Lava Jato: exemplo de ‘soft power’ a favor dos EUA contra o Brasil

24.out.2017 - O então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol durante evento em São Paulo - HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO

Por Kennedy Alencar

Nas relações internacionais, o uso do “soft power” (poder suave, em inglês) se revela, com frequência, mais produtivo do que recorrer ao “hard poder” (poder duro). O “hard power” é a estratégia do porrete. Na geopolítica, a força da economia, o tamanho da população e a eficiência do aparato militar colocam países em posição naturalmente mais vantajosa ao negociar com outras nações. É o caso dos Estados Unidos, da China e da União Europeia.

O “soft power” é uma estratégia mais sofisticada, na qual uma ou mais características específicas do país (ambiental ou cultural, por exemplo) contribuem nas interações com as demais nações. “Soft power” não depende de arsenal nuclear. Além do “hard power”, os EUA têm um “soft power” ancorado na força da sua cultura, o que desperta o desejo de outros países e cidadãos de serem parecidos com a “América” e os americanos.

O Brasil também possui “soft power”. O peso ambiental, a música e o futebol brasileiro funcionam como cartões de visita que abrem portas nas relações internacionais. Esse jogo, portanto, é complexo. Os países têm de saber jogá-lo levando em conta seus interesses nacionais. É assim que funciona, geopoliticamente falando.

A Operação Lava Jato é um exemplo de sucesso do “soft power” usado a favor dos Estados Unidos contra o Brasil. Publicada nesta quarta-feira, uma reportagem da Agência Pública em parceria com o Intercept Brasil revela como foi colocado mais um prego no caixão dos interesses nacionais brasileiros. Em resumo, a reportagem ilustra como a Lava Jato, por meio de figuras do naipe do procurador da República Deltan Dallagnol, comportou-se de forma submissa aos EUA quando combateu a corrupção no Brasil.

Mensagens do Telegram mostram mais evidências da sabida disposição de Deltan Dallagnol para ignorar a lei brasileira na cooperação internacional com o FBI, a Polícia Federal dos EUA. O procurador precisou ser alertado por um colega, Vladimir Aras, que usar canal direto com o FBI para comunicar decisões do então juiz Sergio Moro seria ilegal e colocaria em risco medidas da Operação Lava Jato e até a “política externa” da Procuradoria Geral da República.

É óbvio que combater a corrupção é fundamental para o avanço civilizatório dos países. Nesse tabuleiro, os EUA conseguiram transformar o seu modelo em parâmetro internacional. Os americanos não titubeiam em usar essa arma na defesa dos seus interesses nacionais. Advogados envolvidos nas tratativas entre autoridades americanas e a Lava Jato sempre se disseram surpresos com a facilidade com que os interesses de cidadãos e empresas do Brasil foram colocados em segundo plano na hora de fechar acordos.

Esse é um fato corroborado pelo desastre econômico que a Lava Jato causou no Brasil ao contribuir para enfraquecer empresas que geravam milhares de empregos, como a Petrobras e a Odebrecht. Ora, quebrar a lei para combater a corrupção é uma forma de corrupção.

Como mostrou a série de reportagens do Intercept Brasil em parceria com outros veículos de imprensa no ano passado, a Lava Jato é useira e vezeira desse modus operandi parecido com o das organizações criminosas que pretendeu combater. Corromper o sistema judicial é crime.

A defesa dos interesses nacionais não é algo menor. Não é uma coisa que um agente público pago com o dinheiro do contribuinte brasileiro possa deixar de fazer. Mas essas vestais do auxílio-moradia e dos supersalários, privilegiados que nunca hesitaram em defender seus privilégios num país tão desigual, acabaram se lixando para os interesses nacionais quando trataram com seus colegas americanos.

Essa relação abusiva não deve ser vista como resultado de uma conspiração. Não são americanos malvados do Departamento de Justiça manipulando brasileiros ingênuos. É mais realista recorrer ao bom e velho conceito do Complexo de Vira-Latas cunhado por Nelson Rodrigues. Ele explica melhor essa gente e suas atitudes.

Personagens dignos de Nelson Rodrigues, Dallagnol, Moro e procuradores da Lava Jato têm uma espécie de cacoete americano com pitadas de deslumbramento e arrivismo social. Adoram as premiações e festas de gala nos Estados Unidos nas quais posam de cavaleiros do combate à corrupção. Ficam felicíssimos com os colares que ganham dos neocolonizadores.

A Lava Jato contribuiu decisivamente para a ascensão de Jair Bolsonaro ao poder. A operação foi uma das mães do golpe institucional de 2016, um impeachment sem crime de responsabilidade, e se permitiu ser usada pelo bolsonarismo em 2018. Agravou a crise político-econômica brasileira, que também tem raízes na descoberta de mais um escândalo da corrupção endêmica, no governo ruim de Dilma Rousseff e na ausência de lealdade da oposição da época à Constituição.

Grande parte do jornalismo também deu a sua cota de participação quando topou ser correia de transmissão acrítica do lavajatismo que manipulou a opinião pública e envenenou o debate público no país. Moro e Dallagnol integram o badalado grupo dos democratas de pandemia. Descobriram agora que Bolsonaro nunca quis combater corrupção nenhuma.

Moro topou ser ministro do desgoverno obscurantista por 16 meses, mas age como se não fosse um dos pais da criança. Dallagnol enxergou uma mudança para melhor no país com a eleição do genocida e chegou a orar pela boa nova.

Essa gente continua com a hipocrisia e a empáfia de sempre. Continua sendo o maior perigo para o Brasil.

Freio na espiral de loucura

POR GERSON NOGUEIRA

Coronavírus: FPF mantém jogos do Campeonato Paraense com portões ...

Um raio rasgou o céu e fez com que os aloprados dirigentes da Federação de Futebol do Rio de Janeiro resolvessem recuar da malsinada ideia de autorizar a presença de torcedores em jogos do Campeonato Carioca. A medida havia sido decretada pelo prefeito Marcelo Crivella, um negacionista típico, solidário à filosofia do presidente da República. Como ele, o gestor carioca é contra a estratégia de isolamento social e defende a liberação geral de eventos e atividades comerciais.

As consequências nefastas de liberar presença de pessoas em estádios de futebol são bem conhecidas pelas autoridades médicas. Bergamo, onde a pandemia irrompeu com mais letalidade na Itália, sediou jogos da Atalanta na Liga dos Campeões da Europa. Milhares de pessoas compareceram às partidas até o começo de março e, logo em seguida, o número de contaminados explodiu na cidade e no país.

Ex-jogadores como Paolo Maldini se manifestaram, criticando as autoridades pela permissão dada à realização dos jogos, quando já se sabia dos efeitos devastadores da covid-19 na China. Ao mesmo tempo, Maldini fez uma autocrítica, observando que quase ninguém se manifestou, aceitando passivamente a continuidade dos jogos.

No Brasil, as federações estaduais têm se mantido cautelosas em relação à volta dos campeonatos. A CBF estabeleceu o retorno para o começo de agosto, mas sem público presente. Prevalece a consciência de que não é possível, a título de garantir faturamento nas bilheterias, sacrificar vidas, seguindo o que já praticam as grandes ligas europeias.

O mau exemplo do Rio de Janeiro, Estado assolado pela pandemia e sem controle do número de casos, não pode frutificar e contaminar o resto do país. O retorno do campeonato apenas 15 dias depois do chamado pico da covid é uma irresponsabilidade absoluta. As autoridades recomendam um espaço de tempo entre 60 e 70 dias como margem segura para a retomada.

Nos próximos dias, o Campeonato Paraense deve ter seu reinício definido em reunião da FPF com os clubes. Pelo que se avalia, a competição deverá recomeçar no dia 12 ou 15 de agosto. Caso isso se confirme, serão mais de 70 dias após o pico da pandemia no Estado.  

Acenos que atiçam, mas não têm qualquer efeito prático

O sonho de participar da Copa do Nordeste, alimentado há tempos pelos dois grandes clubes do Estado, parece cada vez mais distante, alimentado de vez em quando por pequenos e simpáticos acenos de dirigentes, sem que haja qualquer chancela oficial.

Nos últimos dias, o tema voltou a ser discutido, fortuitamente, a partir de comentários atribuídos ao presidente do Santa Cruz. Segundo ele, a dupla Re-Pa seria muito bem recebida na copa regional que vive acumulando lucros e cativando interesse do público.

É claro que, para os dois gigantes paraenses, ingressar no torneio nordestino seria excelente notícia. O problema é que há uma distância imensa entre intenção e prática. A entrada de concorrentes fortes, com grandes torcidas, talvez não seja bem vista por todos os demais clubes da Lampions League.

Remo e PSC precisam se concentrar naquilo que já é garantido, mesmo sem ser tão lucrativo. A Copa Verde, que deve receber clubes do Espírito Santo na edição deste ano, é o que temos. Só é preciso valorizar mais e lutar por premiações mais decentes.

Série C: união necessária e decisiva para os clubes

Os 20 clubes participantes da Série C manifestaram ontem um posicionamento bem claro e unânime quanto à necessidade de que o campeonato tenha por parte da CBF as mesmas decisões que serão tomadas em relação às Séries A e B.

Um dos pontos mais destacados do documento, que será endereçado ao presidente Rogério Caboclo, diz respeito à data de começo da competição. Os dirigentes querem que a Série C comece também nos dias 8 e 9 de agosto, como previsto para as duas divisões principais.

O item saúde é apontado como a razão de todas as inquietações dos clubes, que reafirmam a disposição de obedecer as normas de higienização e os itens definidos no protocolo elaborado pela CBF a respeito da covid-19.

Há também a reivindicação de novo auxílio financeiro, a fim de dar suporte às despesas que os clubes terão com jogos sem público, além dos custos normais de folha salarial e encargos. Algumas agremiações estão com salários atrasados há meses, o que torna ainda mais aflitiva a situação.

Vale lembrar que, em abril, a CBF já destinou ajuda de R$ 200 mil a cada clube classificado para a Série C. É provável que o apelo seja acatado, desde que os clubes permaneçam marchando unidos na hora de discutir com a diretoria da CBF.

Na prática, a grande notícia por trás da posição dos clubes é a união de forças para lutar pela sobrevivência no cenário de incertezas que a pós-pandemia vai trazer a todos.

tabela | campeonato paraense | GloboEsporte.com

Atacante é “um risco bem calculado”, segundo Mazola

O técnico Mazola Junior, no retorno a Belém para reiniciar a preparação do elenco do Remo, fez uma declaração que serve para tranquilizar a torcida. Garantiu que o veterano Zé Carlos, indicado por ele, terá um acordo de produtividade com o clube. Aos 38 anos, o jogador não mostra há três temporadas a mesma facilidade que tinha para fazer gols.

Mazola garante que Zé Carlos sempre rendeu bem sob seu comando e que está fechando com o Remo o contrato mais baixo de sua carreira, em termos financeiros. Algo, de respeito, plenamente normal para um jogador em fim de carreira. A conferir.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 01)