria de Paolo Rossi não perdoou a eliminação (como lanterna de seu
grupo) na primeira fase da Copa do Mundo. Não é novidade, pois a Azzurra já havia dado esse vexame cinco vezes antes, mas agora há a humilhação do último lugar, graças à péssima campanha: uma derrota vexatória para a Eslováquia depois de dois empates no sufoco, contra Paraguai e Nova Zelândia. A última queda feia havia sido no mundial de 1974, na então Alemanha Ocidental. Há, também, o peso histórico dentro da competição. Tetracampeã do mundo, a Itália foi a vencedora da última Copa e tinha ambiciosos planos de se igualar ao Brasil, único país pentacampeão. A rigor, tanto as pretensões de título quanto a choradeira da imprensa italiana são exageradas. O time de Marcelo Lippi é muito fraco, até mesmo em comparação com o escrete de quatro anos atrás, reconhecidamente uma seleção sem maiores encantos. Ganhou aquele Mundial mais em função da força da camisa e do nivelamento por baixo da competição. Desta vez, as esperanças talvez se concentrassem na fraca participação inicial de quase todos os favoritos. E o lamento emocionado dos jogadores em campo, depois do jogo, pode ser entendido como o desespero de ver escapar a preciosa chance do quinto título. Na Alemanha, Lippi ainda contou com Del Piero em boa forma. Pirllo também se apresentou bem e Cannavaro foi eleito o melhor jogador do torneio, mesmo sendo um zagueiro. Como a escola italiana de jogar futebol se nutre de um inegável talento na retaguarda, imaginava-se que o grupo atual desse conta de lutar pelo bicampeonato. Não deu. A queda para seleções sem pedigree, como Paraguai e Eslováquia, reforça as suspeitas de que o título de 2006 foi produto muito mais da sorte do que dos méritos da seleção. Como na França, que deixou a África do Sul pela porta dos fundos, é provável que surjam investigações e questionamentos pela pífia trajetória da Itália na Copa. Mas, para bom observador, a equipe foi vítima de um mal crônico no futebol mundial: a carência de bons jogadores, principalmente nos países que assumem o papel de importadores de pé-de-obra.

Um mundial diferente em tudo

Copa esquisita esta da África do Sul. Emergentes pouco cotados (Paraguai, Japão, Eslováquia, México) avançam. Somente um africano (Gana) conseguiu vaga nas oitavas – Costa do Marfim ainda luta, mas respira por aparelhos. Além disso, o campeão e o vice-campeão já estão de volta às suas casas.  

Diante de uma outra África do Sul

Um forte nevoeiro, por mais de 200 quilômetros, fizeram da viagem entre Johanesburgo e Durban (588 quilômetros) uma aventura e tanto. Com direito a bônus, como a exótica e deslumbrante paisagem do nordeste sul-africano. Foram, no total, mais de seis horas na estrada num percurso que normalmente dura quatro horas. Entre cenários de “Paris, Texas” e “Bagdá Café”, este escriba baionense conheceu uma África do Sul bem diversa do frio massacrante de Johanesburgo. O caminho que leva a Durban inclui vales, savanas e montanhas majestosas. Na chegada, a visão de uma cidade banhada pelo mar e cheia de praias é reconfortante para os olhos.

A chance do acerto de contas

O primeiro grande clássico da Copa vai envolver Alemanha e Inglaterra, duas seleções com grande tradição boleira e muitas contas a ajustar. Em 1966, como se sabe, a Inglaterra sagrou-se campeã e aquela conquista carrega até hoje a mancha de um erro da arbitragem, que validou gol irregular para os ingleses. A bola bateu no travessão e caiu rente à risca. O árbitro resolveu dar o gol, para desespero dos alemães e combustível para uma polêmica que se arrasta há quase meio século.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 25)