O livro aberto do marqueteiro Agassi

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Agassi, nos tempos da famosa peruca

Por Paulo Cleto

Outro dia mesmo escrevi que Andre Agassi é o maior marqueteiro que o tênis conheceu, só para ser atacado pessoalmente pelos idiotas de plantão. Huumm! Escrevi que a atual volta de Agassi às quadras, após uma longa ausência e a quebra de um projeto imobiliário, tinha algo por trás. O que seria?

O careca lançará no início de Novembro um livro autobiográfico – que deve vender zilhões e colocá-lo em total evidencia, que é onde ele gosta de estar – em parceria com um dos mais conhecidos jornalistas americanos, onde promete divulgar o que nem sempre é divulgado em autobiografias. Especialmente de esportistas.

Pelo o que se sabe, através de trechos publicados na revista “People” no jornal “The Times”, Agassi admite que odiava tênis, por conta do pai que o ameaçava e forçou a jogar desde bem pequeno. Não é o primeiro, nem o último, grande esportista que teve um relacionamento de amor e ódio, no caso mais deste último, com o pai dominador.

Fala também de detalhes cômicos como a peruca que usou durante algum tempo e que deteriorou debaixo do chuveiro de Roland Garros. Mas o que está dando pano para manga é a divulgação que usou, no período em que seu relacionamento com Brooks Shields estava de mal a pior, uma droga chamada “cristal meth”, algo como “bolinha da pura”, para ficar doidão e sair varrendo os aposentos da casa, limpar a piscina, fazer a cama, jogar golfe, sem mencionar onde estava a mulher. Isso em 1997, pouco antes de fazer sua célebre volta às quadras.

Eventualmente foi pego em exame anti-doping. Conta como escreveu uma carta à ATP, mentindo do começo ao fim, culpando um manager seu, segundo suas próprias palavras. A ATP comprou a mentira e arquivou o caso. Hoje a FIT diz que qualquer pergunta a respeito a ATP que responda. A ATP diz que é um painel que decide e que um único executivo não poderia decidir. Sei.

Na real, segundo Andre, foi o manager que lhe ofereceu a droga pela primeira vez. Na mentira, o manager foi acusado de ter colocado a droga em uma bebida sem seu conhecimento. A ATP acreditou. Vale lembrar que, até pouco mais de um ano atrás, um antigo manager de Agassi era um dos membros do Conselho da ATP – não sei se o mesmo, já que ele usa um nome fictício para o manager envolvido com drogas.

Não sei qual a razão de Andre Agassi divulgar esses detalhes em seu livro. Ele jura que o livro – “Open”-  é honesto de uma maneira surpreendente. Não sei o quanto é transparente, já que a vida do rapaz, como a da maioria das pessoas, é cheia de segredos, que nem sempre podem, ou devem, vir a público. Ele diz que escreveu mais para ajudar as pessoas aprenderem sobre elas mesmas do que para fazer um mea culpa – exatamente o que um especialista em marketing escreveria. Deixo claro que não vejo um “marqueteiro” como alguém ruim ou mentiroso. Só alguém que tem uma habilidade em manipular a mídia e as pessoas para seu proveito, o que, per si, não é nenhum pecado. Pecado seriam mentiras para conseguir o objetivo.

O livro sai em Novembro, enquanto isso ficamos na expectativa quais outras verdades serão divulgadas e se o livro contará a razão da separação com Brooks, esta sim uma bomba.

3 comentários em “O livro aberto do marqueteiro Agassi

  1. Jogada de marketing ou revelações sensacionais, o que fica desse episódio é a facilidade com que atletas estadunidenses escapam do exame anti-doping, enquanto outros, como a brasileira Dayane dos Santos, são pegos até quando estão de folga. Por que será?

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