Revelação do Papão se transfere para o futebol português

Atacante deixa o Paysandu para jogar no futebol português - Crédito: Jorge Luiz/Paysandu

O Paissandu anunciou no final da tarde desta sexta-feira, 24, que o atacante Bruce está de saída do clube. O destino do jogador será o Futebol Clube de Pedras Rubras, de Portugal. Aos 19 anos, Bruce foi formado nas categorias de base e disputou dois jogos pela equipe principal. Na negociação com o clube português, o Papão manteve 30% dos direitos econômicos do atleta.

Chance de priorizar qualidade

POR GERSON NOGUEIRA

Leeds: Marcelo Bielsa says he watches all opponents train - BBC Sport

Técnicos de futebol sempre foram escolhidos meio às cegas, ao sabor do acaso, no futebol brasileiro. Raríssimos são os casos de um planejamento sério que leve em conta o perfil do treinador e as características do elenco de jogadores, projeto obrigatório e até rotineiro no futebol da Europa. Aqui sempre prevaleceu a contratação de perfil tapa-buraco, com profissionais buscados às pressas para substituir um técnico que caiu em desgraça.

Essa maneira de lidar quase irresponsavelmente com uma função estratégica para o êxito em competições, a médio e longo prazo, determina tantos insucessos por parte dos clubes, nas três principais divisões nacionais. A Série A expõe mais o problema por ter visibilidade maior e por atrair investimentos mais altos, mas as séries B e C apresentam dificuldades idênticas.

Quando o Flamengo sai à procura de um substituto para Jorge Jesus, que deixou o clube após conquistas importantes e um êxito vertiginoso, cria-se um cenário favorável à escolha qualitativa e criteriosa. Primeiro, porque o clube tem meios para procurar o técnico que lhe convém. Segundo, por ter um elenco de qualidade que necessita de alguém com capacidade e conhecimento necessários para fazer a roda girar.

Em atenção ao legado de Jesus, que valorizou as saídas rápidas e a marcação sempre adiantada, o Flamengo quer encontrar um profissional que detenha igual ou maior potencial agregador no comando de um time de futebol. Óbvio que não é tarefa fácil, pois o futebol não pode se pautar pelo lado cartesiano das coisas. Existem fatores igualmente fundamentais para que tudo funcione bem.

Entre os nomes elencados para assumir o comando do atual campeão brasileiro e continental destacam-se Marcelo Bielsa, Domenec Torrent, Marcelo Gallardo e Miguel Ángel Ramirez. Técnicos de reconhecida competência, mas de características e escolas absolutamente diferentes.

Bielsa, o mais experiente do grupo, é curiosamente o mais ousado, daí talvez o apelido carinhoso de El Loco. Sempre foi visionário na montagem de times, desde o começo na Argentina até a passagem pelo Chile e por clubes europeus. Nunca um time sob sua batuta teve o defensivismo como filosofia, aspecto que encaixa perfeitamente com o projeto rubro-negro.

Torrent é ainda um auxiliar, mas não um mero ajudante de um treinador qualquer. Trabalhou com Pep Guardiola. Era uma espécie de “grilo falante” do atual comandante do Manchester City e respondia pelas anotações de jogo, observação das táticas a serem enfrentadas e conhecimento minucioso sobre o trabalho desenvolvido pelos times adversários.

Gallardo é, possivelmente, o treinador com mais apelo para dirigir um clube de massa como o Flamengo e pela habilidade em comandar elencos repletos de grandes jogadores. Ramirez seria uma aposta de risco, pois já comprovou talento, mas a pouca experiência pode botar tudo a perder.

A ideia de um projeto, tão banalizada nas entrevistas de técnicos e jogadores, é algo importantíssimo para que os clubes nacionais façam a transição para um patamar mais respeitável. Por enquanto, prevalece um histórico pobre nessa área.

Além do Palmeiras com Luxemburgo na era Parmalat e o São Paulo de Muricy Ramalho, quase nenhum outro clube teve a oportunidade e a condição financeira que o Flamengo tem hoje para materializar a privilegiada combinação entre sonho e realização. Que saiba usar as circunstâncias para avançar no processo de engrandecimento.

Esporte pela Democracia sai em defesa de Casagrande

A coluna reproduz a manifestação do movimento Esporte pela Democracia, que reúne um grupo de cidadãos do segmento esportivo preocupados com as ameaças à recente democracia brasileira e que erguem suas vozes contra todos e quaisquer tipos de preconceito.

“O que nos une é defender a democracia, a defesa de posições antirracistas e a favor das minorias. Nosso movimento não tem donos, embora, naturalmente, seja inevitável que seus membros mais conhecidos sejam vistos pela sociedade no papel de líderes. É apenas por isso que viemos a público manifestar irrestrita solidariedade a um dos nossos, o companheiro  Walter Casagrande Jr., que tem sido atacado por fascistóides nas redes sociais, indivíduos incapazes de conviver com a divergência. Consideramos que o ataque a um de nós atinge a todos e não arredaremos pé das posições que nos trouxeram até aqui. Somos do Gabinete do Amor, não do Ódio”.

Todo apoio às causas libertárias, nenhuma contemplação com o ódio e a intolerância. Isso vale para questões esportivas, mas é bem mais amplo e abrangente, pois diz respeito à vida e ao bem-estar das pessoas.

Possível volta de Jansen significa reforço para a zaga remista

O Remo vivia se debatendo há duas semanas com a perspectiva de ficar com apenas dois zagueiros para a reestreia no Parazão. Perdera Fredson (suspenso), Kevem (lesionado) e Rafael Jansen, que havia decidido se transferiu para o futebol de Israel.

Como o Brasil recordista em casos e óbitos de covid-19, Jansen não conseguiu entrar no país, cujas fronteiras estão fechadas para pessoas procedentes de países que ainda não controlaram a pandemia.  

Frustração para o atleta, boa notícia para o técnico Mazola Junior, que teria que contar apenas com Mimica e Neguete para os primeiros jogos. Recentemente contratado, Alemão ainda depende de condicionamento e treinos para ganhar condições de jogo.

Mais ainda: Jansen é um dos poucos polivalentes do elenco azulino – os outros são Djalma e Hélio Borges –, característica bastante valorizada no futebol moderno. O zagueiro de área, que voltou a treinar no Baenão, atua também nas duas laterais e como volante, com rendimento satisfatório. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 24)

Há 12 anos, Ronaldinho passava o bastão a Messi

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Mentor de Lionel Messi no Barcelona, em 2008, Ronaldinho Gaúcho entregou a camisa ao craque argentino, que assumiu a missão com incrível talento, competitividade e profissionalismo. Messi transformou-se no melhor do mundo, seguindo os passos do próprio R10 no clube catalão.

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Enquanto Messi segue encantando o mundo pelo que faz em campo, R10 faz caminho inverso assombrando a todos com a prisão por falsificação de passaporte e suspeita de crimes cometidos no Paraguai. Continua preso, isolado em hotel de Assunção, à espera de julgamento.