Leão busca perfil ‘cascudo’

POR GERSON NOGUEIRA

Clube do Remo: atletas devem se preparar em suas casas | Vigia

Apesar da forte prevalência de volantes no elenco, que gera desconfianças no torcedor, o Remo começa a definir um perfil de time maduro para encarar o Brasileiro da Série C. Escrevi há dois meses, quando Marlon e Zé Carlos ainda eram especulados, que a escalação azulina para a retomada do Parazão podia ter pelo menos seis jogadores com idade acima de 31 anos.

No Estadual, talvez isso não ocorra, mas para o Brasileiro é provável que em determinados jogos o time seja integrado majoritariamente por jogadores experientes, acostumados às dificuldades das Séries B e C. A contratação de Lucas Siqueira, volante de 31 anos, reforça essa impressão.

Vinícius; Everton Silva, Mimica, Kevem e Marlon; Lucas, Charles (Julio Rusch), Gelson e Eduardo Ramos (Douglas Packer); Zé Carlos e Gustavo Ermell. Nessa hipotética escalação, mais da metade está acima dos 31 anos, o que não significa que será um time cansado e lento.

A condição atlética e a capacidade de recuperação após a quarentena irão determinar o ritmo das partidas, havendo uma tendência inicial de jogos mais cadenciados. Além disso, a nova regra de substituições (5) assegura a reposição de peças ao longo dos 90 minutos, vindo em socorro justamente de equipes que estejam fisicamente vulneráveis.

Mais do que a média de idade, cabe observar o modelo tático buscado pelo técnico Mazola Jr. para a campanha na Série C. Fica evidente a preocupação em resguardar o setor defensivo, procurando dar segurança e evitar os muitos problemas verificados no desempenho do time de Márcio Santos na reta final da primeira fase da competição em 2019.

Na maioria dos jogos, inclusive em casa, o Remo incorreu em falhas defensivas que atrapalharam a tentativa de chegar ao mata-mata. Casos, principalmente, dos jogos contra Juventude (2 a 2) e Tombense (0 a 2), nos quais pontos certos foram desperdiçados dentro de casa.

Mazola parece bem atento aos problemas da defesa, mas é fundamental que o Remo tenha opções ofensivas, pois no Parazão o time teve imensas dificuldades (marcou 9 gols em oito jogos, 4º na artilharia) contra equipes retrancadas, cenário mais do que previsível na Série C.  

Um conjunto que não repete a afinação de 2019

O Flamengo venceu, confirmou o favoritismo, mas não teve vida tranquila no clássico. Mais do que no primeiro jogo, quando teve altos e baixos, com falhas no setor defensivo, o Fluminense atuou bem ontem e poderia ter empatado a partida. Teve chances para isso, principalmente porque o Fla voltou a se apresentar surpreendentemente mal, para quem tem um elenco estrelado e recomeçou a preparação antes de todo mundo.

Talvez a incerteza quanto à permanência de Jorge Jesus comece a ter consequências no rendimento e no astral da equipe. De qualquer maneira, um cenário que preocupa quanto às competições realmente prioritárias, como a Série A e a Libertadores.  

A única situação que fez lembrar o arrasador Flamengo do ano passado foi na jogada que resultou no segundo gol. De um rebote defensivo, o time saiu em apenas um toque para Gabriel Barbosa avançar pela direita e cruzar na medida para Michael marcar. Pelo desenho do lance, remeteu ao gol marcado contra o Inter, no Beira-Rio, pela Libertadores. Diferença é que naquela ocasião a saída foi pela esquerda.

De maneira geral, os dois clássicos contra o Flu semeiam dúvidas quanto ao poderio da equipe no restante da temporada. Gabigol, mesmo expulso, continua bem, mas o conjunto não reedita a mesma afinação.

E que caneta em duplo carpado que o Rafinha tomou do Marcos Paulo, hein, torcida brasileira? Que coisa. Te dizer…

Luta contra o racismo: ninguém vai calar Hamilton

Lewis Hamilton, o único piloto negro da Fórmula 1, voltou a se manifestar publicamente ontem contra o racismo ao vencer o GP da Estíria. Ao sair do carro já ergueu o braço direito com os punhos cerrados. Depois, no pódio e sem o capacete, para não deixar dúvidas, repetiu o gesto.

A cena remete aos lendários Tommie Smith e John Carlos, atletas negros americanos que ergueram o braço imitando o grupo Panteras Negras, em 1968, na Olimpíada do México. Nos tempos atuais, é uma forma de repudiar atos racistas, como o que vitimou George Floyd, morto por um policial branco nos EUA.

Na F1, elitista por excelência, sem espaço para minorias ou ativismos, Hamilton é uma honrosa e brilhante exceção. Fortíssimo nas redes sociais, o campeão tem apoiado de forma ostensiva os movimentos antirracistas e emprestado seu prestígio à causa.

Dentro da própria categoria, ele tem cobrado um posicionamento mais claro diante das injustiças sociais e à discriminação. Tem dado certo. Nos dois últimos GP’s, os pilotos vestiram a camiseta negra com a inscrição “End Racism” e se ajoelharam antes da largada, com exceção de seis recalcitrantes competidores.

Na pista, Lewis (Mercedes) mostrou desenvoltura e perícia para chegar com certa facilidade ao primeiro lugar, dominando quase que de ponta a ponta a corrida. Encurtou para 6 pontos a distância para Bottas no Mundial e , com a 85ª vitória, ficou a 6 de igualar a lenda Michael Schummacher.

Espero que consiga alcançar as duas metas. Lewis, não apenas pela consciência política, é uma das boas razões para que se volte a acompanhar F1 mesmo em tempos pouco fartos em talento e bravura.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 13)

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