Gabinete do ódio: MBL é investigado por ligação com a indústria de fake news

Por João Filho – The Intercept_Brasil

O cerco se fechou contra as fake news nesta semana. Depois que diversas páginas e contas ligadas ao bolsonarismo foram derrubadas pelo Facebook, o Ministério Público de São Paulo prendeu homens ligados ao MBL, sendo um deles um famoso propagador de mentiras. Essa indústria de fake news, que forneceu a base para ascensão da extrema direita no Brasil, parece estar com os dias contados.

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Na sexta-feira, 10, a Polícia Civil prendeu dois empresários ligados ao MBL. Eles são acusados pelo Ministério Público de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O MBL nega que eles tenham ligação com o grupo e tenta a todo custo descolar sua imagem dessa investigação. Mas o fato é que a polícia também cumpriu um mandado de busca na sede do movimento e investiga empresas ligadas a ele. Não é possível afirmar que a sede do MBL não é ligada ao MBL, não é mesmo?

Motivos para o grupo estar na mira da investigação não faltam. Além da ligação estreita que mantém com os empresários presos, está sendo investigada a relação financeira obscura entre o MBL e uma das empresas da família de Renan dos Santos, um dos líderes do movimento. Há a suspeita de que essa relação seja para a prática do crime de lavagem de dinheiro. Segundo nota do MP-SP, as evidências obtidas indicam que os envolvidos “construíram efetiva blindagem patrimonial composta por um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado”.

Os procuradores afirmam que a família de Renan comprou e abriu duas dezenas de empresas que hoje se encontram inoperantes — outro forte indicativo de lavagem de dinheiro. Essas empresas devem juntas à União cerca de R$ 400 milhões em impostos. Uma bagatela de quase meio bilhão teria deixado de entrar nos cofres públicos!

Intercept teve acesso ao procedimento de investigação criminal, que está disponível na íntegra ao final desse texto. O MP estranha o fato do “MBL/MRL” ter se negado publicamente a “prestar contas acerca dos valores que vêm angariando ao longo de sua existência, e que vêm financiando a manutenção do “Movimento””. Na investigação consta também que o juiz acatou o pedido do MP para quebrar o sigilo bancário e fiscal de Renan Santos. Agora a estranha relação entre o MBL e a empresa da sua família finalmente deverá ser esclarecida.

A cara de pau em negar a estreita relação do grupo com os presos não resiste a uma googlada. Carlos Augusto de Moraes Afonso é um dos presos que manteve uma forte parceria com o MBL. Usando o pseudônimo de Luciano Ayan, ele ficou famoso por comandar o extinto Ceticismo Político, um site reacionário que publicava fake news. O auge da fama foi atingido quando ele apareceu no Profissão Repórter para explicar uma reportagem mentirosa publicada sobre Marielle Franco.

A manchete insinuava que a vereadora assassinada mantinha relações com o tráfico. O que o MBL fez diante disso? Largou o parceiro ferido na estrada e repudiou a disseminação da mentira? Claro que não. O grupo saiu em defesa de Luciano Ayan e passou a atacar os jornalistas da Globo em suas redes sociais. Produziram até um vídeo para defendê-lo.

Um ex-parceiro do MBL já havia denunciado o que está sendo investigado agora. Em carta enviada à CPMI das Fake News, Roger Scar contou que Luciano Ayan o procurou para assumir o Jornalivre, um site dedicado a produzir notícias com viés de direita para o MBL. Ayan não revelava de onde vinha a grana para manter o site, e o salário de R$ 2 mil de Roger. Dizia apenas que havia um doador anônimo por trás.

Segundo ele, o MBL encomendava conteúdos fakes e de apoio ao candidato Jair Bolsonaro. Foi aí que ele começou a desconfiar quem era a alma bondosa que mantinha financeiramente seu site: “(…) a ficha começou a cair. Na realidade, Luciano havia mentido desde o princípio sobre o suposto apoiador do site. Quem realmente financiou o Jornalivre foi o MBL, e Luciano não passava de um laranja, um intermediário que fazia a ponte entre eles e eu”.

O ex-editor do Jornalivre afirma que a ideia de Ayan era “fazer precisamente o que as milícias bolsonaristas fazem hoje, com assassinato de reputações.” Ou seja, conforme Scar, o grupo pagava para Luciano Ayan comandar uma espécie de Gabinete do Ódio do MBL. Roger não é o único a apontar essas relações. Há outros ex-integrantes que as confirmam.

No texto do procedimento investigatório, consta que Ayan ameaçou membros do MBL que questionaram as nebulosas doações recebidas por meio de vaquinhas online e das lives no YouTube. Ayan “passou a efetuar intimidações e ameaçar internautas que faziam menções questionadoras a estas doações via Superchat que não possuem lastro, e cuja origem não se sabe ser lícita ou ilícita, posto que, como referido, são feitas por meio de pagamentos que não deixam lastro no sistema bancário (via cartão pré-pago).”

Ainda segundo a investigação, essa seria uma “nova e peculiar” técnica de lavagem de dinheiro. As frequentes doações online de valores relevantes não passavam pelo sistema bancário dos investigados, “justamente de forma a proporcionar, de forma mais eficiente, a ocultação da origem dos valores”. O MP chama essa grana de “cifras ocultas”, já que as doações são efetuadas por cartões pré-pago e podem ser feitas em nome de qualquer pessoa. Para os investigadores, a origem do dinheiro dessas doações é “provavelmente ilícita”.

O deputado Kim Kataguiri, que hoje faz a egípcia tentando escamotear sua proximidade com Ayan, o considerava um analista político de respeito. O MBL o considerava um professor e chegou a convidá-lo para ministrar uma aula pública em frente à sede do Facebook, onde o grupo fazia um protesto:

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Ayan era tão próximo do movimento que chegou a ser sócio de uma empresa junto com Pedro D’Eyrot, líder e um dos fundadores do MBL. É esse o nível de proximidade de Ayan com lideranças do grupo.

Alessander Monaco, o outro homem ligado ao MBL preso na operação, é suspeito de, dentre outras coisas, realizar “doações altamente suspeitas através da plataforma Google” — leia-se suspeita de lavagem de dinheiro. Esses indícios circulam pelas redes desde o ano passado. Monaco trabalhou durante um ano como funcionário do estado de São Paulo durante a gestão de Doria, um político que sempre foi um grande parceiro do MBL. Aliás, integrante do MBL contratado pela gestão Doria não chega a ser novidade.

O MBL fazia arrecadação de dinheiro por meio de suas lives no YouTube. Cada doação era chamada pelos integrantes de “pimba”. Monaco era um “pimbador” em série. Fazia doações com valores acima da média e era festejado pelo grupo.

As doações frequentes e vultosas de Monaco viraram piada interna entre os integrantes do MBL. Tanto que o grupo passou a apresentar suas lives exibindo em cima da bancada um porta-retrato com uma foto em homenagem ao doador “anônimo”. Na foto abaixo, Alessander aparece sentado à mesa em uma live do grupo.

A investigação afirma que “as doações efetuadas mensalmente por ele ao MBL somavam valores muito além da sua capacidade econômico-financeira”.

Além das “pimbadas”, o MP suspeita das 50 vezes que Monaco foi para Brasília entre julho de 2016 e agosto de 2018. Apesar de ganhar apenas R$ 6 mil mensais como funcionário da gestão Doria à época, ele torrou mais de R$ 100 mil gastos com passagens. Em todas as vezes, ele foi ao Ministério da Educação, mas nunca apresentou uma justificativa plausível. Em praticamente todo o período em que as viagens foram feitas, o ministro da Educação era Mendonça Filho, do DEM. É um partido que sempre esteve próximo do MBL e foi por meio dele que o grupo elegeu três lideranças: Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Mamãe Falei. É mais uma história que precisa ser melhor esclarecida.
O MP identificou também um significativo aumento de patrimônio de Monaco. Em 2017, saltou de R$ 146.196,96 para R$ 465.376,92. A investigação aponta também que a Receita Federal observou um gasto de cartão de crédito mensal médio de R$ 27.456,63 — um valor incompatível com seu salário.

Os integrantes do MBL sugerem que estão sendo vítimas de uma perseguição do bolsonarismo, com quem rompeu e hoje faz oposição. Pelo que vimos acontecer no Brasil nos últimos anos, essa é uma hipótese factível. É realmente possível que haja uma disposição em enquadrar o MBL teleguiada por agentes bolsonaristas.

Nós conhecemos o tamanho da influência do bolsonarismo dentro das polícias e do Ministério Público. Mas isso não significa que as suspeitas não fazem sentido. Fazem. O MBL nunca foi transparente quanto ao financiamento do grupo. Nunca prestou contas aos filiados do dinheiro que arrecada por meio das “pimbadas”. Quem faz a auditoria dessas doações? Quanto de dinheiro o MBL arrecadou com elas? Quanto Luciano Ayan recebeu para montar o gabinete do ódio do grupo? Ninguém sabe, nem mesmo os integrantes do grupo. A gestão financeira do MBL era uma caixa-preta que apenas a família do Renan Santos tinha acesso. Mas esse segredo parece estar prestes a ser descoberto.

Acesse aqui a íntegra do procedimento investigatório criminal que o MP-SP abriu contra o MBL.

Prefeitura administrada pelo PT é modelo no combate à covid-19 em São Paulo

De acordo com levantamento da Fundação Seade, do Governo do Estado de São Paulo, a cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, governada por Edinho Silva (PT), tem a menor taxa de mortalidade por covid-19 do Estado, e uma das menores taxas de letalidade do Brasil. Até junho, foram confirmados 810 casos e apenas 10 mortes, o que resulta em uma taxa de letalidade de 1,2%, a mais baixa entre municípios com mais de 500 casos confirmados.

Em cidades como Rio Claro e São Carlos, que são próximas à Araraquara e com população semelhante, a taxa de letalidade é mais que o dobro (5,7% e 2,8%, respectivamente).

Para o prefeito Edinho, o segredo foi dar a devida atenção e respaldo às recomendações e decisões da equipe gestora de saúde e agir rápido. “A Covid-19 só se assemelha em termos de tragédia humana e do ponto de vista econômico à II Guerra Mundial. Um inimigo invisível, com uma letalidade considerável que se agrava em questão de horas”, afirmou o prefeito.

A prefeitura montou, logo no início de março, um comitê de contenção da doença com todas as autoridades médicas do município, para levantar o quadro da época e desenhar os possíveis cenários para os meses seguintes.

Veja abaixo as oito ações de Araraquara destacadas pelo prefeito como fundamentais para o sucesso da cidade no combate ao Coronavírus:

1. Expansão do horário de atendimento das redes básicas regionais, como uma medida para não sobrecarregar a rede de urgência e emergência. “Não podemos deixar ninguém morrer por falta de assistência médica”, explicou.

2. Criação de um serviço de telemedicina, em que as pessoas são atendidas por um número 0800, impedindo que qualquer sintoma leve as pessoas para rede hospitalar municipal e sobrecarregue o sistema.

3. Criação de “equipes de bloqueio”, em que, ao identificar um paciente diagnosticado, uma equipe vai a campo para criar um ambiente de isolamento daquele paciente e pessoas que estiveram em contato.

4. Criação de centro de referência de Coronavírus, a partir da transformação de uma das UPAs da cidade, com equipes especializadas para que as pessoas com sintomas de Covid-19 se dirijam para lá.

5. Parceria com a faculdade de farmácia da Unesp, laboratório referência para o estado todo, passando a fazer exames em todos os sintomáticos. “Enquanto estávamos com o Adolph Lutz (Órgão da Secretaria Estadual de Saúde), levávamos até 15 dias para o resultado de um exame. Com a Unesp, reduzimos o prazo para até 12 horas o acesso aos resultados. Essa agilidade e tempo que conquistamos foram fundamentais para lidar com uma doença como a Covid-19”, destacou Edinho.

Papão começa a reforçar o ataque

POR GERSON NOGUEIRA

Com o campeonato confirmado para começar no dia 1º de agosto, como definido pelo conselho técnico, os clubes começam a acelerar os preparativos, o que inclui a contratação de reforços para a retomada. O Castanhal anunciou o zagueiro Rafael Lima (ex-Real Ariquemes), o Remo confirmou cinco aquisições (Zé Carlos, Júlio Rusch, Lucas, Kevem e Everton Silva).

O Paysandu oficializou a contratação do... - Paysandu Informações ...

Faltava alguma notícia por parte do PSC, que se manteve em silêncio desde a volta aos treinamentos. Ontem, finalmente, surgiu o primeiro nome para se juntar aos 29 atletas do elenco. É o atacante Erik Bessa, de 24 anos, velocista que joga pelos lados do campo, com 4 gols marcados em 2019.

É claro que a cautela demonstrada pelo clube se justifica por duas razões importantes. O Papão não tem as mesmas necessidades das outras equipes, pois foi o único clube que manteve intacto o elenco que disputou a primeira fase de classificação do Estadual, e ainda teve o retorno de dois jogadores que estavam cedidos a outros clubes – Alan Calbergue e Victor Diniz.

A segunda justificativa é a própria crise financeira que afeta o futebol após quatro meses de paralisação de atividades, sem garantia de receita que permita aos clubes arriscar em novos investimentos. No caso específico do PSC, há o receio de novos endividamentos em meio a uma verdadeira tempestade de ações trabalhistas referentes à temporada 2018.

Ao todo, 20 atletas acionaram judicialmente o clube. A somatória das ações alcança R$ 5,3 milhões, com a ressalva de que são processos em andamento, alguns nem iniciados, que podem ser parcialmente revertidos ou alvos de negociação. Acrescente-se a isso valores cobrados pela BWA.

Ao oficializar o primeiro reforço, vindo do futebol goiano, o executivo de futebol Felipe Albuquerque ressaltou a qualidade técnica de Bessa, que atua pelos lados e é um bom assistente. Um reforço para o ataque, onde Nicolas se mantém como ave solitária desde o ano passado.

Outros nomes devem ser anunciados nos próximos dias, provavelmente um meia-armador e um lateral-direito. O clube, porém, não confirma nenhuma movimentação no mercado em busca de atletas.

Parazão tem início mantido e decisão em plena Série C

A ideia de antecipação do começo do Parazão em pelo menos uma semana não vingou. A proposta partiu do PSC, que teme o desgaste gerado pela sobreposição de datas do Estadual com a Série C. O Remo, também participante do Brasileiro, não sugeriu mudança no calendário já aprovado, alegando que já tem programação em andamento.

De qualquer modo, a alteração nas datas da Série C, que agora vai começar a 9 de agosto, impôs adaptações na tabela das semifinais e decisão do Parazão. Os jogos decisivos do Estadual serão realizados nos meios de semana, entre a primeira e a terceira rodadas do Brasileiro.

O primeiro semifinalista é o PSC, já classificado. O Remo está virtualmente garantido, dependendo de um ponto em dois jogos. Águia de Marabá (5°) e Independente (6°) terão que vencer os dois jogos e torcer por vacilos de Castanhal (3º) e Paragominas (4º). O Bragantino (7º) tem chances remotas de classificação.

Um brasileiro se aproxima de recorde na Espanha

O Brasil tem uma longa tradição de presença no futebol da Espanha. O início foi nos anos 30 com a contratação de Fernando Giudicelli pelo Real Madrid, sem grande sucesso, mas nas décadas seguintes o caminho foi trilhado por vários jogadores de alto calibre.

Didi, por exemplo, chegou ao Real em 1959 com cartaz de astro internacional após comandar a meiúca da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Evaristo Macedo e Canário foram outros brazucas contratados nessa leva. Canário ajudou o Real a ganhar, em 1960, a Copa dos Campeões da Europa.

A partir dos anos 80, o fluxo de atletas brasileiros se ampliou em relação à Espanha. Tempos de Romário, Roberto Carlos, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Daniel Alves e Marcelo, cuja trajetória pode ser enriquecida com a conquista da La Liga deste ano.

Com quatro pontos de frente sobre o Barcelona, a duas rodadas do fim do certame, o Real tem a faca e o queijo na mão para levantar a taça e Marcelo pode atingir a marca de cinco títulos nacionais, ficando a uma conquista de Daniel Alves, que, pelo Barcelona, acumulou seis títulos.

Caso o campeonato seja conquistado neste final de semana, Marcelo irá igualar Dani Alves no total de títulos oficiais, pois tem no cartel 21 taças – 4 da Liga dos Campeões, 4 do Mundial de Clubes, 3 da Supercopa da Uefa, 4 de La Liga, 4 da Supercopa da Espanha e 2 da Copa do Rei.

Revelação do Fluminense, Marcelo continua a frequentar convocações da Seleção Brasileira e tem contrato com o Real até 2022, o que lhe dá a chance de ganhar pelo menos mais dois títulos espanhóis. Se isso ocorrer, passará a ser o brasileiro mais vitorioso no torneio por um mesmo clube.

Meritocracia à brasileira na Corte maior do esporte

Nota publicada por Lauro Jardim, ontem, em O Globo, revela o tamanho dos conchavos e manobras políticas de bastidores que fazem do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, há muito tempo, abrigo para filhos e parentes de magistrados. O futebol, tema dos debates e atribuições da corte, passa a ser veículo para acomodar interesses maiores.

Segundo o jornalista, foi formalizada a eleição de Otávio Noronha para presidir o STJD. Filho de João Otávio Noronha, presidente do STJ, ele fica no cargo até 2022. A eleição foi por aclamação, sem qualquer disputa.

Desde que Paulo César Salomão Filho, sobrinho de Luís Felipe Salomão, também integrante do STJ, foi eleito há dois anos, já havia um acordo tácito entre os membros do tribunal para que o jovem Otávio assumisse o posto neste ano. Tudo em casa, portanto.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 15)