O que aconteceu no estádio Couto Pereira, domingo, só fez repetir antigas mazelas dos nossos campos. A começar pela negligência (e até resistência) dos clubes em relação ao controle das torcidas “organizadas”, tratadas com a mesma boa vontade dedicada aos torcedores comuns. É um grave equívoco. As gangues devem ser identificadas, enquadradas e impedidas de ter acesso aos espetáculos, pelo bem dos demais freqüentadores.
Quando eclodiu o tumulto, depois do jogo Coritiba x Fluminense, com o ataque direto ao trio de arbitragem ainda no gramado, ficou mais do que evidente que a invasão era premeditada. Parecia ensaiado: os marginais passavam com extrema facilidade através de pontos estratégicos do estádio.
Coisa de quem pensou e planejou o ato. Nesse aspecto, cabe observar que a polícia e os clubes parecem não entender que estão lidando com criminosos comuns, capazes de praticar baderna e até homicídios. O despreparo da polícia é inversamente proporcional à capacidade de organização das quadrilhas que freqüentam praças esportivas no Brasil.
O perigo é que, pela repetição sistemática, todos passem a ver com normalidade ações violentas e irracionais desse tipo. As cenas dantescas registradas em Curitiba não constituem fatos isolados. Constantemente, ocorrem situações parecidas em todos os Estados. Na Série C deste ano, jogadores do Águia foram atingidos por artefatos lançados pela torcida do Sampaio Corrêa, em São Luís. Ninguém foi identificado, o clube não foi punido e tudo ficou por isso mesmo.
Há três anos, depois de Re-Pa decisivo pelo Parazão, no Mangueirão, um associado do Paissandu saiu do túnel destinado ao time e invadiu o campo para tentar agredir jogadores remistas que davam a volta olímpica. Estimulados pelo gesto, várias outras pessoas invadiram o campo, sendo contidas a muito custo. Por pouco, uma festa não se transformou em pancadaria, mas tudo acabou esquecido e ninguém sequer foi preso.
Algum tempo antes, um jogador (Sandro Macapá) havia sido esfaqueado na avenida Almirante Barroso quando se dirigia à concentração do Remo, no Baenão. Tempos depois, um jovem torcedor do Paissandu morreu depois de atingido por um rojão na cabeça. São vítimas da mesma insanidade – e da impunidade – vista no Couto Pereira. Os bandidos de lá são iguais aos de cá, não há diferença.
A paz plena talvez seja uma utopia, mas a segurança aos torcedores é possível de obter. Sistemas de controle efetivos nos estádios e em seu entorno já solucionaram o problema em outros países. As providências devem vir acompanhadas de punição exemplar para todo e qualquer abuso.
No caso do Coritiba, por exemplo, o clube deveria ser penalizado até com o rebaixamento para a Série D. Posicionamento assim enérgico seria o primeiro passo para que outros clubes aprendessem, a pulso, a respeitar a integridade de seus torcedores.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 8)
Gerson, dentro da relva do Coritiba Osvaldo Dietrichm ex-presidente da facção e funcionário do clube e’ visto agredindo as pessoas. ou seja a historia vai exatamente por ai.. como tu falas.
Mas ainda acredito em uma pena exemplar e severa ao clube, que tem sim que ser responzabilizado por toda aquela onda de banditismo.
Precisamos repensar e criar leis novas , caso contrario viveremos somente a chorar em cima dos tragicos acontecimentos ,que ainda estao por vir.
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Concordo, também, Gerson, apesar do Dr. Hamilton Gualberto falar que não cabe rebaixamento nesses casos, mas é o que o Coxa merecia, para o bem e a moralização do Futebol Brasileiro.
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Claro que cabe rebaixamento, sim, desde que o tribunal decida por isso.
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Se não pode rebaixar, então que se mexa no bolso. Faça-os disputar um bom número de partidas de portões fechados nas competições da CBF. Aí eles vão sentir.
Outra, concordo com o total banimento desses bandos que vão aos estádios entoar gritos de guerra, roubar e bater em torcedores normais.
Todos tem culpa, inclusive os torcedores que acham bonitinhas as manifestações e principalmente os jogadores que preferem comemorar seus gols com os bandidos, esquecendo os mocinhos.
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Corretíssimo, Acácio. A punição pecuniária é um bom caminho, mas o rebaixamento à Série C ou D teria maior impacto. Tem razão quanto aos desmiolados que incentivam essas manifestações violentas e aos jogadores que, para fazer média, ficam “homenageando” esses bandidos com gestos e sinais.
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Para selvagens a lei deve ser draconiana: O primeiro passo a ser dado caminha em direção à identificação dos mariginais invasores, com o posterior enquadramento na lei por dano ao patrimônio privado/público, tentativa de homicídio e banimento de eventos esportivos e culturais. “Torcedor” dessa estirpe deve ser tratado como bandido mesmo.
Punições ao clube:
Na seara criminal – enquadramento na lei das agremiações/entidades esportivas por lsões corporais/tentativa de homicídio/homicídio culposo em casos como superlotação de estádios e invasão do gramado por parte de torcedores e dirigentes visando agredir jogadores, árbitros e todos os que estejam envolvidos no espetáculo e briga entre torcidas nas arquibancadas.
No âmbito esportivo: penalizção à entidade/agremiação que subvencionar ingressos às organizadas, com o banimento do clube de competições geridas por federações e confederações; multa ao clube e às federações no que diz respeito à venda de ingressos se atestada a violação da dignidade e integridade física do torcedor no processo de compra do ingresso, cabendo ainda ao clube responder a processo no que diz respeito à violação dos direitos do consumidor e às federações a possibilidade de intervenção de entidade esportiva superior (CBF)… as leis devem ser duras Gerson, não há outro jeito. Eventos como o de domingo só ocorrem por que a tolerância é muito grande; as leis são caducas, não ajustadas aos novos tempos e, em muitos casos, “letra morta”, e a permissividade nos clubes é de dar nojo. Além do mais, muitos dirigentes se perpetuam no poder por conta do apoio de uma canalha, que vai de diretores e facções de torcidas organizadas. O que é um absurdo. Então, enquadre-se e puna-se todos. Torcedores e clubes.
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