Argentina vence México e avança às quartas

Como aconteceu na Copa do Mundo passada, a Argentina venceu o México, dessa vez por 3 a 1, nas oitavas de final do Mundial da África do Sul, e fará duelo com a Alemanha nas quartas. Tevez – duas vezes – e Higuaín marcaram no Estádio Soccer City, em Johanesburgo. Javier Hernandez descontou. Sem tomar conhecimento da correria mexicana, o time de Maradona se impôs pela individualidade de seus jogadores e impôs uma vantagem de 2 a 0 ainda no primeiro tempo. No lance do primeiro gol, o telão do Soccer City mostrou que Tevez estava impedido, mas o árbitro italiano manteve a marcação, apesar dos protestos dos mexicanos.

Depois do jogo, Maradona voltou a pedir mais proteção a Lionel Messi por parte dos árbitros nos próximos jogos da Copa. Neste domingo, a Argentina fez 3 a 1 no México e se credenciou para enfrentar a Alemanha nas quartas de final, sábado, na Cidade do Cabo. O primeiro gol da Argentina saiu de um lance em que Carlos Tevez estava impedido após toque de Messi. Maradona passou por cima do erro e disse que a violência dos adversários é um fator muito mais preocupante.

“Aguirre (técnico do México) deve ter sentido o mesmo que senti quando vejo que a Messi não deixam jogar e o árbitro não diz nada. Se dessem vermelho a Torrado, seria normal. O personagem do jogo foi a ‘advertência’, ele não parava de advertir. Olha, eu vivi isso na pele. O que está acontecendo? Voltamos a 20 anos atrás? Os jogadores em vez de ir à bola, vão às pernas de Messi. É escandaloso”, protestou Maradona. (Da ESPN)

Em contragolpes e com erro do juiz, Alemanha goleia a Inglaterra

Foi o melhor jogo da Copa do Mundo da África do Sul até agora, com predomínio da jovem equipe da Alemanha, que atropelou a rival Inglaterra, neste domingo, vencendo por 4 a 1, no Estádio Free State, em Bloemfontein. Com isso, garantiu presença nas quartas de final da competição, contra Argentina ou México. A equipe bávara só não chegou ao menos às quartas de final dos mndiais uma vez, em 1938, na França. Mas os ingleses têm muito a reclamar: aos 38 minutos do primeiro tempo, Frank Lampard fez um gol legítimo, mas a arbitragem entendeu que a bola não havia cruzado a linha e anulou o lance incorretamente. Foi uma espécie de “troco” da final da Copa de 1966, em que a Inglaterra bateu a Alemanha com um gol irregular.

O estilo veloz do jogo alemão marcou presença desde os primeiros minutos, contra uma Inglaterra que exagerava na troca de passes. A maior consistência da Alemanha deu resultado aos 20 minutos da etapa inicial. O goleiro Neuer deu um chutão para frente, Klose ganhou na velocidade de Terry e tocou com precisão na saída de James para fazer 1 a 0. Foi o 12º gol do artilheiro na história dos Mundiais e, com ele, o atacante se igualou a Pelé e está a apenas três tentos de Ronaldo, o líder da lista.

O time comandado pelo técnico Fabio Capello ainda tentou responder e teve dois bons momentos aos 24 e aos 26 minutos. Primeiro, foi a vez de Wayne Rooney, discretíssimo neste Mundial, que partiu com a bola dominada pelo meio e arriscou da intermediária, completamente sem direção. Depois, foi Barry quem chutou de longe, mas Neuer pegou. Mas os britânicos não resistiram à pressão aos 31, quando Klose tocou para Müller, que virou o jogo na esquerda para Podolski. Mesmo sem ângulo, ele chutou no canto esquerdo do goleiro James e fez 2 a 0.

Mesmo sem apresentar um grande futebol, a Inglaterra “achou” o gol aos 36 minutos: Gerrard cruzou da direita, o goleiro Neuer saiu em vão, e Upson tocou de cabeça e diminuiu para 2 a 1. Mas um momento histórico estaria reservado para os 38 minutos: Lampard chutou de fora da área, a bola encobriu Neuer, tocou no travessão e caiu dentro do gol, quase meio metro dentro do gol. Mas o árbitro uruguaio Jorge Larrionda invalidou o lance, no mais grave erro dos juízes no Mundial até aqui.

No início da etapa final, os ingleses quase empataram em cobrança de falta de longe de Lampard, que acertou o travessão de Neuer aos seis minutos. Mas um contra-ataque letal da Alemanha praticamente liquidou a partida aos 21 minutos. Schweinsteiger disparou pela esquerda com a bola dominada e fez passe preciso para Müller, que só teve o trabalho de dominar rápido e chutar no canto de James: 3 a 1. O golpe definitivo na equipe de Capello veio aos 25 minutos. Em mais um contra-ataque certeiro, desta vez puxado por Özil, a bola sobrou limpa para Müller, no meio da área, de frente para James, só tocar para as redes. Era o quarto gol alemão na partida, sacramentando a goleada sobre os rivais ingleses e a classificação às quartas de final da Copa. (Com informações do Fifa.com)

Maradona cria novo modelo de concentração

Segundo o Diário Olé deste domingo, Maradona inventou um novo modelo de gestão de uma seleção que disputa a Copa do Mundo. Na contramão dos manuais de auto-ajuda, o técnico conversa com seus jogadores individualmente antes da preleção de cada jogo. Durante a partida, comporta-se como um misto de professor-torcedor. Aplaude cada boa jogada, incentiva os que se aproximam da margem do campo e sai pulando como um louco quando o time vence. Na saída da equipe para os vestiários, abraça um a um dos atletas e segue junto com eles, como se fosse uma pequena legião de guerreiros. Na concentração, em Pretória, reina total liberdade e os jogadores podem entrar e sair quando bem entendem. Suas famílias ficam num prédio ao lado, conversando e jogando pingue-pongue. Das 15h até 21h, todos os dias, mulheres (ou namoradas) e filhos podem ver e falar com os jogadores.

O sexo é liberado uma vez por semana. Pela experiência como jogador profissional, Maradona se recusa a seguir a cartilha da disciplina espartana de outros treinadores argentinos. Acredita que o clima de companheirismo e alegria é muito mais saudável que um esquema fechado, sujeito a horários e regras mínimas de convivência.

A imprensa também tem liberdade para cobrir parte dos treinos e entrevistar os jogadores todos os dias. O repórter do Olé chega a admitir, ao final do texto, sua surpresa com a postura de Maradona, que parece sinceramente feliz e desfrutando todos os aspectos do evento. “Inclusive, nós, jornalistas, estamos surpresos porque é a primeira vez que não nos vêem como inimigos”, escreveu, antes de indagar se Messi estaria rendendo tão bem se estivesse concentrado sob um outro sistema. E arrisca dizer que talvez estejamos diante de um novo modelo de concentração de equipes na Copa do Mundo. Resta saber se a experiência inovadora irá contribuir para a conquista do título mundial.

Caso Júlio César: decisão era da arbitragem

A Fifa desfez qualquer possibilidade de punição ao Brasil em função do uso de uma cinta pelo goleiro Júlio César no jogo contra Portugal. O chefe do departamento médico da entidade, Jiri Dvorak, disse neste domingo que a polêmica proteção usada pelo goleiro Julio César nas costas “é uma questão que depende do árbitro” e minimizou o problema. “Esses tipos de protetor são muito flexíveis e não devem causar nenhum problema aos jogadores”, opinou. Após um choque com um jogador de Portugal na sexta-feira, o goleiro precisou ser atendido em campo e, quando teve que trocar a camisa, uma proteção com uma haste de ferro nas costas foi flagrada pelas câmeras. O caso gerou polêmica. Mostrou que Julio César ainda está reticente em relação ao problema nas costas que chegou a tirá-lo de um amistoso e desencadeou especulações de que a Fifa poderia vetar a proteção e até punir o jogador. (Com informações da ESPN e site Fifa.com)

Astro da NBA vai assistir jogo do Brasil

Até Kobe Bryant lamenta a não convocação de Ronaldinho Gaúcho para a Copa. Melhor jogador das finais da temporada 2009/10 da NBA, o astro cinco vezes campeão da liga profissional de basquete dos Estados Unidos pelo Los Angeles Lakers, marcou presença neste domingo em evento organizado pela Nike em Soweto, uma das regiões mais pobres de Johanesburgo. Bryant visitou o centro de treinamentos da empresa, que deve atender a cerca de 20 mil crianças por ano, além de realizar trabalho especial junto a menores infectados pelo vírus da Aids. No evento, Kobe lamentou a ausência do amigo Ronaldinho e arriscou um palpite: para ele, a Alemanha será campeã mundial. “Ronaldinho é meu amigo e esperava encontrá-lo por aqui”, lamentou a estrela dos Lakers, que, no entanto, elogiou a Seleção Brasileira. “O Brasil é um time muito forte que joga unido, os jogadores se gostam, a gente sente isso”, afirmou, para depois confirmar que assistirá à partida diante do Chile na próxima segunda-feira, às 15h30 (horário de Brasília), em Johanesburgo.

Conexão África (20)

À imagem e semelhança do comandante

Todo mundo vai repetir a ladainha de que todos os adversários merecem respeito, mas enfrentar o Chile nas oitavas de final é a coisa mais conveniente à Seleção Brasileira neste momento. Mesmo mostrando bom futebol e grande evolução técnica na primeira fase, a seleção de Marcelo Bielsa não tem currículo, nem confiança para encarar de igual para igual um dos grandes favoritos ao título. Mais que isso; tem um histórico de freguesia para o Brasil em Copas (a mais recente derrota foi em 1998, na França) e costuma se apequenar em confrontos decisivos. Claro que isto é futebol e sempre há a possibilidade de uma zebra, mas é improvável que ela surja na frente de Dunga nesta segunda-feira.
O cruzamento com o Chile dá, ainda, mais tempo para ajeitar o time para embates mais difíceis nas etapas seguintes. Logo nas quartas de final poderá se entestar com a Holanda, o que repetiria parte da trajetória brasileira no Mundial francês. O empate decepcionante contra Portugal, mesmo com três titulares ausentes, não esteve à altura de uma equipe que veio à África para ser campeã pela sexta vez.
Por mais que se critique o trabalho e os métodos de Dunga, todo mundo sabe de sua obsessão por essa conquista e o quanto ele tem dedicado tempo e atenção a isso, mesmo sem o brilho desejado. Alguns caminhos que surgem para seleções em Copas do Mundo indicam até que ponto elas podem chegar. O que se delineia para o Brasil tem grau de dificuldade considerável, mas sem barreiras intransponíveis. Pelo nível técnico da competição, não se vê até aqui nenhum timaço em ação.
Existem bons times, alternando bons e maus momentos (estes em quantidade bem maior). Nesse aspecto, cresce a hipótese de uma final histórica e sem precedentes, contra os vizinhos e argentinos. Seria a mãe suprema de todas as batalhas, esperada há tempos por gerações de craques de ambos os lados. O tira-teima de uma rivalidade secular, que só foi testada em embates regionais. Desconfio, pelo andar da carruagem, que o ainda titubeante esquadrão brasileiro vá pegar no breu a partir das oitavas, repetindo sua melhor roupa de competição e passando a encarar os oponentes com mais
desassombro. Por ora, isto é apenas um palpite, levando em conta o comportamento do time de Dunga em torneios recentes, como Copa América
e Copa das Confederações. Depois de começos frustrantes, sem identidade, a equipe foi adquirindo confiança e estofo até chegar a um nível de extrema competitividade na reta final das disputas, quando o que importa realmente é a capacidade de decidir.
Apesar dessa crença na evolução da Seleção, não parece que, com a atual formação (e as poucas alternativas de que dispõe no banco), o Brasil vá encantar o mundo nesta Copa. Como sempre avaliei, permanecem boas as chances de levantar o caneco do hexa, mas longe dos sonhos daqueles que cultuam o chamado futebol-arte. Se triunfar, será rigorosamente dentro dos limites impostos pela filosofia pragmática do comandante, que tem o respeitável mérito de jamais ter fugido aos seus princípios.
Portanto, quando a Seleção pisar o gramado do Ellis Park (em Johanesburgo) amanhã para desafiar o Chile, que ninguém alimente ilusões maiores. Será o mesmo time regulado e previsível de sempre, com as jogadas laterais de costume, que servem para passar o tempo e reter a bola, embora tenham o efeito paralelo de desagradar a todos que gostam do futebol brasileiro tradicional. A esses, um conselho: esqueçam a tradição e contentem-se com a realidade possível. A partir dessa consciência, sofre-se um pouco menos.

Outro campeão vai sair de cena

Portugal e Espanha. Alemanha e Inglaterra. Dois grandes duelos europeus que devem conferir à Copa emoções fortes, depois de uma primeira fase pouco empolgante. Pelo ponto de vista das conquistas, os confrontos trazem a certeza de que pelo menos mais um campeão mundial estará fora de combate nesta semana, depois da eliminação de italianos e franceses. Poderão permanecer vivas na disputa somente quatro seleções que já experimentaram o sabor de conquistar o título máximo, pois uruguaios, argentinos e brasileiros também participam desta fase do torneio.

Moses Mabhida, bonito e funcional

De todos os modernos estádios construídos para a Copa da África do Sul, o Moses Mabhida não é o maior, mas seguramente desponta como o mais funcional. Em minutos, o público tem acesso a suas dependências confortáveis, fato que permite também rápida evacuação (tempo máximo estimado em 20 minutos). Mas o ponto que mais chama atenção é a generosa visão do campo de jogo, que no Soccer City e no Ellis Park fica prejudicada pela altura das arquibancadas. Cabe mais gente nos dois estádios de Johanesburgo, mas os que dão o azar de ficar no último lance de cadeiras ficam a quase 40 metros de distância do gramado, o que nem sempre permite identificar jogadores e lances mais confusos. O problema afeta, particularmente, a imprensa que cobre as partidas. Cabines situadas junto ao teto desses estádios obrigam narradores e comentaristas a recorrerem diretamente aos monitores de TV para acompanhar o desenvolvimento do jogo lá embaixo. No estádio de Durban, essa limitação não existe.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 27)

Copa da África tem pior média de gols da história

Média de gols da Copa da África do Sul continua sendo a mais baixa da história: 2,15 por partida, ultrapassando até a fraquíssima média da Copa de 90 na Itália, que ficou em 2,21. Em 52 jogos, foram marcados 113 gols. Foram 38 vitórias (11 por 1 a 0) e 14 empates. Os sul-americanos contribuíram com 12 triunfos e quatro empates – com apenas uma derrota (do Chile para a Espanha).