A secretária estadual de Cultura, Úrsula Vidal, não será candidata à prefeitura de Belém nas eleições 2020. Ela anunciou, ontem à noite, em nota oficial, que permanecerá no cargo, acumulando a presidência do Fórum Nacional de Dirigentes e Secretários de Cultura.
Abaixo, na íntegra, a nota:
“Escutar, aprender, construir, partilhar. Quando esses verbos são conjugados no plural, tudo que se ergue do chão dos nossos sonhos é feito do barro mais sagrado: aquele que dá forma à justiça social, aos direitos individuais e coletivos, à uma vida mais solidária e feliz pra toda gente. A política pode e deve ser esse lugar onde se chega pra mudar o mundo pra melhor. Eu, daqui de onde estou hoje, na Secretaria de Cultura do Pará, ocupando também a presidência do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, estou remando pra que essa maré de justiça e de direitos leve o barco da cultura brasileira para um porto mais seguro, onde a criatividade, a diversidade e a alma de nossas manifestações e expressões seja eterna e brilhe! Brilhe forte!
Nesse período de pandemia, temos lutado para garantir que os 3 bilhões de reais previstos na Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural cheguem aos trabalhadores da cultura e da arte em todos os 5 mil 570 municípios do país. Já avançamos muito graças à luta de artistas, mestras e mestres da cultura popular, parlamentares e dirigentes. No meio dessa missão de luta pela sobrevivência está um calendário eleitoral. Desde a eleição de 2016, em que fui candidata à prefeitura de Belém, venho debatendo modelos democráticos e soluções criativas, inovadoras e sustentáveis pra tirar nossa cidade deste cenário de abandono. Minha pré-candidatura em 2020 sempre foi pública. Um mês e meio atrás, eu decidi não sair da Secult porque uma alteração no período eleitoral já estava em curso no Congresso, por meio de uma PEC. Assim como eu, dezenas de outros secretários e secretárias pré-candidatos em todo o Brasil decidiram aguardar a votação do projeto e manter a dedicação total à gestão de suas cidades e estados, no período mais difícil da pandemia. Só que o projeto aprovado no Congresso deixou as regras do calendário eleitoral abertas à muitas interpretações.
E nessa situação de instabilidade jurídica, eu decidi não abraçar uma candidatura que precisa ter a força de milhares de vozes, de milhares de sonhos possíveis, de uma Belém das mães, das filhas, das trabalhadoras, das mulheres e dos homens que acreditam que no rio caudaloso das nossas enormes diferenças, também habitam nossas riquíssimas semelhanças. Porque todas e todos nós precisamos de uma cidade onde haja pão, paz e trabalho; onde a dignidade seja coisa de se conjugar com felicidade. Uma cidade pra gente gostar e ser feliz”.
O deputado Edmilson Rodrigues e os demais integrantes da bancada do PSOL na Câmara Federal solicitaram providências urgentes do Ministério Público Federal sobre a exoneração de Lúbia Vinhas, coordenadora-geral de Observação da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), estrutura responsável por monitorar o desmatamento na Amazônia.
A dispensa ocorreu na segunda-feira, 13, logo após o Inpe divulgar alerta de desmatamento recorde do ano, com mais de 1 mil Km2 de floresta suprimida somente em junho. Na semana passada, o Inpe divulgou que em junho foi registrado o maior número de alertas de desmatamento para o mês em toda a série histórica, iniciada em 2015. O ofício foi protocolado nesta terça-feira, 14 de julho, endereçado a Carlos Alberto Vilhena, subprocurador-geral da República na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF. Em agosto de 2019, o governo Jair Bolsonaro anunciou a exoneração do ex-presidente do Inpe, Ricardo Galvão, também logo após a divulgação de pesquisas que indicavam o alarmante aumento de 88% nos índices de desmatamento na Amazônia em comparação ao mesmo mês de 2018.
Ele, que é respeitado mundialmente pela comunidade científica, disse em entrevistas que foi demitido justamente por confirmar a veracidade dos dados divulgados pelo instituto, inclusive, os quais o presidente da República tentava desmentir. Os servidores do instituto divulgaram uma carta pública em que afirmam que “quando o Inpe completará 59 anos, talvez seja também o primeiro aniversário do início de seu fim como o conhecemos”. O documento afirma que o diretor interino, Darcton Policarpo, está promovendo uma transformação institucional sem a participação do Comitê de Busca ou dos técnicos do órgão, de maneira que “existe uma estrutura administrativa oficial, a que está no regimento atual e válido, e uma estrutura paralela, que opera, governa e decide sobre o Inpe, mas que não existe na regulação administrativa”.
O texto também destaca que “é importante ressaltar que essa estrutura paralela de gestão incluiu a verticalização e unificação de comando aos moldes das estruturas militares, claramente na contramão das tendências atuais de pesquisas em redes colaborativas com liberdade acadêmica e autonomia científica”.
De acordo com o Sport TV, de Portugal, o Benfica já chegou a um acordo com Jorge Jesus. O treinador do Flamengo é aguardado neste sábado em seu país, depois de disputar a final do Campeonato Estadual contra o Fluminense. Ainda segundo o Sport TV, Jesus não será o único a trocar o Flamengo pelo Benfica. O volante Gerson e o atacante Bruno Henrique também fazem parte do pacote, e o Benfica está disposto a pagar até R$ 180 milhões pela dupla, que custou R$ 65,3 milhões ao rubro-negro.
Segundo o jornal português “Correio da Manhã” informou nesta segunda, o clube espera dar um passo decisivo da negociação na próxima sexta-feira, depois que o rubro-negro disputar o jogo de volta.
Num possível retorno a Portugal, Jesus teria carta branca para decidir quem entra e quem sai do grupo, de acordo com o jornal. Em conversas com o técnico nas ultimas semanas, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira prometeu um equipe competitiva, capaz de lutar pela Champions.
O empréstimo de 50 milhões de euros realizado pelas Águias deve ajudar o clube a manter seus principais jogadores e estudar contratações a pedido de Jesus.
Menos de um mês após a morte de Astrogildo Corrêa, com quem formava a impagável dupla Braguinha & Barnabé, do lendário quadro “A Consciência do Braguinha”, na Rádio Marajoara, o radialista, ex-vereador, deputado e ex-prefeito de Belém Oséas Silva morreu nesta terça-feira, aos 87 anos, vítima de AVC.
Além do quadro de imenso sucesso na Marajoara, Oséas manteve por mais de 50 anos um programa de grande audiência, em contato direto com a população. Como vereador, assumiu interinamente o cargo de prefeito quando o titular, Augusto Rezende, sofreu acidente de moto em Mosqueiro.
No exercício interino da Prefeitura de Belém, Oséas ficou conhecido como defensor do patrimônio histórico de Belém ao ocupar simbolicamente um casarão da avenida Magalhães Barata, cuja família proprietária iniciou a derrubada para a construção de um edifício.
O jornal “A Província do Pará” estampou na capa a solitária atitude de Oséas, em foto do então prefeito dormindo sobre os escombros do prédio.
Em nota oficial, a Câmara Municipal de Belém lamentou o falecimento de Oséas: “Ele representou a população de Belém por três mandatos. Dos anos 1987 a 1989, presidiu o Poder Legislativo da capital. A CMB se solidariza com os familiares e amigos”.
Trabalhou na TV RBA, a meu convite, para reproduzir o quadro do Braguinha & Barnabé junto com Astrogildo Corrêa. Muito humilde, de temperamento discreto, Oséas relutou em aceitar a proposta. Assim como Astrogildo, ele achava que não ia se adaptar à TV.
Com a ajuda de Luiz Eduardo Anaice, conseguimos trazê-lo juntamente com Astrogildo para participar do programa Barra Pesada e o êxito do quadro mostrou que estávamos certos.
O Paissandu anunciou nesta terça-feira o seu primeiro reforço para a retomada das competições – Parazão e Série C. Erik Bessa, atacante de lado, 24 anos de idade, é o contratado. Ele foi um dos destaques do Campeonato Goiano defendendo o Jaraguá (GO), marcando 4 gols.
Bessa desembarca em Belém na tarde de hoje e será submetido a exames para poder ser integrado ao elenco bicolor. O vínculo do jogador foi firmado até o dia 31 de janeiro do ano que vem, segundo a diretoria do clube.
Bessa é natural de S. Paulo (SP), passou por alguns clubes – S. Caetano-SP, Grêmio Mauaense-SP, Catanduvense-SP, S. Bernardo-SP, S. José-SP, Comercial-SP e Marília. O executivo Felipe Albuquerque avaliou a chegada do jogador e explicou qual a função dele no jogo.
“É um jogador agudo de muita velocidade, que tem o drible rápido como principal característica. É o tipo do atacante que normalmente inicia as jogadas que terminam em gol”, destacou Albuquerque.
Devido a uma antiga ação judicial do Albirex Niigata, do Japão, a Câmara de Resoluções de Litígio da Fifa puniu o atacante Rony, atualmente no Palmeiras, com quatro meses de suspensão. Por conta da mesma ação, o Athletico-PR, ex-time do jogador paraense, fica impedido de registrar novos jogadores nas próximas duas janelas de transferências. Ainda cabe recurso no TAS (Corte Arbitral do Esporte) em até 21 dias.
A restrição passa a valer de imediato a partir da notificação da decisão desta segunda-feira e inclui tanto jogos de competições nacionais quanto internacionais. O jogador também terá de pagar ao Albirex Niigata US$ 1.129,499 (cerca de R$ 6 milhões), acrescidos de 5% de juros a partir de março de 2019 até a data do pagamento, cujo prazo limite é de 30 dias.
O Palmeiras, que contratou Rony no início da temporada 2020, não faz parte do processo. O Verdão, porém, não poderá utilizar o jogador pelo período determinado pela Fifa.
Rony foi revelado pelo Remo, jogou no Cruzeiro, no Náutico e se transferiu para o Japão. Antes de acertar com o Athletico, chegou a firmar acordo com o Botafogo, que recuou do negócio por receio de problemas com o clube japonês, agora confirmados.
O rock, cultuado no mundo todo como o gênero mais subversivo de todos, tem hoje sua data mundial festejada. Sim, eu sei, nós sabemos, é marketing descarado, nada a ver com a contracultura e a contestação dos primórdios. Quando Chuck Berry trabalhou a junção do blues estradeiro americano com uma levada mais dançante e sensual, com apelo irresistível para o público infanto-juvenil, numa época em que ninguém fazia música adequada à fase mais festiva e gostosa da vida. O rock, por assim dizer, foi terapêutico: veio suprir uma lacuna imperdoável e cumpriu com sobras a missão.
E quis o destino que esse novo ritmo tivesse como base o balanço e a vibração, típicos da música negra de raiz. Vem daí a noção de que o rock não nasceu – como querem alguns pesquisadores brancos – de Bill Halley & His Comets ou de seus inúmeros covers. Quando Halley explodiu com Rock Around the Clock (maio de 1954) o rock raiz já pulsava no coração negro da América. É sobre isso que falaremos neste modesto inventário sobre o som que mudou a rotação do planeta.
Berry, o verdadeiro pai do rock, ganhou a estrada, tocando em troca de tostões nos bares de beira de estrada do sul dos Estados Unidos. Adquiriu nessa época a mania de não aceitar pagamento em cheque ou depósito bancário. Dizia aos promotores de evento, mesmo quando já artista consagrado, que só confiava em grana viva.
Chuck colecionou uma penca de hits, que até hoje podem ser ouvidos com grande prazer: Johnny B Goode, Rock and Roll Music, Maybellene, Route 66, Roll Over Beethoven, School Days, You Never Can Tell, Nadine.
Depois dele, abriu-se o Mar Vermelho, com o aparecimento de nomes como Little Richards, o primeiro grande performer do gênero, unindo transgressão e ousadia. Homossexual assumido, deixava produtores e promotores de shows em altas para encaixá-lo em eventos para o público hiper conservador da terra de Tio Sam.
Tutti Frutti, Good Golly Miss Molly, Lucille, Long Tall Sally, Jenny Jenny. Richard deu dimensão espetaculosa e saltitante ao que era ritmado, rascante e hétero no rock de Chuck Berry.
Ainda nos ’50, Jerry Lee Lewis furou o bloqueio do rock negro com um estrondoso sucesso na mesma época em que Richard brilhava. São dele hits como Great Balls Of Fire, Jambalaya, Mother The Queen Of My Heart, Whole Lotta, Shakin’ Goin’ On, Your Cheatin.
Com estilo absolutamente único de martelar as teclas do piano, usando até os pés, Lewis estabeleceu-se entre os grandes nomes do período. Além dele, Buddy Holly e Carl Perkins fizeram furor, com estilos mais domesticados ao gosto médio.
Nenhum, porém, chegou ao patamar de Elvis Presley, que se tornou o primeiro super astro mundial do gênero, embora tenha em muitos momentos da carreira flertado mais com o pop romântico. Blue Suede Shoes, Jailhouse Rock, Can’t Help Falling In Love, Always On My Mind, Suspicious Minds, Love Me Tender, Bridge Over Troubled Water, Hound Doug, Kiss Me Quick foram alguns de seus muitos sucessos.
Elvis incendiava plateias com a voz de timbre negro e o balanço mais erotizante visto até então nos palcos do mundo. Virou astro de cinema filmes para matinês e, com o tempo, foi assumindo um conservadorismo político que conflitava por completo com a revolução estética que promoveu no rock. No fim decadente da carreira, aceitou virar atração de cassinos em Las Vegas.
Dos pioneiros e faiscantes anos 50, o rock deu um salto rumo à conquista planetária com a chegada de um grupo absolutamente único em originalidade, talento e apelo popular. Os Beatles, vindos da velha Inglaterra, assumiram o pódio e reinaram por mais de uma década, acumulando sucesso e prestígio.
Com os Beatles o rock ganhou status de arte moderna e engajada, principalmente pelo álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, projeto conceitual idealizado por Paul McCartney e concebido com a cabeça erudita do maestro George Martin, cognominado o quinto beatle.
Foram os Beatles que entronizaram gerações inteiras no rock, fazendo uma verdadeira revolução de costumes, com músicas que viraram hinos até hoje reverenciados, como Help, Come Together, Revolution, Hey Jude, I Want To Hold Your Hand, Blackbird, Across the Universe, Twist and Shout, Penny Lane, Get Back, Let It Be, Yesterday, Drive My Car, Michelle, A Day in the Life, Here Comes The Sun, Eleanor Rigby, Lucy in the Sky With Diamonds, While My Guitar Gently Weeps, Something, Yellow Submarine são alguns dos clássicos da banda.
Nunca uma banda de música pop foi tão significativa e influente, além de visceralmente amada por tanta gente quanto o Fab Four (John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr). Aliás, todos os quatro músicos produziram obras respeitadas e exitosas quando abraçaram a carreira solo.
Quem mais chegou perto da Beatlemania foram os Rolling Stones, também ingleses e que trilharam um caminho ligeiramente contrário, adotando um som mais sujo e rebelde. Versão bem menos palatável para o padrão da época do que os quatro garotos de Liverpool.
A entrada em cena dos Stones virou de ponta-cabeça o cenário da música jovem, desafiando a tradição familiar e abraçando atitudes até então consideradas inaceitáveis, como o consumo de drogas e a defesa da liberdade sexual. Junto com os Beatles, o grupo fundado por Brian Jones e liderado por Mick Jagger e Keith Richards antecipou o que se tornaria pleno a partir do movimento hippie no fina dos 1960.
Satisfaction, Simpathy For The Devil, Let’s Spend The Night Together, Time is On My Side, Jumpin Jack Flash, Honky Tonk Women, Gimme Shelter, Paint it Black, Ruby Tuesday, Lady Jane, Sweet Virginia, Angie, Not Fade Away, You Can’t Always Get What You Want e tantos outros hits consolidaram os Stones como um dos gigantes do rock, ainda hoje em plena atividade, percorrendo o mundo sempre com shows lotados. Biografias de Keith, Mick e Ronnie deixam claro que a banda se mantém viva justamente pelo amor pela estrada e os shows ao vivo.
As formações se alternaram desde que Brian Jones foi expulso da banda. Mick Taylor o substituiu na guitarra. Ronnie Wood (ex-Faces) veio em seguida. O baixo, que teve Bill Wyman na formação original, hoje está com o músico convidado Darryl Jones, mas a batera segue firme nas mãos de Charlie Watts. A voz inconfundível de Jagger, a batida de Charlie e os solos inspirados de Keith e Ronnie formam a massa sonora que mantém as pedras rolando.
Enquanto Beatles e Stones dominavam as paradas, nos anos 60, outros roqueiros se inseriam na cena, com propostas e características variadas. Bob Dylan, o bardo de Minnesota, de origem folk, encantava com poesias profundas e mirando um público mais intelectualizado. Quando assumiu o som eletrificado das guitarras foi um pandemônio. Seus fãs mais conservadores rejeitaram a novidade, mas o rock o recebeu de braços abertos.
Clássicos como Blowin’ in the Wind, Like A Rolling Stone, Mr. Tambourine Man, Hurricane, Lay Lady Lay, Jokerman, Love Minus Zero, My Back Pages, Idiot Wind ganharam a programação das rádios, viraram trilha sonora nos campi e nas frentes de protesto dos movimentos pelos direitos civis. Dylan foi aclamado como o poeta do rock, consagrado posteriormente com o Prêmio Nobel de Literatura. Estranho, recluso e dado a mudanças radicais nos arranjos de suas músicas, Dylan continua um provocador indomável.
Noutra direção, Jimi Hendrix fazia furor com sua guitarra incendiária e dissonante. O deus negro dos solos flamejantes morreu cedo (aos 27 anos, como Janis Joplin, Jim Morrison e Brian Jones), como todo roqueiro deve morrer, na frase célebre de Jagger. A curta carreira de Hendrix foi marcada por êxitos que tornaram sua obra definitiva e icônica. Lembro de, ainda menino, ter ouvido Hendrix nos anos 70 e não entender coisa nenhuma. Muita distorção na guitarra e ruídos que dificultavam minha compreensão. Fui entendê-lo e amar sua música somente uns 10 anos depois.
Na Califórnia ensolarada surgiu uma ramificação curiosa do rock. Com os Beach Boys surgiu o surf rock, de levada ligeira e voltado para embalar festinhas. O líder do grupo, Brian Wilson, resolveu contrariar o script e mergulhou em experimentações sonoras que desaguaram na obra-prima Pet Sounds. Um punhado de canções, amarradas numa régua conceitual, fizeram do álbum um ícone da música pop em todos os tempos.
Muitos outros artistas e bandas se movimentavam na cena roqueira do período, produzindo muito, tocando ao vivo e contribuindo para o período mais criativo do gênero. Data dessa fase a explosão de grupos como Jefferson Airplane, Animals, Procol Harum e o seminal Crosby, Stills, Nash & Young, formado por quatro músicos excepcionais, além do catártico Creedence Clearwater Revival, de John Fogerty, de som despojado, mas quase tão popular quanto os pesos-pesados ingleses Beatles e Stones.
Nesta lista resumida e seleta de nomes obrigatórios do rock, não pode faltar o Cream, primeiro supergrupo da história, power trio da pesada que reuniu os virtuoses Eric Clapton, Ginger Backer e Jack Bruce. Foram poucos discos, mas em quantidade suficiente para consagrar a fusão inglesa do blus com o rock. A partir do Cream, Clapton se lançou em carreira solo fulgurante, cultuado como herói da guitarra com direito a pichações nos muros londrinos chamando-o de The God.
Cabe registrar também o papel relevante de bandas como Byrds, Mountain, Stepennwolf e The Band, que acabaria ganhando notoriedade como grupo de apoio de Bob Dylan em discos de estúdio e turnês.
Na Inglaterra, o rock se alastrava pelos pubs e pequenos teatros, na esteira do êxito de Beatles e Stones. Yardbyrds, Kinks, The Who e Led Zeppelin seriam os representantes mais expressivos dessa segunda onda do rock britânico. Nascido de uma dissidência dos Yardbyrds, o guitarrista Jimmi Page, o Led logo se transformaria num furacão, superando seus concorrentes da época.
O gigantismo da banda, amparado no virtuosismo de Page e no carisma de Robert Plant, se traduz nas excursões megalomaníacas turbinadas por discos brilhantes e um punhado de megahits – Rock and Roll, Immigrant Song, Kashmir, Stairway To Heaven, Going to California, Celebration Day, All My Love, Whole Lotta Love.
Bill Graham, legendário promotor de shows da era de ouro do rock, diz em sua bio que o Led tinha uma aura satânica em torno de si, o que – de certa forma – se confirma com episódios traumáticos na vida da banda. A morte do baterista John Bonham determinou o fim da vida terrestre do grupo.
Depois do Led, veio o Pink Floyd, inicialmente numa linha experimental que flertava com a estética psicodélica, bem ao agrado de seu fundador Syd Barret, o grupo evoluiu para dimensões muito mais ambiciosas sob a batuta de Roger Waters e a guitarra de David Gilmour. Álbuns como The Wall, The Dark Side of the Moon e Animals colocaram o Pink Floyd no chamado primeiro time do rock.
O lado ruim da história é que, na esteira dos sons de pitada clássica de vários discos do Pink, floresceu um subgênero denominado rock sinfônico, que teve no Yes, no Focus e no Rush seus principais expoentes. A pretensão musical infelizmente não encontrou amparo nas tentativas de instaurar um novo rumo para o rock.
CENA PUNK
Como resposta à suntuosidade que o rock sinfônico tentava impor surgiu uma saudável baforada de rebeldia, fazendo renascer as bases do rock. Acordes econômicos, pegada selvagem, riffs rápidos e amplificadores no volume máximo. Exalando urgência, nascia o punk rock, inicialmente criado por um marqueteiro esperto e depois dominado pelas ruas e guetos, para expressar os anseios e recados de uma geração anárquica e niilista que não se via mais representada no rock tradicional.
Sex Pistols, The Clash, Bad Religion, Rancid, Dead Kennedys e Black Flag se destacaram no segmento, mas ninguém chegou perto do legado dos novaiorquinos Ramones, a maior banda de punk rock de todos os tempos. Joey, Johnny, Dee Dee Ramone surgiram em 1974 para arrebatarem multidões com shows rápidos e inesquecíveis.
Grupos pós-punk como Green Day assimilaram o lado rústico do gênero e adicionaram uma linha melódica mais ao sabor dos novos tempos, comercialmente falando. Em alguns momentos, a receita ficou bem interessante.
ROCK ARENA
Quando o punk parecia que ia demolir definitivamente as velhas estruturas do rock, eis que uma banda britânica de perfil grandiloquente e nome ambíguo começaria a fazer um movimento em sentido contrário. O Queen, de Brian May e Freddie Mercury, estourou no final dos anos 1970 e se manteve em alta até a morte (por Aids) de seu vocalista.
Com o mesmo aparato cênico do Queen, mas com estilo mais engajado e messiânico, os irlandeses do U2 entraram em campo nos anos 80 e se transformaram em campeões de bilheteria, com quase igual êxito junto aos críticos. Bono Vox e The Edge lideram a criação e o U2 segue firme na ativa.
INDIES & GRUNGE
No circuito universitário, bandas interessantes surgiam como formigas em torno de doces, fora do mainstream. R.E.M., talvez a mais criativa delas, e Pixies, a mais influente, são nomes a serem destacados como renovadores da linguagem roqueira. O R.E.M., que se desfez há cinco anos, se dedicou a lançar álbuns impecáveis ao longo da carreira e até hoje é referência para bandas iniciantes.
O grunge, subgênero nascido em Seattle (EUA), legou ao mundo bandas de perfil singular, focadas em letras profundas e pessoais, emolduradas por guitarras inquietas. O Nirvana, de Kurt Cobain, é o maior representante do grunge. Poucos álbuns, mas uma discografia forte e marcante.
Além do Nirvana, Seattle foi palco para Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains, além de uma infinidade de seguidores pelo mundo. Com Eddie Vedder nos vocais e um time afiado de músicos, o PJ teve o mérito de se diferenciar do padrão Nirvana, alargando o alcance do grunge e realinhando o rock como plataforma para o posicionamento político libertário e de esquerda.
SEM RÓTULOS
Ao citar bandas e nomes icônicos do rock é inevitável lembrar que todas beberam nas fontes de Berry, Beatles, Stones e de um inglês de trajetória errante, inquieta e – não raro – brilhante. David Bowie, legítimo camaleão do rock, tem lugar cativo neste pequeno manual de introdução à história do gênero. Viajou nos mais diferentes estilos e modas, da discoteca ao glam rock, do folk ao indie, sem deixar de mergulhar de cabeça nas artes visuais. Fez alguns álbuns definitivos – Station to Station, Space Oddity e o épico The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars.
Elton John, por razões diferentes, também não pode ser rotulado dentro da escala de grandes nomes do rock moderno. Um exímio artesão de canções pop, o músico inglês é um dos maiores vendedores de discos de todos os tempos, cercado da admiração de grandes nomes do gênero.
Deixei para o fim a menção aos grupos britânicos da chamada geração Britpop, como Stone Roses e Oasis, sendo que este último conquistou as paradas e construiu uma obra consistente nos anos 1990, a partir da atribulada parceria dos irmãos Noel e Liam Gallagher. A banda acabou, os irmãos mal se falam, mas a música permanece.
Da linhagem fértil do surf rock da Califórnia, fecho o guia básico com o Red Hot Chili Peppers, de trajetória meio caótica quanto à qualidade dos discos, mas certeiro na missão de levar diversão a quem ouve, um pressuposto às vezes esquecido no rock.
Bem, pessoal, esta lista tentou seguir uma ordem cronológica, tematizando o rock por estilos e tendências, mas obviamente não tem o rigor científico de uma pesquisa e nem pretende ser um ensaio, até porque todo levantamento desse tipo vem carregado de preferências pessoais. O objetivo aqui era mostrar um pouco da real grandeza do gênero que tanto amamos.
Penitencio-me com os fervorosos fãs do metal e suas centenas de subdivisões, que não tive como incluir na lista – fica para depois (me cobrem isso). Lamento também, por necessidade de condensar ao máximo o texto, ter deixado de citar um porrada de gente imensa e importante, como Tom Petty, Lou Reed, Neil Young, Joan Jett, Grace Slick, Stooges, Stone Temple Pilots, Rory Gallagher, Pretenders, ZZ Top, Bad Company, Cat Stevens, Leslie West, Jeff Beck, Scott Weiland, Blondie e meu amado Hüsker Dü.
Apesar da forte prevalência de volantes no elenco, que gera desconfianças no torcedor, o Remo começa a definir um perfil de time maduro para encarar o Brasileiro da Série C. Escrevi há dois meses, quando Marlon e Zé Carlos ainda eram especulados, que a escalação azulina para a retomada do Parazão podia ter pelo menos seis jogadores com idade acima de 31 anos.
No Estadual, talvez isso não ocorra, mas para o Brasileiro é provável que em determinados jogos o time seja integrado majoritariamente por jogadores experientes, acostumados às dificuldades das Séries B e C. A contratação de Lucas Siqueira, volante de 31 anos, reforça essa impressão.
Vinícius; Everton Silva, Mimica, Kevem e Marlon; Lucas, Charles (Julio Rusch), Gelson e Eduardo Ramos (Douglas Packer); Zé Carlos e Gustavo Ermell. Nessa hipotética escalação, mais da metade está acima dos 31 anos, o que não significa que será um time cansado e lento.
A condição atlética e a capacidade de recuperação após a quarentena irão determinar o ritmo das partidas, havendo uma tendência inicial de jogos mais cadenciados. Além disso, a nova regra de substituições (5) assegura a reposição de peças ao longo dos 90 minutos, vindo em socorro justamente de equipes que estejam fisicamente vulneráveis.
Mais do que a média de idade, cabe observar o modelo tático buscado pelo técnico Mazola Jr. para a campanha na Série C. Fica evidente a preocupação em resguardar o setor defensivo, procurando dar segurança e evitar os muitos problemas verificados no desempenho do time de Márcio Santos na reta final da primeira fase da competição em 2019.
Na maioria dos jogos, inclusive em casa, o Remo incorreu em falhas defensivas que atrapalharam a tentativa de chegar ao mata-mata. Casos, principalmente, dos jogos contra Juventude (2 a 2) e Tombense (0 a 2), nos quais pontos certos foram desperdiçados dentro de casa.
Mazola parece bem atento aos problemas da defesa, mas é fundamental que o Remo tenha opções ofensivas, pois no Parazão o time teve imensas dificuldades (marcou 9 gols em oito jogos, 4º na artilharia) contra equipes retrancadas, cenário mais do que previsível na Série C.
Um conjunto quenão repete a afinação de 2019
O Flamengo venceu, confirmou o favoritismo, mas não teve vida tranquila no clássico. Mais do que no primeiro jogo, quando teve altos e baixos, com falhas no setor defensivo, o Fluminense atuou bem ontem e poderia ter empatado a partida. Teve chances para isso, principalmente porque o Fla voltou a se apresentar surpreendentemente mal, para quem tem um elenco estrelado e recomeçou a preparação antes de todo mundo.
Talvez a incerteza quanto à permanência de Jorge Jesus comece a ter consequências no rendimento e no astral da equipe. De qualquer maneira, um cenário que preocupa quanto às competições realmente prioritárias, como a Série A e a Libertadores.
A única situação que fez lembrar o arrasador Flamengo do ano passado foi na jogada que resultou no segundo gol. De um rebote defensivo, o time saiu em apenas um toque para Gabriel Barbosa avançar pela direita e cruzar na medida para Michael marcar. Pelo desenho do lance, remeteu ao gol marcado contra o Inter, no Beira-Rio, pela Libertadores. Diferença é que naquela ocasião a saída foi pela esquerda.
De maneira geral, os dois clássicos contra o Flu semeiam dúvidas quanto ao poderio da equipe no restante da temporada. Gabigol, mesmo expulso, continua bem, mas o conjunto não reedita a mesma afinação.
E que caneta em duplo carpado que o Rafinha tomou do Marcos Paulo, hein, torcida brasileira? Que coisa. Te dizer…
Luta contra o racismo: ninguém vai calar Hamilton
Lewis Hamilton, o único piloto negro da Fórmula 1, voltou a se manifestar publicamente ontem contra o racismo ao vencer o GP da Estíria. Ao sair do carro já ergueu o braço direito com os punhos cerrados. Depois, no pódio e sem o capacete, para não deixar dúvidas, repetiu o gesto.
A cena remete aos lendários Tommie Smith e John Carlos, atletas negros americanos que ergueram o braço imitando o grupo Panteras Negras, em 1968, na Olimpíada do México. Nos tempos atuais, é uma forma de repudiar atos racistas, como o que vitimou George Floyd, morto por um policial branco nos EUA.
Na F1, elitista por excelência, sem espaço para minorias ou ativismos, Hamilton é uma honrosa e brilhante exceção. Fortíssimo nas redes sociais, o campeão tem apoiado de forma ostensiva os movimentos antirracistas e emprestado seu prestígio à causa.
Dentro da própria categoria, ele tem cobrado um posicionamento mais claro diante das injustiças sociais e à discriminação. Tem dado certo. Nos dois últimos GP’s, os pilotos vestiram a camiseta negra com a inscrição “End Racism” e se ajoelharam antes da largada, com exceção de seis recalcitrantes competidores.
Na pista, Lewis (Mercedes) mostrou desenvoltura e perícia para chegar com certa facilidade ao primeiro lugar, dominando quase que de ponta a ponta a corrida. Encurtou para 6 pontos a distância para Bottas no Mundial e , com a 85ª vitória, ficou a 6 de igualar a lenda Michael Schummacher.
Espero que consiga alcançar as duas metas. Lewis, não apenas pela consciência política, é uma das boas razões para que se volte a acompanhar F1 mesmo em tempos pouco fartos em talento e bravura.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira,13)
O ex-jogador Roberto Bacuri é o mais novo membro da comissão técnica do Tubarão do Caeté. O convite partiu do presidente licenciado Cláudio Wagner para que Bacuri assumisse a função de auxiliar do técnico Cacaio no prosseguimento do Campeonato Paraense e demais competições.
Roberto Bacuri tem 67 anos, é ex-futebolista e foi um grande ídolo do Paissandu nos anos 70. Passou também por clubes como o Ceará, América de Natal, Operário de Campo Grande e Itabuna (BA). Mora em Bragança há muitos anos.
Como novo membro da comissão técnica do Bragantino, Bacuri mostrou otimismo no retorno ao clube. “Já fui auxiliar técnico no Bragantino e ajudei fazer boas campanhas no passado. Se Deus quiser com a experiência e a força dos jogadores, dá pra gente fazer um bom trabalho e classificar tranquilo”.