Coluna: Re-Pa dos desconhecidos

Janderson, Naldo, Samir, Dudu, Wagner Bueno, Eanes, Fabrício Carvalho, Carlos Eduardo, Danilo, Jonathan, Renan. A lista de estreantes no clássico Re-Pa é até mais extensa, mas a simples citação de alguns nomes dá bem a medida do nível de desconhecimento do torcedor quanto aos jogadores de seus próprios times.
Nas ruas, remistas e bicolores vivem as incertezas de um choque-rei diferente de tudo que já se viu antes. A quatro dias do jogo, nenhum torcedor sabe ao certo qual será a escalação de seu time, pela singela razão de que os dois treinadores também não definiram suas onzenas.
No Paissandu, que operou o mais radical desmanche de elenco, logo depois da fracassada campanha na Série C, as dúvidas são mais angustiantes. O técnico Nazareno Silva já mudou até o esquema tático que vinha treinando (4-4-2) e admite usar três zagueiros, para surpresa dos próprios jogadores.
Do lado azulino, o técnico Sinomar Naves quebra a cabeça para conseguir dar forma a um grupo que vem treinando há oito meses e até hoje não ganhou consistência. Diante da desconfiança geral, arruma o meio-campo com uma legião de volantes e não dispõe de um centroavante de ofício à disposição.
Pelas dificuldades que os dois comandantes enfrentam na montagem das equipes ninguém em sã consciência pode esperar um espetáculo à altura das tradições históricas do confronto. Corre o risco de ser um peladão disfarçado. Nem mesmo quando o Remo se viu obrigado a improvisar um time imberbe, denominado “cabano” pela forte presença de garotos, no começo dos anos 80, o Re-Pa foi tão fragilizado tecnicamente.
De caras conhecidas as duas torcidas terão que se contentar com o goleiro Adriano, cuja presença ainda é incerta no Remo, e o atacante Zé Augusto, velho ídolo da Fiel. Atrativos solitários (e insuficientes) para um embate que fecha aquela que é talvez a pior temporada da história do futebol no Pará. E pensar que o ingresso custa R$ 15,00.
 
 
Horacio Marcelo Elizondo, árbitro da final entre França e Itália, na última Copa, confessou ontem, em palestra no Rio, que não viu mesmo a célebre cabeçada de Zidane em Materazzi. Havia ficado com essa impressão na hora em que tudo aconteceu porque o argentino estava distante e acompanhando a bola – a briga ocorreu fora do lance.
Alertado pelo quarto árbitro, Luís Medina, ficou (como todo mundo) espantado com a virulência de Zidane, Elizondo imediatamente expulsou o craque francês. Antes, perguntou ao bandeirinha, que também não viu nada. Na rodinha que se formou a seguir, Thuram passou a discutir com Gattuso, chamando-o de mentiroso. Aí o volante, com a dramaticidade própria dos italianos, repetia: “Mas, como? Éramos amigos, saíamos para jantar com as famílias? E você vem me chamar de mentiroso?”. Elizondo admite que, diante da cena, só segurou o riso para não perder a autoridade. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 10)

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